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Apesar de Paquetá, Flamengo adia título do Palmeiras e complica Sport
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André Rocha

O Palmeiras decepcionou ao empatar com o lanterna Paraná, sim. Atuação fraquíssima, mesmo com a atenuante da forte chuva. Mas objetivamente pontuou fora e aumentou a invencibilidade para 20 partidas. Com a derrota do Internacional para o Botafogo no Nílton Santos ainda manteve os cinco pontos de vantagem na liderança.

O ponto fora da curva foi a vitória do Flamengo na Ilha do Retiro sobre o Sport que evoluía em desempenho e resultados com Milton Mendes no comando técnico e vinha de cinco rodadas de invencibilidade.

Mudanças forçadas nos dois lados, cenário mais complicado para Dorival Júnior sem Rodinei e Pará na lateral direita, Diego, Uribe e ainda Everton Ribeiro, desgastado, no banco de reservas. Léo Duarte foi improvisado como lateral e Rhodolfo entrou na zaga. Milton Mendes também deslocou um zagueiro: Ernando na lateral esquerda.

Primeiro tempo de equilíbrio e o Flamengo, mesmo com 40% de posse de bola, uma raridade na competição, finalizou cinco vezes e teve boa oportunidade com Vitinho, completando jogada de Paquetá e Renê pela esquerda. O Sport também incomodava mais com Mateus Gonçalves para cima de Léo Duarte. O time carioca agredia pouco do lado oposto, mais com Willian Arão que nas jogadas de Geuvânio, novamente errando muito tecnicamente.

Disputa parelha na segunda etapa até a tola expulsão de Paquetá. Por mais que Dorival defenda seu jovem atleta e o camisa onze até tenha participado bem de alguns ataques, a dispersão do meia depois da negociação com o Milan é nítida. A cabeça não está mais na disputa do Brasileiro. A desconcentração permite faltas bobas como a que cometeu sobre Ernando. Ainda na intermediária do Sport, sem nenhum perigo de contragolpe. Já com cartão amarelo.

Atrapalhou ainda mais porque Dorival preparava as entradas de Berrío e Everton Ribeiro. Mesmo surpreendido, o treinador sacou Geuvânio e Henrique Dourado. No 4-4-1 alternando os dois substitutos no centro do ataque, o Fla cresceu porque ganhou espaços para acelerar as transições ofensivas. O Sport se lançou à frente naturalmente com a vantagem numérica e pela necessidade de três pontos para se afastar do Z-4.

O Flamengo “arame liso” pareceu dar as caras em Recife quando Berrío cabeceou na trave completamente livre. Até que surgiu o heroi improvável: Willian Arão. O volante que costuma fraquejar mentalmente quando o jogo fica mais duro e não tem o jogo aéreo como ponto forte aproveitou cobrança de escanteio de Vitinho para desviar de cabeça na primeira trave e definir o jogo.

Os minutos finais foram de Piris da Motta no lugar de Vitinho e o abafa descoordenado do Sport com Fellipe Bastos, Marlone e Matheus Peixoto, que ridiculamente tentou cavar pênalti em disputa com o goleiro César desperdiçando mais um ataque. Muitos cruzamentos, pouca eficiência. O rubro-negro pernambucano deve lutar até o fim para se manter na Série A.

O Fla ganhou uma rodada. Agora vai seguir na busca que só não é impossível por ser futebol. Jogo duro contra o Grêmio no Maracanã e o Palmeiras em casa encarando o América, que venceu o Santos e pode até dar trabalho. Mas o fato é que o campeonato pode acabar na quarta-feira – se o Internacional também não vencer em casa o Atlético-MG.

A boa notícia para o Fla é que Lucas Paquetá está suspenso. Sério desfalque em outros tempos, agora pode fazer o time render mais e tentar virar a lógica do avesso no Brasileirão. O mundo gira como a bola. Mas não deve mudar o campeão de 2018.

