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No clássico sem os gênios, Lopetegui erra e Suárez comanda “la manita”
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André Rocha

Desde 2007 não havia um Barcelona x Real Madrid sem Messi e Cristiano Ronaldo em campo. Foi estranho não ver no Camp Nou os gênios que por onze anos atraíram os olhos do mundo. Mas o jogo foi histórico apesar das enormes ausências.

Porque o Barça sobrou no primeiro tempo com Arthur novamente ditando o ritmo e “escondendo” a bola. Atacando pelo lado que tem profundidade: o esquerdo, com Jordi Alba voando. Mesmo sem as inversões de Messi. O planeta bola conhece a jogada, mas Julen Lopetegui parece não ter percebido.

Deixou Nacho solitário pela direita, sem o auxílio de Bale ou Modric nem a cobertura rápida de Varane, e ainda com linhas adiantadas. No primeiro passe longo de Rakitic, um dos destaques da partida, Alba disparou, olhou para trás e serviu Philippe Coutinho.

Com a desvantagem, o time merengue adiantou ainda mais as linhas tentando pressionar a marcação e sem corrigir o problema pela direita. Alba infiltrou mais três vezes. Na última passou para Suárez, que foi derrubado por Varane. Pênalti marcado com auxílio do VAR. O próprio uruguaio fez 2 a 0 com uma batida de manual, na bochecha da rede para não dar chances a Courtois, que acertou o canto.

Lopetegui corrigiu o erro, que não é mérito nenhum, na volta do intervalo. Trocou Varane por Lucas Vázquez, que foi jogar na lateral direita. Nacho foi para a zaga fazer dupla com Casemiro, que recuou e mandou Sergio Ramos para fazer um lateral zagueiro à esquerda liberando Marcelo como ponteiro.

Ernesto Valverde e seus comandados demoraram a assimilar a mudança. Porque o lado de Alba que atacava foi obrigado a defender. Vázquez apoiava e Isco e Bale alternavam na ponta. Em jogada pela direita, o gol de Marcelo para equilibrar as forças. O Real teve bola na trave e boas oportunidades para empatar.

Não aproveitou e o Barça ajustou a marcação. Também descobriu que a mudança no rival criou um buraco pela esquerda, entre Marcelo e Sergio Ramos, que foi bem explorado por Sergi Roberto. Primeiro como lateral, depois como ponteiro quando Nelson Semedo substituiu Rafinha, que tentou jogar às costas do meio-campo adversário, mas cometeu muitos erros técnicos.

Duas assistências de Roberto, gols de Suárez para resolver o jogo. No final, mais um ataque pela esquerda com o Real já com a guarda baixa e gol de Vidal. Para completar a sequência de seis gols de jogadores sul-americanos. Podia ter sido mais se Suárez não tivesse desperdiçado mais duas chances.

De qualquer forma, o time catalão recupera a liderança da liga espanhola e repete 2010 com a “manita”. Goleada que marcou a trajetória de José Mourinho, mas deu início a uma reformulação no modelo de jogo que terminou na conquista da liga na temporada seguinte. Será que Lopetegui terá tempo para fazer a equipe reagir? Neste momento parece improvável.

 


Marcelo: rei do “freestyle”, mas ponto fraco da defesa do Real e da seleção
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André Rocha

Foto: Getty Images

Marcelo é um dos maiores e melhores laterais da história do futebol mundial. Não, isto não é um elogio introdutório para depois descarregar nas críticas sugeridas no título deste post. Apenas um reconhecimento até óbvio.

Quatro títulos de Liga dos Campeões entre outras muitas conquistas pelo Real Madrid e várias premiações individuais. Jogador que costuma crescer em partidas decisivas, forte personalidade. Figura marcante que ajuda a intimidar os rivais.

Acima de tudo, técnica e habilidade impressionantes. Controle de bola absurdo. Faz o que quer. Imagens de treinos da seleção e do clube rodam o mundo com seus domínios geniais. O mais incrível quando “esconde” a bola embaixo do pé seja lá de que forma a bola seja lançada. Impressionante!

Sem dúvida, o rei do “freestyle” no futebol profissional de mais alto nível. Talvez superior até a Messi, outro fenômeno que faz o que quer com a pelota.

Mas aos 30 anos o tempo começa a pesar, assim como alguns problemas na formação do jogador. Não do Fluminense, nem de Marcelo, mas do futebol brasileiro no período em que ele passou pelas divisões de base, no início dos anos 2000. Lateral aprendia a ser ala. Se fosse técnico, habilidoso e rápido ficava aberto e só se preocupava em atacar. Um volante ou terceiro zagueiro que se virasse para cobrir.

Marcelo evoluiu defensivamente nesses quase 12 anos na Europa, mas a formação capenga neste aspecto e mais uma certa autossuficiência pela carreira que construiu e moral que tem diante de companheiros e adversários, além da nítida e natural queda de desempenho, justamente no momento em que o jogo exige vigor para atuar em intensidade máxima, estão cobrando um preço bem alto.

