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Atlético-PR recua demais e empate fica muito melhor do que foi o desempenho
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André Rocha

O Junior Barranquilla sabia que precisava sair da partida em casa na final da Copa Sul-Americana com vantagem para encarar o “inferno” da volta na Arena da Baixada. Mesmo com quatro desfalques, o mais importante do capitão Téo Gutiérrez.

A solução era colocar intensidade máxima na pressão pós perda e adiantar as linhas na execução do 4-3-3. Os laterais em especial. Piedrahita e Germán Gutiérrez empurravam Nikão e Marcelo Cirino, os pontas atleticanos, para o próprio campo e deixando as saídas para os contragolpes menos rápidas com Raphael Veiga e Pablo, os mais adiantados sem a bola do 4-2-3-1 de Tiago Nunes.

O time do treinador Julio Comesaña saía de trás com passes verticais e rápidos do volante Luis Narváez e eventualmente dos zagueiros Jefferson Gómez e Rafael Pérez. Os laterais desciam e faziam triângulos com os meias Sánchez e Cantillo e os ponteiros Barrera e Díaz. Toques simples e cruzamentos procurando Jony González, o substituto de Téo no centro do ataque.

Mas o Atlético fechava bem o “funil” e impedia as infiltrações em diagonal dos ponteiros e Lucho González e Bruno Guimarães protegiam a entrada da área. Com os pontas voltando até o fim, Jonathan e Renan Lodi estreitavam a última linha com Thiago Heleno e Léo Pereira. Mesmo com algum sofrimento, o jogo estava controlado.

Quando Nikão ficou mais adiantado pela direita quando o lado oposto foi atacado e Cirino voltou, o time brasileiro enfim ganhou uma referência de velocidade para a transição ofensiva. Arranque e passe do ponteiro, deslocamento de Pablo entrando no tempo e no espaço certos para finalizar e abrir o placar.

Só que a equipe rubro-negra pecou de novo pela desconcentração fora de casa. O Junior saiu com tudo para um “abafa” e, três minutos depois, no vacilo em conjunto dos veteranos Jonathan e Thiago Heleno, a bola aérea terminou com a bela virada de González. O empate contagiou o Estádio Metropolitano e induziu o time da casa a novamente se lançar à frente e, por consequência, o recuo dos visitantes. Tiago Nunes acusou o golpe ao trocar Raphael Veiga pelo volante Wellington.

Depois tentou dar velocidade aos contra-ataques com Rony na vaga de Pablo – mais tarde Marcinho substituiria Lucho González. No entanto, o atacante substituto que definiu a virada sobre o Flamengo no sábado entrou mal e cometeu pênalti em Gutiérrez. O zagueiro Pérez explodiu o travessão numa cobrança fortíssima. Esfriou a torcida, mas o Junior sabia que não tinha opção além de seguir atacando.

Com Moreno, Hernández e Ruiz nas vagas de Narváez, Sánchez e González, seguiu rondando a área atleticana e teve a chance derradeira no chute forte de Barrera, mas Santos salvou com bela defesa. A última das 13 finalizações, cinco no alvo. O Junior terminou com 58% de posse, 15 desarmes corretos e apelou 30 vezes para os cruzamentos. Faltou o gol do desafogo.

O Atlético enfrentou os mesmos problemas de outras partidas sem vitória fora de casa, principalmente o recuo excessivo para defender a meta de Santos.  Mas volta da Colômbia com resultado interessante para definir o título continental em seus domínios. Com proposta ofensiva e volume de jogo tende a se impor. Mas é final, jogo tenso e que costuma atrapalhar os times brasileiros pela tensão por conta do favoritismo. É inegável, porém, que a taça e a vaga na Libertadores 2019 ficaram mais próximas de Curitiba.

(Estatísticas: Footstats)

 


Torcida não merece esse Flamengo. Atlético-PR merece título histórico
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André Rocha

Mais de 60 mil pessoas no Maracanã em uma partida que nada valia e marcava despedida de uma temporada sem conquistas. Para terminar o Brasileiro com a melhor média de público como mandante, acima dos 50 mil pagantes.

Por mais que Dorival Junior, em entrevista a este blog, tenha exaltado a recuperação e a força do elenco, não há como confiar na força mental desse Flamengo. Depois de um primeiro tempo com alguma intensidade no embalo do apoio da massa e o gol de Rhodolfo na cobrança de escanteio de Diego, a desconcentração total na segunda etapa que permitiu a virada.