(Estatísticas: Footstats)


O que mudou no meio-campo do Flamengo com Willian Arão na vaga de Diego
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André Rocha

Foto: André Durão/Globoesporte.com

O Flamengo não conseguiu a vitória que contava para encostar de vez no Palmeiras e brigar pelo título brasileiro. Mas o Maracanã viu o time comandado por Dorival Júnior mais organizado, concentrado e intenso. Não se abateu com o gol de Dudu e podia ter virado na bola que Lucas Paquetá mandou na lua.

O crescimento passa inegavelmente pelo “fato novo”da mudança do comando, o olhar de alguém de fora que efetuou algumas correções na dinâmica de jogo – ainda que os rubro-negros tenham novamente exagerado nos cruzamentos e sofrido para ir às redes, mesmo finalizando muito, em um jogo grande. O desgaste também vem sendo menor com a dedicação exclusiva à principal competição nacional.

Mas um detalhe tático também ajuda a explicar a evolução coletiva. Dorival desfez o 4-1-4-1 com a ausência de Diego por lesão nas primeiras partidas e voltou ao 4-2-3-1 com a entrada de Willian Arão e o avanço de Paquetá, mais próximo de Uribe, centroavante que ganhou a vaga no ataque com o novo treinador.

Arão é um volante de chegada à frente. Um tanto disperso na marcação, com deficiências no jogo aéreo ofensivo e defensivo e que oscila muito na parte mental. Mas oferece ao time um passe mais vertical e, principalmente, sua capacidade de infiltração. Tanto por dentro quanto pela direita. Quando o canhoto Everton Ribeiro corta da direita para dentro, muitas vezes é Arão quem ataca o espaço às costas do lateral do oponente e chega ao fundo. Até porque Pará não tem a mesma velocidade e vigor que Rodinei nas ultrapassagens, embora defenda melhor.

Flagrante de Willian Arão recebendo de Everton Ribeiro e infiltrando às costas do lateral adversário. Pará dá o apoio por dentro. (Reprodução Premier)

Com isso as funções ficam mais definidas no meio-campo e mantém Paquetá avançado, sem correr pelo campo todo como nos tempos em que dividia a articulação com Diego. Fica mais focado, menos “peladeiro”. Defensivamente, Arão vem cobrindo os momentos em que Cuéllar sai à caça na intermediária do adversário. Antes se o colombiano não conseguisse o desarme ou cometesse a falha a última linha de defesa ficava totalmente exposta.

A principal mudança, porém, foi na circulação de bola ficou mais rápida, já que Arão sabe jogar tocando de primeira, enquanto Diego normalmente precisa dominar, girar, dar mais um toque e só então soltar a bola, o que atrasa muitos ataques.

Contra o Palmeiras, o time empatou com Diego na vaga de Arão. Até por necessidade. Mas a diferença foi Marlos Moreno, veloz e objetivo na vaga do lesionado Vitinho. A tendência é Dorival manter a estrutura inicial para a sequência da competição, começando pelo duelo contra o São Paulo no Morumbi.

Willian Arão não é craque, nem solução para um time que briga por grandes conquistas. Mas dentro de um elenco caro, porém desequilibrado, vai dando encaixe na maneira de jogar com Dorival Júnior. O tão sonhado título para encerrar a Era Bandeira de Mello ficou bem mais longe, mas é possível sonhar com o milagre nas últimas sete rodadas. Ou ao menos a vaga direta na fase de grupos da Libertadores 2019.

No 4-2-3-1 armado por Dorival Júnior, Willian Arão é o volante que infiltra se juntando ao quarteto ofensivo, mas também volta para colaborar com Cuéllar (Tactical Pad).


Flamengo de Dorival faz mais gols com menos cruzamentos e finalizações
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André Rocha

Desde o início do Fla-Flu no Maracanã estava claro que o lado forte ofensivamente do time rubro-negro seria o esquerdo, com Renê, Lucas Paquetá e Vitinho para cima de Mateus Norton, volante tricolor improvisado na direita substituindo o suspenso Léo, titular depois da lesão de Gilberto.

Marcelo Oliveira tentou compensar abrindo Marcos Júnior no setor para auxiliar e Ibañez na cobertura. Um 3-4-2-1 que até começou bem, com finalização de longe de Luciano, aproveitando falha de Rever que proporcionou o contragolpe.

