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Sem Sampaoli, Palmeiras não deve se deixar seduzir de novo pelo passado

André Rocha

15/12/2019 08h56

Jorge Sampaoli e Palmeiras pareciam formar uma parceria perfeita dentro da realidade do futebol brasileiro. Um treinador de primeira prateleira e elenco robusto, que agora deve fazer a mescla saudável com os talentos produzidos nas divisões de base que não ganhavam oportunidades por conta da política agressiva no mercado.

O clube paulista, porém, deu por encerrado o período de negociações com o argentino, sem acordo. É claro que o cenário permite reviravoltas e arrependimentos, mas hoje é improvável o acerto e o Palmeiras já trabalha com outras possibilidades. O espanhol Miguel Ángel Ramírez, campeão da Copa Sul-Americana com o Independiente Del Valle, é um nome especulado.

Outros falam em Vanderlei Luxemburgo, que deixou o Vasco e é considerado "em alta" no mercado, mesmo entregando um trabalho apenas aceitável no time cruzmaltino: sem riscos de rebaixamento, porém abaixo de Fortaleza e Goiás, que vieram da Série B – sempre uma transição complicada – e com orçamentos inferiores.

Depois do 2019 frustrante com Luiz Felipe Scolari e Mano Menezes, o Palmeiras quer mudanças na mentalidade. Um jogo mais ofensivo, com conceitos atuais. Que entregue desempenho, resultados e também encante. Legítimo e salutar.

Só não parece a melhor solução no momento um novo resgate do passado, apenas mudando o perfil. Antes Felipão, agora Luxemburgo? Hoje não há nenhum indício de que o treinador – um dos maiores e melhores da história do futebol brasileiro, mas que ficou um ano e meio desempregado e nada fez de consistente no último trabalho – possa promover a "revolução" que o clube deseja.

Fazer quatro gols no Flamengo de Jorge Jesus não pode ser a única credencial. O contexto do clássico para o Vasco e considerando o momento do time rubro-negro, às vésperas de uma decisão de Libertadores, precisam receber o devido peso. É simplismo achar que basta entregar um elenco mais qualificado nas mãos de Luxemburgo para superar o principal concorrente do Palmeiras no país.

Até pode acontecer, já que no futebol é preciso apenas um "click", um encaixe. Muitas vezes surpreendente, como o de Felipão no ano passado ou, por exemplo, de Claudio Ranieri no Leicester City campeão inglês em 2015/16. Mas o Alviverde não pode colocar todas as fichas na aposta da exceção, do que é menos provável.

É hora de ser arrojado, criativo. Olhar para o mercado com atenção e seguir um roteiro: definir estilo, observar se o elenco para 2020 tem as características necessárias e buscar o treinador dentro do perfil, mas com conceitos atuais. Sem olhar para trás, buscando segurança no que já deu certo. São outros tempos, outra maneira de jogar.

Se não for Ramírez, que o alvo continue mirando o futuro. O futebol brasileiro agradece.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.