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São Paulo de Jardine precisa de paciência e respaldo. Terá?
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André Rocha

A Flórida Cup só vale pela rara oportunidade no calendário brasileiro de intercâmbio com equipes europeias, mesmo não sendo de primeiro nível como o Eintracht Frankfurt. Porque quebrar a pré-temporada que já é curta e entrar em campo com cinco dias de trabalho contra times em pleno ritmo de competição na nossa cultura resultadista cria riscos desnecessários.

Pior ainda para um São Paulo pressionado e cercado de desconfianças. Ver o rival Palmeiras ser campeão brasileiro com um estilo mais simples, jogo direto e comandado pelo veterano Felipão e investir no jovem treinador André Jardine que acredita em valorização da posse, saída sem rifar a bola e trabalha conceitos do jogo de posição com elenco menos qualificado deixa a impressão de que o clube vai na contramão. Mesmo agindo rápido no mercado para começar o ciclo com um elenco mais completo.

É questão de convicção para ser paciente e dar respaldo. Porque a falta de sintonia entre o novo goleiro Tiago Volpi e Bruno Peres na saída de bola, com erro que terminou no pênalti de Reinaldo sobre Willems convertido pelo croata Rebic é, em tese, mais que compreensível e até natural. Sem contar o mérito da equipe alemã, bem coordenada na execução de um 3-5-2 típico, na organização da pressão no campo adversário.

Mas o fato é que os titulares saíram derrotados em 45 minutos. No segundo tempo com reservas, arrancada de Liziero, passe para Diego Souza pela esquerda e assistência para Nenê empatar. Gol na transição ofensiva com velocidade. O camisa dez mais aberto à direita, uma opção para o início da temporada. Interessante, se o meia veterano colaborar sem a bola e se movimentar abrindo o corredor. Pode tornar o time menos engessado e previsível.

Em ritmo de treino, o Eintracht achou a vitória por 2 a 1 em uma saída rápida pela esquerda, mas que parecia não dar em nada. Terminou no gol contra de Igor Vinicius, outra novidade na lateral direita. Valeu pela movimentação de todos, incluindo Léo Pelé e Willian Farias, e a chance de observação, mesmo com todas as ressalvas de um cenário com atletas voltando de férias há pouquíssimo tempo.

No nosso imediatismo sem muitos parâmetros de análise além do placar final, se diante do Ajax ainda nos Estados Unidos o resultado também não vier muitos já ligarão o “sinal de alerta” pensando na estreia do Paulista e, principalmente, no confronto eliminatório com o Talleres pela Libertadores.

Não é simples reincorporar Hernanes no centro da articulação de um 4-2-3-1, muito menos adaptar o móvel Pablo no centro do ataque dentro de um modelo de jogo que pede infiltrações em diagonal dos ponteiros Helinho e Everton. Questão de treino, assimilação das ideias, repetição. Tudo que uma viagem para a América do Norte e amistosos precoces não oferecem. Típico caso em que o compromisso comercial pode ser bastante inconveniente.

O São Paulo paga para ver, não segue o senso comum de “fazer o simples”. Ao menos por enquanto. Jardine precisa de tempo e avaliação justa da margem de evolução. No nosso universo insano e paranoico parece um privilégio. Terá chance?


Vitória do Palmeiras é de favorito, mas pane mental do São Paulo assusta
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André Rocha

A atuação do Palmeiras foi segura dentro de sua proposta de jogo. Cuidados defensivos no início do clássico no Morumbi, exagerando um pouco nas ligações diretas para quem tinha Felipe Melo, Moisés e Lucas Lima no meio-campo. Compreensível pelo peso do jogo.

Mas quando a tensão típica de um “Choque-Rei” decisivo deu lugar à leveza com que o Alviverde disputa o Brasileiro, com muitos jogadores considerados reservas e priorizando os torneios de mata-mata (agora a Libertadores), o time de Luiz Felipe Scolari foi adiantando as linhas e trocando mais passes na execução do 4-1-4-1 que encaixava com o 4-2-3-1 tricolor.

Mas o gol novamente veio na bola parada. Escanteio da direita cobrado por Dudu, gol de Gustavo Gómez suficiente para dar pane mental no São Paulo. O segundo foi o retrato do momento do jogo: rebote do escanteio para o time da casa, transição ofensiva rápida que encontrou três palmeirenses contra dois são-paulinos. Passe de Mayke, chute de Dudu na trave. Com os adversários estáticos, o Palmeiras recuperou a bola e Mayke colocou na cabeça de Deyverson, totalmente livre.

Os comandados de Diego Aguirre pareciam pregados no chão. Apatia assustadora. Desde o início dando a impressão de estarem perdidos com a mudança na escalação sem mexer no 4-2-3-1 que tinha Rodrigo Caio na lateral direita, Bruno Peres como ponta e Rojas do lado oposto. Pouco mudou com Carneiro, Everton e depois Tréllez.

Porque elenco e treinador parecem não ter assimilado bem a condição de líder e favorito ao título. Talvez pese a responsabilidade de encerrar o jejum de títulos num cenário em que os rivais da cidade, Corinthians e Palmeiras, vem dominando o cenário nacional.

Na prática, justamente quando se imaginava o crescimento do time com as semanas livres para recuperação e treinamento o desempenho despencou. O time não troca passes no campo de ataque com desenvoltura nem se destaca pelo jogo mais direto. Finaliza pouco quando ocupa o campo de ataque por necessidade. Nem a ausência de Everton por lesão justifica tamanha estagnação.

O revés complica demais a briga pela liderança. Até por abalar a confiança para o duelo da próxima rodada contra o Internacional no Beira-Rio. Se voltar de Porto Alegre com a derrota será a pá de cal na disputa pelo título. Cenário surreal para quem cresceu com jogos seguidos, inclusive na Sul-Americana, logo após a Copa do Mundo e se perdeu com tempo para trabalhar.

O Palmeiras vai na contramão. Melhor campanha do returno com viés de alta. Apenas 40% de posse, 62 lançamentos de uma equipe que corre poucos riscos atrás e procura muito o pivô (Deyverson ou Borja). Mas oito finalizações – cinco no alvo contra apenas uma do rival, total de cinco. Eficiência que impressiona, ainda que tenha desperdiçado a chance de aplicar uma goleada fora de casa.

Volta a vencer no Morumbi depois de 16 anos (24 jogos). Triunfo não só de candidato ao título, mas do grande favorito nesta reta final.

(Estatísticas: Footstats)


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