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Copa e maturidade fazem PSG de Tuchel inverter status entre Neymar e Mbappé
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André Rocha

Quando Mbappé foi anunciado no PSG, este blog projetou o time francês ainda jogando em função de Neymar, mais experiente e afirmado no cenário mundial. Ao jovem que explodiu no Monaco restaria um posicionamento de relevância no ataque da equipe, porém com maior sacrifício tático.

Sem comparações, mas a expectativa era que simbolicamente Neymar seria Messi. Ou seja, o ponta articulador partindo do flanco para criar e finalizar, com total liberdade. Já a joia francesa seria o Neymar do Barcelona: coadjuvante de luxo, o ponteiro do lado oposto que acelera e busca as infiltrações em diagonal. Mas também com a responsabilidade de voltar e formar com o tripé de meio-campo uma segunda linha de quatro para bloquear as ações ofensivas dos adversários.

Justamente a opção do treinador Unai Emery na maior parte da temporada. Neymar solto com Cavani à frente, Mbappé se juntando à dupla, mas com maior entrega no trabalho coletivo. A contratação mais cara da história como a estrela, o garoto prodígio servindo de fiel escudeiro.

O reflexo nos números é inegável: Neymar marcou 19 gols e serviu 13 assistências em 20 aparições na liga francesa. Na Liga dos Campeões foram sete jogos, seis gols e três assistências. Desempenho excepcional prejudicado pela lesão no pé que fez o brasileiro retornar praticamente na Copa do Mundo.

Mbappé disputou 27 partidas (três saindo do banco de reservas), marcou 13 e entregou oito passes para gols na Ligue 1 e nos oito jogos que o Paris Saint-Geirman disputou na Champions anotou quatro gols e três assistências. Estatísticas respeitáveis para um atacante de 19 anos, mas bem inferiores ao seu companheiro e “tutor” no vestiário de estrelas do campeão francês e também das Copas da França e da Liga Francesa.

Mas veio a Copa do Mundo…França campeã e Mbappé como destaque e tendo a melhor atuação justamente na vitória mais simbólica dos Bleus na Rússia – 4 a 3 na Argentina pelas oitavas de final, com dois gols e desempenho fantástico, “varrendo” a defesa albiceleste com velocidade e técnica. Anotou quatro gols, inclusive na final contra a Croácia, e, para este que escreve, foi o melhor do Mundial.

Já Neymar, em que pese o tempo de inatividade, não teve o mesmo brilho nem conseguiu evitar a eliminação da seleção brasileira para a Bélgica nas quartas. Dois gols e uma assistência em cinco partidas. Ainda desgastou terrivelmente sua imagem por simulações de faltas e contusões e rodou o mundo piadas com o hábito de rolar no gramado e fazer caras e bocas quando sofre as infrações (ou não).

Na volta ao clube, um novo comandante: Thomas Tuchel. Com 45 anos e fama de “inventivo”, chegou valorizando todas as estrelas do elenco, elogiando muito Neymar. Com paciência, mas firmeza, mobiliza o grupo de jogadores, diminui as rusgas do brasileiro com Cavani e muda a mentalidade da equipe para a disputa da Champions, prioridade máxima na temporada.

O espírito ficou claro na vitória sobre o Liverpool na penúltima rodada da fase de grupos que praticamente garantiu a vaga no mata-mata em um grupo complicado que acabou jogando o bom Napoli de Carlo Ancelotti para a Liga Europa. Muita fibra, vibração e entrega para conquistar o único resultado que não complicaria a classificação. Nem a surpreendente eliminação na Copa da Liga para o Guingamp com derrota de virada por 2 a 1 muda essa impressão, até porque a “vingança” veio na Ligue 1 com uma goleada implacável: 9 a 0 e o time jogando sério o tempo todo, como um rolo compressor.

Nos dois triunfos simbólicos e em outras partidas da temporada fica bem clara uma mudança de status que se reflete no campo: agora é Mbappé quem joga livre na frente com Cavani e Neymar se sacrifica um pouco mais pelo time. Sem a bola, o camisa dez retorna e compõe uma segunda linha de quatro com Di María do lado oposto e Marquinhos ou Daniel Alves e Verratti no centro. No início da jornada 2018/19 chegou a atuar por dentro, como um “enganche”. Mas sempre municiando Mbappé.

Os números novamente apresentam as consequências do posicionamento em campo. Neymar segue com ótimo desempenho: 13 gols e seis assistências na liga. Na Champions foi às redes cinco vezes e serviu dois passes decisivos em seis partidas. Mas a joia francesa deu um salto, especialmente no campeonato por pontos corridos. São 17 gols e cinco assistências. No torneio continental, curiosamente, serviu mais que foi às redes: quatro assistências, três bolas nas redes adversárias.

