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Atento e eficiente, Palmeiras é campeão brasileiro. Só falta a matemática
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André Rocha

A vitória por 3 a 0 sobre o Fluminense no Allianz Parque foi mais um típico triunfo do Palmeiras de Luiz Felipe Scolari.

Concentração sem a bola, futebol simples e direto usando e abusando da qualidade de jogadores como Bruno Henrique, Dudu e Lucas Lima para definir o jogo. Insiste, inclusive na bola parada, explora as deficiências dos adversários com maiores fragilidades técnicas e táticas, além da carência de peças de qualidade.

É simplesmente impossível tirar do líder absoluto mais um título brasileiro, repetindo 2016 na era dos pontos corridos. Com todos disponíveis, foco total na competição, confiança lá no teto e os concorrentes diretos Internacional e Flamengo já jogando a tolha e tropeçando na própria incompetência.

Gol de Borja no primeiro tempo completando bela jogada de Diogo Barbosa, depois Felipe Melo, que entrou na vaga de Lucas Lima, acertou um chute espetacular no ângulo de Julio César e Luan no final completou na bola parada. O Flu tentou duelar de igual para igual, Marcelo Oliveira desfez o sistema com três zagueiros e apelou para o 4-2-3-1.  Mas simplesmente não dá para competir.

55% de posse de bola, ainda que apelando para lançamentos e rebatidas, ou chutões mesmo, por 76 vezes e trocando menos passe que o Flu – 264 x 267. Mas foram 17 finalizações, oito no alvo. Enquanto os demais oscilam, o Palmeiras completa um turno sem derrotas, 19 partidas. Impossível questionar a competência para pontuar sempre. Sempre atento.

É o campeão brasileiro de 2018. No apito final, mais uma comemoração de jogadores, comissão técnica e torcedores. Agora só falta a matemática para entregar a taça. Questão de tempo.

(Estatísticas: Footstats)


Palmeiras é mais uma vítima brasileira da força mental do Boca Juniors
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André Rocha

Não é o melhor Boca Juniors da história, longe disso. Mas o time dos irmãos Schelotto que vai fazer uma das maiores, se não for a maior, final da Libertadores da história contra o River Plate segue uma tradição do clube na principal competição sul-americana.

A equipe que perdeu para o Palmeiras de Roger Machado na fase de grupos e correu sério risco de ser eliminada cresceu demais no mata-mata por conta de sua mentalidade vencedora. Independentemente de quem está em campo, a postura é de time grande e vencedor.

Pode sofrer e ficar acuado, como no início do jogo no Allianz Parque e na virada do segundo tempo que deu alguma esperança a Luiz Felipe Scolari e seus comandados. Mas nunca abdica do jogo, dificilmente se desespera e sabe “congelar” a bola para o sufoco passar e voltar a atacar.

Desta vez num 4-3-3 com Villa e Pavón nas pontas e Ábila no centro do ataque. Para se antecipar a Luan e abrir o placar sobre um Palmeiras forçando demais o jogo em Dudu pela direita ou no pivô de Deyverson. Mesmo com Lucas Lima tentando qualificar o toque no meio-campo.

O jogo direto e rústico criou alguns problemas para o time argentino quando se transformava em volume de jogo ao dominar os rebotes e voltar a atacar, insistindo nas jogadas pelos flancos. Mas foi no abafa da segunda etapa que saíram os gols de Luan e Gómez cobrando pênalti sobre Dudu.

O único momento em que o time xeneize baixou um pouco a guarda. Mas impressiona como admite a dificuldade, oscila mentalmente, porém não se desmancha. Voltou a jogar com Zárate na vaga de Pavón e Benedetto no lugar de Ábila. Sem mudar o desenho tático e o modelo.

Quando Felipe Melo, em reta final da carreira e obrigado a marcar por encaixe e perseguição depois de anos na Europa defendendo por zona, cansou e deu espaços, Benedetto marcou seu terceiro gol dos quatro do Boca na semifinal e matou o confronto com os 2 a 2.

