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Apesar de Paquetá, Flamengo adia título do Palmeiras e complica Sport
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André Rocha

O Palmeiras decepcionou ao empatar com o lanterna Paraná, sim. Atuação fraquíssima, mesmo com a atenuante da forte chuva. Mas objetivamente pontuou fora e aumentou a invencibilidade para 20 partidas. Com a derrota do Internacional para o Botafogo no Nílton Santos ainda manteve os cinco pontos de vantagem na liderança.

O ponto fora da curva foi a vitória do Flamengo na Ilha do Retiro sobre o Sport que evoluía em desempenho e resultados com Milton Mendes no comando técnico e vinha de cinco rodadas de invencibilidade.

Mudanças forçadas nos dois lados, cenário mais complicado para Dorival Júnior sem Rodinei e Pará na lateral direita, Diego, Uribe e ainda Everton Ribeiro, desgastado, no banco de reservas. Léo Duarte foi improvisado como lateral e Rhodolfo entrou na zaga. Milton Mendes também deslocou um zagueiro: Ernando na lateral esquerda.

Primeiro tempo de equilíbrio e o Flamengo, mesmo com 40% de posse de bola, uma raridade na competição, finalizou cinco vezes e teve boa oportunidade com Vitinho, completando jogada de Paquetá e Renê pela esquerda. O Sport também incomodava mais com Mateus Gonçalves para cima de Léo Duarte. O time carioca agredia pouco do lado oposto, mais com Willian Arão que nas jogadas de Geuvânio, novamente errando muito tecnicamente.

Disputa parelha na segunda etapa até a tola expulsão de Paquetá. Por mais que Dorival defenda seu jovem atleta e o camisa onze até tenha participado bem de alguns ataques, a dispersão do meia depois da negociação com o Milan é nítida. A cabeça não está mais na disputa do Brasileiro. A desconcentração permite faltas bobas como a que cometeu sobre Ernando. Ainda na intermediária do Sport, sem nenhum perigo de contragolpe. Já com cartão amarelo.

Atrapalhou ainda mais porque Dorival preparava as entradas de Berrío e Everton Ribeiro. Mesmo surpreendido, o treinador sacou Geuvânio e Henrique Dourado. No 4-4-1 alternando os dois substitutos no centro do ataque, o Fla cresceu porque ganhou espaços para acelerar as transições ofensivas. O Sport se lançou à frente naturalmente com a vantagem numérica e pela necessidade de três pontos para se afastar do Z-4.

O Flamengo “arame liso” pareceu dar as caras em Recife quando Berrío cabeceou na trave completamente livre. Até que surgiu o heroi improvável: Willian Arão. O volante que costuma fraquejar mentalmente quando o jogo fica mais duro e não tem o jogo aéreo como ponto forte aproveitou cobrança de escanteio de Vitinho para desviar de cabeça na primeira trave e definir o jogo.

Os minutos finais foram de Piris da Motta no lugar de Vitinho e o abafa descoordenado do Sport com Fellipe Bastos, Marlone e Matheus Peixoto, que ridiculamente tentou cavar pênalti em disputa com o goleiro César desperdiçando mais um ataque. Muitos cruzamentos, pouca eficiência. O rubro-negro pernambucano deve lutar até o fim para se manter na Série A.

O Fla ganhou uma rodada. Agora vai seguir na busca que só não é impossível por ser futebol. Jogo duro contra o Grêmio no Maracanã e o Palmeiras em casa encarando o América, que venceu o Santos e pode até dar trabalho. Mas o fato é que o campeonato pode acabar na quarta-feira – se o Internacional também não vencer em casa o Atlético-MG.

A boa notícia para o Fla é que Lucas Paquetá está suspenso. Sério desfalque em outros tempos, agora pode fazer o time render mais e tentar virar a lógica do avesso no Brasileirão. O mundo gira como a bola. Mas não deve mudar o campeão de 2018.

(Estatísticas: Footstats)


Só um improvável “efeito São Paulo” pode tirar o título do Palmeiras
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André Rocha

As chances de reação do Flamengo de Dorival Júnior em busca do título voaram longe como os chutes de Lucas Paquetá contra o Palmeiras e Vitinho diante do São Paulo no Morumbi. Fraqueza mental que deve minar ainda mais as forças em uma tabela complicada nos seis jogos que restam – Botafogo, Sport e Cruzeiro como visitante e Santos, Grêmio, Atlético-PR em casa.