Mas depois o time de Dorival Júnior dominou inteiramente o primeiro tempo. Posse de bola, volume de jogo e intensidade na marcação em contraste com a postura passiva do rival. Criou chances, teve posse girando em torno de 60% – terminou os primeiros 45 minutos com 58%.

Finalizou 11 vezes, quatro no alvo. Mas gols apenas nas jogadas aéreas. Duas assistências de Vitinho, novamente um dos destaques. A primeira na jogada característica, cortando para dentro e levantando com efeito. Para Uribe desviar, a bola bater no zagueiro Digão e sair do alcance de Julio César. Depois a cobrança de escanteio pela direita que passou por Réver e encontrou Léo Duarte.

Dez cruzamentos, sete corretos. No total foram 21, nova certos. Menos que a média total de 24 e quase o dobro dos cinco que encontram os companheiros. Melhora também na relação finalização/gol: 15 nos 90 minutos, seis no alvo. Três gols. Uma a cada cinco. Contra o Corinthians, também três gols em 12. Quatro conclusões para ir às redes.

Eficiência que Uribe enfim demonstrou com a camisa do Fla: três finalizações, todas na direção da meta de Julio César, duas nas redes. A última um tanto atabalhoada, mas aproveitando de novo um ataque pela esquerda. Mesmo com Marcelo Oliveira trocando no intervalo Mateus Norton por Danielzinho, deslocando Jadson para a ala direita.

Depois os rubro-negros controlaram o jogo, ganharam velocidade nos contragolpes com a entrada de Berrío na vaga de Everton Ribeiro. Rever, contundido, já havia saído para a entrada de Rhodolfo e Dorival trocou Uribe por Rômulo para reforçar a marcação no meio.

Também para dar um refresco para Willian Arão, que levou cartão amarelo por falta dura em Ayrton Lucas e flertou com o vermelho na segunda etapa. O volante até apareceu como opção pela direita e por dentro em alguns momentos, entrando no espaço certo, mas errou demais nas finalizações.

Destoou na boa atuação coletiva do Fla. Mostrando evolução além do “fato novo” na mudança de treinador. Até aqui, a melhora no desempenho é reflexo também do tempo maior para treinamentos. Os cruzamentos não são a esmo, as finalizações não são tão truncadas. Há mais fluência nas ações ofensivas.

Dorival vai corrigindo deficiências, dando confiança a jogadores desacreditados. Fazendo o Flamengo sonhar com uma arrancada na reta final do Brasileiro.

(Estatísticas: Footstats)

 


Vitória do Flamengo para encostar nos líderes e afirmar Paquetá no ataque
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André Rocha

O destaque do Flamengo na vitória por 2 a 1 sobre o Atlético Mineiro no Maracanã foi Miguel Trauco. O lateral peruano aproveitou bem a oportunidade que ganhou de Maurício Barbieri, deixando Renê no banco, com duas assistências. No primeiro tempo com direito a caneta em Emerson Leite e passe para finalização precisa de Willian Arão. Depois a bola na cabeça de Lucas Paquetá que resolveu a partida.

Triunfo importante na 26ª rodada, com empates de São Paulo e Internacional. Com time alterado pelas ausências de Rodinei e Diego, mas encontrando soluções, inclusive pensando no duelo decisivo com o Corinthians em São Paulo pela semifinal da Copa do Brasil.

Barbieri pode e deve pensar em Paquetá no ataque, como centroavante. Assim ganhou as primeiras oportunidades consistentes nos tempos de Reinaldo Rueda no comando técnico. Finaliza bem, protege com técnica e inteligência e sua capacidade de reter a bola é mais útil na frente que entre as intermediárias. Foi bem como o meia central do 4-2-3-1 na falta de Diego, mas pode ser decisivo mais adiantado.

Já que Dourado, Uribe e o jovem Lincoln não conseguem se afirmar, é possível vislumbrar uma formação com a volta de Diego e Arão ou Piris da Motta, que não está inscrito na Copa do Brasil, no meio-campo. Ou trazer Everton Ribeiro para dentro e abrir Berrío ou Marlos Moreno pela direita. Vitinho é que parece ter perdido espaço ao errar tudo que tentou e ser substituído por Marlos, mesmo entrando na vaga de Matheus Sávio no intervalo.