Com Moisés, Borja e Gustavo Scarpa, o Palmeiras insistiu, porém perdeu organização. 31 lançamentos, 37 cruzamentos e 30 rebatidas. Mesmo com 326 passes certos e 60% de posse sempre fica a impressão de que o Palmeiras de Felipão poderia trabalhar mais a bola. No futebol jogado no Brasil tem bastado.

Os argentinos administraram com aquela combinação de pressão no adversário com a bola e seguir atacando, mas sempre ganhando todo o tempo possível para esfriar o oponente.

Confirmando a 16ª classificação em 19 duelos em mata-mata contra brasileiros. Massacre histórico de uma força mental que vai buscar contra o maior rival a sétima conquista para se igualar ao Independiente como maior vencedor da história do torneio.

(Estatísticas: Footstats)


Palmeiras e Flamengo iguais na força pela esquerda. Empate encaminha taça
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André Rocha

Apesar das ausências importantes e da preocupação com a volta contra o Boca Juniors pela Libertadores, o Palmeiras tinha o jogo à sua feição pelo contexto. Mesmo contra o Maracanã cheio e um Flamengo confiante depois da chegada de Dorival Júnior.

Porque no futebol jogado dentro do Brasil quem pode atuar negando espaços e explorando as costas da retaguarda adversária sempre leva vantagem. Física, tática, técnica e mental. O time de Felipão se fechava em duas linhas de quatro com muita concentração para não permitir as triangulações e sempre pressionando o adversário com a bola.

Só tinha um “ponto cego”. Já esperado pelas ausências de Marcos Rocha e Mayke. Felipão posicionou Luan na lateral direita, mas o zagueiro sofreu no duelo com Vitinho, o grande destaque rubro-negro no primeiro tempo. O ponteiro do 4-2-3-1 do Fla que teve a grande chance nos primeiros 45 minutos quando Vitinho passou como quis por Luan e teve tempo e espaço para levantar a cabeça, mas não percebeu o deslocamento perfeito de Arão, que ficaria de frente para Weverton. Cruzamento errado, chance desperdiçada.

O Palmeiras também atacava pela esquerda, com Dudu para cima de Pará. Na primeira etapa não teve grande efeito prático, mas logo após a volta do intervalo a bola longa pegou o lateral direito do Flamengo mal posicionado e cedento espaço suficiente para o melhor jogador do campeonato até aqui cortar para dentro, limpar também Léo Duarte e bater no canto esquerdo de César.

Vitinho sentiu lesão no segundo tempo e Dorival colocou Marlos Moreno. Antes havia trocado Arão por Diego e voltado ao 4-1-4-1 dos tempos de Mauricio Barbieri. Luan também saiu desgastado para a entrada de Gustavo Gómez. As trocas criaram uma vantagem clara do atacante colombiano sobre o zagueiro paraguaio na velocidade.

Marlos recebeu nas costas de Gómez, cortou Antônio Carlos e empatou. Marlos não marcava desde 2016. Já o artilheiro do Flamengo no Brasileiro com dez gols perdeu a grande chance da virada. Antes de Felipão corrigir a marcação no setor ao deslocar o volante Thiago Santos para a direita, o ponteiro disparou e serviu Paquetá que, livre, bateu por cima.

Era a bola de um jogo estrategicamente igual. Já era esperado que o Flamengo tivesse muito mais posse (62%). Talvez não tantas finalizações – 19, mas só quatro no alvo. Mas novamente exagerou nos cruzamentos em uma partida decisiva: 43. O Palmeiras efetou 64 lançamentos e 50 rebatidas, também previsível para o “padrão Felipão”. Assim como a eficiência de finalizar sete vezes, duas no alvo e uma nas redes.