É claro que a confiança com o título mundial e a melhor ambientação com os companheiros contribuíram significativamente para o progresso de Mbappé. Mas o posicionamento mais adiantado, com liberdade para procurar os lados e infiltrar em diagonal ou muitas vezes até ser a referência do ataque, com Cavani recuando para colaborar defensivamente quando o time recua as linhas para jogar em rápidas transições ofensivas, também colaborou para a evolução.

Até por temperamento, Neymar segue dando as cartas no vestiário e ajuda o companheiro a se soltar ainda mais. Mas o status mudou claramente: Mbappé é a estrela ascendente, com segurança e, principalmente, maturidade para desequilibrar e decidir nos momentos-chave. O brasileiro segue fundamental, mas terá que recuperar terreno em jogos grandes para voltar a ser o protagonista. Justamente o que o motivou a trocar Barcelona por Paris.

Se o sonho é ganhar a Bola de Ouro, Neymar ganhou um “inimigo íntimo”. O desafio é fazer com que essa disputa seja leal, sem prejudicar o rendimento coletivo. Até aqui vem funcionando, com os dois trocando muitos passes e comemorando juntos os gols. E Cavani sem reclamar do papel menor.

Todos parecem saber o lugar em campo e o valor do que entregam. Entenderam a nova “hierarquia”. Méritos também de Tuchel.


Vitória de mata-mata do PSG sobre Liverpool passa pelos zagueiros de Tuchel
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André Rocha

Neymar e Mbappé conseguiram se recuperar para a decisão do Grupo C contra o Liverpool no Parc des Princes. E desde os primeiros minutos ficou claro que a preparação do Paris Saint-Germain pelo treinador Thomas Tuchel foi completa.

Na parte mental com concentração e intensidade máximas, chamando a torcida em vários momentos e até exagerando na fibra e entrega, como no carrinho desnecessário de Di María que derrubou Sadio Mané na área no final do primeiro tempo e a cobrança precisa de Milner deslocando Buffon recolocou os Reds no jogo.

Mas a mesma fibra foi essencial para sustentar a vitória por 2 a 1 na segunda etapa. Com dedicação de todos, inclusive Neymar que na maior parte do tempo voltou pela esquerda, ajudado pela formação mais conservadora de Jurgen Klopp, com Joe Gomez na lateral direita sem descer tanto e o ofensivo Alexander-Arnold no banco de reservas.

Ao recuperar a bola, o craque brasileiro atacava por dentro, se juntando a Mbappé e Cavani. Como no contragolpe rápido do segundo gol, trocando com o jovem atacante francês e completando rebote de Alisson – 31º na Champions, superando Kaká como maior goleador brasileiro no torneio. Mas também abrindo o corredor para Bernat, o lateral ofensivo que abriu o placar em aparição na área inglesa.

Mas a chave tática de Tuchel foi a preocupação mais que compreensível com o trio Salah-Firmino-Mané. Sem marcação individual, mas usando zagueiros para defender a própria meta. Kehrer na lateral direita contra Mané; Marquinhos como volante negando espaços a Firmino e Kimpembe fechando as diagonais de Salah da direita para dentro. Thiago Silva fazia uma espécie de sobra.

Sem riscos de vacilos de laterais ofensivos nas coberturas por dentro e volantes deixando brechas às costas. Muita atenção na execução do 4-4-2 sem bola. Perfeito entendimento de que era o jogo da vida.

Na segunda etapa, Liverpool mais ofensivo voltando ao 4-2-3-1 das últimas partidas pela Premier League com Shaquiri pela direita na vaga de Milner e adiantando Salah como centroavante e recuando Firmino, que depois deu lugar a Sturridge. Ainda Keita substituindo Wijnaldum.

Tuchel respondeu com Daniel Alves, Choupo-Moting e Rabiot nos lugares de Di María, outro a se dedicar voltando muito pela direita, Cavani e Mbappé. Para se reoxigenar e defender melhor. No geral, jogo equilibrado. Liverpool com 53% de posse, 80% de efetividade nos passes. Mas apenas sete finalizações, só o gol no alvo. O PSG concluiu 12, oito na direção da meta de Alisson, mesmo com 77% de acerto nos passes. Mais eficiência, inclusive no jogo aéreo. Também por aumentar a estatura com seus zagueiros na área do oponente.

Vitória fundamental para tentar confirmar a vaga fora de casa contra o Estrela Vermelha na última rodada e deixar para Liverpool x Napoli em Anfield a definição do grupo. O time francês se impôs com maior intensidade no primeiro tempo e a organização defensiva durante os 90 minutos diante de ataque tão poderoso – treinada na manhã da partida, segundo Thiago Silva em entrevista ao Esporte Interativo após a partida.

Méritos inegáveis de Tuchel e seus zagueiros numa vitória típica de mata-mata, mesmo na fase de grupos.

