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Flamengo amplia repertório e Gerson ganha protagonismo

André Rocha

01/07/2020 23h29

A grande conquista do Flamengo em 2020 até aqui foi a Recopa Sul-Americana. Título continental superando o Independiente Del Valle por 3 a 0 no Maracanã, Também a atuação mais emblemática, por ter que se virar com um a menos desde os 23 minutos de jogo, depois da expulsão de Willian Arão, com 1 a 0 no placar.

O protagonista foi Gerson. Com apenas Gabriel Barbosa na frente, o camisa oito ganhou mais campo para chegar à frente por dentro. No 4-4-1, Thiago Maia entrou na vaga de Pedro e ficou mais fixo à frente da defesa. Everton Ribeiro e De Arrascaeta pelos lados e Gerson, que costuma organizar mais recuado, apareceu na área do time equatoriano para ir às redes duas vezes e fazer a diferença.

Não por acaso, nos jogos seguintes até a parada e agora na volta, contra Bangu e Boavista, Jorge Jesus vem trabalhando para fazer Gerson se juntar ao quarteto ofensivo com mais frequência. Sem Gabriel Barbosa, sentindo dores musculares, Pedro ficou na referência e, em vários momentos, Everton Ribeiro, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gerson buscaram passes mais rápidos por dentro para furar as linhas de marcação do adversário protegendo a própria área.

É o trabalho de ampliação do repertório, além de automatizar mais os movimentos coletivos. De saída da defesa com Arão e os zagueiros Rodrigo Caio e Léo Pereira; da circulação da bola mais rápida e colocar ainda mais intensidade e coordenação do trabalho de pressão logo após a perda da bola. Ainda jogadas ensaiadas com bola parada, outra arma para furar retrancas.

Diante de um adversário frágil, o volume de jogo foi sufocante. Mas ainda faltam a sintonia fina e a evolução técnica depois da longa inatividade. Bruno Henrique destoou um pouco, Pedro rondou a área do oponente, abriu o placar em bela combinação do ataque e se esforçou. Mas ainda precisa se adaptar mais à dinâmica ofensiva. Outros erros bobos, seja no último passe, seja na finalização.

Mas Gerson foi o destaque absoluto. Articulando, circulando, dando opção aos atacantes e infiltrando. Desviou na área para Pedro marcar o primeiro gol. Depois completou com um petardo no ângulo mais uma bela jogada. Com participação de Michael, que entrou na vaga de Everton Ribeiro no intervalo e criou jogadas pelas duas pontas, alternando com Vitinho, que substituiu Pedro.

As cinco substituições de Jorge Jesus fizeram o time manter o ritmo e o controle. Gerson deu lugar a Diego logo depois do golaço. Um luxo que o treinador português pode se dar pelo abismo entre o melhor time do país e do continente sobre os rivais locais.

Não foi uma exibição inspirada no Maracanã para o alto nível do Flamengo, nem poderia ser pelo contexto. Os 2 a 0, porém, confirmam a liderança geral nos dois turnos, possibilitando a conquista do Carioca se faturar a Taça Rio.

O espetáculo ficou por conta de Gerson. O "joker" versátil que desequilibrou mais uma vez. Com mais liberdade, um dos meio-campistas mais completos do país pode ser ainda mais influente no jogo rubro-negro.

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.