De Dudu, que se sacrifica nas duas competições porque o time depende dele. Vai precisar demais do fator de desequilíbrio contra o Boca no Allianz Parque. Já no Brasileiro a missão agora é administrar. Quatro pontos de vantagem mantidos, um confronto direto a menos e sete rodadas com tabela em tese mais fácil que a sequência de jogos dos concorrentes.

O título parece encaminhado. Logo o que o Palmeiras não priorizou e, por isso, jogou com calma e leveza. Vantagem considerável no tenso, quase surtado, ambiente de time grande no Brasil.

(Estatísticas: Footstats)


Palmeiras de Felipão perde quando abre mão da “trocação”. Mas ainda vive
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André Rocha

O Palmeiras foi o mesmo por 70 minutos na Bombonera. Muita concentração defensiva, pressão no adversário com a bola, encaixe no setor para não permitir superioridade numérica. Bola roubada, muitas ligações diretas (53 lançamentos) em busca de Borja na frente ou das extremas com Dudu e Willian.

O Boca Juniors também muito atento aos contragolpes do oponente, com Barrios na proteção e última linha posicionada para guardar a própria área. Na construção, porém, foi igualmente sem criatividade. Com Ábila na frente, abrindo mão de Villa na ponta e posicionando Zárate pela esquerda num 4-1-4-1.

Jogo igual que foi acomodando o time de Felipão no jogo. Talvez o primeiro tempo muito fraco tecnicamente tenha passado a impressão de que seria mais fácil controlar. E aí veio o equívoco no comportamento ao longo do segundo tempo e com mais ênfase a partir dos 25 minutos.

Porque o Palmeiras não é um time de controle, mas de “trocação”. Troca ataques e tenta se defender melhor e desequilibrar na frente com as individualidades. Mesmo com vantagem no placar segue incomodando. Desta vez jogou por uma bola e foi pouco. Até porque não valoriza a posse para esfriar o rival.

Quando Guillermo Schelotto trocou Ábila por Benedetto, o Boca ganhou uma referência mais móvel. Já com Villa no lugar de Zárate. Sem nenhuma grande evolução, apenas com um pouco mais de dinâmica e fôlego renovado na frente, o time argentino conseguiu os gols com o centroavante substituto. Benedetto ganhou no alto de Felipe Melo e abriu o placar. Depois, por baixo, limpou Luan e bateu no canto de Weverton.

Entre um gol e outro, dos 38 aos 43, o único momento em que a Bombonera pulsou e intimidou o rival. Pela primeira vez se viu o seguro Palmeiras assustado. Também porque não vinha mais criando problemas ao sistema defensivo xeneize.

O placar de 2 a 0 parece exagerado. Mesmo com o Boca impondo 57% de posse, e nove finalizações contra oito. Mas seis a dois no alvo. Poucas chances cristalinas. No geral, muito equilíbrio. Por isso o Palmeiras ainda vive na semifinal da Libertadores. Mas terá que voltar à sua essência com intensidade máxima. E força mental para lidar com a obrigação de reverter um cenário agora tão complexo.

(Estatísticas: Footstats)


Grêmio x River deveria ter sido a final de 2017. Agora será duelo gigante
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André Rocha

Renato Gaúcho repetiu na Arena do Grêmio o trio ofensivo do jogo de ida com Alisson e Everton nas pontas e Luan como falso nove. Mas sem Ramiro e Maicon mudou o desenho tático. Alinhou Matheus Henrique e Cícero à frente da defesa e deu liberdade a Thaciano num 4-2-3-1.

Com o meio-campo tão mexido, o time gaúcho sofreu um pouco no início contra um Atlético Tucumán obrigado a adiantar as linhas, porém mais organizado que no jogo em casa. Os argentinos terminaram o primeiro tempo dividindo a posse de bola e finalizando oito vezes, mas apenas duas no alvo.