Sobra o Internacional, novo vice-líder depois da virada dramática sobre o Atlético-PR no Beira-Rio com gol no final em pênalti mais que discutível sobre Rossi. Com o ânimo de quem chegou mais longe que imaginava pode sonhar com uma virada. A tabela é acessível: América, Atlético-MG e Fluminense em Porto Alegre e Ceará, Botafogo e Paraná fora.

Mas depois da vitória no sábado sobre o Santos por 3 a 2 em um jogo maluco com gol de falta de Victor Luis num frango de Vanderlei quando o adversário parecia mais próximo da virada, é impossível não ver o título se encaminhando para Luiz Felipe Scolari e seus comandados.

A única chance de surpresa desagradável seria um “efeito São Paulo”. Ou seja, cair vertiginosamente de produção quando passa a se dedicar exclusivamente ao Brasileiro por conta de eliminações no mata-mata. As semanas cheias jogando contra pelo tempo para pensar no peso do favoritismo. A ansiedade sufocante fazendo o desempenho despencar e os resultados seguirem a trilha ladeira abaixo.

Algo bastante improvável. Primeiro porque o Palmeiras, mesmo carregando a pressão por grandes conquistas depois que o investimento no elenco aumentou,  foi campeão brasileiro há dois anos. Não carrega o fardo de falta de títulos do Tricolor do Morumbi. Ainda há no grupo remanescentes da conquista de 2016 com Cuca. E mesmo que Felipão não tenha um título por pontos corridos no país, a experiência do treinador para lidar com essa responsabilidade também cria ambiente mais sereno. Há um escudo.

Sem contar a qualidade. É claro que a ausência de Dudu, por exemplo, seria um duro golpe, mas não do tamanho da de Everton para Diego Aguirre pela falta de reposição. Com todos à disposição é possível armar o time em função de cada adversário.

Nada muito complicado: visita Atlético-MG, Paraná e Vasco e enfrenta Fluminense, América e Vitória em São Paulo. Com cinco pontos de vantagem sobre o Inter. Uma rodada e mais dois pontos. Fruto da campanha espetacular no returno até aqui: dez vitórias e três empates. Incríveis 85% de aproveitamento. Para perder o título teria que cair para 66% – ou seja, ganhar apenas 12 dos 18 que restam –  e o Internacional responder com 100%.

Se derrapar só não será mais vexatório que em 2009, quando o time comandado por Muricy Ramalho era favorito absoluto e perdeu até a vaga na Libertadores. Nada leva a crer que possa acontecer. Parece questão de tempo. A tendência é que a matemática faça seu serviço na antepenúltima ou penúltima rodada.


O que mudou no meio-campo do Flamengo com Willian Arão na vaga de Diego
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André Rocha

Foto: André Durão/Globoesporte.com

O Flamengo não conseguiu a vitória que contava para encostar de vez no Palmeiras e brigar pelo título brasileiro. Mas o Maracanã viu o time comandado por Dorival Júnior mais organizado, concentrado e intenso. Não se abateu com o gol de Dudu e podia ter virado na bola que Lucas Paquetá mandou na lua.

O crescimento passa inegavelmente pelo “fato novo”da mudança do comando, o olhar de alguém de fora que efetuou algumas correções na dinâmica de jogo – ainda que os rubro-negros tenham novamente exagerado nos cruzamentos e sofrido para ir às redes, mesmo finalizando muito, em um jogo grande. O desgaste também vem sendo menor com a dedicação exclusiva à principal competição nacional.

Mas um detalhe tático também ajuda a explicar a evolução coletiva. Dorival desfez o 4-1-4-1 com a ausência de Diego por lesão nas primeiras partidas e voltou ao 4-2-3-1 com a entrada de Willian Arão e o avanço de Paquetá, mais próximo de Uribe, centroavante que ganhou a vaga no ataque com o novo treinador.

