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Palmeiras e Flamengo sofrem com anticlímax e irresponsabilidade

André Rocha

14/03/2020 20h36

A pandemia de coronavirus parou o futebol nos principais centros do mundo e deveria ter interrompido a temporada também por aqui, diante dos riscos de contágio no Brasil que ainda não sofre com milhares de casos como a Itália, por exemplo.

Mas o calendário nacional segue, só parando as competições da Conmebol. Justamente a prioridade dos que disputam a Libertadores, como Flamengo e Palmeiras. De repente, só restou o estadual para jogar no curto prazo. Ou nem isso, se as federações tomarem providências baseadas no bom senso e parar tudo.

Natural desconcentrar, até desanimar, apesar do profissionalismo. Como será daqui por diante? Quanto tempo até solucionar o problema e não colocar vidas em risco? Haverá sequência do torneio continental?

O Palmeiras foi a Limeira, certamente com todas essas questões em mente. Estádio com público e jogadores e os treinadores Vanderlei Luxemburgo e Elano se cumprimentando antes da bola rolar. Uma irresponsabilidade.

Não faltou transpiração ao time alviverde. Novamente no 4-2-3-1 com Dudu livre para circular e se juntar a Willian, Luiz Adriano e Rony. Mais uma vez com dificuldades para circular a bola, tanto que Luxemburgo trocou Ramires e Bruno Henrique por Patrick de Paula e Zé Rafael. Ainda Luiz Adriano por Lucas Lima. Ou seja, refez o meio-campo para tentar criar.

Sofreu ainda mais depois que Airton foi expulso aos oito do segundo tempo e a equipe de Limeira se trancou de vez. Precisou das defesas de Rafael Pin, mas se virou bem. Faltou efetividade ao Palmeiras no "abafa". 70% de posse, 15 finalizações a seis – seis a dois no alvo. Chute na trave de Dudu, de novo o destaque palmeirense, no primeiro tempo. Mas não foi às redes.

Sina que parecia a do Flamengo no Maracanã. Em um clima ainda mais fúnebre pelo estádio vazio e por estar em disputa apenas a Taça Rio. Segundo turno do Carioca que era objetivo para abreviar o torneio e se preparar para os grandes objetivos da temporada. Agora a pressa perdeu o sentido. Para piorar, o risco por conta do teste positivo do vice Mauricio Gomes de Mattos, que esteve com jogadores e comissão, que também se submeteram à verificação, mas o resultado só sairia depois da partida! Uma insanidade.

Tudo isso entrou em campo contra a Portuguesa fechada com linha de cinco atrás e time compacto em trinta metros guardando a meta de Milton Raphael. Sem Diego Alves, Gustavo Henrique, Filipe Luís, Gerson, Thiago Maia e Gabriel Barbosa, o time de Jorge Jesus foi preguiçoso na maior parte do tempo.

Nem com o gol do lateral esquerdo Maicon Douglas, em chute que desviou em Rafinha e saiu do alcance de César, a equipe saiu da letargia na construção das jogadas. Pouca mobilidade e intensidade apenas na pressão logo após a perda da bola, mas sem a "fome" de outros momentos. Deve mesmo ser difícil se acostumar com o ambiente do Maracanã cheio todo jogo e se deparar com arquibancadas vazias.

A virada veio no final, no cansaço do adversário de menor investimento. Desorganizado, com Michael e Vitinho abertos, Bruno Henrique e Lincoln por dentro e apenas Everton Ribeiro e De Arrascaeta no meio.  O time correu ao menos, pela invencibilidade de Jorge Jesus no estádio que parecia escorrer em um revés improvável.

O esforço foi suficiente para empatar com Vitinho, em chute que desviou no zagueiro Marcão. A virada veio em jogada exigida por Jesus e que pouco aconteceu no jogo: o passe entrelinhas. Antes a Portuguesa negava espaços e não havia esforço. Com o time da Ilha do Governador exausto, apareceu a brecha para Renê achar Arrascaeta e o chute no canto fechar os 2 a 1 já nos acréscimos.

Difícil vislumbrar algo mais à frente com o futuro tão incerto. Palmeiras e Flamengo, concentrados na Libertadores e candidatos a campanhas 100% na fase de grupos, viveram um sábado de anticlímax no futebol brasileiro. Melhor seguir o que foi feito em quase todo mundo e preservar a saúde de todos.

(Estatísticas: SofaScore)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.