O Grêmio foi mais eficiente: concluiu nove, quatro no alvo. Duas nas redes. Com Léo Moura como protagonista. Cruzamento na segunda trave, toque de Thaciano e gol de Luan. Depois iniciando a jogada que terminou no passe de Luan para Alisson disparar e sofrer pênalti do goleiro Lucchetti, que acabou expulso com auxílio do VAR. A cobrança precisa de Cícero resolveu o jogo e, dobrando a vantagem conquistada na ida, definiu o confronto já no primeiro tempo.

Na segunda etapa, com um homem a mais foi um passeio em ritmo de treino, com gol contra de Sánchez em finalização de Alisson e o time perdendo outras boas chances até marcar no último ataque em outro pênalti sofrido e convertido por Jael.

Quatro a zero para impor ainda mais respeito. Como esperado desde a definição do confronto, o Grêmio sobrou. Ataque mais positivo com 22 gols, apenas cinco sofridos. Líder do torneio na posse, na troca de passes e nas finalizações. 100% de aproveitamento em casa nesta edição. Encontra equilíbrio na hora de decidir.

Semifinal contra o River Plate. Equipe forte com trabalho consolidado do treinador Marcelo Gallardo. Desde 2014, com títulos da Sul-Americana e Libertadores. Também semifinalista no ano passado. Domínio absoluto no Monumental de Nuñez diante do Lanús: 59% de posse, 12 finalizações contra apenas duas. Nenhuma no alvo do time visitante. Mas só 1 a 0 no placar. Na volta, o Lanús dominou a posse, com 62%, mas novamente finalizou menos – 11 a 8 para o River, cinco no alvo para cada lado. Quatro gols contra apenas dois do então finalista inédito.

A equipe de Gallardo foi superior nos 180 minutos, mas pagou pela falta de contundência, especialmente em seus domínios. O Grêmio nada tinha com isso, dominou a decisão vencendo os dois jogos com autoridade e garantiu o tricampeonato sul-americano.

Vai buscar o tetra enfrentando outro gigante três vezes campeão. Definindo em Porto Alegre a vaga na decisão. Duelo saturado de tradição. O Estudiantes eliminado nas oitavas tem quatro taças no currículo, mas vive fase de transição. O River, não. Comprovou sua força eliminando o Independiente “Rei de Copas” e campeão da Sul-Americana. Parece mais maduro desta vez. Time de Scocco, Pratto, Quintero, Ponzo, Nacho Fernández…

Na teoria, o maior desafio da jornada épica do time de Renato Gaúcho, digna de roteiro de filme, desde setembro de 2016. Devia ter sido a final do ano passado, agora é confronto de difícil prognóstico. Mas com um favorito: o atual campeão.

(Estatísticas: Footstats)


Grêmio muda time, esquema, modelo…só não perde a “casca” na Libertadores
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André Rocha

Sem centroavante disponível para o jogo de ida pelas quartas de final da Libertadores, Renato Gaúcho decidiu resgatar a ideia de Luan como “falso nove”, abandonada desde a grave lesão de Douglas em 2017. Armou um 4-3-3 com Ramiro no meio-campo, abrindo vaga pela direita para Alisson. Com Everton na esquerda, o ataque tinha pontas para acelerar e buscar as infiltrações em diagonal.

No entanto, mesmo para o atual campeão sul-americano e com trabalho de dois anos consolidado, não é simples mudar um padrão. O Grêmio sofreu no primeiro tempo do Monumental José Fierro contra um Atlético Tucumán intenso e que atacava como se não houvesse amanhã e nem a partida de volta. Trunfo de uma equipe fortíssima em seus domínios – não perdia desde março.

Tanto volume que impôs superioridade na posse sobre um time que preza o controle da bola. Mas a equipe gaúcha não se perdeu. Controlou espaços e esperou a hora de acelerar as transições ofensivas. O primeiro gol em mais um momento inusitado para o Grêmio: bola longa de Maicon, toque de Cícero vencendo a disputa pelo alto para servir Alisson.