Arão é um volante de chegada à frente. Um tanto disperso na marcação, com deficiências no jogo aéreo ofensivo e defensivo e que oscila muito na parte mental. Mas oferece ao time um passe mais vertical e, principalmente, sua capacidade de infiltração. Tanto por dentro quanto pela direita. Quando o canhoto Everton Ribeiro corta da direita para dentro, muitas vezes é Arão quem ataca o espaço às costas do lateral do oponente e chega ao fundo. Até porque Pará não tem a mesma velocidade e vigor que Rodinei nas ultrapassagens, embora defenda melhor.

Flagrante de Willian Arão recebendo de Everton Ribeiro e infiltrando às costas do lateral adversário. Pará dá o apoio por dentro. (Reprodução Premier)

Com isso as funções ficam mais definidas no meio-campo e mantém Paquetá avançado, sem correr pelo campo todo como nos tempos em que dividia a articulação com Diego. Fica mais focado, menos “peladeiro”. Defensivamente, Arão vem cobrindo os momentos em que Cuéllar sai à caça na intermediária do adversário. Antes se o colombiano não conseguisse o desarme ou cometesse a falha a última linha de defesa ficava totalmente exposta.

A principal mudança, porém, foi na circulação de bola ficou mais rápida, já que Arão sabe jogar tocando de primeira, enquanto Diego normalmente precisa dominar, girar, dar mais um toque e só então soltar a bola, o que atrasa muitos ataques.

Contra o Palmeiras, o time empatou com Diego na vaga de Arão. Até por necessidade. Mas a diferença foi Marlos Moreno, veloz e objetivo na vaga do lesionado Vitinho. A tendência é Dorival manter a estrutura inicial para a sequência da competição, começando pelo duelo contra o São Paulo no Morumbi.

Willian Arão não é craque, nem solução para um time que briga por grandes conquistas. Mas dentro de um elenco caro, porém desequilibrado, vai dando encaixe na maneira de jogar com Dorival Júnior. O tão sonhado título para encerrar a Era Bandeira de Mello ficou bem mais longe, mas é possível sonhar com o milagre nas últimas sete rodadas. Ou ao menos a vaga direta na fase de grupos da Libertadores 2019.

No 4-2-3-1 armado por Dorival Júnior, Willian Arão é o volante que infiltra se juntando ao quarteto ofensivo, mas também volta para colaborar com Cuéllar (Tactical Pad).


Palmeiras e Flamengo iguais na força pela esquerda. Empate encaminha taça
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André Rocha

Apesar das ausências importantes e da preocupação com a volta contra o Boca Juniors pela Libertadores, o Palmeiras tinha o jogo à sua feição pelo contexto. Mesmo contra o Maracanã cheio e um Flamengo confiante depois da chegada de Dorival Júnior.

Porque no futebol jogado dentro do Brasil quem pode atuar negando espaços e explorando as costas da retaguarda adversária sempre leva vantagem. Física, tática, técnica e mental. O time de Felipão se fechava em duas linhas de quatro com muita concentração para não permitir as triangulações e sempre pressionando o adversário com a bola.

Só tinha um “ponto cego”. Já esperado pelas ausências de Marcos Rocha e Mayke. Felipão posicionou Luan na lateral direita, mas o zagueiro sofreu no duelo com Vitinho, o grande destaque rubro-negro no primeiro tempo. O ponteiro do 4-2-3-1 do Fla que teve a grande chance nos primeiros 45 minutos quando Vitinho passou como quis por Luan e teve tempo e espaço para levantar a cabeça, mas não percebeu o deslocamento perfeito de Arão, que ficaria de frente para Weverton. Cruzamento errado, chance desperdiçada.

O Palmeiras também atacava pela esquerda, com Dudu para cima de Pará. Na primeira etapa não teve grande efeito prático, mas logo após a volta do intervalo a bola longa pegou o lateral direito do Flamengo mal posicionado e cedento espaço suficiente para o melhor jogador do campeonato até aqui cortar para dentro, limpar também Léo Duarte e bater no canto esquerdo de César.

Vitinho sentiu lesão no segundo tempo e Dorival colocou Marlos Moreno. Antes havia trocado Arão por Diego e voltado ao 4-1-4-1 dos tempos de Mauricio Barbieri. Luan também saiu desgastado para a entrada de Gustavo Gómez. As trocas criaram uma vantagem clara do atacante colombiano sobre o zagueiro paraguaio na velocidade.

