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Corinthians intenso atropela Santos "suicida"

André Rocha

02/02/2020 12h59

Com um minuto e meio, o clássico na Arena do Corinthians já mostrava que o Santos não estava minimamente preparado para o que iria enfrentar. A equipe de Tiago Nunes entrou com um plano claro: circular rapidamente a bola para desarticular a marcação do rival. Justamente o que Jesualdo Ferreira disse que seria parte da intensidade cobrada ao alvinegro praiano.

Troca rápida de passes, bola em Victor Cantillo, o grande organizador dos ataques corintianos, e inversão para o lado direito, com Janderson, que inverteu de flanco para substituir o lesionado Ramiro, arrastando Felipe Jonatan para dentro e abrindo o corredor para Fagner, que não era acompanhado por Raniel. Passe do lateral, gol de Everaldo.

Tarefa facilitada por um erro fundamental do Santos, imperdoável no futebol em alto nível. Mesmo em um início de temporada e dentro de um jogo às 11h no verão: não pressionar o adversário com a bola jogando com defesa adiantada e em linha. Tática "suicida". Um convite para o Corinthians rápido e intenso.

Assim dominou completamente o jogo por exatos 46 minutos. Finalizando 10 vezes em 45 minutos, perdendo gol feito com Sidcley. Concluindo pela última vez no primeiro minuto da segunda etapa: passe longo de Boselli, sem nenhuma marcação, para Janderson infiltrar às costas da defesa adversária e tocar na saída de Everson.

E aí veio a total falta de sensibilidade de uma regra que pune o jogo no grande momento do futebol. Janderson subiu a escada para comemorar com os torcedores, levou o segundo amarelo e foi expulso.  Tiago Nunes ainda perdeu Camacho, lesionado. Entrou Gabriel. Depois Luan saiu para a entrada de Lucas Piton pela esquerda fazendo dupla com Sidcley no protocolar 4-4-1 com dez homens. Everaldo inverteu o lado, depois saiu para a entrada de Mateus Vital.

O Santos sentiu falta de Alisson e Sánchez no meio-campo, mas nada justifica tamanha lentidão e previsibilidade nas ações de ataque. Não por culpa dos substitutos Jobson e Sandry, que saíram para as entradas de Uribe e Evandro. Nem de Jean Mota, que na sequência substituiu Kaio Jorge.

É um problema conceitual, parecido com o que o Botafogo sofreu no ano passado com Eduardo Barroca: o cuidado excessivo com o passe facilita a marcação pela morosidade para executar o gesto técnico. Hoje o fundamento exige precisão e velocidade.

O domínio santista na segunda etapa foi natural, terminando a partida com 60% de posse de bola e dez conclusões, mas apenas uma no alvo. O Corinthians, porém, foi mais perigoso em contragolpes, mesmo com um homem a menos,. Chegou a carimbar a trave com Piton, mas a arbitragem assinalou impedimento. Com organização e concentração defensiva, teve algum problema na jogada aérea de Raniel e pouco mais do que isso. Cantillo seguiu sobrando, ditando o ritmo.

O Corinthians se recupera em momento importante, às vésperas de estrear na Libertadores contra o Guarani paraguaio. O Santos preocupa e revolta o torcedor por ser a antítese da "fúria" do time com Jorge Sampaoli. Toda mudança de mentalidade precisa de tempo. O Santos foi bem contra a Internacional de Limeira na quinta e definhou no primeiro clássico da temporada.

Jesualdo vai ouvir o que não quer nas coletivas de imprensa. Mas não pode reclamar. Mesmo considerando o contexto da disputa e o imediatismo nas cobranças, o Santos ficou devendo no primeiro grande teste da temporada.

(Estatísticas: SofaScore)

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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