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Fluminense e Odair Hellmann: parceria em busca de identidade

André Rocha

20/12/2019 08h16

Foto: Mailson Santana / Fluminense

O Fluminense viveu 2019 sob as impressões digitais de Fernando Diniz. O treinador colocou em prática seu modelo de jogo particularíssimo logo no início da temporada e, com os maus resultados no Brasileiro, acabou demitido. O discurso no clube era a necessidade de fazer um jogo mais direto e ser eficiente nas finalizações, maior problema da "Era Diniz".

Chegou Oswaldo de Oliveira, escolha infeliz da direção, que teve resistência desde o primeiro dia pelas diferenças nos métodos de treinamento e no trato pessoal com os atletas. Não durou muito e Marcão foi de interino a efetivo até o fim da principal competição nacional.

O que se viu em campo foi uma equipe com posse, até pelas características de jogadores como Allan, Caio Henrique, Paulo Henrique Ganso, Nenê e Daniel, porém sendo mais efetiva quando compactava os setores sem bola e acelerava as transições ofensivas com Yonny González. Parecia mais incerteza do que convicção de que a versatilidade era a melhor escolha.

Odair Hellmann foi auxiliar técnico de Rogério Micale na conquista do ouro olímpico no Rio de Janeiro em 2016. Interino no final de 2017 no Internacional, depois da demissão de Guto Ferreira, garantiu o acesso à Série A que já estava bem encaminhado, mesmo sem título, e acabou efetivado para a temporada seguinte após a recusa de Abel Braga.

Tentou construir um time que valorizava o controle de bola, embora as características dos jogadores fossem mais propícias a um jogo de imposição física e definição rápida das jogadas. Acabou cedendo ao óbvio e, em 2019, o protagonismo foi de Edenilson e Patrick, meio-campistas de área a área com intensidade, se aproximando de Paolo Guerrero.

Acabou pagando por escolhas questionáveis, mas, principalmente, pelo excesso de cautela no Maracanã contra um Flamengo de Jorge Jesus ainda não tão dominante, nas quartas da Libertadores e também na final da Copa do Brasil diante do Athletico. Mesmo sendo premiado pela coragem ao eliminar o favorito Palmeiras na semifinal do mata-mata nacional. Talvez o resultadismo que impera no futebol brasileiro e o apego ao cargo tenham interferido no trabalho.

Na coletiva de apresentação nas Laranjeiras, o novo técnico tricolor, que foi jogador do clube em 1999, disse que rejeita rótulos e busca um time equilibrado na defesa e no ataque. De fato, chamar o treinador de "retranqueiro" é um exagero. A pequena amostragem de sua carreira como treinador não sinaliza uma prioridade ao sistema defensivo.

O discurso inicial está correto, mas as ideias precisam ser claras, até para dar segurança aos jogadores. A partir de um modelo de jogo, as adaptações são feitas de acordo com contextos e adversários. Mas sem fugir muito da proposta central. Inclusive pelas dificuldades financeiras para contratar. Não dá para ser na base da tentativa e erro.

Qual será o Fluminense de 2020? E que Odair vai comandar o time? O da posse no campo de ataque ou da segurança defensiva com rápidas transições? As respostas virão no ano que vem, mas já vale a reflexão na busca de identidade. Saber o que se quer é sempre um bom começo.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.