Marlos recebeu nas costas de Gómez, cortou Antônio Carlos e empatou. Marlos não marcava desde 2016. Já o artilheiro do Flamengo no Brasileiro com dez gols perdeu a grande chance da virada. Antes de Felipão corrigir a marcação no setor ao deslocar o volante Thiago Santos para a direita, o ponteiro disparou e serviu Paquetá que, livre, bateu por cima.

Era a bola de um jogo estrategicamente igual. Já era esperado que o Flamengo tivesse muito mais posse (62%). Talvez não tantas finalizações – 19, mas só quatro no alvo. Mas novamente exagerou nos cruzamentos em uma partida decisiva: 43. O Palmeiras efetou 64 lançamentos e 50 rebatidas, também previsível para o “padrão Felipão”. Assim como a eficiência de finalizar sete vezes, duas no alvo e uma nas redes.

De Dudu, que se sacrifica nas duas competições porque o time depende dele. Vai precisar demais do fator de desequilíbrio contra o Boca no Allianz Parque. Já no Brasileiro a missão agora é administrar. Quatro pontos de vantagem mantidos, um confronto direto a menos e sete rodadas com tabela em tese mais fácil que a sequência de jogos dos concorrentes.

O título parece encaminhado. Logo o que o Palmeiras não priorizou e, por isso, jogou com calma e leveza. Vantagem considerável no tenso, quase surtado, ambiente de time grande no Brasil.

(Estatísticas: Footstats)


Lucas Paquetá vai para o Milan. Nossa sina é admirar pedras brutas
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André Rocha

Lucas Paquetá não é um jogador pronto, até pelos 21 anos sem ser um fenômeno daqueles que surgem muito raramente. Tanto que não foi negociado para um time da primeira prateleira do futebol europeu. Vai em janeiro para o Milan que volta a investir em busca de um protagonismo difícil de vislumbrar a médio/longo prazo mesmo na Série A italiana.

O Flamengo recebe 100 milhões de reais para Eduardo Bandeira de Mello fechar seu mandato sem deixar um buraco no orçamento para o sucessor que não deve ser da situação. A menos que consiga uma arrancada para o título brasileiro.

Mais um jovem saindo. Não tão prematuro quanto Vinicius Júnior ou Rodrygo, mas ainda precisando de lapidação. Soltar a bola mais rapidamente, tomar melhor as decisões, ocupar os espaços corretos. Entender o jogo coletivamente sem a necessidade do drible em qualquer região do campo para se destacar na multidão. No mais alto nível é aprender a jogar mesmo.

Sem comparações, Paquetá lembra um pouco Toninho Cerezo. Estilo “peladeiro”, com boa técnica e vigor físico para preencher as intermediárias, mas um tanto aleatório no posicionamento e na movimentação. Só quando foi para a Itália passou a “correr certo”. Voltou experiente, versátil e inteligente para ser multicampeão no São Paulo.

Por aqui o meia se destaca. É o rubro-negro que mais finaliza. Artilheiro da equipe com nove gols. Quatro a menos que Gabriel Barbosa do Santos. Outro que saiu cedo, foi para Milão, mas não conseguiu se destacar na Internazionale. Exatamente pela carência de leitura de jogo. Volta ao Brasil e o desempenho sobe com a liberdade total no ataque do time de Cuca.

Pode acontecer o mesmo com Paquetá, liberado por Dorival Júnior para atuar mais avançado. Mas a tendência é que amadureça longe de tantos holofotes, elogios desmedidos, oba oba e o típico paternalismo do nosso futebol. Porque nos empolgamos com qualquer centelha de talento. Nossa sina é admirar pedras brutas.


Paquetá e Vitinho desequilibram e Flamengo de Dorival já faz história
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André Rocha

É óbvio que o Flamengo trocaria os 3 a 0 na Arena Corinthians pela vaga na final da Copa do Brasil, até pela cultura “copeira” do futebol brasileiro. O time paulista também não colocou intensidade máxima tendo a primeira decisão contra o Cruzeiro já na quarta-feira.