(Estatísticas: UEFA)


Lesões de Mbappé e Neymar podem abalar PSG, mas também futebol de seleções
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André Rocha

Neymar Jr. e Kylian Mbappé. As duas contratações mais caras da história do futebol. 400 milhões de euros despejados no mercado pelo Paris Saint-Germain. Para dar o salto na Europa e buscar o título da Liga dos Campeões.

Primeira temporada com os dois, liderança do grupo com Bayern de Munique, mas duelo contra o Real Madrid logo nas oitavas de final. 3 a 1 em Madri, lesão grave de Neymar e eliminação na volta para o time de Zidane que ganharia o tricampeonato europeu. Títulos na França, mas demissão de Unai Emery.

Plano refeito, vem Thomas Tuchel. Mas de novo o sorteio não ajuda, desde a fase de grupos. Com Napoli, Liverpool e ainda o Estrela Vermelha no Grupo C. Disputa parelha, como esperado. Na penúltima rodada, confronto entre PSG e os Reds no Parc des Princes. Com a equipe francesa em terceiro lugar, um ponto atrás de Napoli e Liverpool, um à frente da Estrela Vermelha. Necessidade absoluta de vitória.

Oito dias antes, amistosos na data FIFA. França, eliminada da Liga das Nações, contra Uruguai. Brasil, com Tite fazendo seis mudanças em relação à partida anterior, diante de Camarões. Partidas com alguma relevância para as seleções dentro do ciclo até 2022. Já para os clubes…

Duas lesões, do brasileiro no adutor, do francês no ombro. De difícil recuperação em prazo tão curto, ao menos em tese. Prováveis ausências das estrelas milionárias. Simplesmente no jogo que pode ser chave em 2018/19. Em caso de eliminação prematura na Champions a temporada perde o sentido na metade. Um prejuízo incalculável, não só financeiro.

Se o pior acontecer, o PSG terá todos os motivos para questionar o futebol de seleções. E certamente ganhará eco de outros clubes bilionários, que há tempos reclamam de expor seus atletas, cada vez mais valiosos, em partidas que fazem pouca diferença no calendário.

Será difícil defender as seleções. Caberá à Conmebol seguir o caminho da UEFA e criar uma competição como a Liga das Nações para dar algum sentido às datas FIFA e usar como “álibi” para não contar com seus jogadores apenas na Copa do Mundo, Eurocopa e Copa América.

Ou torcer para o PSG, mesmo sem Mbappé e Neymar, surpreender o mundo e superar o atual vice-campeão europeu.

 


Firmino desequilibra quando o Liverpool cansava. Mais uma lição para o PSG
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André Rocha

O Liverpool tem uma vantagem essencial sobre o PSG antes mesmo do confronto entre as equipes na abertura da Liga dos Campeões: o time inglês se testa praticamente toda semana na Premier League no mais alto nível de competitividade, enquanto o Paris Saint-Germain muito eventualmente na Ligue 1 se depara com um rival que seja efetivamente um adversário mais complicado.

Na temporada passada, o time francês bateu um Bayern de Munique em crise ainda com Carlo Ancelotti, mas levou o choque de realidade na volta, com o time bávaro já sob o comando de Jupp Heynckes no encerramento da fase de grupos. Para nas oitavas da Champions cair para o campeão Real Madrid. A rigor, três desafios. Na temporada em que conquistou todos os títulos no país.

Mesmo com Roberto Firmino no banco e Sturridge no centro do ataque do 4-3-3 habitual da equipe de Jurgen Klopp, os Reds mostraram quase sempre um volume de jogo bem maior que o adversário no Anfield Road. Muita intensidade e superioridade numérica atacando e defendendo. Pressão logo após a perda da bola com a fúria de sempre.

Os laterais Alexander-Arnold e Robertson atacavam juntos e bem abertos para que os três atacantes ficassem mais próximos uns dos outros e da área adversária. Mais Wijnaldum chegando sempre, já que Klopp optou por Henderson à frente da defesa e deixou Keita no banco.

O PSG de Thomas Tuchel busca exatamente uma maior competitividade. Com um “discípulo” de Klopp e sucessor no Borussia Dortmund. Já melhorou no início da temporada, mas ainda não é o suficiente para encarar o vice-campeão europeu e 100% em cinco rodadas no campeonato inglês.

Justamente pela falta de prática. Questão de hábito. No 4-3-3 isolando muito o trio Mbappé-Cavani-Neymar do resto do time. Com Marquinhos à frente da defesa para evitar os espaços entre retaguarda e meio-campo. Sem sucesso, porém. Até pelo auxílio frágil de Rabiot e Di María.

O Liverpool abriu 2 a 0 com Sturridge em falha de Thiago Silva e no pênalti cobrado por Milner. Mas o PSG voltou para o jogo ainda na primeira etapa “imitando” o adversário ao chegar com muita gente no campo de ataque, inclusive os laterais Bernat, que cruzou, e Meunier, que finalizou diminuindo para 2 a 1.

