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Flamengo estreia mal, mas Everton Ribeiro vai além do "craque invisível"

André Rocha

04/03/2020 23h48

O Flamengo jogou mal em Barranquilla, considerando o padrão de excelência de um time já histórico pelas quatro conquistas nacionais e internacionais em oito meses de Jorge Jesus.

Erros técnicos incomuns pelos desfalques de Rodrigo Caio, Rafinha, Willian Arão e Bruno Henrique, mas também por um certo desleixo e pelo equívoco de cair em pilha errada num jogo tenso e violento em alguns momentos.

Talvez pelo gol logo aos cinco minutos. E as enormes limitações técnicas e táticas do Junior. Em um 4-4-2 sem articulação no meio-campo. Vivendo de ligações diretas para a dupla de ataque formada por Borja e Teo Gutierrez ou das iniciativas pelos flancos de Cetré e Hinestroza.

Um jogo aleatório, porém intenso e que se aproveitou dos vacilos do atual campeão sul-americano para fazer Diego Alves trabalhar. Foram 14 finalizações, mas apenas cinco no alvo. A última de Teo Gutierrez nas redes, fechando os 2 a 1. Atacante veterano que fez de tudo e deveria ter sido expulso, mas a arbitragem mostrou a típica permissividade com a violência dos sul-americanos.

Mesmo devendo na estreia pela Libertadores, defendendo o título, a equipe de Jorge Jesus teve um talento para decidir. Não foi Gabriel Barbosa, que tentou muito, porém faltou precisão. Nem De Arrascaeta, que só apareceu na assistência do primeiro gol. Muito menos Gerson, talvez o mais displicente, falhando feio e quase entregando um gol a Gutierrez no primeiro tempo.

Desta vez foi Everton Ribeiro, que costuma ser o "craque invisível", o discreto facilitador do trabalho dos companheiros. Mas apareceu logo no início completando jogada pela esquerda construída por Vitinho, o substituto de Bruno Henrique. Inicialmente pela direita no 4-2-3-1, foi o ponta articulador e ainda auxiliou o hesitante João Lucas, que entrou na vaga de Rafinha. O lateral errou muito, inclusive tocando com o braço na recuperação da bola no início da jogada do primeiro gol.

Quando Jesus trocou Arrascaeta por Michael, Everton foi para o centro da articulação e apareceu para completar o contragolpe que começou com Gabriel e passou por Michael à direita antes de chegar ao capitão. Dois gols para compensar tudo que ficou faltando coletivamente.

Garantindo um triunfo importante no Grupo A. Com outra boa notícia: Thiago Maia, correto na proteção da defesa e com bom aproveitamento nos passes. Entrou na vaga de Willian Arão e já se apresenta como o reserva com mais possibilidade de disputar posição, considerando que Gustavo Henrique e Léo Pereira têm jogado juntos e hoje é difícil dizer quem será o titular ao lado do lesionado Rodrigo Caio.

Foram 54% de posse e 11 finalizações, quatro na direção da meta de Sebastián Viera. O suficiente para impor a superioridade gritante, mas que não se refletiu no jogo e no placar. Por deméritos do Flamengo. Mas Everton Ribeiro descomplicou.

(Estatísticas: SofaScore)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.