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André Rocha

A "vida loka" de Keisuke Honda, a grande novidade do Botafogo

André Rocha

28/01/2020 08h20

A contratação não tem o impacto da chegada de Clarence Seedorf em 2013. Mas de tão inusitada chama atenção e coloca novamente o Botafogo no noticiário.

O japonês Keisuke Honda, aos 33 anos, chega ao Rio de Janeiro para assinar contrato por produtividade até o final do ano. Com a torcida alvinegra eufórica e mobilizada nas redes sociais. Ao menos em tese é um acréscimo técnico e de mídia para um clube tentando solucionar seus graves problemas financeiros e sobreviver na "elite" do futebol brasileiro.

Mas defender a Estrela Solitária não é o ato mais surpreendente da carreira do "Beckham japonês". O meia de cabelo descolorido vem tomando decisões, digamos, pouco usuais na carreira desde a saída do Milan em 2017.

Partiu para o México e defendeu o Pachuca. Marcou 13 gols em 36 partidas. Depois foi parar na Austrália. Pelo Melbourne Victory, oito gols em 24 partidas. Duas aventuras sem títulos e grande destaque, compreensível em uma reta final de carreira.

Em 2018, Honda foi parar no Camboja. Não para jogar, mas comandar a seleção do país asiático, no qual o jogador tem uma academia de futebol em Phnom Penh desde 2016. Sem se aposentar e dividindo atenções com um time australiano. Não podia dar muito certo…

Até Honda começar uma "peregrinação" no Twitter atrás de um clube. Pediu emprego a Milan e Manchester United na rede social, em seguida apelou para que algum time europeu o contratasse. O Vitesse se interessou, mas depois de um mês, quatro jogos e nenhum gol marcado, o japonês deixou a Holanda com uma explicação confusa, também no Twitter.

O que esperar da nova contratação do Botafogo? Difícil prever. Honda não tem mais o vigor físico e o poder de fogo dos tempos de Nagoya Grampus, seleção japonesa e CSKA. E essa "instabilidade" nas últimas decisões na carreira torna tudo ainda mais duvidoso.

Mas é grande novidade para um clube que anda carente de referências dentro do campo. Que a "vida loka" de Keisuke Honda possa fixar residência no Rio de Janeiro e entregar bom futebol.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.