Segundo tempo de domínio inglês, mas com um velho problema: o desgaste por conta de uma maneira de jogar com o pé fundo no acelerador o tempo todo, porém sem transformar o domínio em larga vantagem no placar. Foram 17 finalizações contra nove, oito a cinco no alvo. Também mais posse de bola, que chegou a bater em 60% e terminou com 52%. Pelo domínio dos rebotes mais que por conta do controle do jogo através dos passes. Mas cedendo espaços e baixando a guarda quando o gás começou a acabar.

Tuchel  colaborou trocando Cavani e Di María por Draxler e Choupo-Moting. Não só por reoxigenar o setor ofensivo, mas principalmente por dar liberdade a Neymar, novamente subaproveitado pela esquerda, e Mbappé sair da direita e assumir o comando do ataque. Com os dois na frente, o gol de empate da joia francesa.

O Liverpool dava sinal de esgotamento. Mas entrou Firmino, dúvida para o jogo depois do acidente no olho contra o Tottenham no fim de semana. Mesmo com a boa atuação de Sturridge, o ataque com o brasileiro ganha outro brilho. Não só pelo entrosamento com Salah e Mané, mas também pela inteligência na movimentação e os recursos técnicos.

Na individualidade, limpou Marquinhos e resolveu o jogo. Um trunfo desequilibrante da equipe que novamente parece mais pronta para chegar longe no maior torneio de clubes do planeta. Ainda mais com o elenco reforçado, equilibrado e sem os elos fracos de outras temporadas.

Os 3 a 2 são mais uma lição para o PSG. Difícil é colocar em prática o aprendizado contra os “sparrings” do seu quintal.

(Estatísticas: UEFA)


Versão “olímpica” de Neymar no novo PSG pode ser boa opção para Tite
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André Rocha

Foto: Christian Hartmann/Reuters

Thomas Tuchel, novo treinador do Paris Saint-Germain sucedendo Unai Emery, é um profissional inquieto e inventivo. Pensa suas equipes voltadas para o ataque, com muita gente chegando à frente e praticamente limitando o trabalho sem a bola à pressão pós perda e defensores rápidos na cobertura. Para seguir ocupando o campo adversário com posse, mas muita agressividade e rapidez na execução das jogadas. Foi assim no Mainz e no Borussia Dortmund.

Não seria diferente no comando do bilionário PSG. De Mbappé, Cavani e Neymar, mas também Di María. As dúvidas quanto à montagem da equipe com todas as estrelas disponíveis começaram a obter respostas nos 3 a 1 sobre o Angers no Parc des Princes. Terceira vitória consecutiva, 100% de aproveitamento na liga francesa.

Sem a bola, o 4-3-1-2, um dos sistemas preferidos do treinador. Com Meunier formando linha de quatro com os zagueiros Thilo Kehrer, Thiago Silva e Kimpembe. Marquinhos como volante, Rabiot pela direita e Di María à esquerda. Na frente, Cavani e Mbappé.

Atacando, uma espécie de 3-4-1-2 com os três zagueiros bem adiantados, Meunier e Di María abertos para esgarçar a marcação adversária, Marquinhos e Rabiot no meio, Cavani e Mbappé com liberdade para trocar o posicionamento, procurar os flancos e infiltrar em diagonal.

E Neymar? Solto. Com total liberdade, como Tuchel havia antecipado quando conversou com o jogador e o convenceu a ficar no clube francês, segundo informou o jornal “Le Parisien”. Para servir Cavani no primeiro gol em jogada pela direita e marcar o terceiro chegando de trás. Como um típico camisa dez. Aparecendo também na esquerda, onde deu uma “lambreta” em forma de passe no final do jogo. Se juntando aos atacantes, mas também fazendo o time jogar.

Novo PSG teve Meunier e Di María bem abertos e Neymar com liberdade total de movimentação. Pela direita serviu Cavani no primeiro gol sobre o Angers (reprodução ESPN)

Impossível não lembrar dos Jogos Olímpicos no Brasil em 2016. Sob o comando de Rogerio Micale, começou pela esquerda, mas depois, com a entrada de Luan na vaga de Felipe Anderson, ganhou liberdade total. Gabigol e Gabriel Jesus pelas pontas infiltrando em diagonal e voltando para colaborar sem a bola e Neymar pensando o jogo, mas também decidindo. Arco e flecha.

Tite insistiu com Neymar pela esquerda. Curioso pensar que para muita gente na época foi o treinador que havia acabado de assumir o cargo da principal que fez a mudança que resultou na medalha de ouro, passando por cima de Micale. Como, se a alteração mais importante quase não foi vista nas eliminatórias e nos amistosos?