Mas no contexto atual do time rubro-negro, o triunfo na estreia de fato de Dorival Júnior pode ser um “turning point” no Brasileirão. Ainda mais numa sexta-feira com derrota do Internacional para o Sport e o clássico São Paulo x Palmeiras no sábado. Mais uma chance de se aproximar do topo da tabela.

De qualquer forma, a vitória é histórica. Desde 2009 o Flamengo não vencia o Corinthians como visitante – ou seja, nunca havia superado o atual campeão brasileiro em seu estádio –  e há sete anos não conseguia voltar da cidade de São Paulo com três pontos pelo Brasileiro. Uma estatística que incomodava o clube que tenta ser mais competitivo nacionalmente em um período de domínio dos times paulistas na competição por pontos corridos.

Dorival não é mágico e em quatro dias não teria como transformar completamente o Fla em tática e espírito. Mas já se viu uma equipe mais intensa e organizada, se fechando em duas linhas de quatro, dando a liberdade que Lucas Paquetá precisa num 4-2-3-1 e confiança para Vitinho tirar o peso das costas por ser a contratação mais cara da história do clube. O ponta, bem aberto pela esquerda, tentou oito vezes o drible e acertou cinco. A maioria para cima de Gabriel, volante improvisado na lateral direita.

Ainda falta ao trabalho coletivo a infiltração que surpreende, a presença de área para completar os muitos cruzamentos de Vitinho – foram 15 no total, mas só três encontraram um companheiro para finalizar, um com bola rolando. No final do primeiro tempo, uma oscilação perigosa com falha grotesca de Willian Arão na saída de bola que Mateus Vital e Douglas não aproveitaram e o goleiro César, substituto de Diego Alves, apareceu com duas grandes intervenções.

A vitória foi construída na bola parada. Escanteios de Vitinho para Paquetá. Dois gols, chegando a nove no campeonato. O melhor finalizador atualmente no elenco precisa jogar mais próximo da meta do oponente. Com a volta de Diego, talvez atuar no centro do ataque – você já leu sobre isto AQUI. Se prender a bola além do recomendável, ainda um hábito, que seja bem longe da própria defesa. No contragolpe final, o belo passe clareando para Rodinei disparar e servir Renê. Os 3 a 0 são a maior derrota corintiana em Itaquera.

Menos posse de bola: 47%. Doze finalizações contra onze, sete a três no alvo. Se o Corinthians fragilizado da temporada e focado em outra competição não é parâmetro para uma avaliação mais profunda, o simbolismo da vitória com Paquetá e Vitinho desequilibrando é o “fato novo” que o Flamengo precisava para uma última tentativa de conquista em 2018.

(Estatísticas: Footstats)

 


Os três grandes desafios e o maior obstáculo para Dorival no Flamengo
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André Rocha

Dorival Júnior foi anunciado oficialmente na sexta à noite, saiu de Florianópolis e chegou a Salvador na madrugada do sábado. Concedeu coletiva pela manhã e às 21h estava à beira do campo para comandar o Flamengo contra o Bahia.

O empate sem gols vai para as estatísticas como a sua estreia, mas o trabalho começa mesmo a partir de segunda. A missão é clara: onze jogos para tirar o time agora da quinta colocação do Brasileiro e entregar o título relevante esperado pela gestão Bandeira de Mello desde a Copa do Brasil 2013. Para isso há três grandes desafios e um enorme obstáculo, o maior de todos.

A primeira meta muito clara é tornar o time menos lento. Na transição defensiva a equipe até tem um comportamento interessante assim que perde a bola: pressiona e tenta retomá-la o mais rápido possível. Mas quando o adversário consegue sair dessa “blitz” a recomposição é vagarosa, deixando espaços generosos entre os setores.

Lento também na circulação da bola. O time valoriza a posse, mas troca passes sem muita objetividade. Porque como não acelera e arrisca para furar as linhas de marcação, quase sempre encontra o sistema defensivo do oponente bem postado e, na falta de espaços, toca, toca…abre no lateral e tome cruzamentos! O problema passa muito por Diego e Lucas Paquetá, que conduzem, driblam, mas na maior parte do tempo não soltam com a velocidade exigida no futebol atual.

