Blog do André Rocha

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É bom ver a Holanda renascer, mesmo com mais sorte que juízo
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André Rocha

A relevância da Holanda na história do futebol está mais na influência de sua escola na evolução do jogo nos últimos 50 anos do que nas três finais de Copa do Mundo. Tudo que vemos hoje no mais alto nível tem as digitais de Rinus Michels e Johan Cruyff. Não só no Barcelona ou em Guardiola. Até na antítese, como resposta.

Por isso é tão bom ver a seleção agora comandada por Ronald Koeman – campeão europeu de 1988 com Michels e líbero do “Dream Team” de Cruyff no Barcelona do início dos anos 1990 – renascer depois de ficar de fora do Mundial na Rússia.

Nada muito substancial, já que a Liga das Nações, mesmo sendo um avanço em relação aos insossos amistosos de datas FIFA, não é parâmetro para confirmar uma recuperação sólida. Mas, ora bolas, se classificou num grupo com as duas últimas campeãs mundiais. A França levando a sério e usando a base que comemorou na Rússia há menos de seis meses.

A Alemanha manteve o viés de queda e foi rebaixada. Deixa a impressão de que a manutenção de Joachim Low depois da vexatória eliminação na fase de grupos da Copa é um erro de difícil reparo. Que fica mais complicado conforme o tempo passa.

Mas foi bem em Gelsenkirchen. Leve pela falta de objetivos na partida e confortável atuando nos contragolpes. Linhas recuadas, saída em velocidade procurando Sané pela esquerda e Timo Werner circulando por todo o ataque. Assim fez 2 a 0 no primeiro tempo.

A Holanda renovada sentiu o peso da responsabilidade e esbarrou em um problema de sua escola que parecia encontrar soluções, especialmente nos 3 a 0 sobre a França: a proposta imutável de ficar com a bola e adiantar as linhas, mesmo que não haja qualidade para propor o jogo.

Trocava passes, batia no muro, perdia a bola e sofria nas transições defensivas. Mesmo com o mais que promissor zagueiro Matthijs De Ligt. Na frente, Memphis Depay tentava abrir espaços para as diagonais de Promes e Babel e as infiltrações de Wijnaldum, apoiadas por De Jong e pelos laterais Tete e Daley Blind.

Tinha posse (terminou com 54%), mas não volume. O empate que garantiu a classificação veio no abafa desorganizado nos minutos finais. Aproveitando o cansaço e uma queda natural de concentração da Alemanha, guiada apenas pelo profissionalismo dos jogadores e rivalidade histórica no confronto.

Duas bolas na área, gols de Promes e do zagueiro Van Dijk jogando no “modo Piqué”, como centroavante para aproveitar a estatura. Na oitava finalização holandesa contra 13 dos alemães. Mais sorte que juízo da equipe de Koeman, que se junta a Suíça, Portugal e Inglaterra no “Final Four” do torneio.

A possível conquista pode ser o gás que falta para a Holanda entrar em uma nova era. Ou voltar ao protagonismo de velhos e bons tempos.

(Estatísticas: Whoscored.com)

 

 


Toni Kroos é a Alemanha. Nunca duvide deles
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André Rocha

Toni Kroos foi muito mal na estreia. Talvez desgastado física e mentalmente pela temporada do Real Madrid tricampeão da Liga dos Campeões. Muito provavelmente sentindo a mudança na Alemanha em relação ao clube. Com a mesma função de auxílio aos zagueiros na saída de bola, mas com menos companheiros para fazer a transição ofensiva. Sem um Casemiro de guardião. E velocidade nunca foi seu forte.

Atuação muito ruim na estreia, como toda a Alemanha. Especialmente no primeiro tempo, atropelado pela intensidade e pelos contragolpes de manual dos mexicanos. Contra a Suécia, erro de passe, novo contra-ataque e belo gol de Toivonen. Tudo parecia ruir em outro primeiro tempo com desempenho bem abaixo. Podia ter sofrido mais gols e os suecos podem e devem reclamar de pênalti claro sobre o centroavante autor do gol não marcado pelo árbitro Szymon Marciniak.