Na seleção olímpica, Neymar jogou com liberdade para articular por dentro revezando com Luan. Gabigol e Gabriel Jesus jogavam abertos buscando as diagonais (reprodução TV Globo)

Só na Copa do Mundo, com Neymar voltando de um período de três meses lesionado, que Tite deixou em alguns momentos o seu camisa dez mais solto, adiantado e com autonomia total para se movimentar. Não por acaso, a melhor atuação aconteceu com essa dinâmica, na segunda etapa do jogo contra o México pelas oitavas de final. Marcou o primeiro gol e depois finalizou para Firmino marcar no rebote.

A mudança no clube pode e deve servir de inspiração para Tite neste novo ciclo que visa a Copa de 2022 no Qatar. Com Neymar numa zona de articulação a chance de prender a bola demais, levar pancada e simular faltas é menor. Já a de ser decisivo com gols e assistências cresce exponencialmente.

Não como no engessado esquema de Luiz Felipe Scolari na Copa de 2014, com Oscar e Hulk abertos e Fred na referência, sobrecarregando Neymar, que precisava buscar a bola nos volantes para pensar o jogo ou se adiantar nas ligações diretas para aproveitar alguma “casquinha” do centroavante e acelerar em direção à meta do oponente.

É possível pensar num quarteto leve e móvel, com Douglas Costa e Philippe Coutinho nas pontas, Neymar e Firmino buscando o jogo entre linhas e aparecendo na área adversária para finalizar. Não exatamente como a seleção olímpica ou o Paris Saint-Germain na movimentação do quarteto ofensivo, mas aproveitando o máximo de seu talento maior. Pode ser um bom recomeço para Tite, já nos amistosos contra Estados Unidos e El Salvador.

As primeiras experiências no novo PSG de Tuchel mostram que é um caminho com boas chances de sucesso.

Nos amistosos contra Estados Unidos e El Salvador, Tite pode experimentar um quarteto ofensivo com Douglas Costa e Coutinho abertos e Neymar e Firmino com liberdade para articular, se movimentar e aparecer para concluir (Tactical Pad).

 


Neymar não “mata” centroavantes como Mano Menezes pensa. O problema é outro
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André Rocha

Foto: Antonio Scorza/AFP

Desde quando surgiu em 2009 até agora, Neymar disputou 551 jogos por Santos, Barcelona, Paris Saint-Germain e seleções brasileiras (olímpica e principal). Marcou 337 gols e serviu 180 assistências.

Muitos passes para gols. De André, Zé Love, Fred, Suárez, Messi, Cavani, Mbappé e Gabriel Jesus. Em 2010, seu recorde no Brasil: 20. Em 2016/17, última pelo Barcelona, o maior equilíbrio: 20 gols e 21 assistências, líder neste último quesito entre as principais ligas da Europa.

Logo, fica difícil concordar com Mano Menezes, em sua participação como convidado de Galvão Bueno no programa “Bem Amigos” do SporTV,  quando afirmou que o craque brasileiro “não prepara jogadas para o centroavante, só para ele decidir”. Em resposta a um questionamento sobre a falta de gols de Gabriel Jesus na Copa do Mundo.

Muricy Ramalho, hoje comentarista do canal de esportes, interferiu bem discordando e citando as assistências de Neymar tanto no período em que foi seu jogador no Santos quanto jogando no futebol europeu e na seleção.

Não é este o ponto. Neymar é a estrela e centraliza as jogadas, sim. Também é exímio finalizador e é normal que marque mais gols até que o centroavante. O que prejudica Neymar é o individualismo lá no início do processo. Culpa também de sua formação.

Porque ele é a estrela da companhia desde sempre. Na base foi moldado para decidir, assumir a responsabilidade. “Vai para cima!” é o que ouve desde criança. Por isto escolheu o lado esquerdo do campo para jogar. O flanco é menos congestionado para receber e partir com a bola no seu pé direito para dentro.

Repare no seu comportamento nos gramados do mundo. Recebe a bola e analisa rapidamente se é possível progredir através de dribles. Se está bem cercado pelo adversário, toca para o lado ou para trás e espera. Seu time roda a bola. Se voltar para ele há uma nova tentativa. Caso os caminhos estejam fechados ele desiste de novo.

Até surgir a chance de arrancar em diagonal ou para a ponta depois cortando para dentro quando estiver mais perto da área adversária. Só na zona de decisão é que Neymar resolve se vai passar ou ele mesmo finalizar. Ou seja, o caminho é solitário e individualista, sim. Mas no final ele também pode ser solidário e servir um companheiro.

Onde Neymar erra? Primeiro quando não tem paciência para esperar e tenta abrir a defesa à forceps. Bate no muro e perde a bola ou sofre falta. E exagera na reclamação e nas caras e bocas. Muito esforço para pouco rendimento.