O Flamengo ainda faz muita força para jogar e sofreu demais no jogo aéreo defensivo: além do gol de empate de Leonardo Silva ainda no primeiro tempo, em falha de Arão, a bola no travessão no último ataque do Galo. Teve 53% de posse, oito finalizações. Duas no alvo, os gols. Duas a menos que o time mineiro. O Atlético cresceu com Cazares no meio-campo e voltando ao 4-1-4-1. Faltou, porém, mais efetividade no ataque. Com a derrota deve lutar mesmo pela vaga no G-6.

Já o Fla define sua vida na semana. Se chegar à final da Copa do Brasil deve priorizar naturalmente o torneio e perder força na reta final do Brasileiro. Mas se ficar com apenas a competição por pontos corridos é possível tentar um “sprint” final. Com Paquetá na frente as chances aumentam.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo ainda mais líder e seguro até para abrigar os “renegados”
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André Rocha

Aos 19 minutos do segundo tempo, com 1 a 0 no placar e o Paraná de Rogerio Micale saindo mais para o ataque e rondando a área do Flamengo, Mauricio Barbieri colocou em campo Willian Arão no lugar de Jean Lucas. O jovem da base cumpriu boa atuação por dentro da linha de meias do 4-1-4-1 rubro-negro, embora não seja reposição para o talento de Lucas Paquetá na articulação.

Uma substituição controversa pela qual a torcida demonstrou contrariedade, ainda que um tanto contida pelo placar favorável e a ótima fase do time. Para compensar, a saudada entrada de Filipe Vizeu no lugar de Henrique Dourado – lutador mais uma vez, porém novamente destoando dos companheiros no desempenho.

Mas o líder do campeonato vive fase de tanta confiança e segurança que até os “renegados” são abrigados e respondem com boas jogadas. Como a infiltração de Arão, lembrando os tempos de Botafogo e até os melhores no próprio Fla, para servir Vizeu em sua despedida do Maracanã antes de partir para a Udinese. Segundo gol e jogo resolvido aos 20 minutos. Seis minutos depois, Diego saiu para a entrada de Marlos Moreno, outro que tem seu desempenho muito questionado. Mas quem se importou?

O Paraná baixou a guarda e o Fla, basicamente, jogou para que Vinícius Júnior fosse às redes no seu provável último jogo no Maracanã com a camisa do clube que o revelou e rendeu uma negociação com o Real Madrid. Mas o jovem parecia ansioso, emocionado. E não rendeu. Perdeu uma chance clara ao demorar a finalizar e só apareceu no final, em belo passe por elevação para o voleio de Everton Ribeiro que o goleiro Thiago Rodrigues salvou.

A última das nove finalizações do Fla, quatro no alvo. Contra sete do Paraná, mas nenhuma na direção da meta de Diego Alves. Muito por mais uma atuação correta do sistema defensivo rubro-negro. Com a última linha bem posicionada, mesmo com as constantes mudanças no miolo da zaga, e muita concentração de todos para pressionar logo após a perda da bola. Além disso, jogadores como Cuéllar e Renê têm sido precisos em desarmes e na tarefa de cercar o adversário e impedir o contragolpe rápido.

Um time bem distribuído em campo e que sabe o que fazer. Mesmo sem tanta criatividade, soube rodar a bola com paciência – teve 62%  de posse no primeiro tempo e terminou com 57%. Diego desta vez não foi tão objetivo na armação. Outro a sentir falta de Paquetá. Compensou com luta e sofrendo e cobrando a falta que desviou na barreira e saiu do alcance do goleiro. Para descomplicar o jogo.

Em outros tempos poderia ser uma partida perigosa pelo “oba oba” ou por uma certa acomodação pela boa vantagem na liderança, agora de seis pontos sobre Atlético-MG e São Paulo. Mas o Flamengo de Barbieri vem jogando com seriedade e consistência. Na última rodada antes da parada para a Copa do Mundo, um teste importante para confirmar a força coletiva contra o Palmeiras em São Paulo.

