PUBLICIDADE
Topo

Liverpool se arrisca além da conta, mas cumpre "protocolo" e está na final

André Rocha

18/12/2019 16h55

A formação inicial do Liverpool para a semifinal em Doha era consequência dos desfalques na defesa de Matip e Lovren, lesionados, e Van Dijk, que passou mal e nem saiu do hotel. O meio-campo perdeu Fabinho e Wijnaldum, também por contusão. O desgaste de tantos jogos e da viagem ao Catar empurraram Alexander-Arnold, Roberto Firmino e Mané para a reserva.

Restou a Jurgen Klopp fazer uma espécie de "cata-cata": Milner improvisado na lateral-direita, Henderson adaptado à zaga ao lado de Joe Gómez; meio-campo formado por Lallana, Oxlade-Chamberlain e Keita. No primeiro tempo, Origi pela direita, Shaqiri do lado oposto e Salah no centro do ataque. Time mexido demais, confiando na imposição natural dos europeus no Mundial.

Sofreu durante todo o jogo. Principalmente pela resposta rápida do Monterrey ao gol de Keita, completando assistência espetacular de Salah. Na bola parada,  Funes Mori aproveitou uma das muitas falhas defensivas do time inglês para empatar. O campeão da Concacaf, invicto desde outubro e finalista do Mexicano, era organizado e intenso sem bola na execução do 4-1-4-1, com atuação primorosa do zagueiro Nicolas Sánchez, e explorava a rapidez de Pabón nas costas de Robertson, mal acostumado com a cobertura de Van Dijk.

Mais uma demonstração de que se entrar "blasé" demais, sem competir em bom nível, as dificuldades são enormes para qualquer time. O Monterrey finalizou 16 vezes contra 12, oito a seis no alvo. Fez de Alisson um dos destaques da partida. Mas não construiu a virada que parecia possível. O tempo passou e Klopp apelou para Arnold, Mané e Firmino.

O brasileiro foi o último a entrar, na vaga de Origi. Com o temido tridente no ataque e o cansaço do adversário, com vários atletas caindo com câimbras, a dúvida era se haveria tempo para definir no tempo normal, evitando o desgaste de uma prorrogação que seria trágica para os Reds pensando na sequência da temporada.

A visão privilegiada de Arnold, porém, achou a infiltração de Firmino para resolver o problema. Mesmo se arriscando além da conta, o Liverpool cumpre  o "protocolo" com os 2 a 1. Os europeus chegam a mais uma decisão do Mundial de Clubes. Nunca ficaram de fora, com maior ou menor esforço.

E seguem com favoritismo absoluto. Assim como o Al-Hilal contra o Esperánce, esse Liverpool não serve como parâmetro de análise para o Flamengo. É decisão e Klopp deve usar a melhor escalação possível. Com intensidade e concentração bem diferentes. Mesmo muito desfalcado, a vantagem ainda é considerável.

Cenário bem diferente de 38 anos atrás em Tóquio. Mas em jogo único tudo pode acontecer.

(Estatísticas: FIFA)

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.