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O acaso protege de novo e os quatro cariocas estarão na Série A em 2019
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André Rocha

O Fluminense era cristal rachado a um sopro de se estilhaçar no Maracanã. Frágil técnica e taticamente, em frangalhos no emocional e com Fabio Moreno no comando depois da desesperada demissão de Marcelo Oliveira. Mas Júlio César defendeu pênalti e salvou gol certo de Luan. O mesmo atacante do América que deixou Richard livre na cobrança de escanteio. Depois de mais de 13 horas sem ir às redes, o golpe certeiro de cabeça que mudou o jogo e garantiu o tricolor na Série A.

O Vasco também penou. Parecia seguro depois dos 2 a 0 sobre o São Paulo, mas somou apenas um ponto nas duas últimas rodadas e se safou por um fio, sofrendo nos minutos finais do empate sem gols contra o Ceará no Castelão depois dos gols de Chapecoense e Sport. Na queda física de Maxi López e de desempenho de Yago Pikachu, restou pouco além de fibra à equipe comandada por Alberto Valentim. Décimo sexto colocado, um ponto na frente do Sport, que se juntou a América, Vitória e Paraná.

O Botafogo se livrou de qualquer risco algumas rodadas antes, mas também flertou com o Z-4 ao longo do campeonato. Cresceu quando Zé Ricardo ganhou semanas livres para trabalhar depois da eliminação na Copa Sul-Americana e definiu uma base titular. Com gols de Erik e o bom futebol do lateral direito Marcinho. Quitar os salários atrasados ajudou muito na recuperação, mas não apenas.

Em comum, a penúria financeira em contraste com a solidez do Flamengo, que vem falhando apenas na direção do futebol. No caso de Vasco e Botafogo, ao menos conseguiram pontos diante do rival carioca mais poderoso no Brasileiro. De “plus” para o alvinegro, o título estadual e as arrecadações com eventos no Estádio Nílton Santos. Com a vaga na Sul-Americana pode tratar a temporada 2018 como positiva.

Mas o cenário em um Rio de Janeiro falido, Estado e município, não deixa de ser desesperador para os três que ainda pagam por gestões incompetentes e irresponsáveis. Com a nova fórmula de distribuição dos direitos de TV, quem já recebeu adiantamentos de 2019 vai se complicar demais no início do ano para honrar compromissos.

A tendência é termos novamente um Carioca desinteressante, até porque é improvável que surja uma força emergente do interior nesta crise. Nas demais competições, difícil vislumbrar protagonismo além do Flamengo, isto se a nova direção seguir com a responsabilidade na gestão rubro-negra.

A única boa notícia é que o acaso protegeu e o Rio de Janeiro terá novamente os seus quatro representantes tradicionais na Série A no ano que vem. Pela sétima vez nos últimos dez anos. Mas quase sempre com sofrimento.


O mea culpa necessário sobre Diego, Berrío e Dourado na vitória do Flamengo
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André Rocha

O goleiro César foi o personagem da vitória do Flamengo sobre o Santos no Maracanã por 1 a 0. Venceu o duelo com Gabriel Barbosa, artilheiro do Brasileiro, ao defender no segundo tempo um chute do atacante sem marcação e depois pegar o pênalti cobrado pelo camisa dez do alvinegro praiano já no final do jogo.

O triunfo não muda nada na briga pelo título, mas ajuda na luta pela vaga no G-4 e, consequentemente, na fase de grupos da Libertadores 2019. Internacional, Grêmio e São Paulo agora são os rivais, não mais o campeão Palmeiras esperando apenas a matemática para receber a taça.

Mas é dever deste blog fazer um mea culpa sobre os três jogadores rubro-negros envolvidos no gol única da partida.

Diego Ribas foi e ainda é criticado por atrasar os ataques da equipe ao prender demais a bola e quase sempre precisar dar um giro para só depois pensar no que fazer. Por aqui você já leu que era uma falácia ele ser o meia criativo do Fla. Esta crítica, no geral, continua sendo justa.