Falta jogo associativo. Tocar a bola, se deslocar, dar opção de passe entre as linhas do adversário. Trabalhar coletivamente na intermediária ofensiva. Ser um elemento importante, mas dentro de um modelo de jogo. O mais próximo que chegou foi no Barcelona que tinha Messi como estrela. Ou no início da “Era Tite” na seleção

No Santos, inclusive com Muricy, com a camisa verde amarela e agora no PSG, a noção de protagonismo que aprendeu cedo: “Toca em mim!” Ele é o ataque. O passe final ou a conclusão. Se Neymar não está no auge físico e técnico fica mais complicado.

Por isso o sacrifício de Gabriel Jesus na Copa do Mundo. Não raro os momentos em que Neymar ficou solto na frente poupando energias. Como no final do trabalho interrompido de Mano Menezes na CBF em 2012 para a volta de Felipão e Parreira. Talvez seja o melhor neste ciclo até 2022 com Tite. Não por “matar” o centroavante, como Mano pensa.

Apenas ganhar jogo coletivo e um talento admirável que define jogadas. Com gols e assistências.

 


Recuperação de Neymar fica cada vez mais distante do “Caso Ronaldo 2002”
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André Rocha

Foto: Ricardo Nogueira/FolhaPress

Quando Neymar fraturou o quinto metatarso do pé direito no dia 25 de fevereiro, muitos no Brasil tentaram ver o aspecto positivo da lesão da maior estrela brasileira: a inatividade no PSG poderia dar uma vantagem física ao atacante na Copa do Mundo, evitando o desgaste da reta final da temporada europeia. Ainda estavam em disputa as oitavas de final da Liga dos Campeões.

Inevitável a lembrança do “Caso Ronaldo 2002”. O craque e artilheiro do penta voou na Copa mais descansado enquanto estrelas como Zidane e Figo chegaram esgotados na Ásia depois da conquista da Champions com o Real Madrid. Mesmo vindo de lesões gravíssimas no joelho em 1999/2000. E outra coincidência: a previsão de três meses de recuperação seria o mesmo período em que o Fenômeno ficou fora dos gramados antes da Copa que o consagrou.

Pois estamos no início de junho e o Brasil fará seu primeiro amistoso já dentro do período de preparação exclusiva para o Mundial na Rússia. Domingo, diante da Croácia em Liverpool. Faltando exatamente duas semanas para a estreia contra a Suíça. E Neymar começará no banco.

O jogador parece tranquilo, sempre sorridente nos treinos. A comissão técnica também traça um planejamento para que ele esteja preparado para a estreia. Mas há uma diferença fundamental que distancia cada vez mais o caso do atual camisa dez da seleção de Ronaldo há 16 anos: o período sem jogar na linha do tempo.

Ronaldo se lesionou em 2000 pela Internazionale. Voltou aos campos em julho de 2001. Até o fim daquele ano disputou 13 jogos. Foi uma lesão na coxa esquerda que tirou de ação o atacante no ano da Copa. Mas voltou no final de março, exatamente num amistoso da seleção contra a Iugoslávia. Luiz Felipe Scolari chamou para testar sua condição.

Tudo Ok, ele seguiu com a preparação e disputou o amistoso contra Portugal em abril que consolidou a ideia de Felipão de reunir Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo na frente e dar liberdade aos alas Cafu e Roberto Carlos em um esquema com três zagueiros. O Fenômeno participou do período de treinamentos e chegou inteiro já para a estreia contra a Turquia.

Já Neymar terá que retomar o ritmo de competição durante a Copa. Depois de três meses sem jogar. Por uma lesão que é considerada “chatinha”. Ou seja, por maior que seja o otimismo, a rigor, é uma incógnita. Impossível prever como retornará a grande referência técnica do grupo convocado por Tite.

Junte a isso a lesão de Douglas Costa, o eventual substituto dentro da ideia de ter Philippe Coutinho por dentro na linha de meias do 4-1-4-1 contra seleções mais fechadas, e temos uma preparação um tanto prejudicada para encarar o mais desafio brasileiro: furar linha de cinco defensores. Algo que objetivamente não vimos contra a Rússia, a ponto do adversário, em casa, se arriscar na frente e ceder os espaços que o Brasil aproveitou para fazer 3 a 0.

A vantagem é que, ao contrário de 2002, o modelo de jogo foi consolidado nas Eliminatórias e a dependência de Neymar não é a mesma dos tempos de Felipão em 2014 e de Dunga nos dois primeiros anos do ciclo até a Rússia. É possível até pensar em um Neymar no ritmo e pronto na última partida da fase de grupos. E voando a partir das oitavas, aí sim com vantagem física sobre Messi, Cristiano Ronaldo, Griezmann, Toni Kroos, Isco…

Não deixa, porém, de ser um grande ponto de interrogação até lá. Assim como Ronaldo em 2002. Que ao menos o final desta história seja o mesmo.