Ainda que em julho comece outro campeonato. Por isso a importância para o Fla de tentar até aumentar a vantagem para administrá-la especialmente no decisivo mês de agosto, com jogos seguidos contra Cruzeiro e Grêmio, incluindo Copa do Brasil e Libertadores. Sem Vizeu e, provavelmente, Vinicius Júnior. E o time de melhor campanha no Brasileiro ainda pode ser alvo de mais assédio durante o Mundial – quem sabe o futuro de Paquetá?

Como será o amanhã do Flamengo? Se é impossível prever o futuro, a torcida curte a fase iluminada, na qual até Willian Arão ressurge para ser decisivo.

(Estatísticas: Footstats)


Que relação complicada entre Flamengo e Libertadores nos últimos tempos!
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André Rocha

Cuéllar é expulso na premiação da decisão da Sul-Americana. Clube é punido pela selvageria de parte da torcida no Maracanã e tem que estrear na Libertadores no Nílton Santos com portões fechados. Arbitragem complicada, com pênalti claro não marcado a favor no primeiro tempo e sofrendo gol logo depois de abrir o placar com o adversário claramente impedido.

Para piorar, o treinador Paulo César Carpegiani foi infeliz na última substituição, trocando Everton por Willian Arão. O time perdeu velocidade nos contragolpes e não ganhou solidez na proteção da defesa. E Vinícius Júnior estava no banco…

Que relação complicada entre Flamengo e Libertadores nos últimos tempos! Desde a noite de Cabañas e Joel Santana em 2008, a eliminação para o Emelec em 2012 com os jogadores à beira do campo esperando o apito final. No ano passado a combinação da derrota no final para o San Lorenzo e a vitória do Atlético-PR sobre a Universidad Católica e agora um grupo complicadíssimo com River, Santa Fé e Emelec. Tudo parece conspirar contra.

Ainda que a atuação coletiva tenha ficado bem longe do satisfatório. A equipe estava nitidamente insegura na estreia em uma competição tratada como prioridade contra um adversário tradicional. Pouca pressão no oponente com a bola e muita lentidão na circulação da bola na saída para o ataque. Desde a defesa com Rever, Juan e Jonas, o substituto de Cuéllar.

Carpegiani optou por Pará na lateral direita, muito provavelmente pela preocupação com De La Cruz, o meia aberto pela esquerda no 4-1-4-1 armado por Marcelo Gallardo, mesmo sistema do time brasileiro. Com isso a equipe rubro-negra só conseguia dar profundidade às ações ofensivas com Everton e Paquetá pela esquerda. À direita faltava a ultrapassagem do lateral no espaço deixado pelas trocas entre Everton Ribeiro e Diego.

No centro do ataque, Dourado tentava descomplicar tocando simples e de primeira, mas sem acrescentar muito. Do lado argentino, Lucas Pratto, mesmo demonstrando desentrosamento, fazia um trabalho de pivô mais eficiente e inteligente.

Mesmo em má fase, o River mostrava mais personalidade e um plano de jogo claro. Faltava a fluência nas jogadas. Por isso um primeiro tempo fraco, com muitas faltas – 22, 14 cometidas pelo River e 8 pelo Fla. Só quatro finalizações do mandante e duas do time argentino – dois a um no alvo. Mas não teve a chance clara. Só o pênalti no toque no braço de Zuculini na disputa com Rever que o fraquíssimo árbitro peruano Michael Espinoza ignorou.

Gols na segunda etapa. No pênalti de Ponzio em Diego, Henrique Dourado manteve sua incrível precisão na cobrança. Na saída de bola, falta pela esquerda para o River e Mora aproveitou, impedido, para empatar. Na inversão de lado dos meias, Paquetá pela direita achou Everton e o meia novamente compensou com gol uma atuação com muitos erros nas tomadas de decisão.

Jonas saiu lesionado e entrou Rômulo, que, ao contrário do Fla-Flu, não comprometeu. Mas o Fla exagerou no recuo para administrar a vantagem e a troca de Everton por Arão foi trágica. O volante estava mal posicionado e Camilo Mayada chutou forte, mas de longe. Diego Alves aceitou. Décima segunda finalização do River contra dez do mandante, que teve 58% de posse e nem cruzou tanto desta vez, apenas 18.