Mas é preciso reconhecer que em vários momentos não houve uma opção confiável para um passe em profundidade. Seja por falta de velocidade, erro de posicionamento ou de tomada de decisão do atacante para receber a bola às costas da defesa adversária. Muito ligado em estatísticas, Diego não gosta de errar passes, por isso costuma esperar e fazer a escolha mais segura. Nem sempre a mais produtiva.

Já Orlando Berrío, quando foi contratado em 2017, foi avaliado neste espaço como um erro da diretoria. Não pelo que o colombiano poderia produzir, mas pelas características. Zé Ricardo, treinador à época, disse a este blogueiro na virada do ano que precisava de um ponteiro de bom drible e finalizador. Vitinho já era o alvo, mas não foi possível.

Veio Berrío, ponta de velocidade espantosa, mas que não tem o drible nem a conclusão como pontos fortes – apesar da jogada espetacular e surpreendente que terminou no gol de Diego sobre o Botafogo na semifinal da Copa do Brasil do ano passado. Ou seja, o treinador pediu uma coisa e a diretoria trouxe outra.

Só que a saga rubro-negra sem grandes conquistas mostrou que Berrío, quando esteve em campo, deu à equipe a alternativa de velocidade, aceleração e capacidade de explorar as costas da retaguarda do oponente. Só inferior à de Vinicius Júnior em seus momentos mais inspirados. Uma pena que quando mostrava estar mais bem adaptado ao clube e ao futebol brasileiro teve uma contusão grave e só retornou no segundo semestre de 2018, mas ganhando confiança e ritmo de competição bem aos poucos.

Henrique Dourado chegou ao Flamengo por conta da artilharia do Brasileirão 2017 pelo rival Fluminense. Outra contratação equivocada de Rodrigo Caetano pelas características do centroavante. Jogador de último toque, não de pivô para participar de ações ofensivas mais elaboradas em um time que se propõe a se instalar no campo adversário e trabalhar. Difícil dar sequência às jogadas com bola no chão. Por isso as críticas frequentes nas análises sobre o time. Ficaram apenas os 100% de aproveitamento nas cobranças de pênalti.

No gol que decidiu a partida, um contraponto ao maior problema do Fla nos últimos anos: a difícil combinação de características dos jogadores em campo. Diego arriscou e acertou o passe longo porque Berrío apareceu às costas da linha defensiva santista. O colombiano foi preciso na assistência porque Dourado estava na área para finalizar. E a bola foi parar nas redes de Vanderlei porque o centroavante teve liberdade para concluir, justamente porque a jogada foi surpreendente e bem executada.

Lance único em um universo de 19 finalizações, apenas quatro no alvo. Domínio inócuo do Flamengo na primeira etapa, com Everton Ribeiro, Diego e Vitinho cortando da ponta para dentro em jogadas já mapeadas pelos rivais e que dificilmente terminam em uma chance cristalina. Só com as mudanças de Dorival Júnior o time voltou a sair de campo com os três pontos depois de três partidas.

É final da gestão Bandeira de Mello e os candidatos à presidência já sinalizaram uma mudança profunda no elenco para o ano que vem. É bem provável que Diego, um dos símbolos dessa fase sem conquistas, deixe o clube. Mesmo sendo exemplo de comportamento com Dorival Júnior ao aceitar a reserva e lutar no campo para recuperar a titularidade, a passividade em entrevistas depois de derrotas importantes mancharam a imagem do meia junto à torcida. O futuro de Berrío e Dourado são grandes incógnitas, vai depender do novo treinador.

De qualquer forma, fica o registro desse mea culpa. Talvez em equipes com outras propostas de jogo e elencos mais ajustados ao que o time pretende fazer em campo esse trio possa render o que se espera. No Flamengo, o gol do triunfo foi raridade. Talvez um presente tardio no aniversário dos 123 anos do clube.

(Estatísticas: Footstats)

 


Bahia de Ramires vence Bota “arame liso” em jogo divertido, na contramão
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André Rocha

Duelo de mata-mata pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana na Fonte Nova. Com gol “qualificado”. Entre equipes na segunda página da tabela da Série A do Brasileiro, apenas a dois pontos do Ceará, 17º colocado e primeiro no Z-4.