Mas Kroos, além de craque, é alemão. Que vencendo ou perdendo mostram força mental quase inquebrantável. Nunca desistem, nunca deixam de acreditar. Não é acaso que tenham vencido a Hungria em 1954 e a Holanda em 1974, duas das maiores seleções de todos os tempos. Ambas de virada. Porque só eles são capazes de não desistir quando o mundo todo os considera derrotados. Como em 1982, perdendo por 3 a 1 na prorrogação da França na semifinal e buscando o empate para vencer nos pênaltis.

A entrada de Mario Gomez no lugar de Draxler fez com que a Alemanha se mantivesse no campo de ataque, mas empurrando a última linha de defesa sueca para a própria área. Kimmich e Hector abrindo o campo, Muller e Reus fazendo dupla com os laterais e se juntando a Gomez e Werner quando a jogada saía do lado oposto. Boateng e Kroos iniciando a construção e Rudiger pronto para se defender das saídas rápidas suecas.

Empate com Reus, depois pressão, bola na trave, defesas inacreditáveis do goleiro Olsen. 71% de posse, persistência e eletricidade no ar, mesmo exagerando nos cruzamentos: 44. Os suecos foram cansando de se defender em suas linhas de quatro cada vez mais acuadas, na retranca “handebol”.

Mas veio novo golpe para os alemães. Duríssimo. Expulsão de Boateng, o zagueiro que conduzia o time à frente. Joachim Low não tinha escolha. Tirou Hector e colocou Brandt. Ao invés de repor a defesa, reoxigenou o ataque. Brandt bateu na trave. Muller e Werner cometeram erros grosseiros no ataque. Neuer salvou uma defesa totalmente exposta.

Mas havia Kroos. Questionado, criticado. De fato, abaixo do seu desempenho habitual. De um dos grandes meio-campistas da história do seu país, da Europa e do planeta. De incrível precisão em passes e cruzamentos. De gols um pouco mais raros. Mas a falta pela esquerda era a última chance de não depender de golear a Coréia do Sul e torcer para que México e Suécia não empatassem.

Toni Kroos acreditou e colocou todo o talento. Apesar do cansaço físico, da confiança abalada. Mas é alemão. E craque. Cobrança perfeita, no ângulo oposto. Na última das 16 finalizações de sua equipe. A quinta no alvo. Um golaço catártico, até para quem não torce para os campeões mundiais. Mas ama o futebol. E respeita quem não é derrotado antes por si mesmo. Na própria cabeça.

Alemanha viva. Muito. Agora até favorita à vaga pelo confronto menos complicado, enquanto a Suécia precisa vencer o líder México. Ainda pode terminar em primeiro e, talvez, fugir do Brasil nas oitavas. Ou encontrá-los caso a Suíça confirme o favoritismo contra a Costa Rica e consiga um placar capaz de chegar ao topo da classificação no grupo.

Em uma Copa imprevisível e de disputas quase sempre muito parelhas, não é possível descartar qualquer hipótese. Mas nunca duvide da capacidade de se redimir dos alemães. E menos ainda de Toni Kroos. O grande símbolo de uma vitória tão típica quanto épica.

(Estatísticas: FIFA)


O futebol não perdoa o “sono”, nem dos campeões mundiais. México histórico
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André Rocha

Juan Carlos Osorio, sempre inventivo, adepto do uso de três zagueiros  e que arma seu time de acordo com o adversário, surpreendeu ao ser pragmático e optar pelo simples na montagem do México para a estreia contra a Alemanha no Estádio Luzhniki.

Um 4-2-3-1 compactando duas linhas de quatro sem a bola e aproximando Carlos Vela de Chicharito Hernández. Pressão no homem da bola, intensidade e muita rapidez nas transições ofensivas, especialmente pelos flancos com Layun e Lozano, autor do gol único em contragolpe bem engendrado, de manual.

Muito mérito do México na vitória histórica. Até pelas muitas cobranças antes da Copa do Mundo. Ainda mais para o contestado e controverso Osorio.

Mas o resultado também passa muito pela baixa intensidade da Alemanha campeã mundial. Especialmente no início da partida. E o futebol atual não perdoa o “sono” em disputas de alto nível.  Low mandou a campo uma equipe naturalmente lenta, também no 4-2-3-1. Muller e Draxler nas pontas, Ozil atrás de Werner, o único com um pouco mais de velocidade, mas sem espaços para acelerar contra Ayala e Moreno.