Empate que soa cruel para o Fla pelos erros de arbitragem. Mas o time não se ajuda. Agora, para não repetir 2017 terá que pontuar fora do Rio de Janeiro. Incrível como tudo parece mais difícil no principal torneio da América do Sul.

(Estatísticas: Footstats)


No Fla-Flu insano e continental, segue o mais forte nos clássicos cariocas
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André Rocha

O Fluminense se impôs no início com uma mudança tática que confundiu a marcação do rival: Marcos Júnior formando dupla de ataque com Henrique Dourado num 4-3-1-2 com Gustavo Scarpa centralizado. Por isso Trauco largou o seu setor para disputar com o meia tricolor e Lucas apareceu livre para abrir o placar.

Diego cumpriu sua melhor atuação com a camisa do Flamengo. Nem tanto pelo belo gol de falta que empatou o jogo pela primeira vez, mas pela movimentação mais inteligente, alguns toques de primeiro. Principalmente pela intensidade que colocou em cada lance.

Conduziu um time aguerrido como só se vê em clássicos estaduais. Principalmente os de caráter decisivo. Ainda mais em uma competição internacional. Mesmo quando Renato Chaves aproveitou vacilos de Filipe Vizeu e Willian Arão, um em cada tempo, para construir em cabeçadas uma vantagem de 3 a 1 difícil para um time que é pouco contundente – ou “arame liso” – e sem grande poder de reação (“pecho frio”) conseguir reverter.

Mas não num Fla-Flu. Assim foi na final da Taça Guanabara, perdida nos pênaltis muito pelo “fator Muralha”. De novo um 3 a 3. Outro jogo doido, um tanto aleatório. Reação que começou a ser gestada na entrada de Vinicius Júnior na vaga de Trauco. Everton foi para a lateral esquerda e a joia que fez o Real Madrid encher os cofres rubro-negros iniciou pela esquerda a jogada do gol de Vizeu, com bela assistência de calcanhar de Everton Ribeiro.

O suficiente para preocupar a empolgada torcida tricolor e reanimar a do Fla no Maracanã. Reinaldo Rueda colocou Paquetá na vaga de Cuéllar, que desta vez não foi bem. Vinicius Júnior foi para a ponta direita, Everton Ribeiro centralizou se juntando a Diego, Arão ficou na proteção à defesa que tinha Rafael Vaz no lugar de Juan, lesionado, e Paquetá se posicionou pela esquerda, mas abrindo todo o corredor para Everton. Nada muito organizado, mas com uma fibra que contagiou os torcedores.

Até a redenção de Arão. Um jogador que muitas vezes peca por dispersão e baixa intensidade, mas com presença de área importante para decretar os 3 a 3 que o Flu de Abel Braga não teve forças para mudar a história de mais uma eliminação em competições sul-americanas. Elenco jovem e limitado. Com Romarinho, Wendel e Pedro nas vagas de Marcos Júnior, Sornoza e Douglas, só restou a luta.

Pouco diante da experiência dos rubro-negros, que ganharam o tempo que puderam, especialmente Diego Alves. No último lance, Diego deixou de consagrar sua boa atuação completando em cima do xará Cavalieri bela assistência de Vinicius Júnior. O personagem a incendiar e mudar o Fla-Flu.

Que o Flamengo aprenda a repetir em duelos interestaduais no Brasileiro e internacionais na Sul-Americana, a partir da semifinal diante do Junior Barranquilla, a coragem, a entrega e a força mental que apresentou no clássico estadual. Deixar para trás de vez esse provincianismo de fazer questão de se impor apenas contra os rivais locais. Campeão carioca invicto, sem perder com os titulares em todas as competições, eliminando o Botafogo na semifinal da Copa do Brasil.

Algo que faz parte da cultura do futebol e que carrega o seu prazer e orgulho. Mas é pouco para o tamanho do investimento do clube e da paixão de sua gente.