Ainda mais numa temporada com  “ressacas” importantes: a partida do grande amigo Cristiano Ronaldo para a Juventus, além da saída de Zidane; o tricampeonato da Champions, quatro em cinco temporadas, que transfere aquela impressão de que o auge passou, a história já foi escrita…e agora? Falta a Copa do Mundo pela seleção brasileira, mas perdeu a chance na Rússia e o Mundial do Qatar é uma grande incógnita. Será que consegue chegar lá ainda capaz de ser competitivo?

A julgar pela atuação catastrófica na derrota do time merengue fora de casa por 3 a 0 para o Sevilla na quarta feira será bem complicado. Marcelo foi o ponto fraco da defesa com falhas seguidas de posicionamento, confronto direto, cobertura. O “mapa da mina” bem explorado pelo adversário, com Jesus Navas e quem mais apareceu pelo setor.

Méritos do time da Andaluzia, que soube aproveitar com intensidade e velocidade os muitos espaços cedidos pelo lateral e até seus raros erros técnicos, como o passe que tentou para Casemiro em uma zona pressionada e a bola roubada terminou num contragolpe de manual completado por André Silva. No segundo do atacante português foi constrangedor vê-lo tentando acompanhar a velocidade do adversário, desistir e permitir a conclusão no rebote. Ainda assistiu a Ben Yedder infiltrasse às suas costas para marcar o terceiro. Correu tanto querendo compensar as falhas que acabou lesionando a panturrilha na segunda etapa.

Sim, foi apenas a primeira derrota do Real Madrid no Espanhol. A preparação para o jogo também ficou comprometida pela cerimônia do Prêmio “The Best” da FIFA dois dias antes com a presença de vários madridistas. Mas um forte sinal de alerta. Porque Julen Lopetegui é da típica escola espanhola, mais ligada ao Barcelona. Gosta de linhas adiantadas, posse de bola, jogo de posição. O antecessor, Zinedine Zidane, combinava o estilo francês com o italiano, já que foi auxiliar e é discípulo confesso de Carlo Ancelotti.

Por isso a primeira providência ao suceder Rafa Benítez foi promover Casemiro a titular absoluto. A dinâmica pela esquerda era Marcelo com liberdade, Sergio Ramos fazendo a cobertura e o volante brasileiro fechando o centro da área. Agora o time fica mais adiantado e essa recomposição está mais lenta, até porque Sergio Ramos, aos 32 anos, também sente o impacto da passagem do tempo. É muito campo para cobrir!

Na seleção de Tite, os cuidados defensivos também protegem o setor esquerdo, praticamente com o mesmo trabalho. O zagueiro pela esquerda faz a cobertura e o mesmo Casemiro repete o posicionamento do clube. Mas quando faltou o volante titular nas quartas de final da Copa contra a Bélgica e o substituto, Fernandinho, entrou em pane mental depois do gol contra que abriu o placar, o lado esquerdo virou “atalho”. Contragolpe, passe de Lukaku para De Bruyne pela direita com Marcelo mal posicionado na transição defensiva e o chute forte que Alisson não segurou.

É óbvio que o desastre no Ramón Sánchez Pizjuán pode ser um ponto fora da curva e o Real se recuperar na temporada. Com novas compensações para proteger o setor esquerdo. Questão de ajuste. O principal segue lá: talento e experiência. Mas o futebol em rotação cada vez mais alta será um complicador.

Talvez fosse o caso de pensar numa mudança natural para o meio-campo, ainda que a concorrência com Modric e Kroos seja cruel. Repetir os passos de Júnior, craque do Flamengo e da seleção nos anos 1980 que saiu da lateral para se transformar no “Maestro” que conduziu Torino e Pescara na Itália para voltar ao rubro-negro em 1989 e comandar a equipe em outras grandes conquistas. Semelhanças na qualidade absurda com a bola, mas também nos problemas sem a bola.

Crítica que não é novidade, nem invenção deste blogueiro. Marcelo “El Loco” Bielsa, quando participou de um evento na CBF com Tite e Fabio Capello no ano passado, afirmou na presença do treinador da seleção brasileira: “Filipe Luis defende três vezes mais que Marcelo, muito mais. E você escala o Marcelo…” A Copa mostrou que ele não estava errado.

Marcelo merece todo respeito e este texto não tem viés pejorativo, nem oportunista. A ideia não é sugerir que ele nunca foi tudo isso, muito menos usar uma atuação ruim para afirmar que ele está acabado. Apenas um contraponto aos muitos elogios que recebe pela habilidade e técnica raríssimas. Só que no futebol atual não são o suficiente para um defensor de uma equipe de ponta. Muito menos jogando numa retaguarda tão adiantada.

O Sevilla soube explorar e saiu com uma vitória inquestionável, construída ainda no primeiro tempo. Fica a lição.


Gol contra e “pane” de Fernandinho pesaram mais que a mudança de Martínez
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André Rocha

Tostão costuma dizer em suas colunas que o futebol muitas vezes é mais simples e tem seus desdobramentos movidos muito mais por aleatoriedades e acasos do que propriamente por algo planejado ou pela estratégia dos treinadores.