Na última partida com a camisa do clube que o formou, Lucas Paquetá nada produziu de útil atuando pela esquerda, deixando Vitinho no banco. Mas o símbolo de mais uma derrota foi Willian Arão. Até criou algumas situações pela direita com Pará e Everton Ribeiro e arriscou um chute perigoso no segundo tempo. Para logo em seguida acabar expulso por duas faltas bobas com reclamações da arbitragem. Desconcentrado sem a bola, sobrecarregou Piris da Motta, que não tem o mesmo nível de desempenho nem o entrosamento com os companheiros de Cuéllar.

Derrota emblemática no final da gestão Bandeira de Mello. Transformadora nas finanças, porém incompetente e paternalista na condução do futebol. A torcida não merece esse Flamengo.

Já o Atlético Paranaense consolida uma maneira de jogar agora com a confiança por afastar de vez a imagem de que só rende na Arena da Baixada. Volta do Rio de Janeiro com duas vitórias utilizando praticamente todo o elenco. Ainda que tenha precisado de Pablo e Lucho González saindo do banco para construir a virada no segundo tempo. O centroavante na vaga de Cirino e o argentino para qualificar o toque no meio e surgir como elemento surpresa na construção dos dois gols.

Saída com bola no chão, inteligência para acelerar ou cadenciar o jogo quando necessário e golaços de Matheus Rossetto e Rony. O primeiro pela jogada coletiva e o derradeiro em chute espetacular. O atacante acabou expulso na confusão depois do vermelho para Arão. Rigor da arbitragem para fazer média e tirar um de cada lado. Nada que impedisse o grande triunfo da equipe paranaense.

Pela maneira como se reconstruiu na temporada, efetivando Tiago Nunes que aprimorou e complementou os ideais de Fernando Diniz adicionando mais rapidez e contundência no ataque, o Atlético faz por merecer o título da Copa Sul-Americana. Decide contra o Junior Barranquilla uma taça histórica.

Se vencer servirá como bom exemplo de que não se deve recomeçar trabalhos praticamente do zero, descartando tudo do antecessor como acontece rotineiramente no futebol brasileiro. Mas principalmente para provar que é possível por estas bandas combinar  a competitividade e um jogo que agrada as retinas. No Maracanã fez bonito e não perdoou um time que sempre parece pronto para o fracasso.


Alex Muralha não tem culpa. Nem agora, nem se jogar em Barranquilla
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André Rocha

Sim, soa cruel e até oportunista a afirmação, mas não é possível mais fugir da constatação de um fato: Alex Muralha hoje é o pior goleiro das duas principais divisões do futebol brasileiro. Uniu suas muitas limitações com uma falta de confiança assombrosa. Ou uma maneira suicida de mostrar que tem valor. Como na tentativa de drible em Ricardo Oliveira que terminou no gol de Bruno Henrique, na derrota do Flamengo de virada para o Santos por 2 a 1 na Ilha do Governador.

O segundo, de Arthur Gomes num chute defensável que mais uma vez Muralha deixou passar. Como permitiu que o cruzamento de Jony González encontrasse Teo Gutierrez no gol do Junior de Barranquilla. Como não defendeu nenhuma cobrança de pênalti dos cruzeirenses na final da Copa do Brasil em uma estratégia até hoje não bem explicada – se partiu apenas do goleiro ou foi combinada com a comissão técnica – até porque, como diz o dito popular, “filho feio não tem pai”. Como nas falhas contra o próprio Santos pela Copa do Brasil nos 4 a 2 na Vila Belmiro. Como tantas outros erros em um 2017 catastrófico.

Por que o goleiro ainda está em campo prejudicando o Flamengo? As lesões de Tiago e Diego Alves explicam em parte. Mas já era para o clube ter providenciado um Plano B para não precisar recorrer ao atleta tão contestado. Por muito menos outros jogadores já deixaram o Flamengo, até para preservar sua integridade física.

Não, não é exagero temer que, em tempos tão malucos, alguém tente e consiga agredir ou até fazer coisa pior com Muralha e/ou algum familiar. Mas será que a culpa é dele?

Em relação ao desempenho, é óbvio que a maior responsabilidade é do profissional. Principalmente em erros tolos e básicos. Mas a maior cobrança deve recair sobre quem deduziu que ele era um goleiro para ser titular absoluto do Flamengo, com um jovem na reserva. Sem sombra. Mais ainda sobre quem ainda o mantém no elenco e, pior, escala em partidas importantes. Devem ser cobrados, mas sem violência. É bom reforçar.

Era jogo para dar ritmo e confiança a César, formado nas divisões de base, que ainda pode ser inscrito no torneio continental e, por isso, precisaria de ritmo de competição. Jovem, não é garantia de segurança em Barranquilla em um jogo decisivo. Tiago falhou na primeira final da Copa do Brasil, convém lembrar.

