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Com estreias, Renato Gaúcho começa a testar o "martelinho mágico" no Grêmio

André Rocha

04/02/2020 09h47

Foto: Jefferson Botega / Agência RBS

"Martelinho mágico" é como se popularizou o serviço de restauração de automóveis batidos e danificados. Quando realizado com expertise pode mesmo deixar a impressão de que o carro não sofreu nenhum prejuízo.

Jogador de futebol profissional não é carro e quem cuida dos "amassados" é o departamento médico do clube. Mas Renato Gaúcho ganhou fama nesta passagem pelo Grêmio que se aproxima dos quatro anos por recuperar atletas. Refugos, subestimados, veteranos…

O treinador pode ostentar a contribuição na recuperação do futebol de Cícero, Bruno Cortez, Fernandinho, Jael, Leonardo Moura, entre outros. Também ajudou na consolidação da carreira de Ramiro e na evolução meteórica de Arthur.

Mas não acerta sempre. Ninguém consegue, ainda mais em um esporte tão caótico, subjetivo e sujeito a oscilações como o futebol. É natural. André, Diego Tardelli, Henrique Almeida e Romulo são exemplos de tentativas frustradas. Paulo Victor e Marinho também podem entrar no grupo, por não terem rendido o esperado.

Difícil calcular as porcentagens de contribuição de atleta e treinador no fracasso da empreitada. Mas o fato é que Renato Gaúcho apostou e não deu certo. Malandro e mestre do marketing pessoal, o técnico chama os louros do sucesso para si e, sem transferir toda a responsabilidade, minimiza os infortúnio.

O ano começa com o elenco gremista reformulado e duas grandes incógnitas dentro de um mercado de bom nível: Thiago Neves e Diego Souza. Segundo Renato, o clube optou por encorpar o elenco e não teve recursos para o alto investimento em jogadores decisivos. Preferiu apostar em contratos por produtividade.

No 4-2-3-1 do time gaúcho, Everton Cebolinha continua decisivo partindo da esquerda para dentro. Driblando, finalizando ou servindo os companheiros. Mas o meia central e o centroavante cumprem funções importantíssimas no quarteto ofensivo. O primeiro criando da intermediária ofensiva em direção à área adversária e o segundo como referência para as combinações por dentro, fazendo a parede como pivô.

Pelas características, Thiago Neves e Diego Souza podem se encaixar bem. Ainda mais em um time com modelo de jogo assimilado. A dúvida é em relação ao foco nas próprias carreiras e nos objetivos da agremiação. Também na resistência física para suportar uma temporada desgastante. Mesmo considerando a prioridade por tradição e cultura às competições de mata-mata. Ambos fazem 35 este ano.

A dupla estreou nos 5 a 0 sobre o Esportivo na Arena do Grêmio. Entrando no segundo tempo, com a vitória bem encaminhada. Aplaudidos e incentivados pela torcida. Diego Souza, de volta ao clube depois de 13 anos, fez gol de centroavante com dez minutos em campo. Thiago Neves arriscou uma de suas típicas finalizações de média/longa distância. Renato foi inteligente ao aproveitar um ambiente favorável.

Mas não será sempre assim. Até porque haverá a concorrência de Luciano, Jean Pyerre, Thaciano e Patrick, além do "renegado" André. E Renato Gaúcho será testado novamente em sua capacidade de fazer jogadores recuperarem o bom desempenho. O "martelinho de ouro" vai funcionar em 2020?

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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