Este blogueiro já desconfiou mais desta tese, mas quanto mais vê o jogo acontecer mais passa a crer nesta visão de quem esteve lá dentro e tem inteligência e sensibilidade para perceber os detalhes que muitas vezes escapam aos nossos olhos.

Em todo mundo pululam análises da vitória da Bélgica sobre o Brasil que carregam como elemento central o fator surpresa da formação de Roberto Martínez num 4-3-3 com Lukaku pela direita, De Bruyne como “falso nove” e Hazard à esquerda. Um tridente ofensivo que não voltava na recomposição e ficava pronto para as saídas em velocidade. Sem dúvida algo incômodo e inesperado para Tite e seus comandados. Mas será que foi tão decisivo assim?

A dúvida ao rever a partida com mais serenidade e distanciamento nasce pelo fato de que até os 13 minutos de jogo em Kazan o que se via eram duas equipes tensas e ainda se adequando ao novo cenário. O Brasil saía do plano inicial, mas a Bélgica também tinha adaptações a fazer, como voltar a se defender com quatro homens atrás depois de vários jogos com linha de cinco. Mas principalmente se fechar apenas com sete jogadores e tendo Fellaini e Chadli como elementos novos e com funções diferentes das executadas na virada sobre o Japão.

O problema era o lado direito, com Meunier contando com o apoio de Fellaini e a cobertura de Alderweireld contra Marcelo, Philippe Coutinho e Neymar. Pouco. Por ali a seleção brasileira criou espaços e conseguiu o escanteio cobrado por Neymar aos oito minutos. Desvio de Miranda e Thiago Silva, meio no susto, acertando a trave direita de Courtois.

Até os 13, a Bélgica encontrou, sim, espaços às costas do meio-campo brasileiro que também tentava se ajeitar com a entrada de Fernandinho na vaga de Casemiro. Plantado à frente da defesa no 4-1-4-1 habitual de Tite. Desta maneira que saiu o escanteio. Passe do De Bruyne, chute de Fellaini.

Assim como ficou claro em outros momentos do jogo, Martínez trabalhou a cobrança na primeira trave. Sabia das fragilidades da retaguarda adversária na bola aérea. Mas Kompany não conseguiu desviar o centro de Chadli. O gol contra foi de Fernandinho.

Logo ele. Personagem central da sequência de gols alemães no 7 a 1 do Mineirão. Foi nítido o efeito devastador na força mental do volante. A concentração tão exigida por Tite havia caído por terra. Não só do jogador do Manchester City, mas da defesa que ficou desguarnecida. Que já tinha um ponto sensível com Fagner no mano a mano com Hazard. Neste cenário, a ausência de Casemiro se fez mais impactante. E a presença de Marcelo, retornando depois de duas partidas com Filipe Luís como titular, mais desnecessária pelos espaços que deixava às suas costas. O sistema de cobertura com Miranda saindo e o volante fechando a área se perdeu.

Abalado também por ficar em desvantagem pela primeira vez no torneio, o time verde e amarelo sofreu contragolpes seguidos, mas o do segundo gol, curiosamente, não teve Lukaku à direita e De Bruyne centralizado. O centroavante buscou a bola no centro e arrancou deixando Paulinho para trás. Sem confiança e força física para a disputa, Fernandinho ficou pelo caminho. Marcelo optou por fechar o “funil” e deixou todo o lado direito para Meunier e De Bruyne, que acertou um petardo na bochecha da rede.

O resto é história, inclusive a pressão brasileira que poderia ter resultado no empate ou até na virada. Com a Bélgica mantendo a estratégia e sofrendo demais para sustentar a vantagem. A equipe de Tite corrigiu o setor defensivo, Miranda ganhou todas de Lukaku e ofensivamente teve volume e espaços para criar e finalizar. Os europeus se reduziram à luta e às defesas de Courtois. A mais espetacular em chute com efeito de Neymar. Renato Augusto e Coutinho perderam chances com liberdade e de frente para o gol. Acabou sendo a diferença no placar das quartas de final.

Nada que tire os méritos da Bélgica semifinalista. Aproveitar as instabilidades do oponente também é virtude e decide jogos. Ainda mais os eliminatórios, tantas vezes definidos pelas individualidades e pelo componente emocional.

Por isso a dúvida que ficará para sempre. O que matou o Brasil: o gol contra de Fernandinho que tirou confiança do volante e escancarou a defesa ou a surpreendente mudança de Martínez? Pelo visto, a história das Copas do Mundo já escolheu a versão mais sedutora: o inesperado. Ou o “nó tático”.

Este que escreve, mesmo valorizando a tática e a estratégia, tende a seguir a lógica de Tostão desta vez, ainda que o campeão mundial em 1970 tenha colocado os dois fatores na balança em sua análise e dado ênfase à ausência de um talento como De Bruyne no meio-campo brasileiro, o que também é uma visão mais que respeitável.

É díficil, porém, não colocar a bola que bateu em Thiago Silva e não entrou e a que Fernandinho jogou contra a meta do companheiro Alisson como os verdadeiros momentos chaves de mais uma eliminação brasileira em Mundiais.