A expulsão de Gervásio Núñez com auxílio do VAR por pisar em Alisson caído no gramado esfriou time e torcida. O Grêmio até avançou as linhas, mas definiu mesmo no passe longo de Léo Gomes para Alisson dar assistência e Everton marcar seu quinto gol no torneio continental.

O tricolor gaúcho, criticado tantas vezes na temporada pela posse de bola estéril, terminou com 48% e finalizou menos que o oponente, mesmo com um a mais durante boa parte do segundo tempo: oito contra treze, mas cinco no alvo. Duas nas redes.

A objetividade também tem sua beleza. E o Grêmio venceu bonito na Argentina. Encaminha bem demais a classificação para a nona semifinal. Porque pode mudar escalação, sistema, até o modelo de jogo. O time de Renato Gaúcho só não perde a “casca” na Libertadores.

(Estatísticas: Footstats)


Volta do Grêmio titular salva mais um Brasileiro “água de salsicha”
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André Rocha

Sim, o São Paulo foi heroico sem Nenê e Everton no quarteto ofensivo e perdendo Diego Souza expulso ainda no primeiro tempo contra o Fluminense no Morumbi. Na fibra conseguiu o empate com Tréllez, o reserva que já descomplicou outras partidas e é mais um recurso de Diego Aguirre.

Está com jeito de campeão e Internacional e Flamengo, os concorrentes principais no momento, aumentam essa impressão deixando pontos pelo caminho e falhando em partidas em que deviam confirmar a força na disputa. Mais Palmeiras e Cruzeiro ainda envolvidos com Copa do Brasil e Libertadores.

Para os são-paulinos, o cenário é maravilhoso. E há muitos méritos do time em um clube gigante sem conquistas relevantes há tanto tempo. Especialmente na personalidade e na força mental. Se protagonizar o sétimo título do tricolor do Morumbi não é justo colocar ressalvas ou asteriscos – a menos que algo excepcional aconteça neste returno.

Mas o rendimento é o mais do mesmo da “água de salsicha” que tem sido as últimas edições do Brasileiro. Ainda mais com as competições mata-mata sendo disputadas o ano todo. Calendário inchado, pouco tempo para treinar, pressão por resultados imediatos, torcidas insanas nos estádios e redes sociais. É pensar no próximo jogo da competição tratada como prioridade. Fazer o simples sem muita margem de evolução.

A exceção é o Grêmio. Mesmo com oscilações ao longo da temporada e a dura adaptação à perda de Arthur para o Barcelona, o time de Renato Gaúcho continua jogando, na média, o melhor futebol do país. Trabalho menos longevo que o de Mano Menezes no Cruzeiro, porém mais assimilado e conseguindo manter o rendimento acima dos demais.

É o único capaz de proporcionar espetáculos como os 4 a 0 sobre o Botafogo. Sim, adversário frágil em Porto Alegre. Mas quantas vezes os demais concorrentes envolveram com tanta facilidade os oponentes mais fracos e ainda brindando o público com belas tabelas, triangulações e dribles?

Maicon assumindo a organização, Luan encontrando espaços entre a defesa e o meio-campo adversários – mesmo sem a fase de melhor da América em 2017. Na frente, enfim Jael se firmando como titular e Everton Cebolinha como o elemento desequilibrante partindo da esquerda para criar e finalizar. Alta posse de bola, ocupação do campo de ataque, mas também com solidez defensiva. Subiu para o quinto ataque mais positivo e segue como a equipe menos vazada.

Caiu na Copa do Brasil para o Flamengo, sim. Sendo inferior aos rubro-negros nos 180 minutos, mas tendo períodos de domínio e colocando o adversário em risco. Sem abrir mão da sua maneira de jogar que nos melhores momentos combina beleza e eficiência como nenhum outro no Brasil.

