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Pênaltis e CR7 salvam Juventus, mas Atalanta dá prova de força que faltava

André Rocha

11/07/2020 19h02

Não é fácil vencer a Juventus em Turim pela Série A italiana. Camisa pesada, cultura de vitória de um octacampeonato. Força que intimida também arbitragens em lances duvidosos, com margem nas regras cada vez menos claras do jogo, especialmente nos toques com mãos e braços dos defensores dentro da área.

E também Cristiano Ronaldo, que mesmo bem vigiado por Rafael Tolói na linha de três zagueiros da Atalanta fez o goleiro Gollini trabalhar e converteu os dois pênaltis que garantiram o empate por 2 a 2 e levaram o português a 28 gols na liga, um atrás de Immobile, da Lazio.

Mas a Atalanta chegou bem perto e deu a demonstração de força que faltava, mesmo encerrando a série de 11 vitórias consecutivas. Um recital no primeiro tempo, com sete finalizações a três, 56% de posse de bola na casa do time dominante na Itália, agora ainda mais perto do nono título consecutivo.

No ritmo de Papu Gómez, novamente o organizador do 3-4-2-1 que desta vez teve Ilicic de início e Pasalic entrando no segundo tempo. Na frente, Zapata deixou o jovem holandês De Ligt zonzo com a combinação de força física e mobilidade.

Deslocamento, finalização precisa do colombiano e justa vantagem para a equipe de Gasperini nos primeiros 45 minutos. Levando ampla vantagem também pelos flancos, fazendo sofrer Cuadrado e Danilo, os elos fracos da retaguarda de Maurizio Sarri.

No segundo tempo, porém, a intensidade na execução do modelo de jogo cobrou o preço pela sequência de jogos sempre no limite. E o peso do oponente também contou nos cuidados defensivos e momentos de posse de controle, tirando a velocidade.

A Juve cresceu com Alex Sandro e Douglas Costa, além da entrada de Higuaín dando mais presença física na área adversária. Cristiano Ronaldo ganhou companhia e teve a chance da virada em bela finalização, depois de converter o primeiro pênalti.

Mas a Atalanta mostrou também contar com elenco heterogêneo. Além de Pasalic, entraram também Muriel, Tameze, Caldara e Malinovskyi. E foi o ucraniano, substituto de Papu Gómez, que fez o ataque recuperar ritmo, circulação de bola e também presença ofensiva. Assim marcou o segundo gol que parecia o da vitória. Triunfo que seria justo pela manutenção da superioridade em posse  (51%) e finalizações (13 a 9).

Mas o toque de Muriel em lance com Higuaín deu a chance do empate que provavelmente não aconteceria em outras condições, contra outro adversário, outra camisa. Mas era a Juventus, que encaminha mais uma conquista nacional.

E a Atalanta soma um ponto que não deixa de ser importante na disputa pela vaga na próxima Champions. Torneio continental que parece cada vez mais um sonho possível de chegar bem longe. O PSG de Neymar que se cuide. Até por não ostentar no cenário europeu o tamanho que a Juve tem na Itália.

(Estatísticas: Whoscored.com)

Sobre o Autor

André Rocha é jornalista, carioca e blogueiro do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros “1981” e “É Tetra”. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Entender de tática e estratégia é (ou deveria ser) premissa, e não a diferença, para qualquer um que trabalha com o esporte. Contato: anunesrocha@gmail.com

Sobre o Blog

O blog se propõe a trazer análises e informações sobre futebol brasileiro e internacional, com enfoque na essência do jogo, mas também abrindo o leque para todas as abordagens possíveis sobre o esporte.