 


As boas respostas brasileiras no ótimo teste final contra a Áustria
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André Rocha

A seleção austríaca chamava atenção antes do amistoso em Viena pelas sete vitórias seguidas, inclusive sobre a Alemanha. E tinha a utilidade de ser mais uma experiência da seleção de Tite contra a linha de cinco na defesa.

Mas a Áustria apresentou mais que isto no primeiro tempo. Especialmente a pressão na saída de bola em vários momentos e uma jogada que não resultou em gols, mas mostrou que pode ser, ou continuar sendo, um problema para o Brasil: a jogada de Alaba buscando o fundo pela esquerda e cruzando na segunda trave procurando Arnautovic na zona de Marcelo, mais baixo e com suas habituais dificuldades de posicionamento. O ala Lainer também conseguiu algumas infiltrações nas costas do lateral esquerdo.

Defensivamente a resposta brasileira foi a concentração e a atuação segura de Thiago Silva, Miranda e Casemiro. Compensando também Danilo, ainda hesitante tanto no posicionamento atrás quanto no apoio por dentro, deixando Willian mais aberto. Assim como a pressão logo após a perda da bola. Com um pouco menos de intensidade por conta da proximidade da Copa do Mundo.

Na frente, a dificuldade para infiltrar com tabelas, triangulações e ultrapassagens diante de um sistema defensivo postado. Mesmo sem Fernandinho e com Coutinho por dentro na linha de meias do 4-1-4-1. O mérito foi trabalhar com paciência, sem se desorganizar. E encontrar nos chutes de fora da área e nas bolas paradas as soluções para furar o bloqueio. Tentou com Casemiro e Philippe Coutinho. Thiago Silva errou a cabeçada na cobrança de escanteio de Neymar.

Na jogada individual do camisa dez que sobrou para Paulinho, a melhor chance até Marcelo arriscar de longe no rebote de um escanteio e, na dúvida da arbitragem se a bola bateu em Sebastian Prödl ou o zagueiro interferiu no lance, Gabriel Jesus finalizou com estilo, marcando seu décimo gol com a camisa verde amarela.

Pronto. Problema resolvido. Com a vantagem, a Áustria se abriu e, com espaços, o Brasil é letal nas transições ofensivas. Ainda mais com Neymar solto, com fome e inspirado. Linda jogada pessoal no segundo gol, já na segunda etapa. Outro contragolpe e o terceiro com Coutinho.

Podia ter saído mais com o clima mais de amistoso depois das substituições e da Áustria jogando a toalha. Mas não era hora de forçar nada, mesmo para os reservas querendo mostrar serviço. Tite já tinha suas respostas. Dentro do contexto das favoritas evitarem se enfrentar tão próximo do Mundial, foi o melhor teste possível. Para efetuar as últimas correções e, principalmente, definir a maneira de enfrentar adversários fechados.

Deve ser a tônica na primeira fase. E o Brasil mostrou que não está no auge, nem é hora para isto. Mas está pronto para iniciar a trajetória na busca do hexa.


Seis lições que o Real Madrid deixa para as seleções da Copa do Mundo
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André Rocha

Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters

Sergio Ramos à parte – ou aproveitando apenas o melhor de um dos grandes zagueiros do futebol mundial -, o Real Madrid impõe com o tricampeonato e os quatro títulos nas últimas cinco edições uma supremacia única na Era Champions League do maior torneio de clubes do mundo. Tempos em que clubes são maiores que as seleções, ainda que a Copa do Mundo siga imbatível no tamanho e na repercussão, até por acontecer com menos frequência.

O time de Zinedine Zidane ganhou três Ligas dos Campeões e apenas uma liga espanhola. É de mata-mata. Ou só de “mata”, como provou nas finais que venceu. Como será para as seleções no Mundial da Rússia a partir das oitavas de final. Por isto o blog destaca seis lições que esta equipe deixa para os países envolvidos, especialmente o grupo de favoritos:

1 – Todo pecado será castigado

Errar contra o Real costuma ser letal. Até rimou. Mas tem sido assim. É um time que não perdoa vacilos. PSG, Juventus, Bayern de Munique e Liverpool. Todos tiveram períodos de domínio ou de equilíbrio e sucumbiram em falhas, individuais ou coletivas. Assim também nas outras duas conquistas. Já os equívocos dos merengues não foram aproveitados com a mesma competência. Em 180 minutos, imagine em, no máximo, 120 a importância de minimizar erros. A precisão, como sempre, será fundamental.

2 – A força da mente

O gigante de Madri se alimenta de confiança que proporciona conquistas que aumentam a força mental. Para sair de situações complicadas e também atropelar quando o oponente baixa a guarda. Tantas vezes a desorganização dos setores em campo foi compensada com uma autoridade que intimida. Até os árbitros, diga-se. Mas não deixa de ser um mérito. Tantas vitórias transmitem a certeza de que no fim tudo terminará bem e joga a insegurança natural em um jogo grande para o outro lado.

3 – O talento é fundamental

Zidane foi um dos maiores jogadores da história do esporte. Tinha um talento especial que quando foi potencializado pelo coletivo produziu maravilhas nos gramados do planeta. Como treinador manteve esta convicção e explora o melhor de seus atletas. Porque uma bicicleta de Cristiano Ronaldo, um voleio de Bale, uma assistência de Kroos e um drible de Marcelo podem desmoronar qualquer modelo de jogo. Ainda que nenhum país consiga reunir craques como os clubes bilionários, quem tem qualidade deve explorá-la muito bem.

