PUBLICIDADE
Topo

A grande noite de Neymar pelo PSG na Champions não merecia estádio vazio

André Rocha

11/03/2020 19h22

É claro que a pandemia de coronavirus justifica toda precaução e os portões fechados para torcedores.

Mas a noite de Neymar liderando o Paris Saint-Germain para enfim ultrapassar as oitavas de final da Liga dos Campeões depois que o clube francês deu o salto de investimentos com a contratação não só do craque brasileiro, mas também de Mbappé, merecia o Parc des Princes lotado.

Nunca saberemos se a presença da torcida criaria um clima de tensão que poderia atrapalhar os donos da casa – esses paradoxos que só o futebol é capaz de gerar. Mas o que Neymar jogou foi uma enormidade. Aberto pela esquerda no 4-2-2-2 necessário de Thomas Tuchel depois da derrota por 2 a 1 para o Borussia em Dortmund.

Precisando compensar Mbappé debilitado, iniciando no banco de reservas. E Cavani, que lutou como sempre, mas longe da pontaria dos melhores momentos. Mas Neymar até apareceu na área em cobrança de escanteio para abrir o placar de cabeça. E comemorar provocando Haaland.

A jogada bem coordenada pela direita que passou por Neymar, chegou a Sarabia que serviu Bernat no final do primeiro tempo. Construindo a vantagem necessária e merecida do PSG para administrar no segundo tempo contra um Borussia tenso e com dificuldades para fazer a bola chegar a Haaland com qualidade.

Neymar ainda cavaria a falta que terminaria em confusão e expulsão de Emre Can no último minuto regulamentar, esfriando a "blitz" final do time alemão. Que igualou a posse, mas não foi contundente em jogo de poucas finalizações: sete do PSG, seis do Dortmund. Mas quatro no alvo dos franceses contra apenas duas da equipe de Lucien Favre.

O camisa dez, símbolo do projeto bilionário e ambicioso do clube, supera os problemas físicos, os questionamentos internos e externos e prova seu poder de decisão no mais alto nível. Desta vez a temporada não acaba em março para o PSG.

Graças a Neymar, que chorou no apito final. Seria a grande chance de redenção e comunhão com a torcida que o criticou tanto – e justamente. Mas não se pode ter tudo na vida. Seguir na Champions já foi mais que o suficiente em Paris.

(Estatísticas: UEFA.com)

 

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.