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Jogo eletrizante em Madrid mostra o melhor e o pior de Real e PSG

André Rocha

26/11/2019 19h28

Dois gols para cada lado, 41 finalizações em pouco mais de noventa minutos – 28 do Real, 13 do PSG. Emoção até o fim, com a cobrança de falta na trave de Gareth Bale, que substituiu o lesionado Eden Hazard.

Foi um jogo eletrizante, divertido no Santiago Bernabéu. Cheio de alternativas, com talentos em campo. E o melhor Real Madrid nesta segunda Era Zidane. Resgatando o volume de jogo dos melhores momentos do tricampeonato da Liga dos Campeões.  Ou seja, da temporada 2016/17, com direito à conquista da liga espanhola.

Apesar da presença de Isco, Zidane não resgatou o 4-3-1-2 que deu liga há três temporadas. Era uma variação de 4-4-1-1 e 4-1-4-1, com destaque para Valverde pela direita dando dinâmica e fluência ao meio-campo, liberando Toni Kroos para a articulação e fazendo boa dupla com Carvajal. Embora os lances mais plásticos estivesse no lado oposto, com Marcelo, Hazard e Kroos.

Setor em que foi iniciada a jogada que terminaria na inversão para Valverde servir, Isco finalizar na trave e Benzema empurrar para as redes. O time merengue ainda teria outras boas oportunidades dentro de um desempenho mais que elogiável. Mas sem um goleador atém de Benzema para aproveitar as oportunidades criadas. Rodrygo estava no banco e entrou na segunda etapa, porém se acrescentar a contundência necessária. O problema da ausência de Cristiano Ronaldo.

O PSG se fechava em um 4-3-3/4-1-4-1, mas sofria isolando o trio Di María-Icardi-Mbappé dos meio-campistas Gueye e Verratti, que ficavam à frente de Marquinhos, volante na equipe de Paris. Thomas Tuchel mudou o desenho tático na volta do intervalo para o 4-2-3-1 ao trocar Gueye por Neymar, que saiu do banco para jogar na ligação como meia central e contribuir com a habitual visão de jogo, embora com pouco ritmo voltando de lesão.

O time francês, porém, continua dando a impressão de que, no mais alto nível, não consegue passar de uma reunião de talentos que não consegue se integrar como equipe. Muitos espaços entre os setores, baixa intensidade em vários momentos. Mesmo com a campanha 100% na Champions até esta rodada.

Em nova bela ação de ataque com inversão de lado, Marcelo ajeitou com a sola do pé em típico movimento de futsal antes de colocar na cabeça de Benzema no segundo gol. Já com Modric no lugar de Valverde. Jogada construída com tanta naturalidade que parece ter desligado o Real da partida.

Só que Tuchel havia corrigido a distribuição de sua equipe em campo pouco antes com as entradas de Sarabia e Draxler nas vagas de Di María e Icardi. Adiantou Mbappé como referência móvel e veloz na frente e deu liberdade a Neymar. Ganhou fluência pela direita e aproveitou vacilo de Varane e Courtois para diminuir com Mbappé e, na sequencia, empatar com Sarabia, livre no setor de Marcelo para finalizar jogada à esquerda iniciada por Neymar. A circulação da bola ficou mais rápida e menos previsível.

Poderia ter se transformado em virada se Mbappé tivesse ângulo para enxergar Neymar entrando livre por dentro. Seria um prêmio ao talento, mesmo descoordenado. Também uma punição dura demais para o Real que jogou muito e deve tratar a atuação como referência, só precisando aproveitar com mais frequência as oportunidades criadas. Perdeu a chance de devolver os 3 a 0 da ida e buscar a liderança do Grupo A da Liga dos Campeões.

O Bernabéu viu nos 2 a 2 o melhor e o pior de Real e PSG. Como espetáculo, não houve nada a reclamar.

(Estatísticas: UEFA)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.