4 – A melhor notícia é não ter novidades

Os mesmos onze titulares em duas finais de Liga dos Campeões. Só o Real Madrid conseguiu. E a base mudou bem pouco desde 2014. O entrosamento também foi um trunfo. Para jogar ao natural, “de memória”. No universo de seleções é ainda mais importante, pela impossibilidade do trabalho diário ao longo das temporadas. Não por acaso, Espanha e Alemanha venceram os últimos mundiais usando Barcelona e Bayern de Munique como bases. A renovação é inevitável, mas quanto menos mexer durante a Copa, melhor.

5 – Fase de grupos não diz muita coisa

Nas últimas duas conquistas, o Real não terminou na liderança do seu grupo na primeira etapa do torneio continental. Ficou atrás do Borussia Dortmund em 2016 e do Tottenham no ano passado. Ainda que a Copa não tenha a pausa de dois meses, nem sorteio de confrontos, a lógica segue a mesma: jogos eliminatórios são de outra natureza, envolvem outras valências e a tradição costuma contar muito. No universo das seleções, com seu grupo seleto de campeões mundiais, mais ainda. Fase de grupos é para se classificar.

6 – Serenidade e simplicidade no comando

Se há algo para Pep Guardiola, sempre pilhado demais na Champions, e outros treinadores pelo mundo devem aprender com Zidane é que num ambiente que já carrega pressão descomunal por envolver paixão e muito dinheiro, quanto mais calma o comando passar, melhor. E mesmo quando promove variações táticas ou na proposta de jogo, o treinador merengue faz com simplicidade, para que os atletas entendam e executem. Sem chamar para si os holofotes. Até porque não há revolução a ser feita numa Copa do Mundo. É jogar com calma e atenção nos detalhes.


Real Madrid tem vivência em finais. Liverpool precisa “enlouquecer” em Kiev
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André Rocha

Carvajal, Varane, Sergio Ramos, Marcelo, Modric, Isco, Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo. Nove jogadores que estiveram em campo na primeira final de Liga dos Campeões do Real Madrid na década. Estádio da Luz, Lisboa, há exatos quatro anos.

Nove que sofreram e transformaram o alívio do golpe salvador de Sergio Ramos no último ataque na apoteose dos três gols na prorrogação sobre o Atlético de Madri e o êxtase de “La Decima” para o maior ganhador do torneio.

Em 2018, os nove estão entre os relacionados para a decisão contra o Liverpool em Kiev. Buscando o tricampeonato depois das conquistas em 2016 e 2017. A quarta final em cinco edições. Conhecem o clima, a diferença de mata-mata para jogo único, a expectativa, o batalhão de jornalistas, os olhos do mundo.

Contam também com algo fundamental: apenas experiências vitoriosas como referências para tentar repetir o feito e entrar definitivamente para a história como os primeiros tricampeões da era Champions. Igualando o lendário Bayern de Munique de Franz Beckenbauer e Gerd Muller, os últimos a ganhar a Europa três vezes seguidas.

Não é pouco. Muito menos algo para ser tratado de forma blasé, como se já estivessem fartos de levantar taças. A mentalidade vencedora do Real Madrid na Champions impressiona. E pode ser o grande trunfo na Ucrânia. Decisões são resolvidas na maioria das vezes com força mental e qualidade individual. Como a maioria dos onze duelos em 180 minutos ou mais de mata-mata deste time sob o comando de Zinedine Zidane. Sofrendo e saindo de situações difíceis com frieza e eficiência.

Em meio à tanta tensão, a confiança ajuda mais que qualquer vantagem tática que pode surgir no confronto. Os 4 a 1 sobre a Juventus em Cardiff foram a grande prova do rolo compressor que o Real Madrid pode se tornar quando a qualidade técnica e o entrosamento encontram o melhor cenário psicológico do duelo.

Tudo que o Liverpool precisa evitar. Se entrar aceitando a condição de “zebra”, apesar do que representa a camisa cinco vezes campeã, a chance de sucumbir é enorme. Até pela inexperiência em finais de todos, desde Jurgen Klopp até Mohamed Salah, artilheiro e candidato ao prêmio de melhor da temporada.

A solução? A mesma dos melhores momentos na temporada: pé fundo no acelerador. O “gegenpressing” de Klopp no volume máximo. Perde e pressiona com fúria por todo o campo. Como se não houvesse amanhã. Assumindo os riscos de um oponente com a técnica do Real se livrar e chegar com igualdade ou superioridade numérica no ataque.

Mas com boas chances também de recuperar e acionar rapidamente o tridente Salah-Firmino-Mané. De intensa movimentação do brasileiro que vai buscar as costas de Casemiro para acionar seus companheiros entrando em diagonal, nos espaços entre Carvajal e Varane ou Sergio Ramos e Marcelo. Defesa que não vem demonstrando a segurança de outros momentos desta trajetória vencedora recente. Pode causar estragos.

