PUBLICIDADE
Topo

Internacional mais leve e intenso cumpre primeira missão na Libertadores

André Rocha

11/02/2020 21h20

O debate na estreia do Internacional na Libertadores contra a Universidad de Chile foi a execução do 4-1-3-2 do treinador argentino Eduardo Coudet.

Na confusão muito comum no Brasil entre posição x função, a visão simplista de que o time gaúcho jogou na "retranca" com "quatro volantes, um meia e um atacante" não teve relação com o que aconteceu na partida em Santiago. Mas o empate sem gols relativizou a proposta ofensiva com valorização da posse de bola da equipe brasileira.

A volta do Beira-Rio teve uma mudança forçada no início com a lesão de Patrick, que deu lugar a Boschilia. Não alterou o desenho tático, nem o posicionamento em campo. Boschilia era o meia pela esquerda que cortava para dentro buscando as jogadas com Guerrero e D'Alessandro, abrindo o corredor para o lateral Moisés. O mesmo que Edenilson fazia do lado oposto com Rodinei.

A substituição significou perda de força física, mas não de infiltração. Nem intensidade. Ainda ganhou agilidade, tanto na movimentação quanto na pressão depois da perda da bola. Assim descomplicou um primeiro tempo de domínio, mas poucas oportunidades claras, para roubar a bola do zagueiro Carrasco na saída da defesa e tocar na saída do goleiro Campos. Para aliviar a tensão na saída para o intervalo.

Também ganhar espaços para acelerar na segunda etapa. Com Marcos Guilherme na vaga de D'Alessandro. A opção de velocidade pelos flancos deixou o time ainda mais leve. Explodindo em um golaço do ponteiro chegando antes do zagueiro Del Pino, limpando o goleiro e indo às redes.

Os dois destaques da partida saindo do banco. Boas novidades do elenco mais encorpado. Menção honrosa também ao zagueiro Victor Cuesta, seguro atrás e auxiliando na construção pela esquerda. Colaborando na dinâmica ofensiva.

O Internacional segue na rota do maior rival Grêmio na fase de grupos. Mas ainda tem pela frente o vencedor de Tolima x Macará na próxima etapa. Só que agora com mais confiança e aliviando a pressão de jogar a vida pouco mais de um mês depois da volta das férias.

2 a 0 condizente com os 63% de posse e as oito finalizações contra três – seis a zero no alvo. Consequência de uma atuação equilibrada, sem dar maiores chances ao adversário. Mantendo desenho tático e proposta, porém mais leve e intenso. Cumprindo a primeira missão importante na temporada.

(Estatísticas: SofaScore)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.