Seis lições que o Real Madrid deixa para as seleções da Copa do Mundo
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André Rocha

Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters

Sergio Ramos à parte – ou aproveitando apenas o melhor de um dos grandes zagueiros do futebol mundial -, o Real Madrid impõe com o tricampeonato e os quatro títulos nas últimas cinco edições uma supremacia única na Era Champions League do maior torneio de clubes do mundo. Tempos em que clubes são maiores que as seleções, ainda que a Copa do Mundo siga imbatível no tamanho e na repercussão, até por acontecer com menos frequência.

O time de Zinedine Zidane ganhou três Ligas dos Campeões e apenas uma liga espanhola. É de mata-mata. Ou só de “mata”, como provou nas finais que venceu. Como será para as seleções no Mundial da Rússia a partir das oitavas de final. Por isto o blog destaca seis lições que esta equipe deixa para os países envolvidos, especialmente o grupo de favoritos:

1 – Todo pecado será castigado

Errar contra o Real costuma ser letal. Até rimou. Mas tem sido assim. É um time que não perdoa vacilos. PSG, Juventus, Bayern de Munique e Liverpool. Todos tiveram períodos de domínio ou de equilíbrio e sucumbiram em falhas, individuais ou coletivas. Assim também nas outras duas conquistas. Já os equívocos dos merengues não foram aproveitados com a mesma competência. Em 180 minutos, imagine em, no máximo, 120 a importância de minimizar erros. A precisão, como sempre, será fundamental.

2 – A força da mente

O gigante de Madri se alimenta de confiança que proporciona conquistas que aumentam a força mental. Para sair de situações complicadas e também atropelar quando o oponente baixa a guarda. Tantas vezes a desorganização dos setores em campo foi compensada com uma autoridade que intimida. Até os árbitros, diga-se. Mas não deixa de ser um mérito. Tantas vitórias transmitem a certeza de que no fim tudo terminará bem e joga a insegurança natural em um jogo grande para o outro lado.

3 – O talento é fundamental

Zidane foi um dos maiores jogadores da história do esporte. Tinha um talento especial que quando foi potencializado pelo coletivo produziu maravilhas nos gramados do planeta. Como treinador manteve esta convicção e explora o melhor de seus atletas. Porque uma bicicleta de Cristiano Ronaldo, um voleio de Bale, uma assistência de Kroos e um drible de Marcelo podem desmoronar qualquer modelo de jogo. Ainda que nenhum país consiga reunir craques como os clubes bilionários, quem tem qualidade deve explorá-la muito bem.

4 – A melhor notícia é não ter novidades

Os mesmos onze titulares em duas finais de Liga dos Campeões. Só o Real Madrid conseguiu. E a base mudou bem pouco desde 2014. O entrosamento também foi um trunfo. Para jogar ao natural, “de memória”. No universo de seleções é ainda mais importante, pela impossibilidade do trabalho diário ao longo das temporadas. Não por acaso, Espanha e Alemanha venceram os últimos mundiais usando Barcelona e Bayern de Munique como bases. A renovação é inevitável, mas quanto menos mexer durante a Copa, melhor.

5 – Fase de grupos não diz muita coisa

Nas últimas duas conquistas, o Real não terminou na liderança do seu grupo na primeira etapa do torneio continental. Ficou atrás do Borussia Dortmund em 2016 e do Tottenham no ano passado. Ainda que a Copa não tenha a pausa de dois meses, nem sorteio de confrontos, a lógica segue a mesma: jogos eliminatórios são de outra natureza, envolvem outras valências e a tradição costuma contar muito. No universo das seleções, com seu grupo seleto de campeões mundiais, mais ainda. Fase de grupos é para se classificar.

6 – Serenidade e simplicidade no comando

Se há algo para Pep Guardiola, sempre pilhado demais na Champions, e outros treinadores pelo mundo devem aprender com Zidane é que num ambiente que já carrega pressão descomunal por envolver paixão e muito dinheiro, quanto mais calma o comando passar, melhor. E mesmo quando promove variações táticas ou na proposta de jogo, o treinador merengue faz com simplicidade, para que os atletas entendam e executem. Sem chamar para si os holofotes. Até porque não há revolução a ser feita numa Copa do Mundo. É jogar com calma e atenção nos detalhes.


PSG vive em março um fim de festa. Tem que rever projeto, com ou sem Neymar
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André Rocha

O Paris Saint-Germain goleou o lanterna Metz por 5 a 0 no primeiro jogo de “luto” após a eliminação da Liga dos Campeões. Mantém os 14 pontos de vantagem sobre o Monaco na liderança da Ligue 1. É favorito também na Copa da França e na Copa da Liga.

Mas e daí? O foco era a Champions. A obsessão. Ainda que o título francês marque a recuperação da hegemonia nacional, o clima já é de decepção, fim de temporada. Muitas especulações de saídas. Sobre Neymar esfriaram um pouco por conta da lesão. Já Unai Emery está mesmo se despedindo do clube. A rigor, nem devia ter permanecido depois de sequer vencer a liga na temporada passada, sem contar a tragédia contra o Barcelona.