Imaginava-se uma disputa dentro da realidade atual do futebol jogado no país. O time da casa especulando com medo de sofrer gols e o visitante tentando controlar o jogo fechando espaços e tentando estocadas eventuais nos contragolpes.

Ledo engano. Obviamente não foi um jogaço, de alto nível técnico. Longe disso. Mas foi aberto e dinâmico, uma raridade, ainda mais porque o contexto não ajudava.

O Bahia de Enderson Moreira abriu o placar logo aos quatro minutos com Ramires, meia de 18 anos que vem ganhando oportunidades entre os profissionais por conta da ausência de Vinicius. Formando o trio com Clayton e Zé Rafael atrás de Edigar Júnio no 4-2-3-1 costumeiro, deu o dinamismo que justifica o apelido de Eric dos Santos Rodrigues, inspirado no volante ex-Cruzeiro, Chelsea e seleção brasileira, hoje no futebol chinês.

A boa surpresa foi que o time da casa não recuou com a vantagem. Terminou com 52% de posse de bola e finalizou seis vezes, duas no alvo. O Botafogo respondeu com cinco conclusões, três na direção da meta de Douglas. Duas nas traves, de Brenner e Rodrigo Pimpão.

Zé Ricardo montou um 4-1-4-1 que tinha uma variação interessante, com Rodrigo Lindoso e o jovem Gustavo recuando para auxiliar os zagueiros na posse de bola e adiantando o volante Jean, que fica mais fixo na proteção quando a equipe carioca perde a bola. Laterais Luis Ricardo e Gilson abertos e adiantados e os ponteiros Pimpão e Leo Valencia, depois Luiz Fernando, tentando se aproximar de Brenner.

Propostas ofensivas dentro das limitações das equipes. Também deficiências, especialmente na bola parada defensiva. O Bota teve chance de empatar, o Bahia ampliou no início da segunda etapa com Clayton. Já com Vinicius na vaga de Zé Rafael. Aí, sim, recolheu as linhas para administrar a vantagem. Caiu a posse para 46%, porém finalizou mais cinco vezes.

O Botafogo se lançou ao ataque de vez. Como se não houvesse amanhã. Empilhou chances até diminuir com Pimpão no rebote que o goleiro Douglas entregou. Mesmo antes da tola expulsão do lateral esquerdo Léo, o time visitante já tinha mais posse de bola e chegou a onze conclusões em pouco mais de 45 minutos. Nove no alvo. 16 no total. Faltou colocar nas redes. Jogou para virar, mas foi “arame liso”. Um problema recorrente nas equipes comandadas por Zé Ricardo.

Bom resultado para o Bahia administrar na volta, mas certamente sem retranca. Até porque o Bota está bem vivo. Pelo gol fora e, principalmente, por conta do bom desempenho. Animador até pensando em Brasileiro para se afastar da “confusão”.

Ótimo para quem assistiu. No futebol “por uma bola” jogado no Brasil, a partida foi na contramão. A decisão da vaga no Rio de Janeiro promete ao menos diversão. Hoje isto não é pouco em nossos campos.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Péssimos no returno, Vasco e Botafogo voltam a flertar com o perigo
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André Rocha

Foto: André Durão/Globoesporte.com

Parece um passado distante, mas o Vasco disputou a Libertadores em 2018. Eliminado em um grupo complicado com Cruzeiro e Racing, mas conseguindo passar pelas fases preliminares. O Botafogo marcou presença no ano passado, também começando a trajetória no início do ano, e foi mais longe. Talvez o adversário mais complicado do campeão Grêmio, caindo nas quartas de final.

Era possível vislumbrar um período com alguma estabilidade depois da sequência de rebaixamentos de 2013 a 2015. As oscilações, porém, voltaram com força e os times cariocas flertam de novo com o perigo.

No returno, o Vasco soma quatro pontos em cinco partidas, mais a derrota por 1 a 0 para o Atlético-PR em jogo adiado. Estreia de Alberto Valentim, que foi campeão estadual pelo Botafogo vencendo o Vasco de Zé Ricardo e voltou de uma breve experiência no Pyramidis do Egito. Ainda tem uma partida a cumprir para chegar aos 24 jogos, fora de casa contra o Santos de Cuca e Gabigol. São quatro reveses consecutivos. Nenhum ponto com o novo treinador.