Para piorar, os zagueiros Boateng e Hummels, sempre participativos na construção do jogo desde a defesa, não conseguiam acelerar o jogo através de passes verticais que ultrapassassem linhas de marcação do oponente. Nem Kroos, já que Khedira era o volante responsável pela aproximação com o quarteto ofensivo.

Força pela direita com Kimmich, mas do lado oposto Plattenhardt não compensou a ausência de Hector, vetado por forte gripe. No “abafa” da reta final, com Mario Gómez no centro do ataque, a bola rodava até os seguidos cruzamentos. Previsíveis. Faltou a jogada diferente pela ponta. Faltou Leroy Sané.

Linhas avançadas, baixa intensidade, pouca força na pressão após a perda da bola. Sem criatividade. A Alemanha foi um convite para a velocidade mexicana. Se Ochoa salvou sua seleção com boas defesas nos momentos de maior pressão, a retaguarda alemã se safou pelos equívocos do adversário no acabamento das jogadas.

Ainda assim, um jogaço quase do mesmo nível de Portugal 3×3 Espanha. Alemanha com 61% de posse de bola e 25 finalizações contra 12 – nove a quatro no alvo. Mas pagou pela dispersão e uma certa letargia no primeiro tempo, só acordando depois de sofrer um gol. Fatal. Melhor para o México de Osorio.

(Estatísticas: FIFA)


Low corta Sané, o “Douglas Costa alemão”. Tite é menos radical pelo sistema
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André Rocha

Quando o Manchester City contratou Leroy Sané para a temporada 2016/17, Pep Guardiola afirmou que buscava um jogador para fazer na sua nova equipe o que Douglas Costa realizava sob seu comando em sua melhor fase na carreira no Bayern de Munique.

Ou seja, o ponta canhoto dentro do jogo de posição que espera a bola bem aberto para driblar, cortar para o fundo e finalizar ou servir os companheiros. Ou à direita cortando para dentro e finalizando. Normalmente recebendo numa inversão para enfrentar apenas um marcador. Sem se incomodar de pegar pouco na bola, mas ser decisivo. O fator de desequilíbrio. Em 2015/16, o brasileiro marcou seis gols e serviu 12 assistências na Bundesliga e na Champions.

Na temporada seguinte, o encontro entre Guardiola e Sané em Manchester rendeu sete gols e cinco assistências, ainda se adaptando a um novo modelo de jogo. Na campanha do título nacional, a explosão com dez gols e 17 passes para os companheiros irem às redes. Totalmente adaptado e ciente de sua missão em campo.

Por isso a surpresa pela ausência do atacante entre os 23 convocados da atual campeã Alemanha para a Copa do Mundo na Rússia. Nem tanto pelo desempenho na seleção, mas pelo potencial que poderia ser desenvolvido e, principalmente, pelas características diferentes de Draxler, Reus e Brandt. Mesmo iniciando sempre no banco, seria uma possibilidade de mexer com a marcação adversária. Joachim Low preferiu os jogadores mais associativos, de tabelas e infiltrações. Preferiu a afirmação do sistema à alternativa de ruptura.

Exatamente a crítica que Tite recebeu por deixar no Brasil o meia do Grêmio, eleito melhor jogador da América do Sul. Porque é jogador de entrelinhas, centralizado num 4-2-3-1. No 4-1-4-1 da seleção, não rendeu aberto nem por dentro nos treinamentos.

Discordar da lista de convocados é mais que legítimo. É até saudável. Contestar Taison é compreensível por estar jogando na Ucrânia e Luan ainda por aqui. A questão é que o camisa sete gremista seria opção apenas para uma função. Na prática, a mesma que Roberto Firmino executa no Liverpool: busca espaços entre a defesa e o meio-campo do oponente e aciona os companheiros ou aparece para finalizar. Isto no mais alto nível do futebol mundial: Premier League e Liga dos Campeões. A Libertadores fica abaixo neste parâmetro de avaliação. Ou seja, se precisar de um Luan existe Firmino.