Mas a menos que o futebol proporcione uma das mais improváveis redenções da história do esporte, é melhor arriscar uma incógnita do que bancar uma quase certeza de insucesso. Não é absurdo imaginar uma derrota por 2 a 1 e nova decisão por pênaltis.

Se o Flamengo for eliminado novamente com Muralha em campo a culpa não será dele. O aviso foi dado hoje. Os responsáveis que tomem a decisão mais lógica até quinta-feira.


Flamengo com alma de clássico carioca num duelo continental. Como deve ser
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André Rocha

Indignação com a derrota ou resultado negativo. O que faltou ao Flamengo na maioria da temporada, menos nos clássicos cariocas – com exceção da única derrota para o Botafogo pelo Brasileiro utilizando reservas. O que vinha faltando principalmente em competições sul-americanas.

Não aceitar outro resultado senão a vitória foi o que moveu o time de Reinaldo Rueda no Maracanã com imperdoáveis espaços vazios, fruto da obtusa política de preços que pensa induzir o torcedor a virar sócio. Mas a virada por 2 a 1 sobre o Junior de Barranquilla na ida da semifinal da Copa Sul-Americana não seria possível não fossem as muitas falhas do adversário justamente na jogada mais eficiente dos rubro-negros em toda temporada, desde os tempos de Zé Ricardo.

A jogada aérea, com bola parada ou rolando. Podia ter acontecido com Vizeu ainda no primeiro tempo, completando cruzamento de Everton Ribeiro. Já com desvantagem no placar. E Alex Muralha em campo na vaga do Diego Alves, que sofreu fratura na clavícula após cometer pênalti não marcado sobre Jony González. Uma infelicidade tão grande quanto o primeiro ataque colombiano terminar em gol. Juan perdeu a disputa com Teo Gutierrez, passe de Mier nas costas de Pará e González rolando para Teo. O goleiro, frio e nitidamente inseguro, deixou passar o cruzamento.

Parecia que os visitantes repetiriam o passeio que deram no Sport em Recife nas quartas de final, mas abdicaram um pouco do jogo, recuando as linhas e esperando o contragolpe letal com o velocíssimo Yimmi Chará nas costas de Trauco. Não veio no primeiro tempo de 54% de posse do Fla e sete finalizações, mas nenhuma no alvo. O Junior concluiu quatro, duas no alvo e o gol único antes do intervalo.

Com oito minutos de atraso, Reinaldo Rueda trocou Mancuello por Vinicius Júnior. Nem tanto pelo desempenho do argentino, que finalizou duas vezes com perigo e tentou colaborar na articulação. Mas principalmente pela entrada de um atacante com característica semelhante à de Berrío e Everton. Até então o Fla não tinha uma referência de velocidade para lançamentos, que desse profundidade aos ataques.

Melhorou um pouco o desempenho, mas faltava criatividade, o passe diferente qualificado. Não veio de Everton Ribeiro, substituído por Lucas Paquetá. Muito menos de Diego, novamente um líder em campo, mas burocrático na articulação. O jogo do Fla não fluía mais uma vez. De novo o time que não dá liga, das peças que não encaixam.

Mas desta vez havia alma. E um recurso óbvio. Na fibra, no grito da torcida que respondeu à postura diferente da equipe e nos muitos cruzamentos – 41 no total, 22 na primeira etapa – a virada com Juan e Vizeu. Golaço do jovem centroavante completando no ângulo de Viera a assistência de Willian Arão. Comemoração no banco com Rhodolfo para se redimir da enorme bobagem que fez nos 3 a 0 sobre o Corinthians no domingo.

Virada e vantagem para a volta. Mas há muitas preocupações. Porque logo após o empate, o time de Barranquilla teve duas grandes chances, com Chará e Luiz Díaz, que substituiu Mier e centralizou Chará no 4-2-3-1. O treinador uruguaio Julio Comesaña pecou ao chamar demais o Fla para o próprio campo e confiar nos contragolpes que não encaixaram. Os visitantes sempre foram mais perigosos quando desceram em bloco, trocando passes no meio e acelerando pelos flancos.  Deve ser assim na Colômbia.

O Flamengo vai precisar de velocidade nas transições ofensivas – Everton deve retornar pela esquerda – e, principalmente, de concentração defensiva absoluta para não precisar tanto de Muralha. Um enorme desafio para quem deixou a Libertadores exatamente por não pontuar longe do Rio de Janeiro.

Se repetir longe da torcida o comportamento no Maracanã as chances serão maiores. Um time com alma de clássico carioca num duelo continental. Como deve ser.

(Estatísticas: Footstats)


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