A melhor atuação do Flamengo com Rueda, mas Chapecoense não é parâmetro
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André Rocha

Reinaldo Rueda manteve Trauco e Everton Ribeiro fazendo a dupla pela esquerda no 4-2-3-1 habitual do Flamengo, depois da boa atuação na vitória por 2 a 0 sobre o Sport pelo Brasileiro. Também pelas ausências de René e Everton, mais a insegurança de Rodinei no trabalho defensivo pela direita.

Com o meia mais criativo pela esquerda e Berrío do lado oposto o quarteto ofensivo deu liga porque a movimentação do camisa sete para dentro procurando Diego na articulação abre espaço para o apoio do lateral e o deslocamento de Guerrero por ali, buscando a diagonal ou permitindo infiltrações de Diego, Willian Arão ou mesmo Cuéllar pelo centro.

Os volantes marcaram os dois primeiros gols no triunfo por 4 a 0 que valeu a classificação para as quartas-de-final da Copa Sul-Americana. Porque a Chapecoense era compacta no 4-1-4-1,  mas os meio-campistas não pressionavam os adversários e a última linha defensiva ficava exposta e, pior, mal posicionada, permitindo as infiltrações em diagonal.

Ofensivamente só incomodava com o equatoriano Penilla, inicialmente pela esquerda e depois procurando o lado direito. Aproximar Arthur Caike de Wellington Paulista não funcionou e deixou ainda mais espaços entre as intermediárias.

Por isso o Fla sobrou na Arena da Ilha na melhor atuação coletiva sob o comando de Rueda. Mesmo com Diego atrasando alguns contragolpes e Berrío se equivocando nas tomadas de decisão. Problemas compensados por belas atuações dos volantes e a perfeição de Juan na defesa e na frente, completando os 3 a 0 no rebote de cabeçada de Guerrero, outro destaque, mesmo não indo às redes. Lucas Paquetá entrou e completou a goleada, completando bela assistência de Everton Ribeiro.

Foram 57% de posse de bola e 14 finalizações do Fla – oito no alvo, bem diferente do “arame liso” de outros jogos. O dobro da Chape. Uma medida da distância entre as equipes no campo.

Um desempenho animador se o Fla pensar na sequência de Brasileiro e Sul-Americana, porque para a final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro o time não terá Everton Ribeiro. Mas vale uma ressalva: a Chapecoense não tem sido um bom parâmetro para avaliar a evolução da equipe.

No Brasileiro, os 5 a 1 no mesmo estádio parecia um marco de recuperação do time comandado por Zé Ricardo, mas seguiu oscilando até a crise que culminou com a mudança no comando técnico. De qualquer forma, fica a impressão de que a combinação de características dos jogadores encontrou um melhor encaixe. Vale observar a sequência de jogos.

(Estatísticas: Footstats)


Arame liso, pecho frio, elos fracos. Roteiro do Flamengo segue o mesmo
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André Rocha

Para quem não acompanha este que escreve nas redes sociais e está chegando agora ao blog, segue um “glossário” para os termos citados no título do post:

Arame liso – Cerca, mas não fura. Não machuca ninguém. O Flamengo segue com um ataque que precisa de muitas oportunidades para ir às redes. Na derrota por 2 a 0 para o Vitória na Arena da Ilha do Governador, Vizeu, substituto do lesionado Guerrero, perdeu duas chances claras na primeira etapa, ainda com empate sem gols. Para uma equipe pressionada e sem confiança, não sair na frente e trazer a torcida para perto foi fatal.

Pecho frio – Termo muito usado na Argentina. Peito frio. Ou time que se abate nas dificuldades, não encontra forças para se recuperar. Nos jogos mais equilibrados este perfil menos guerreiro, que aceita a derrota sem a indignação própria dos grandes times, faz diferença. É anímico. E fica claro inclusive nas entrevistas do treinador Zé Ricardo e dos jogadores. Conformismo.

Elos fracos – Jogadores que erram seguidamente e comprometem a equipe. Muralha, Rafael Vaz, Rodinei, Márcio Araújo…A lista é extensa, e torna ainda mais questionável a ideia de que o elenco é forte, um dos melhores do país. Novo revés por falhas individuais. Willian Arão, escalado na função de Márcio Araújo, errou feio no passe, Yago não perdoou e acertou no ângulo de Diego Alves. Depois Rever vacilou na disputa com Tréllez e cometeu pênalti. Duvidoso, mas marcável. A cobrança perfeita de Neilton resolveu o jogo.