No “jogo mental” da decisão, o melhor cenário para os Reds é tirar o favorito do conforto de jogar como protagonista. Os vividos madridistas estão acostumados a encontrar medo nos olhares do outro lado do campo. O que farão se encontrarem fome, fúria e uma vontade inquebrantável de deixar a vida no campo em busca da glória? Ainda mais considerando que o Real vêm de sustos em casa contra Juventus e Bayern de Munique, quando foi dominado e podia ter sido eliminado.

Não será fácil para Klopp convencer seus comandados a deixarem o comportamento padrão de respeito, estudo, aprumar os nervos nos primeiros minutos. Ou a sedutora ideia de dar a bola ao Real e esperar os espaços aparecerem para seu ataque rápido e demolidor. Mas o Liverpool já fez isso antes e o desempenho caiu absurdamente. Inclusive com alguns riscos, como o primeiro tempo na volta em Manchester contra o City e a segunda etapa contra a Roma no Estádio Olímpico.

Diante do bicampeão do continente qualquer vacilo em 90 minutos pode ser letal. Melhor “enlouquecer” e, se tudo der errado, ser lembrado pela coragem de tentar fazer diferente. E para isto ninguém é melhor que Klopp, o “maluco beleza”, o Nigel Mansell do futebol. Capaz de transfomar Kiev num “hospício” e fazer história. Alguém duvida?


A lesão de Daniel Alves e o grande jogo de dados que é o futebol
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André Rocha

Imagem: Franck Fife / AFP Photo

Em sua ótima coluna na Folha de São Paulo, Tostão afirma que o jogo é uma mistura de inspiração e expiração, de ciência e imprevistos.

Podia ser Meunier ou qualquer outro lateral direito do futebol profissional do mundo inteiro em campo ontem na conquista da Copa da França pelo PSG na vitória por 2 a 0 sobre o Les Herbies, da terceira divisão francesa. Faria pouca diferença em mais um título do campeão francês e da Copa da Liga. Que volta a sobrar no país depois do “meteoro” Monaco na temporada passada.

Mas era Daniel Alves. Na noite de seu 38º título na carreira, mas que também pode lhe negar a chance de conquistar o trofeu mais cobiçado pelo brasileiro. A lesão no joelho direito, em um exame preliminar, afetou o ligamento cruzado e há o risco real do lateral ficar de fora da Copa do Mundo. A última de sua trajetória multicampeã.

Logo a lateral direita sem uma reposição confiável. Que pode cair no colo de Fagner, sem grande experiência internacional no mais alto nível, ou de Danilo, reserva do Manchester City e outra incógnita em  jogo grande no Mundial da Rússia. Talvez uma surpresa que apareça na lista pela emergência.

Daniel também pode se recuperar a tempo e o Brasil contar com os melhores laterais do mundo na formação titular. Mas também sofrer com as conhecidas fragilidades defensivas do jogador do PSG e também de Marcelo do lado oposto. Como já aconteceu há quatro anos. O gol da Croácia logo aos dez minutos da estreia do time de Felipão teve bola nas costas de Daniel Alves, cruzamento e Marcelo, no movimento errado da diagonal de cobertura, marcou contra. Fora o sufoco em outros jogos.

Algo minimizado pelo bom trabalho coletivo sem a bola com Tite, mas ainda um problema. Que no detalhe de um jogo eliminatório na reta final pode afastar a seleção brasileira da disputa do título. Mas a possibilidade do substituto na direita ser a solução para uma maior estabilidade na retaguarda não pode ser descartada. Afinal, entrando no time sem tanto lastro e minutos entre os titulares, a tendência natural é guardar mais o posicionamento atrás e só descer na boa.

Considerando que Danilo já atuou como zagueiro e até volante com Pep Guardiola e Fagner conhece toda a dinâmica das equipes de Tite na última linha de defesa pelos anos trabalhando juntos no Corinthians é possível que a mudança até traga um equilíbrio que não existia.

Impossível prever. E dependendo do desempenho e do resultado uma ou outra alternativa pode ser a justificativa para a glória ou o fracasso. Na mesma coluna citada acima, Tostão provoca: “Quando termina a partida, elegemos os heróis e os vilões e tentamos explicar, com bons ou maus argumentos, o que, muitas vezes, não tem explicação. Tem existência”.

O campeão mundial em 1970 às vezes exige do comentarista uma “não análise”. A função de quem estuda, observa e coloca sua visão é oferecer pontos de vista para que o espectador ou leitor forme sua própria opinião. Há sempre indícios que podem justificar um desempenho ruim e o mau resultado.

Mas tem toda razão quando fala do imponderável. Daniel Alves se lesionou numa decisão. Podia ser em um treino. Como Neymar dobrou o pé em um lance banal num jogo qualquer da Ligue 1. Como Casemiro, Marcelo e Firmino correm riscos na final da Liga dos Campeões. Ou qualquer um dos possíveis convocados. Até em casa, brincando com o filho.