Falta também uma referência de velocidade para os contragolpes. Como era Vinícius Júnior. O desafogo, o atacante que intimida a defesa adversária a acompanhar o avanço dos outros setores. Não é Vitinho, nem Marlos Moreno. Pode ser Berrío, incógnita pelo longo tempo de inatividade em função de uma grave lesão.

O outro grande desafio é transformar domínio em gols. O melhor desempenho da equipe na temporada foi o segundo tempo contra o Grêmio no jogo de ida pela Copa do Brasil. Mais de 70% de posse de bola, muito volume de jogo. Finalizações também, mas sem a chance cristalina. Porque é raro o ataque bem construído, com começo, meio e fim. A jogada trabalhada que chega ao fundo e serve o atacante bem posicionado. Acabamento perfeito: assistência e finalização. No Fla é raríssimo. Aconteceu no gol do Lincoln.

A queda pós-Copa do Mundo tem a ver com a ausência da joia que partiu para o Real Madrid, mas passa também pela maior dificuldade dos jogos. No returno a grande maioria já sabe qual é o seu objetivo no campeonato e as partidas ficam mais duras, disputadas. Os adversários entram em campo com a certeza de que o Flamengo vai se instalar no campo de ataque e tocar a bola. Negam os espaços para infiltração e exploram os espaços cedidos. A proposta de jogo exige mais eficiência no ataque.

A média de finalizações necessárias para fazer um gol no campeonato nem é tão alta: 9,1. Igual a do Internacional e abaixo apenas de São Paulo, Atlético Mineiro e Palmeiras. Mas em jogos grandes, parelhos é nítida a dificuldade para ir às redes.

O terceiro aspecto que precisa de uma melhora urgente é a força mental. O Flamengo é um time pressionado por torcida e boa parte da imprensa, mas carrega muitas frustrações recentes. Desde 2015, quando a capacidade de investimento aumentou, o clube conquistou apenas o Carioca de 2017. Só. As seguidas eliminações e derrotas em finais criaram um estigma de perdedor em boa parte do elenco.

Para piorar, a postura de Bandeira de Mello é de muito carinho e quase nenhuma cobrança. Não precisa fazer terrorismo, mas um elenco caro, com salários em dia e boas condições de trabalho, pode e deve entregar mais. Sem vitórias para respaldar, algumas lideranças ganharam poder para, por exemplo, manter Mauricio Barbieri como treinador. Exatamente porque o jovem profissional ficaria “refém” dos atletas e seria mais permissivo, assim como aconteceu com Zé Ricardo.

Na prática, os jogadores desanimam fácil nas partidas e se acomodam no dia a dia. Um cenário terrível para uma camisa pesada, com tanta história e visibilidade. Justamente o oposto dos momentos mais vencedores do clube.

O grande obstáculo para Dorival Júnior é o tempo. Dois meses para lidar com tantos problemas e ainda o cenário político conturbado por conta da eleição, com a situação desesperada pela glória no último instante para garantir a vitória do sucessor de Bandeira. Ainda que o treinador ganhe algumas semanas livres para recuperar e treinar parece pouco. A solução deve ser foco total no desempenho, blindar os jogadores do extra-campo e trabalhar jogo a jogo. Só metas a curto prazo, até porque o longo não existe.

Dorival terá que subverter o seu último trabalho, no São Paulo. Sofreu com os mesmos problemas no Morumbi e sucumbiu. O tempo fora do mercado pode ter ajudado a entender a sua cota de responsabilidade no fracasso. É preciso fazer diferente. A atuação ruim em Salvador, especialmente no primeiro tempo,  foi o choque de realidade que faltava. Agora é trabalhar para virar quase tudo do avesso e fazer história.

(Estatísticas: Footstats)

 


Vitória do Flamengo para encostar nos líderes e afirmar Paquetá no ataque
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André Rocha

O destaque do Flamengo na vitória por 2 a 1 sobre o Atlético Mineiro no Maracanã foi Miguel Trauco. O lateral peruano aproveitou bem a oportunidade que ganhou de Maurício Barbieri, deixando Renê no banco, com duas assistências. No primeiro tempo com direito a caneta em Emerson Leite e passe para finalização precisa de Willian Arão. Depois a bola na cabeça de Lucas Paquetá que resolveu a partida.

