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Vasco de Abel Braga larga bem atrás entre os grandes no Rio de Janeiro

André Rocha

27/01/2020 01h42

Foto: Thiago Ribeiro / Vasco da Gama

Mesmo com o desconto do início prematuro dos estaduais, com times entrando em campo para jogos oficiais com apenas uma semana, no máximo dez dias de trabalho, o que o Vasco de Abel Braga mostrou até aqui foi muito pouco.

Não pelos resultados em si, com a equipe cruzmaltina indo às redes pela primeira vez apenas nos acréscimos do terceiro jogo da Taça Guanabara, mas principalmente pelo desempenho pífio até aqui.

Sim, os reservas dominaram o Flamengo sub-20 até a parada para hidratação na quarta-feira, mas depois foram controlados por uma equipe de garotos e poderiam ter sofrido no segundo tempo mais que o gol de Lucas Silva. Também viveu de espasmos contra Bangu e Boavista e, ao menos, teve a boa notícia do faro de gol de German Cano, o finalizador que vinha faltando.

Mas coletivamente é um desastre. O Vasco joga espaçado, às vezes em um 4-2-4 com buraco entre o meio e o ataque que os jovens Gabriel Pec e Juninho ainda não têm consistência para preencher com qualidade. O time vive de lampejos de Talles Magno, Marrony e Yago Pikachu, que tenta aproveitar o corredor direito. Não há ideias, fica tudo na dependência das individualidades.

Para piorar, Abel continua muito infeliz nas declarações. Usar "lindo" para se referir a qualquer coisa em uma derrota para o terceiro time do maior rival é pedir para se desgastar ainda no primeiro mês de 2020. O treinador segue com discurso desconectado da realidade e pouco preocupado com a repercussão de suas palavras.

Esse "combo", junto com o mercado modesto e com poucas perspectivas, faz do Vasco, hoje, a "quarta força" do Rio de Janeiro. Um posto volátil, que pode mudar mais à frente. Mas neste momento, embora tenha campanha superior ao Botafogo, o desempenho dos titulares do alvinegro na "estreia" contra o Macaé foi mais animador. Com bom encaixe de Bruno Nazário, Luis Henrique e Pedro Raúl se juntando a Luiz Fernando no quarteto ofensivo, os 3 a 1 foram construídos com a naturalidade que falta aos vascaínos.

Não só pelos 100% de aproveitamento, o Fluminense de Odair Hellmann também está acima do Vasco. Por conta da joia Miguel, de 16 anos, mas também pela busca de um elenco mais homogêneo. Tirando Henrique e Egídio do Cruzeiro no inferno da Série B, investindo no meia Yago e nos atacantes Lucas Barcelos e Felippe Cardoso. Mais a estreia promissora de Hudson para criar um clima de relativo otimismo, mesmo considerando a margem de evolução limitada. É possível olhar para o campo e vislumbrar algum trabalho coletivo.

Com time que pode ser considerado misto, goleou por 5 a 1 em Moça Bonita o Bangu que deu trabalho na estreia para o Vasco em São Januário. Empate sem gols e já protestos contra Abel Braga. Para em seguida poupar titulares e ser derrotado pelos meninos do Fla, que vão cumprindo o esperado no Carioca: ganhando confiança e experiência para colaborar com o elenco principal, em caso de necessidade. Ramon é o destaque até aqui, com duas assistências e desenvoltura no apoio pela esquerda. Pode em breve se tornar uma alternativa a Filipe Luís e Renê.

É início de temporada, momento de incertezas e sofrimento por causa do calendário. Mas o Vasco já poderia ter mostrado algo melhor, ao menos um rascunho mais apresentável.  Larga atrás, começa devendo e preocupando.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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