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Com De León e Mauro Galvão, uso do líbero é legado de Valdir Espinosa

André Rocha

27/02/2020 14h25

Foto: Adolfo Gerchmann / Divulgação Grêmio

O Valdir Espinosa que partiu hoje e já deixa saudades e homenagens no meio do futebol e nas redes sociais está na história do futebol brasileiro especialmente como treinador pelas conquistas internacionais do Grêmio em 1983 e por encerrar, seis anos depois, o jejum de títulos do Botafogo que durou 21 anos. Clube no qual era gerente de futebol até ser hospitalizado por problemas no intestino e sucumbir a uma pneumonia.

Em ambos, uma marca pouco reconhecida. Que fez o ex-treinador gargalhar quando este que escreve mencionou em uma entrevista justamente para falar sobre o tema. Ou a função: o líbero.

Confundida muitas vezes na história com o "zagueiro da sobra". O que Marinho Peres, por exemplo, foi no Internacional campeão brasileiro de 1976. Ou Lugano no São Paulo multicampeão na década de 2000. Ou ainda Mauro Galvão na seleção de Lazaroni em 1990. Ou seja, o responsável pela última cobertura.

O líbero, na essência é mais que isso. Era o que Franz Beckenbauer fazia no Bayern de Munique e na seleção alemã. O "homem livre" que poderia ocupar qualquer espaço no campo. Em qualquer etapa da construção de jogadas. Até no ataque finalizando ou servindo um companheiro.

Exatamente o que o zagueiro uruguaio Hugo De León fazia no Grêmio. Eternizado por levantar a Libertadores com sangue no rosto, mas que em campo era o jogador cerebral, o organizador de trás das jogadas que tantas vezes terminavam com Renato Gaúcho desequilibrando pela ponta direita.

O mesmo com o próprio Mauro Galvão no Botafogo. Com classe, elegância. Sem porte do típico zagueiro, mas desfilando toque refinado. Com passes curtos fazendo a bola circular. Ou longos acionando diretamente os atacantes. Pela direita, Maurício. Outro heroi pelos gols decisivos.

Nos dois casos, contando com a cobertura de volantes mais marcadores: China no Grêmio e Carlos Alberto Santos no Botafogo. Até porque Espinosa era gaúcho e não aceitaria seus times tão "faceiros".

Sorriso largo, bom papo, cordialidade. O Valdir gente fina cuja neta criou um canal de Youtube para ele deixar registrado suas análises de jogos e times. Felizmente resgatado no Grêmio com Renato Gaúcho em 2016 para fazer história novamente – e o blogueiro aqui nem fez muita fé na época. Sem líbero, mas com glórias.

Vai fazer falta o Valdir.

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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