Triunfo importante na 26ª rodada, com empates de São Paulo e Internacional. Com time alterado pelas ausências de Rodinei e Diego, mas encontrando soluções, inclusive pensando no duelo decisivo com o Corinthians em São Paulo pela semifinal da Copa do Brasil.

Barbieri pode e deve pensar em Paquetá no ataque, como centroavante. Assim ganhou as primeiras oportunidades consistentes nos tempos de Reinaldo Rueda no comando técnico. Finaliza bem, protege com técnica e inteligência e sua capacidade de reter a bola é mais útil na frente que entre as intermediárias. Foi bem como o meia central do 4-2-3-1 na falta de Diego, mas pode ser decisivo mais adiantado.

Já que Dourado, Uribe e o jovem Lincoln não conseguem se afirmar, é possível vislumbrar uma formação com a volta de Diego e Arão ou Piris da Motta, que não está inscrito na Copa do Brasil, no meio-campo. Ou trazer Everton Ribeiro para dentro e abrir Berrío ou Marlos Moreno pela direita. Vitinho é que parece ter perdido espaço ao errar tudo que tentou e ser substituído por Marlos, mesmo entrando na vaga de Matheus Sávio no intervalo.

O Flamengo ainda faz muita força para jogar e sofreu demais no jogo aéreo defensivo: além do gol de empate de Leonardo Silva ainda no primeiro tempo, em falha de Arão, a bola no travessão no último ataque do Galo. Teve 53% de posse, oito finalizações. Duas no alvo, os gols. Duas a menos que o time mineiro. O Atlético cresceu com Cazares no meio-campo e voltando ao 4-1-4-1. Faltou, porém, mais efetividade no ataque. Com a derrota deve lutar mesmo pela vaga no G-6.

Já o Fla define sua vida na semana. Se chegar à final da Copa do Brasil deve priorizar naturalmente o torneio e perder força na reta final do Brasileiro. Mas se ficar com apenas a competição por pontos corridos é possível tentar um “sprint” final. Com Paquetá na frente as chances aumentam.

(Estatísticas: Footstats)


Nem contra El Salvador, Neymar?
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André Rocha

O problema não é usar uma data FIFA para fazer um treino nos Estados Unidos com a camisa oficial da seleção brasileira contra El Salvador. Nenhuma seleção do mundo passa todo o ciclo de quatro anos sem um enfrentamento muito desproporcional como esse.

O que gerou desconforto desta vez foi mais do mesmo: o calendário inchado que não permite uma pausa até o fim de semana e sacrificando, na prática, duas das quatro equipes envolvidas nas semifinais da Copa do Brasil. Responsabilidade da CBF. Mas Tite poderia ter encontrado uma solução de bom senso. Se queria testar Dedé e Paquetá, que o fizesse por 45 ou mesmo 90 minutos contra os Estados Unidos e dispensasse os dois no sábado. Simples assim.

Mas a pior notícia dos  5 a 0 em Washington foi Neymar simulando um pênalti, levando cartão amarelo, reclamando da arbitragem e depois, claramente por birrinha infantil, dar um chapéu no adversário na linha média, para trás, e perder a bola. Um “combo” no final do primeiro tempo, com 3 a 0 no placar, que ressalta a falta de maturidade, mesmo depois de toda repercussão negativa pós-Copa do Mundo. Pelo visto, a braçadeira de capitão não veio com uma cobrança do comando pela mudança de postura. A transmissão mostrou Tite sinalizando que o cartão amarelo para Neymar teria sido injusto.

Eis o ponto: não fosse Neymar, talvez o árbitro não interpretasse com tanta certeza a simulação. Ou seja, está estigmatizado e alimenta a imagem mais que desgastada. Mesmo contra um adversário indigente tecnicamente, sem capacidade de oferecer uma mínima resistência. Pouco inteligente, para dizer o mínimo. Muito pior que o gol perdido por puro individualismo minutos antes. Até compreensível por ter marcado dois, mas em cobranças de pênalti.