É claro que há outros times em ascensão e que merecem ser lembrados, como o Atlético Paranaense de Tiago Nunes e o Santos de Cuca. Mas com outros objetivos no campeonato. Há pouco ficar longe do Z-4, agora alcançar o G-6. Difícil sonhar mais alto que isso.

O Grêmio está a seis pontos do São Paulo faltando 16 rodadas. Diferença perfeitamente reversível, mas com a Libertadores como obsessão do clube e  boas possibilidades de eliminar o Tucumán para chegar às semifinais, a falta de foco e a utilização de reservas em jogos importantes devem tirar o fôlego para uma arrancada. Só se os suplentes encaixarem bons jogos nesses hiatos. Fica mais difícil com a competição afunilando, momento em que times lutando para não cair dão a vida por pontos.

Tudo é risco e a competição tratada como prioridade não é fácil de vencer. Pode até terminar o ano apenas com as conquistas do Gaúcho e da Recopa Sul-Americana e ver um Cruzeiro ou Palmeiras como o time do ano faturando as taças no mata-mata. No país do futebol de resultados talvez falem até em “fracasso”.

Ainda assim, seguirá ostentando o futebol mais agradável às retinas. A salvação até aqui de mais um Brasileiro achatado por baixo em técnica e tática.


Grêmio 1×1 Cruzeiro- melhor jogo da quarta, salvo pela semana sem mata-mata
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André Rocha

Ainda que Mano Menezes tenha poupado Dedé, Henrique e Edilson e guardado Lucas Silva, Robinho e Thiago Neves no banco para o segundo tempo, o Cruzeiro foi para a Arena do Grêmio com uma formação competitiva. Eliminado da Copa do Brasil , o Grêmio de Renato Gaúcho entrou com todos os titulares.

Fosse num final de semana de Brasileiro com mata-mata no meio e muito provavelmente teríamos uma disputa morna, com equipes formadas apenas por suplentes e sem tanto interesse assim. A tabela salvou o melhor jogo desta quarta-feira pela abertura do returno do Brasileirão.

Equipes com os trabalhos mais longevos na Série A e propostas bem definidas: Grêmio com a bola instalado no campo de ataque buscando os espaços entrelinhas que o Cruzeiro tentava negar com marcação compacta e muita concentração sem a bola esperando a chance de espetar nas transições ofensivas em velocidade.

Time visitante fechado em duas linhas, com De Arrascaeta mais próximo de Barcos e Bruno Silva e Rafinha pelos flancos acompanhando Bruno Cortez e Léo Moura. Principalmente para que Ezequiel pudesse acompanhar Everton quando ele infiltrasse da esquerda para dentro. Luan buscava brechas às costas de Lucas Romero e Ariel Cabral, mas nunca encontrava boa conexão com André, injustificável insistência de Renato. Jailson saía para pressionar os meio-campistas adversários e Maicon organizava.

Primeiro tempo com o jogo mais à feição do Cruzeiro. Controle de espaços, o Grêmio com 67% de posse, mas apenas três finalizações, uma no alvo. Time mineiro concluiu seis, cinco na direção da meta de Paulo Victor. A mais eficiente e bela de Bruno Silva, em típica ação que executava no Botafogo ano passado, vindo da direita para concluir.

Na segunda etapa a partida cresceu muito com o time gaúcho buscando ser mais objetivo. E foi como costuma ser nos últimos tempos: com Everton Cebolinha infiltrando ou conduzindo da esquerda para dentro e finalizando com precisão. O atacante convocado por Tite pode não ser o jogador mais talentoso em atividade no Brasil, mas sem dúvida vem sendo o mais desequilibrante. Sétimo gol no campeonato.