A tendência é que o clube defina o novo treinador e consulte o comandante sobre reformulação ou não do elenco. Mas tudo isso já em março?

PSG precisa refazer seu projeto. Palavra banalizada no Brasil pelo nosso amadorismo de todo dia, mas que deve ser levada muito a sério por quem despeja milhões de euros em um clube de futebol. A meta principal, inevitavelmente, será a conquista do principal torneio de clubes do planeta.

Mas os valores podem ser revistos. Não só os financeiros. Unir individualidades em torno do coletivo. Transformar a evolução da equipe com conteúdo tático como a alavanca para manter o foco. Sair um pouco dos resultados, concentrar mais no jogo.

Assim a construção das vitórias na liga seria mais tranquila e a campanha na Champions encarada de forma natural, parte do processo. Sem aumentar a pressão que já é enorme.

Olhando para o desempenho, além da fragilidade mental que é nítida, uma deficiência salta aos olhos: como o PSG defende mal pelos flancos! Até contra o fraquíssimo Metz no Parc des Princes levou alguns sustos nas costas de Berchiche pela esquerda. Muito pela indolência de quem joga na frente. Seja a estrela Neymar ou Nkunku, o garoto em busca de espaço que marcou dois gols.

Se priorizar o trabalho tático, a disparidade abissal entre as equipes francesas continuaria sendo relativizada, mas o acerto nos movimentos defensivos seria um parâmetro mais seguro que a fragilidade dos ataques adversários. Nesta temporada, o PSG venceu várias partidas marcando “com os olhos” e quando chegou na competição continental, especialmente contra o Bayern em Munique e nos confrontos com o Real Madrid, a verdade veio inexorável. Até cruel.

É hora do dinheiro formar um time na acepção da palavra. Começando pelo treinador. Se este que escreve assinasse o cheque iria atrás de Jurgen Klopp. Não só pela competência, mas pelo carisma para agregar e dar fogo e intensidade ao que parece tão morno.

Acima de tudo, fazendo o coletivo potencializar o talento. Com ou sem Neymar. Ou qualquer outra estrela. É urgente.

 

 


A aula de 4-4-2 e de maturidade do Real Madrid em Paris
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André Rocha

No Brasil é costume justificar a ineficiência de um time pela falta do “camisa dez”. Essa entidade capaz de resolver qualquer problema de criatividade em qualquer equipe.

Pois o Real construiu a virada sobre o PSG por 3 a 1 em Madri e consolidou sua classificação para as quartas de final da Liga dos Campeões com outra vitória no Parc des Princes atuando num típico 4-4-2.

Dois volantes: Casemiro e Kovacic. Mais Lucas Vázquez e Asensio pelos flancos, deixando Benzema e Cristiano Ronaldo na frente. Execução exemplar das linhas de quatro, com setores próximos, pressão no adversário com a bola, estreitando a marcação para fechar as opções de passe.

Com a bola. saída rápida e movimentação para não deixar o time engessado. No primeiro gol, Asensio interceptou passe de Daniel Alves, acionou Vázquez, que colocou na cabeça de Cristiano Ronaldo. O terceiro gol do português no confronto. Mais uma vez decisivo num mata-mata de Champions. O 12º do artilheiro do torneio. Desta edição e de todos os tempos.

Símbolo da maturidade de um time vencedor. Histórico. Simples, inteligente e decisivo na tomada de decisão. Como funcionou o coletivo do bicampeão europeu. Já favorito ao tri pelo que representa.

Tudo que o PSG não teve. Ainda não tem. Talvez não tivesse com Neymar em campo. A expulsão de Verratti é símbolo do desequilíbrio emocional, da desistência da luta. Do apequenamento. Nem precisou sofrer um gol para silenciar o estádio. A postura do adversário já murchou a torcida, que só ensaiou uma reação no gol de joelho do Cavani que empatou o jogo. Não foi suficiente. Coisas que o dinheiro não compra.

Mas contratar um treinador melhor que Unai Emery para manejar um elenco milionário será um bom início de planejamento para a próxima temporada. Escalações questionáveis, substituições indecifráveis. No episódio das cobranças de pênalti que criou o imbróglio Neymar x Cavani, a nítida falta de autoridade. O vestiário ficou maior que o homem  que devia liderá-lo.

O Real tem Zidane. Com as hesitações normais de um novato no ofício, mas com moral absurda pelo que jogou e representa para o clube. Sua serenidade reflete em campo nas partidas decisivas. Mas neste duelo a mão de estrategista ficou clara. Especialmente por fazer o time voar pela esquerda para construir a virada.

Mas o golpe final saiu pela direita. Passe de Cristiano Ronaldo, centro de Vázquez e, na sobra, o chute de Casemiro que desviou em Marquinho e saiu de Areola. O Real controlou o jogo e mereceu sair de Paris com uma vitória emblemática. Uma aula tática e de maturidade. Do gigante nesta disputa.