Quem acompanha este blog sabe que não há má vontade, nem perseguição com o craque controverso. Pelo contrário. Este que escreve tenta focar no rendimento em campo e, dentro do alcance do espaço, propor soluções para potencializar um talento que, na seleção, quase sempre pareceu subaproveitado. Mas não pode recolher a crítica diante de uma situação absurda. Mesmo com tristeza.

Richarlison aproveitou bem a primeira oportunidade de início com dois gols. Valeu também para dar minutos a Neto, Militão, Dedé, Felipe, Arthur, Paquetá, Andreas e Everton. E pouco mais que isso. Não é o fim do mundo. O trabalho está no começo. Se é para enfrentar uma “carne assada”, que seja agora e não às vésperas de uma Copa do Mundo. Como aconteceu em 1994, por exemplo, nos 4 a 0 também sobre El Salvador. Mas como a CBF terceiriza a agenda da seleção, tudo parece suspeito. Ou pouco transparente.

Nítido mesmo foi o comportamento lamentável de Neymar. E decepcionante, mesmo não se complicando na segunda etapa. Difícil vislumbrar uma melhora a curto prazo. Se nem contra El Salvador ele é capaz de se conter…

 

 


Jogaço no Mineirão deixa lições importantes para Cruzeiro e Flamengo
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André Rocha

Ao escalar titulares no empate com o América no Brasileiro parecia que o Flamengo tinha jogado a toalha na Libertadores, estabelecido as outras competições como prioridades e poderia até poupar titulares no Mineirão.

Engano. A única mudança de Maurício Barbieri foi uma experiência para tentar compensar a grave carência no centro do ataque: Marlos Moreno na vaga de Henrique Dourado, mas com Vitinho atuando mais adiantado no 4-1-4-1. Complicado testar em uma partida decisiva, mas o jogo mostrou ser absolutamente compreensível.

O fato é que mesmo com a vitória por 1 a 0 e a bela atuação coletiva, falta “punch” ao time rubro-negro. Termo que vem do boxe que significa a capacidade de encaixar golpes e derrubar o oponente. É uma equipe que precisa de muito volume de jogo e posse de bola para finalizar e muitas conclusões para ir às redes.

Tentou com Vitinho na frente e no final com Dourado e mais Lincoln e Geuvânio. Foram nove finalizações, mesmo com 58% de posse. Apenas duas no alvo. Gol só na bola parada, com Léo Duarte. Novamente o ataque ficou devendo. Foi o que pesou.

Melhor para o Cruzeiro, que deve lamentar a derrota mais pelas chances cristalinas perdidas. Especialmente de Barcos e Thiago Neves. Pararam em Diego Alves. Difícil entender a opção por Barcos deixando Raniel na reserva. Foram apenas oito finalizações, três no alvo. Mesmo considerando o contexto da vantagem obtida no Maracanã, a atuação no aspecto ofensivo ficou devendo.

Já defensivamente, no 4-2-3-1 habitual, mais uma vez foi sólido e organizado. Principalmente pela estratégia de pressionar Diego e Lucas Paquetá, meio-campistas que notoriamente prendem a bola e quase sempre precisam dominar e girar para decidir a jogada, assim que a bola chegava. Vários botes certos sobre os dois entre os 25 desarmes corretos do time celeste.

O desempenho geral, porém, é preocupante se pensarmos na reta final da temporada se o time precisar reverter desvantagem em casa. Mano Menezes é pragmático e tem a conquista da Copa do Brasil no ano passado como crédito, mas aconteceu também contra o Santos no torneio nacional, só decidindo nos pênaltis. Flertar com o perigo constantemente pode terminar bem mal.

Já a trajetória do Fla na competição sul-americana termina sem grandes traumas, mas deixando claro novamente que depende demais dos titulares. Faltou Paquetá no Maracanã e o desempenho caiu vertiginosamente. O elenco não consegue encontrar respostas no mais alto nível.

O saldo final é de copo meio cheio para ambos. O Cruzeiro pelo resultado, o Flamengo pelo desempenho considerando que a expectativa por classificação era baixa. Mas o jogaço deixa lições e exige atenção para tentar finalizar 2018 com algum título.

(Estatísticas: Footstats)