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Flamengo acaba com mito do "impossível": campeão brasileiro e da América

André Rocha

24/11/2019 19h02

O Cruzeiro de 2003, comandado por Vanderlei Luxemburgo e Alex, foi muito celebrado não só pelo futebol de alto nível, mas principalmente por ter alcançado os títulos brasileiro e da Copa do Brasil no mesmo ano, além do Mineiro. Por conta do calendário inchado e insano do Brasil, ganhar dois títulos nacionais já era considerado um feito raro e grandioso.

Vencer o Brasileiro e a Libertadores, então, carregava o mito do "impossível". Mais ainda com o torneio continental passando a ser disputado durante a temporada inteira. No formato anterior, São Paulo e Internacional foram os que chegaram mais perto em 2006. O Tricolor campeão brasileiro e o Colorado vencendo Libertadores e Mundial.

O Flamengo quebrou a banca em 2019. Campeão sul-americano no sábado e confirmando o título na competição por pontos corridos depois da derrota do Palmeiras em casa para o Grêmio por 2 a 1. Com quatro rodadas de antecedência, sem precisar entrar em campo.

Nem o Flamengo de Zico alcançou as mesmas conquistas em 1981. Até faturou Libertadores e Brasileiro em doze meses, já que venceu o campeonato nacional no primeiro semestre do ano seguinte. Mas disputando as competições no mesmo período, só o time de Jorge Jesus. E ainda vencendo o Carioca, ainda sob o comando de Abel Braga. Hoje, porém, bem menos valorizado que há 38 anos.

Igualando o Santos de Pelé, que venceu Taça Brasil e Libertadores em 1962 e 1963. Mas desta vez em 38 rodadas, enquanto o alvinegro praiano jogou apenas cinco partidas no primeiro ano e quatro no segundo para faturar um torneio com perfil mais semelhante ao da Copa do Brasil. Eram outros tempos e não há como diminuir as conquistas do maior time da história do nosso futebol.

Mas o feito do Fla é de enorme relevância e nem precisa do título do Mundial de Clubes, hoje quase impossível para os sul-americanos, para entrar para a história. Pelos resultados, mas também por desempenho muito acima da média. E quebrando de vez o paradigma de que não é possível conciliar competições. Poupando menos, fazendo um rodízio mais natural com suspensões, lesões e convocações. Sem exageros e valorizando o Brasileiro.

Já igualou os 81 pontos do Corinthians em 2015 e certamente vai manter o nível competitivo para chegar forte no Mundial. Terá dois testes importantes, contra Palmeiras e Santos fora de casa. Para tentar quebrar mais recordes e escrever novos capítulos de uma saga inimaginável de cinco meses.

O "meteoro" Flamengo de Jorge Jesus, dos artilheiros Gabriel Barbosa e Bruno Henrique e do melhor futebol do país na década se eterniza de vez em um fim de semana mágico.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.