Foram seis finalizações gremistas, nenhuma do Cruzeiro, mesmo com a entrada dos três titulares. A virada poderia ter saído no pênalti de Egídio em Alisson, que entrou na vaga de Leo Moura com Ramiro fazendo a ala pela direita. Mas Luan bateu mal e Fabio pegou. De novo a estrela do tricolor gaúcho desperdiçando a cobrança – desde 2017 são 13, com seis acertos apenas. Um problema para Renato Gaúcho, já que o aproveitamento em pênaltis durante os noventa minutos vem sendo sofrível – foi a quarta cobrança seguida sem bola na rede.

O empate acabou refletindo o equilíbrio de forças. Clubes com forte cultura copeira que ainda podem se cruzar na Libertadores. Felizmente o calendário, por coincidência, permitiu na semana sem mata-mata mais um belo confronto entre dois dos times mais competitivos do Brasil.

(Estatísticas: Footstats)


Grêmio sofre com “Everton-dependência”, mas segue vivo na Libertadores
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André Rocha

O gol de Kannemann aos 43 minutos do primeiro tempo trouxe o Grêmio de volta a um jogo que parecia não tão complicado assim, mesmo no Centenário de Quilmes. Mas André perdeu gol feito e, na sequência, o jovem Juan Apaloaza acertou o efeito em um chute espetacular. Na bola parada, os 2 a 0 com o zagueiro Gaston Campi.

O Grêmio teve chances para empatar, com André e o seu substituto, Jael – escolha questionável de Renato Gaúcho, já que o centroavante que começou no banco foi muito bem contra o Flamengo e parecia com as características ideais para o contexto da partida. Com a expulsão do meio-campista Fernando Zuqui aos 31 minutos do segundo tempo, o tricolor gaúcho parecia muito perto do empate, mas não conseguiu transformar a pressão no gol que evitaria o revés.

Porque faltou Everton. Artilheiro do time na temporada com 11 gols, melhor relação finalização/gol do elenco, líder de dribles certos no Brasileiro. Partindo da esquerda é o homem da vitória pessoal, da infiltração em diagonal, do escape nos contragolpes. Com os adversários mais atentos e permitindo menos espaços entre meio-campo e defesa para Luan é o camisa 11 o jogador capaz de quebrar as linhas de marcação do oponente e transformar a posse de bola gremista em contundência na frente. Fundamental!

Sem ele, mesmo com o esforço do jovem Pepê – corretamente mantido por Renato depois da boa atuação nos 2 a 0 sobre o Flamengo, o Grêmio fica sem seu elemento desequilibrante, o que tenta algo diferente. E vem conseguindo. O time já havia sentido demais sua falta no segundo tempo em que foi empurrado para o próprio campo pelo Fla na Copa do Brasil e ficou sem a velocidade como desafogo até ceder o empate em casa. A falta de profundidade pela esquerda se agrava quando Marcelo Oliveira ocupa a lateral e não Bruno Cortez.

A “Everton-dependência” é mérito do jogador, mas também de Renato, que perdeu Pedro Rocha, destaque na reta final da conquista da Copa do Brasil em 2016, e ajudou a aprimorar o atacante para assumir a titularidade e ser um dos destaques do título continental. Agora o treinador precisa trabalhar Marinho para se adaptar rapidamente ao modelo de jogo da equipe para ser a reposição sem queda de competitividade – ainda que este tenha atuado bem no time reserva e marcado gol sobre o Fla no sábado.

De qualquer forma, a lesão muscular não é grave e Everton deve estar em campo nos jogos de volta das competições em mata-mata, prioridades do clube na temporada. Com seu atacante mais efetivo, o atual campeão da Libertadores fica mais forte para ir ao Maracanã buscar a vaga no torneio nacional e depois receber e pressionar o jovem time do Estudiantes para seguir na sua trajetória vencedora e já histórica.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo comprova sua força, Palmeiras segue na “montanha russa” de emoções
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André Rocha

O Flamengo sem seus três zagueiros experientes e também o lesionado Diego claramente sentiu a pressão do ambiente nos primeiros minutos no Allianz Parque. O treinador Mauricio Barbieri também sacou Henrique Dourado para aproveitar Filipe Vizeu o máximo de minutos antes da partida para a Udinese. O resultado foi um time bastante jovem, com seis oriundos das divisões de base. Por isso, assustado nos primeiros vinte minutos.