Neste cenário, pouco adianta a mudança de nomes, embora a saída de Márcio Araújo tenha melhorado a construção das jogadas desde a defesa e fez a equipe circular mais a bola, sem apelar para os cruzamentos aleatórios. A impressão é de que Cuéllar seria mais apto à função que Arão. Assim como Berrío mostrou quando entrou que é mais útil que Geuvânio vindo de lesão.

Arriscar para sair da mesmice, buscar evolução sem se render à mediocridade habitual é sempre saudável. Mas como se impor quando o domínio não se traduz em gols, os erros individuais desmontam o sistema defensivo e a equipe não encontra forças para reagir? O Vitória, mais organizado e confiante depois da chegada de Vágner Mancini, foi apenas mais um a aproveitar, também por seus próprios méritos.

O roteiro de fracasso do Flamengo continua intacto. A nau do futebol do clube parece à deriva. Mesmo com chances de título ainda na Copa do Brasil e na Sul-Americana, qualquer mudança de rota parece tardia. Porque os defeitos seguem os mesmos. Há tempos.


Pelas circunstâncias, Botafogo ganha um ponto contra Flamengo “arame liso”
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André Rocha

A intensidade do Botafogo no primeiro tempo em Volta Redonda parecia uma clara tentativa de buscar o gol no início, aproveitando um Flamengo improvisado e com mais qualidade no banco que em campo, para depois administrar a vantagem dosando as energias e compensando o desgaste de viagem e jogo eliminatório no meio de semana pela Copa do Brasil.

Mesmo sem Camilo, Jair Ventura manteve a estrutura tática e a ideia de jogo com João Paulo mais adiantado e Matheus Fernandes no meio-campo. A equipe dobrava e pressionava a marcação pelos flancos e saía em velocidade.

O Flamengo sofria com Willian Arão totalmente perdido atuando aberto pela direita e Cuéllar responsável pela saída de bola com os zagueiros – Juan na vaga de Rafael Vaz – errando passes. Só melhorou um pouco a fluência quando Ederson, o meia central do 4-2-3-1, procurou o lado direito e deu opções de passe.

Muito pouco em um primeiro tempo muito fraco e contaminado pela rivalidade nada saudável fora de campo entre os clubes. O time alvinegro foi recuando as linhas, até por conta das lesões de Victor Luís e Aírton em lances com Arão, mas sem maldade do rubro-negro na do volante, bem mais séria. Entraram Gilson e Dudu Cearense, atrapalhando os planos do treinador.

Estava claro que o segundo tempo seria complicado para o Bota. E foi. O time foi definhando fisicamente com o calor e um Flamengo que ganhou qualidade e intensidade com Diego e Vinicius Jr. nas vagas de Cuéllar e Ederson. Arão, o pior do primeiro tempo, melhorou um pouco voltando à sua função no meio.

No entanto, os comandados de Zé Ricardo esbarraram em um velho problema: a dificuldade em transformar oportunidades em gols. Guerrero duas vezes e Everton perderam chances cristalinas. Vinicius Júnior acertou o travessão em bela conclusão. Foram 17 finalizações rubro-negras, mas apenas três no alvo.

O Bota concluiu quatro, uma na direção da meta de Muralha. E podia ter saído com a vitória se Roger não perdesse gol feito. No final, o time “cascudo” fez tudo para ganhar tempo e conter a pressão do rival que foi para o abafa no final com Leandro Damião na vaga de Arão. Pelas circunstâncias, ponto ganho no Raulino de Oliveira.

O Flamengo tem lastro de evolução com Diego recuperando ritmo de competição e Vinicius Júnior ainda mais confiante – teve sua melhor atuação entre os profissionais. Ainda tem Conca para estrear e as peças que podem chegar. Mas é urgente ser mais eficiente e contundente no ataque.

Porque time “arame liso”, que cerca mas não fura, não pontua. Uma invencibilidade de três empates em quatro partidas é prejuízo.

(Estatísticas: Footstats)