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Trabalho de Abel no Vasco é fraco e já preocupa para o Brasileiro

André Rocha

08/03/2020 18h00

O Vasco passou pelo ABC e está na terceira fase da Copa do Brasil. Também superou o Oriente Petrolero, garantindo classificação para a segunda etapa da Copa Sul-Americana. Resultados até banais para um clube com três títulos continentais e cinco nacionais.

Mas para a realidade cruzmaltina em 2020 são ótimas notícias. Ainda mais considerando que, pela mesma Sul-Americana, o Fluminense, por exemplo, já foi eliminado. Possibilidades de receita para minimizar os muitos problemas financeiros e administrativos e confiança em um início complicado de temporada, especialmente no Carioca. Com o empate sem gols contra o Volta Redonda no Raulino de Oliveira, a classificação para a semifinal da Taça Rio parece mais distante.

Porque o desempenho da equipe de Abel Braga não alcança uma evolução consistente, mesmo considerando que ainda estamos no segundo mês de atividade. Ainda que agora exista uma base na formação que o treinador vem insistindo, mas já sofrendo com desfalques importantes por lesões: Talles Magno, Guarín e o meia argentino Martín Benítez, contratado ao Independiente e que ainda nem estreou.

Não foi possível escalar o melhor Vasco possível, mas, mesmo assim, os problemas coletivos chamam atenção e não parecem encontrar soluções com a sequência dos jogos. Principalmente os espaços entre os setores e a demora na reação logo após a perda da bola para pressionar, que acabam deixando a defesa exposta aos contragolpes adversários. Contra o ABC a retaguarda foi salva por um inacreditável gol perdido por Paulo Sérgio.

Outra dificuldade é a falta de criatividade para criar espaços em sistemas defensivos fechados. A equipe tenta as triangulações pelos flancos com Pikachu, Raul e Vinicius pela direita e Henrique, Marcos Júnior/Juninho e Marrony, porém falta o passe diferente que fura as linhas do oponente. A esperança é que o time completo e o consequente acréscimo de qualidade tornem o cenário menos dramático. Só dá para contar com as individualidades mesmo.

Em meio a tantas dúvidas, uma certeza: é preciso evoluir pensando no Brasileiro. São mais dois meses de trabalho para que o início da Série A não aumente a preocupação. Mas a temporada já cobra agora: na quinta-feira tem a ida do confronto com o Goiás pelo mata-mata nacional, em São Januário.

Será preciso apelar para os gols salvadores de German Cano, das vitórias que mantêm o Vasco respirando em 2020. Já são cinco. A boa notícia junto com os garotos Vinicius e Juninho. Sem um time mais ajustado, porém, não será o suficiente para honrar a Cruz de Malta. Porque o trabalho, no geral, é fraco. Sem rodeios e eufemismos.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.