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Fortaleza paga pela inexperiência, mas tem do que se orgulhar

André Rocha

28/02/2020 01h21

Encarar o Independiente "Rei de Copas" em disputa eliminatória na primeira experiência internacional nunca será fácil, mesmo com o time argentino afundado em séria crise.

O Fortaleza de Rogério Ceni foi superior nos 180 minutos de jogo na Sul-americana. Foi organizado e intenso nas duas partidas e conseguiu o mais difícil no Castelão: furar o 5-4-1 sem bola montado pelo contestado Lucas Pusineri.

Voando pela esquerda com o inesgotável Osvaldo para cima de Bustos. Com mobilidade de Romarinho, Mariano Vasquez e David. Mais o suporte de Juninho por dentro e dos laterais Gabriel Dias e Bruno Melo.

Em um "batismo de fogo", porém, a concentração precisa ser redobrada, sem vacilos. E o Fortaleza desperdiçou chances cristalinas nos dois jogos. Pagou pela inexperiência.

Na estreia e fora de casa foi até compreensivel. Jogando a vida diante de 52 mil apaixonados, não pode controlar a partida com 59% de posse, 82% de efetividade nos passes e 17 finalizações. Mas sofrer para ir às redes além do pênalti sobre Osvaldo convertido por Juninho e do  chute preciso do herói improvável Marlon, que entrara na vaga de Romarinho. David não pode perder duas chances claras.

Muito menos Bruno Melo precisava dar um carrinho maluco na origem da jogada que terminou no gol salvador de Bustos. O mesmo que levou um baile de Osvaldo e se aventurou no ataque na reta final da partida. Por necessidade e pela saída do ponteiro, que deu lugar a Wellington Paulista.

O time argentino de camisa pesadíssima segue adiante. O Fortaleza carrega pesar e aprendizado, mas também o orgulho. De quem parecia ancorado na Série C e decolou com Ceni para o grande momento de sua história, com títulos – Série B, estadual e Copa do Nordeste – e, principalmente, o trabalho sério que desperta respeito e admiração. Já é referência, inclusive para muitos times grandes que se apequenam a cada ano.

Agora é seguir a rota de novas disputas continentais para não pecar pela falta de hábito.

(Estatisticas: SofaScore)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.

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