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Na Paris de Neymar e Mbappé, futebol é só um detalhe

André Rocha

03/02/2020 09h39

Foto: Getty Images

O Paris Saint-Germain enfiou 5 a 0 no Montpellier pela 22ª rodada da Ligue 1. Goleada sobre o quinto colocado no Parc des Princes com bom futebol, golaços de Pablo Sarabia e Di María e belas jogadas de Neymar cada vez mais meia articulador na equipe de Thomas Tuchel.

Ampliando para 12 pontos a vantagem na liderança sobre o Olympique de Marselha, que empatou fora de casa sem gols com o Bordeaux. Melhor ataque (57), defesa menos vazada (14). Mbappé e Neymar como os principais finalizadores da liga e disputando a artilharia com Ben Yedder, do Monaco. Di María líder de assistências, com oito.

A recuperação na temporada em desempenho e resultados, agora mais próxima dos confrontos com o Borussia Dortmund pelas oitavas da Liga dos Campeões, deveria ser a pauta principal sobre o PSG.

Mas é tudo tão protocolar para quem venceu seis das últimas sete edições do Francês, a vantagem é tão abissal sobre os concorrentes- com exceção do "meteoro" Monaco na temporada 2016/17, porém já devidamente "assimilado" com a contratação de Mbappé, a principal estrela de então – que fica monótono.

Para agitar o noticiário, como sempre, o periférico ganha todo espaço. O cabelo rosa de Neymar, o ridículo cartão que o brasileiro recebeu por ter aplicado uma lambreta no adversário aos 36 minutos do primeiro tempo e o (justo) protesto do camisa dez contra a decisão da arbitragem.

Depois o comportamento arredio e "pouco amigável" de Mbappé ao ser substituído e, por fim, novamente Neymar e a festa que promoveu para comemorar o aniversário de 28 anos. Obviamente com todos os companheiros como convidados, dois dias antes da partida fora de casa contra o Nantes. "É uma distração que dá a impressão de que não somos profissionais", afirmou Tuchel. O gestor da vez nesse ambiente sempre conturbado do PSG.

Porque o extra-campo se destaca justamente pela falta de desafios no país. As competições nacionais se transformam em uma grande etapa de preparação para os duelos continentais. Tuchel acerta ao se posicionar como líder e cobrar profissionalismo. Mas, convenhamos, quem se importa com o Nantes, nono colocado? Mesmo se perder a partida, e daí? O título nos pontos corridos sempre parece questão de tempo.

Talvez contaminado por esse ambiente "midiático" demais, o árbitro Jérôme Brisard tenha resolvido aparecer ao mostrar cartão por causa de um drible ainda no primeiro tempo. Se o jogo é um mera formalidade, por que não capitalizar e ter a imagem rodando o mundo na carona de uma celebridade "polêmica"?

É esse universo paradoxal que vem atrapalhando o PSG no sonho europeu. Um ciclo vicioso: o investimento é alto para ganhar a Champions, mas acaba abalando a competitividade no próprio país. E a presença de estrelas faz o debate girar pouco em torno do que se faz em campo. Exatamente o que falta quando o nível de enfrentamento aumenta em progressão geométrica no maior torneio de clubes do mundo.

Na Paris de Neymar e Mbappé, o futebol é só detalhe. E um perigo constante.

(Estatísticas: Whoscored)

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.