A prova de que Tite é menos radical na defesa de seu sistema é justamente Douglas Costa. Quase sempre lesionado quando o treinador precisou, mas sempre no radar. É ponteiro diferente de Willian, Coutinho e Neymar. Mais drible e força em direção ao fundo, ainda que na Juventus não guarde tanta posição no flanco como nos tempos de Guardiola em Munique. É o tal “cara para mudar o jogo”. A preocupação é que está novamente com problemas físicos, mas deve estar pronto para enfim dar sua contribuição a Tite.

Low justificou a ausência afirmando que Sané “não deu tudo que podia nos jogos da seleção”. Na Alemanha nem houve tanta contestação. Porque, de fato, nunca houve uma atuação memorável do ponteiro de 22 anos com a camisa tetracampeã mundial, como tantas fardando o uniforme azul de Manchester. Mas também pela moral do treinador no comando há 12 anos. Que confia em seu sistema e vai com ele até o fim.

Com apenas dois anos, ou meio ciclo de Copa, Tite também carrega suas convicções. Mas deixa uma brecha para novas possibilidades, ainda que quebrem o desenho tático e a proposta de jogo. Quem tem razão? Já sabemos qual será o único critério de avaliação geral, muito mais no Brasil que na Alemanha: o resultado final na Rússia.


Brasil vai bem como “desafiante”. O problema é outro, ou o mesmo de sempre
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André Rocha

A última vez que a seleção brasileira entrou em campo como “zebra” diante de um adversário tido como mais poderoso e, portanto, favorito foi na final da Copa das Confederações 2013. A Espanha era campeã mundial e bi da Eurocopa. O time de Luiz Felipe Scolari entrou transpirando fogo no Maracanã e atropelou Xavi, Iniesta e seus companheiros. 3 a 0, gritos de “o campeão voltou” e, pouco depois, o coordenador Parreira assumindo o favoritismo para o Mundial no ano seguinte como anfitrião.

O erro de Felipão nos 7 a 1 foi não ter resgatado este espírito. Sem Thiago Silva e Neymar, diante de um adversário com trabalho mais consolidado. Bastava jogar o favoritismo para o outro lado e entrar como franco-atirador, pelo contexto. Mas era a Alemanha, “freguesa histórica”. O treinador acreditou na camisa, no Mineirão lotado, no Bernard ídolo do Atlético Mineiro e “alegria nas pernas”. Se achou mais forte e o tombo foi sem precedentes.

Goleada histórica que criou o clima para o Brasil de Tite entrar mais que concentrado em Berlim. Sim, contra um “mistão” de Joachim Low. Mas se a campeã mundial venceu a Copa das Confederações com reservas merecia respeito independentemente da formação. Objetivamente era o primeiro confronto com uma candidata ao título. E justificou tentando impor seu jogo no ritmo de Toni Kroos.

De novo um Brasil sem Neymar. Mas desta vez organizado e precavido, com Coutinho pela esquerda e Fernandinho no meio dando liberdade para Paulinho infiltrar. Uma equipe bem coordenada no 4-1-4-1 e condicionada a pressionar o adversário desde a perda da bola. Pronta para acelerar assim que a retomasse.

No espaço deixado pela proposta alemã de controlar com a bola e ocupar o campo de ataque. Tudo que o Brasil precisa. Nosso jogo forte é o de transições ofensivas rápidas, com condução, passe e definição. Na bola roubada na frente, cruzamento de Willian da direita e gol de Gabriel Jesus, que podia ter se consagrado se não andasse tão afobado nas finalizações. Mas decidiu jogo grande e garantiu titularidade na Copa.

Podia ter sido mais que 1 a 0. No segundo tempo a Alemanha só levantou bolas na área e Alisson, Thiago Silva, Miranda e Casemiro sobraram. No final, a luta para a manutenção do resultado. Não adianta, é nossa cultura e Tite sabia que era importante vencer para aumentar a autoestima. A convocação final e a viagem para a Rússia estão logo ali.

O problema, porém, continua o mesmo. Talvez a seleção leve de três a quatro jogos para encarar um cenário parecido, com o adversário saindo para o jogo. Poucos paises atacam a camisa cinco vezes campeã mundial. Na fase de grupos, a tendência é encarar linhas de cinco e no mínimo oito jogadores guardando a própria área.

