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Flamengo de Jesus tira 27 pontos do Palmeiras. Na F-1 seria abrir uma volta

André Rocha

01/12/2019 17h57

O Allianz Parque não comprou o discurso de Mano Menezes, que tratou o jogo contra o Flamengo em casa como uma espécie de decisão. Nem o próprio time de Jorge Jesus, que liberou Pablo Marí para ir a Espanha resolver problema de visto de trabalho e deixou o capitão Everton Ribeiro no Rio de Janeiro tratando uma dor no joelho.

Com estádio morno e longe de estar lotado, tornando ainda mais ridícula a decisão de MP e PM de SP de sugerir torcida única, a superioridade rubro-negra ficou clara no contragolpe do primeiro gol. Que precisou do VAR para confirmar a posição legal de Arrascaeta no momento do passe de Bruno Henrique. Assistência de Gabriel Barbosa, 12º gol do uruguaio no Brasileiro. Com quatro  minutos de jogo.

Mesmo com a torcida alviverde inconformada com Mano e equipe, cantando "time sem vergonha" em boa parte do jogo, o árbitro Ricardo Marques Ribeiro conseguiu complicar o seu trabalho. Não marcou pênalti claro de Rhodolfo sobre Dudu. Pior: assinalou um impedimento ridículo do camisa sete. Também aliviou Rafinha, que exagerou na marcação sobre Dudu e fez por merecer o segundo amarelo e o vermelho, especialmente no pisão sobre o adversário no finalzinho do primeiro tempo.

Mas nada que torne contestável o passeio do campeão brasileiro e da América do Sul. Nos últimos minutos antes do intervalo e logo na volta para a segunda etapa definiu o jogo com dois de Gabriel Barbosa. O primeiro em bela jogada que teve inversão de Rafinha para assistência de cinema de Arrascaeta. Depois a pressão de Gerson que fez a bola chegar ao artilheiro, agora com 24 gols, à frente do goleiro Jailson.

Daí para o final, a tônica do jogo foi o Palmeiras tentando mostrar ao menos honra. Bruno Henrique e Willian carimbaram as traves de Diego Alves. O "Bigode" ainda marcou gol bem anulado por impedimento no início da jogada e Matheus Fernandes foi às redes e diminuiu para 3 a 1.

Jesus trocou Bruno Henrique por Diego no intervalo, depois preservou Rafinha colocando Rodinei e Vitinho saiu por problemas físicos para a entrada de Piris da Motta. E reduziu ainda mais o ritmo, apelando para alguns lances de efeito. Gerson e Gabriel sentiram e ficaram em campo fazendo número. E novamente Ricardo Marques Ribeiro errou em lance de Rhodolfo com Dudu. Outra falta clara do zagueiro sobre o ponteiro, mas desta vez fora da área.

O jogo foi o retrato do campeonato: quando o Flamengo se organizou e acertou a formação titular – justamente contra o Palmeiras, os 3 a 0 no Maracanã que custaram o emprego a Luiz Felipe Scolari – não houve competição. Enquanto o melhor time jogou minimamente sério, o concorrente não teve chances.

A matemática explica: Jorge Jesus estreou na décima rodada. Com o Fla oito pontos atrás do Palmeiras. O triunfo na 36ª rodada fez o campeão abrir 19 pontos. Ou seja, tirou 27 pontos no mesmo número de jogos. Um por rodada. Se fosse F-1 seria como abrir uma volta sobre o terceiro colocado. Simbólico.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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