Uma ausência pode definir tudo. Para o bem ou para o mal. Quantos não lamentam o corte de Romário em 1998 imaginando que o Baixinho poderia compensar o problema de Ronaldo antes da final da Copa? Mas quatro anos antes, o Brasil conquistou o tetra com Aldair e Márcio Santos na zaga que tinha como titulares os Ricardos, Rocha e Gomes. Em 2002, Gilberto Silva se transformou em um dos destaques da campanha do penta porque Emerson foi cortado por uma luxação no ombro. Brincando de goleiro em um rachão na véspera da estreia.

Como não lembrar de Einstein e sua famosa frase “Deus não joga dados com o Universo”? Mas cada vez mais o futebol, mesmo tendo também a sua porção de ciência, vai se mostrando um grande jogo de dados. De sorte e azar. Do imprevisto que salva ou destroi. Vejamos o que o destino reserva para Tite e seus comandados na Rússia.


VAR agora é regra! Porque o “molho” do futebol é o melhor sair vencedor
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André Rocha

A International Football Association Board (IFAB), órgão da FIFA responsável por regulamentar as regras do futebol, anunciou mudanças para os próximos dois anos. Entre os pontos mais relevantes se encontram a permissão para a quarta substituição na prorrogação e a introdução do árbitro de vídeo (VAR), já valendo para a Copa do Mundo na Rússia. Leia mais AQUI.

Impressiona como a utilização do árbitro de vídeo possa ser algo tão contestado no Brasil. Talvez porque se os erros de arbitragem forem minimizados para muita gente vai faltar assunto. Seja em programas de debates na TV e no rádio, seja nas mesas de bar e o fetiche das teorias de conspiração.

Mas basta pensar em um futebol profissional, com investimentos cada vez maiores e muito em jogo nas principais competições para concluir o óbvio: decisões tão importantes não podem ficar a cargo apenas dos olhos de quem está no campo. Em fração de segundos, nem sempre em uma posição privilegiada para a melhor interpretação.

É óbvio que ainda haverá erros ou lances muitos questionáveis. As câmeras e os demais recursos tecnológicos continuam sendo ferramentas para a análise e a interpretação de um ou mais indivíduos, com todas as suas imperfeições, incoerências e fraquezas.

Mas só de evitar erros grosseiros, muitas vezes detectados na TV sem precisar de repetição ou câmera lenta, já será um enorme avanço. Assim como oficializa o uso “informal” dos recursos, como fica nítido em algumas partidas jogadas no Brasil, mas não se admite por ser uma irregularidade.

O lateral Marcelo, do Real Madrid e da seleção brasileira, disse após o clássico contra o Barcelona no fim de semana que era contra o VAR porque “tira o molho do futebol”. Os detratores desta modernização vibraram, assim como o erro dos árbitros de vídeo no Campeonato Australiano.

Muito fácil para o brasileiro dizer isso depois de ver sua equipe prejudicada em uma partida que objetivamente nada valia pelo Campeonato Espanhol. Mas beneficiada por erros tão graves quanto na Liga dos Campeões, grande objetivo do time merengue na temporada. Inclusive num pênalti que o próprio brasileiro admitiu ter cometido colocando a mão na bola dentro da área. Mas sem mudar o resultado final da partida.

Para quem joga no time grande, de fato, o VAR pode atrapalhar muito. Afinal, na dúvida e precisando decidir em um segundo, a arbitragem muitas vezes pende para o mais forte e influente temendo uma punição maior caso tenha se equivocado na interpretação.

Mas se o que torna o esporte tão apaixonante é sua imprevisibilidade, nada melhor que um recurso que aumente as chances do menor vencer o mais poderoso. Dizem por aí que o bom do futebol é que ele não é justo e um time pode vencer sendo dominado e acertando apenas um chute a gol. Então que o VAR seja mais uma ferramenta que possibilite que ninguém interfira nessa particularidade.

Que venha o árbitro de vídeo! Porque o verdadeiro “molho” do futebol é o melhor – ou o mais eficiente ou o mais feliz nos 90 minutos – saindo de campo com a vitória.


Bayern de Munique comprova: quem tem um não tem nenhum contra o Real Madrid
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André Rocha

O Bayern planejou um “arrastão” em Munique com pressão no campo de ataque e um quinteto com Robben e Ribéry nas pontas, Muller e Lewandowski no centro de ataque e James Rodríguez por trás. Mas desta vez Jupp Heynckes não foi tão feliz.

Perdeu Robben logo aos nove minutos. Entrou Thiago Alcântara, enviando Muller para o lado direito num 4-3-3. Menos pressão e jogo direto, mas trabalho no meio-campo com posse. Mas ainda domínio.

Porque o Real Madrid adotou postura conservadora na Allianz Arena. Um 4-1-4-1 com Lucas Vázquez e Isco pelos flancos e Cristiano Ronaldo no ataque. A estratégia era clara: conter o volume adversário, rodar a bola e esperar o momento de explorar os espaços às costas dos zagueiros Boateng e Hummels com seu atacante mais letal.