E aí tudo muda. Os problemas para infiltrar aparecem. Os espaços somem e com eles a paciência para trabalhar a bola. Falta o ritmista que não foi necessário em Berlim porque a equipe só acelerava. Será preciso abrir o campo, girar a bola, construir o espaço e ser letal na finalização.

Contra Inglaterra em Wembley e na Rússia enquanto os anfitriões não se empolgaram e bloquearam a entrada da área ninguém entrou, Vejamos a combinação dos novos conceitos, tempo para treinamentos, volta de Neymar e moral pelo triunfo sobre o “fantasma”.

Só não pode transformar um feito relevante – a Alemanha não era derrotada desde a semifinal da Eurocopa – na ilusão da Copa das Confederações. Já sabemos como termina, mesmo faltando tão pouco tempo desta vez. Tite é vivido, os jogadores com uma casca de quatro anos.

É hora de afinar o discurso. A Alemanha é a campeã, a Espanha a favorita. Melhor seguir como “desafiante”.


Alemanha campeã é o resultado dando respaldo ao planejamento
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André Rocha

Foto: Ivan Sekretarev (AP Photo)

Na final da Copa das Confederações, a Alemanha encarnou a máxima que já passou pela boca de José Mourinho e Rafael Nadal, dois pragmáticos até a medula: “Finais não são para ser jogadas, mas vencidas”. Já que “deixou chegar”…

Trabalhou em um 5-4-1 mais “duro” e menos fluido que em outras ocasiões no torneio. Jogou para controlar os espaços e sofreu mais do que deveria contra o Chile. Porque na execução deste sistema, o perigo é não conseguir sair da pressão adversária e nunca sair em bloco, perdendo a bola e vendo o adversário dominar com volume de jogo.

Foi o que aconteceu e só não causou maiores danos porque o Chile, assim como você já leu aqui sobre o Flamengo, é uma equipe “arame liso”. Ou seja, cerca mas não fura. Ou melhor, tem dificuldade para transformar em gols as oportunidades criadas dentro de uma proposta ofensiva no 4-3-1-2.

A partir da saída de bola “lavolpiana”: dois zagueiros abrem, um volante afunda para qualificar o toque com passe limpo. Mas Marcelo Díaz errou no domínio, e com Medel e Jara distantes, restou ao goleiro Bravo assistir ao toque de Werner para Stindl marcar o gol que seria do título.

O triunfo podia ter sido resolvido ainda na primeira etapa com o claro abatimento dos chilenos após o gol sofrido exatamente no período de maior domínio. Mas Goretzka não completou com precisão passe de Draxler. A Alemanha controlava sem a bola.

Na segunda etapa, atuação pragmática para conter o campeão sul-americano. Joachim Low trocou Werner por Can. Pizzi tirou Aranguiz e colocou Sagal. Substituições sintomáticas dentro das propostas. Sagal perdeu gol feito, Ter Stegen foi o melhor alemão na decisão com grandes defesas, inclusive no ato final em cobrança de falta de Sánchez.

A vitória dentro de um “estilo Mourinho” é curioso paradoxo para quem usou a Copa como laboratório e oportunidade para dar rodagem a quem deve ser titular no Mundial do ano que vem. Kimmich se afirmou como o jogador mais inteligente em termos táticos e de tomada de decisão de sua geração. Goretzka, Stindl e Werner foram aprovados. Ter Stegen é a sucessão de Neuer.

Draxler não foi o protagonista que se esperava, mesmo com a Bola de Ouro do torneio que costuma ser mais midiática do que por mérito.Mas o coletivo se impõe dentro de uma proposta atual, que se adapta às circunstâncias e às ideias do oponente. A decisão pedia cuidado e eficiência diante da melhor e mais vencedora geração chilena, faminta por mais uma conquista. Na provável despedida da Copa das Confederações.

O título, porém, não muda os planos da Alemanha. Mas é óbvio que dá ainda mais respaldo a Low e afirma o favoritismo que já existia da atual campeã mundial. Descansando os veteranos será possível voltar a Rússia acrescentando experiência à qualidade dos jovens que mantiveram a mentalidade vencedora.

E se chegar de novo…


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