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Flamengo campeão no "jogo da memória", com virtudes bem conhecidas

André Rocha

16/02/2020 13h04

O Flamengo não jogou bem no Mané Garrincha, considerando o alto padrão de 2019. Nem era esperado, já que era apenas o quarto jogo dos titulares na temporada e o time de Jorge Jesus nem teve pré-temporada com treinamentos. Com oito dias já estava no Maracanã enfrentando o Resende.

Para complicar, a partida iniciada às 11h da manhã, o que sempre compromete muito a intensidade. Ainda mais de uma equipe que adianta as linhas, pressiona com todos os jogadores sem bola e se movimenta demais quando ataca.

A grande vantagem nos 3 a 0 sobre o Athletico que rendeu o título da Supercopa do Brasil foi o entrosamento. O entendimento do modelo de jogo. A confiança pelas conquistas do ano passado. E a concentração para não perdoar erros do adversário.

O time paranaense, agora comandado por Dorival Júnior, tentou jogar o tempo todo. Também avançando a marcação em vários momentos, apostando igualmente em mobilidade de um ataque sem referência, com Nikão, Marquinhos Gabriel e Rony. Mas da equipe campeã da Copa do Brasil saíram peças importantes como Léo Pereira, Renan Lodi, Bruno Guimarães, Marcelo Cirino e Marco Ruben. Não por acaso, a direção do clube promete três contratações para Dorival.

Difícil contra um time superior e que joga "de memória". Expressão popularizada por Tite, mas que na prática facilita tudo. Os movimentos coletivos são sincronizados, cada um sabe o espaço a ocupar. E atacar, como Bruno Henrique se projetando no tempo certo para não entrar impedido para receber a assistência de Gabriel Barbosa e abrir o placar.

Assim como a atenção para não perdoar erros do adversário. Márcio Azevedo falhou no recuo para Santos que Gabriel se antecipou para marcar seu quarto gol no mesmo número de partidas na temporada. E aproveitar os espaços deixados pela defesa avançada do oponente para Bruno Henrique acelerar e só parar em Santos, mas De Arrascaeta aproveitando o rebote. De novo o trio artilheiro rubro-negro.

Mas boa parte do jogo foi de controle, administração. Com erros técnicos ainda incomuns e cedendo oportunidades cristalinas ao adversário valoroso – era a estreia de Rodrigo Caio no ano e Gustavo Henrique ainda vai se adaptando à mecânica da última linha defensiva.

Porém com uma boa notícia: o nítido crescimento de Filipe Luís. Com férias depois de emendar Copa América e volta ao Brasil no ano passado, parece mais inteiro para mostrar a habitual inteligência na leitura de jogo e dos espaços para apoiar. Aguentou bem 87 minutos e saiu para a entrada de Renê.

Jorge Jesus ainda trocou Arrascaeta e Everton Ribeiro por Michael e Diego. Nos minutos finais, o time se repaginou no 4-2-3-1. Mais uma das muitas variações táticas. No primeiro tempo, a equipe chegou a atuar numa espécie de 4-3-3 com Gabriel e Bruno Henrique abertos e Arrascaeta como "falso nove". Testes necessários para não deixar o time "manjado".

Mas a vitória foi construída com virtudes bem conhecidas. Do time que se conhece e mantém a fome por mais taças na temporada.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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