Não funcionou e o Bayern foi se instalando no campo de ataque. Mas foi às redes aproveitando lenta recomposição do time merengue no contragolpe e o passe de James encontrando Kimmich livre no espaço exato entre Marcelo, Casemiro, Sergio Ramos e Kroos. O inteligentíssimo defensor alemão olhou para a área, viu Keylor Navas tentando antecipar o cruzamento e os companheiros marcados. Não teve dúvida: finalizou bem tirando do goleiro.

O mandante cresceu com a torcida, o atual bicampeão europeu sentiu. E aí veio o pecado do Bayern. Este blogueiro não gosta nem costuma fazer analogias do futebol com atos de violência, mas a imagem é inevitável: o time bávaro enfiou a faca, mas não girou. E manter esse Real vivo é um risco enorme.

Mesmo com Cristiano Ronaldo cumprindo sua pior atuação nesta edição da Liga dos Campeões. Isolado, errou mais que o habitual. Ainda assim, sua presença impõe respeito. A ponto de ensaiar uma bicicleta e distrair o sistema defensivo alemão, deixando Marcelo livre para dominar e empatar.

Jogo que poderia ter sido resolvido e a vaga encaminhada no gol perdido por Ribéry no primeiro tempo. A mais inacreditável das muitas chances desperdiçadas. Dominou na canela com total liberdade pela esquerda. Quando aconteceu o mesmo em contragolpe rápido iniciado pelo erro de Rafinha, Asensio, que substituiu Isco na volta do intervalo, tirou do goleiro Ulreich.

Heynckes pode lamentar as lesões – além de Robben, Boateng também saiu no primeiro tempo para a entrada de Süle. Mas o Real não são os adversários na Bundesliga. Nem Besiktas ou Sevilla. Não pode dar chance. 58% de posse, treze finalizações contra sete. Cinco no alvo. Lewandowski ainda perdeu no final. Só uma bola nas redes e a virada implacável.

Agora terá que buscar um milagre em Madri. Contra um time experiente e escaldado pelo susto da Juventus nas quartas. Que vem sobrando nesses duelos de mata-mata em que o mental e as individualidades vêm sendo preponderantes. Improvável. Porque contra esse Real quem tem um não tem nenhum. O time de Zidane está mais próximo da terceira final consecutiva.


O que ainda falta para Cristiano Ronaldo ser respeitado como merece?
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André Rocha

O Real Madrid passou por cima do PSG quando Zidane mandou a campo Lucas Vázquez e Asensio nas pontas formando duas linhas de quatro numa formação mais ofensiva. Retomou o domínio em Madrid e sobrou no Parc des Princes.

Mas para o duelo com a Juventus, o treinador retomou a escalação da última decisão, com Isco, Modric e Kroos com a proteção de Casemiro. O 4-3-1-2 com muita mobilidade no meio-campo e na frente e a equipe se fechando em duas linhas de quatro.

A Juventus cometeu um pecado letal contra o bicampeão europeu: entrou desconcentrado e, pior, deixou Cristiano Ronaldo se desmarcar na área adversária para completar o passe de Isco pela esquerda. Aos dois minutos de jogo.

Depois o Real administrou como sabe: jogando ao natural, mesmo como visitante. Não se fecha tanto, até deixa alguns espaços. Mas pressiona logo após a perda de bola e se impõe através da força mental e do temor que provoca nos oponentes –  tanto que Massimiliano Allegri plantou Asamoah mais próximo a Barzagli e Chiellini para liberar Alex Sandro como ala/ponta pela esquerda na variação habitual do 4-4-2 para o 3-5-2.

O time merengue segue atacando, rondando a área, trocando passes e aproveitando o entrosamento de uma base que vem desde 2014. Desde Carlo Ancelotti. Carimbou o travessão com Kroos e sofreu com a pressão natural da Juve. Dybala buscava espaços entre as linhas de quatro do Real, mas o time italiano sentia falta de Pjanic, suspenso, na articulação.

Até o clímax. O gol espetacular de Cristiano Ronaldo. Uma bicicleta de cinema. Ato final da sua persistência e concentração aproveitando o erro de Chiellini na origem da jogada. Os aplausos dos torcedores adversários foram a rendição final. Do jogo e do confronto pelas quartas-de-final. O décimo jogo consecutivo em que o maior artilheiro da Champions foi às redes na competição.

O gol de Marcelo, em assistência de Ronaldo, foi apenas consequência. E podia ter virado quatro ou mais. Cristiano Ronaldo teve outras oportunidades claras, Kovacic também bateu no travessão. 53% de posse, 13 finalizações contra 12 da Juve – seis a um no alvo. No último ataque, Cuadrado perdeu à frente de Navas.

Três a zero soa como um placar exagerado. Mas nada parece impossível para o Real de Zidane e Cristiano Ronaldo. Foi mais uma aula de Liga dos Campeões em Turim. Consolidando a oitava participação consecutiva nas semifinais do torneio.

Tão histórico quanto a obra prima do gênio português. O que mais falta para enfim respeitarem um dos maiores da história, sem comparações esdrúxulas como fazem por aqui? “Robozão”, “caneludo”, “Penaldo”, “empurrador”, “Dadá Maravilha com grife”. Para cada apelido, um golaço. Para cada desdém, um recorde quebrado. Simplesmente respeite.

(Estatísticas: Footstats)