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Volta do Vasco de Ramon Menezes vai além dos gols de Gérman Cano

André Rocha

28/06/2020 17h59

Depois da volta do Flamengo contra o Bangu no Maracanã e de nova pausa no polêmico e conturbado Campeonato Carioca, foi a vez dos outros três grandes retornarem aos campos. Já com previsão de presença de público em breve. Tudo muito precoce e um tanto irresponsável. Paulo Autuori tem razão.

Seja como for, o Vasco venceu o Macaé em São Januário por 3 a 1 e é natural que o destaque seja Gérman Cano e seus três gols, chegando a oito em doze partidas pelo time cruzmaltino. Ou a possibilidade mais real de classificação para as semifinais da Taça Rio com a derrota do Madureira para o Resende por 2 a 0.

Mas a equipe de Ramon Menezes apresentou ideias interessantes para a realidade do Vasco no cenário nacional. Combinando experiência com a juventude de promessas vindas das divisões de base. Descontando todas as limitações, inclusive por conta da inatividade sem precedentes de mais de 100 dias.

O sistema base era o 4-3-3, porém com nuances como Henrique mais preso pela esquerda como um lateral base, deixando o corredor para ser explorado por Talles Magno e o apoio do meia argentino Martín Benítez. Do lado oposto, Yago Pikachu apoiava mais por dentro, embora tenha criado aberto a jogada que terminou no terceiro e último gol do argentino.

Bem aberto, o garoto Vinícius, 19 anos, partia para o drible e também contava com o suporte de Fellipe Bastos, o meio-campista jogando à frente de Andrey, o volante de proteção, mas também liderando a saída de bola com passes e inversões. Dentro de uma proposta ofensiva e de controle pela posse de bola, ao menos na volta contra um time de menor investimento,

A dúvida fica quanto ao posicionamento de Ricardo Graça, zagueiro canhoto, pela direita. Sempre complicado pelo posicionamento do corpo, especialmente quando pressionado na saída de bola. Ricardo tem técnica e boa vontade da torcida, mas é algo para se trabalhar na dupla com Leandro Castán.

Fernando Miguel pagou pela inatividade na sequência de uma grande defesa em cabeçada de Alex Sandro, mas falhando na saída da meta na cobrança de escanteio que terminou no gol único do Macaé, marcado por Jones. Nada que ameaçasse, de fato, a imposição natural do Vasco.

Cano confirmou a boa impressão de antes da parada, com ótima presença de área, mas também recuando para atrair a última linha adversária e abrir espaços para as diagonais dos pontas. Mas funciona sempre melhor quando o argentino aparece para finalizar. Mesmo perdendo chances claras no final do jogo. As últimas duas das 18 finalizações vascaínas, seis de Cano. Metade nas redes.

Mas o Vasco foi além da eficiência de seu artilheiro. Se o time fizer a sua parte e se classificar, a margem de evolução será maior até o início do Brasileiro, outra fonte de polêmica em meio à pandemia. Haja incerteza…

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.