Mas quem errou foi Rodinei, que tinha várias opões para cortar um cruzamento da direita e tomou a pior decisão: um golpe de cabeça fraco, no pé de Dudu. Longe do adversário, deu espaços para o cruzamento que encontrou Bruno Henrique e deste para Willian ir às redes aos seis minutos.

Um time confiante e seguro teria amassado o líder do campeonato até os 15 minutos. O Palmeiras, também com desfalques importantes, até tentou, pressionando muito Lucas Paquetá, que novamente prendeu demais a bola, e atacando com volume, fazendo Diego Alves trabalhar muito. Mas quando a equipe de Roger Machado é obrigada a diminuir a pressão o time controla mal o jogo. Murcha. E a torcida, que também não confia muito, deixa a arena morna.

Foi o suficiente para que o organizado time de Barbieri, novamente no 4-1-4-1, encontrasse no lado direito com Rodinei e a aproximação de Jean Lucas a válvula de escape, enquanto Everton Ribeiro passou a aproveitar os espaços às costas de Felipe Melo e Bruno Henrique, os volantes do 4-2-3-1 alviverde, que estavam muito concentrados em não dar brechas a Paquetá.

O primeiro tempo terminou com 53% de posse do Fla e seis finalizações, quatro na direção da meta de Jailson. Destaque para o Palmeiras nos 12 desarmes certos, o dobro do adversário. Foi o que sustentou a vantagem.

De novo a intensidade e a torcida quente no início do segundo tempo. Mas foi esfriando, esfriando…E o Flamengo tomou conta. Empatou no gol do jovem zagueiro Matheus Thuler subindo mais que Thiago Martins pregado no chão e completando escanteio de Rodinei. Podia ter virado não fosse o individualismo de Paquetá e um chute fraco sem goleiro de Vinícius Júnior, novamente disperso e reclamando muito da arbitragem. Ainda uma finalização perigosa de Everton Ribeiro.

Na reta final, Barbieri preferiu administrar o empate. Trocou Arão por Jean Lucas, depois tirou Vizeu e colocou Marlos Moreno para tentar acelerar os contragolpes e, por fim, Jonas na vaga de Everton Ribeiro. Roger tentou com Lucas Lima, Artur e Papagaio, mas apenas num abafa sem grande criatividade. Time muito tenso com o peso da responsabilidade. Terminou com mais finalizações – 14 a 13, cinco no alvo. Mas a maioria muito deficiente, inclusive de Bruno Henrique livre na entrada da área rubro-negra. Saiu bem longe.

Nos acréscimos, a confusão geral que terminou nas expulsões de Jailson, Dudu e do zagueiro reserva Luan do lado do time mandante e Cuéllar, Jonas e Henrique Dourado, também no banco, pelos visitantes. Desnecessário. Mas o fraquíssimo árbitro Bráulio da Silva Machado não teve peito para dar mais minutos com Moisés na meta alviverde.

O Fla também não reclamou. O empate foi resultado satisfatório, fechando os primeiros 12 jogos com surpreendentes 27 pontos para o contexto do início do Brasileiro. Pelos desfalques, o time demonstrou solidez e consciência. Faltou contundência. Algo a melhorar na volta, sem Vizeu e, provavelmente, Vinicius Júnior.

O Palmeiras segue com oito pontos de distância para o líder. Podia ser pior pelo que aconteceu na partida. A missão de Roger e de todos no clube é aproveitar a pausa pra a Copa do Mundo e tentar estabilizar o time mentalmente e minimizar a “montanha russa” emocional que torna tudo tão incerto e inconstante.

(Estatísticas: Footstats)