Já o Botafogo de Zé Ricardo, que comandou o time cruzmaltino no torneio continental, tem o mesmo desempenho: quatro pontos em cinco jogos. Aproveitamento de 27%. Ambos se igualam a Sport e Corinthians e só superam Paraná (dois pontos em cinco jogos) e Chapecoense (um ponto em quatro partidas), equipes que parecem fadadas ao rebaixamento, embora a recuperação ainda seja perfeitamente possível na matemática para ambas.

Clubes com problemas financeiros no primeiro ano dos mandatos dos presidentes Alexandre Campello e Nelson Mufarrej e quatro mudanças no comando técnico em nove meses de temporada. O Vasco teve Zé Ricardo, Jorginho, um breve hiato com o interino Valdir Bigode e agora Valentim. O Botafogo começou o ano com Felipe Conceição, depois Alberto Valentim saiu por proposta irrecusável – a única mudança sem a iniciativa do clube – para a chegada de Marcos Paquetá, que durou cinco jogos, e agora Zé Ricardo. Elencos também muito mexidos. Baixa qualidade e pouco entrosamento, sem um modelo de jogo assimilado. Uma fórmula que não costuma terminar bem.

Para complicar, Rodrigo Lindoso perdeu o pênalti do empate no clássico contra o Fluminense – uma bela defesa do goleiro tricolor Rodolfo – e Yago Pikachu foi expulso no Barradão na derrota para o Vitória e está suspenso para o clássico contra o Flamengo. Agora sob o comando de Paulo César Carpegiani, o time baiano subiu para a 12ª colocação, com dez pontos em 15 possíveis no returno. Com Tiago Nunes, o Atlético-PR também se afastou da “confusão” com bom futebol. Tem 27 pontos no 14º lugar e ainda dois jogos a cumprir.

Ceará também reage: são oito em seis partidas. Com os mesmos 24 pontos de Sport e Vasco, este o primeiro fora do G-4. Dois pontos abaixo do Bota, o 15º na tabela. Todos com aproveitamento total abaixo dos 40%. O Vasco já sofreu 35 gols. Só não levou mais que Vitória (40) e Sport (36).  O Botafogo sofreu 33, mas só marcou 21. Quinto ataque menos efetivo. Quarto pior saldo de gols.

A má notícia é o viés de queda em contraste com o Ceará de Lisca pontuando com mais frequência. É claro que nesta zona da tabela as variações são naturais e devem seguir até o final. Mas Vasco e Botafogo vivem situações preocupantes. A tensão de torcidas traumatizadas com descidas ao inferno da Série B torna tudo ainda mais explosivo.

O Botafogo tem uma competição em paralelo: disputa as oitavas de final da Copa Sul-Americana contra o Bahia. Uma possibilidade a mais de arrecadação e de vitórias para reagir animicamente no Brasileiro, mas também semanas “cheias” a menos que os concorrentes para recuperar e treinar.

É claro que o torcedor otimista pode ver esperança na classificação “achatada”: são seis pontos de distância do Vasco em relação ao décimo colocado, o Corinthians. Uma sequência de vitórias e a primeira página da tabela vira uma realidade.

Se tudo der errado e as campanhas forem novamente de rebaixado, a esperança da dupla carioca é que, ainda assim, quatro clubes caiam por eles. Já pareceu mais possível.  Os times se enfrentam dia 6 de outubro, pela 28ª rodada.


Vitinho é o ponta que o Flamengo procura desde 2017
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André Rocha

Desde o planejamento de 2017, ainda com o treinador Zé Ricardo, o Flamengo procurava um ponteiro com as características de Vitinho: rápido, com bom drible e finalizador. Orlando Berrío, a escolha na época, tem outro estilo. Quando Vinícius Júnior começava a amadurecer, foi para o Real Madrid. No último ano de mandato de Eduardo Bandeira de Mello, o clube abriu os cofres e, com um ano e meio de atraso, contrata junto ao CSKA a peça que faltava.

Veja a análise, inclusive com uma possível variação tática, no vídeo abaixo:


Flamengo 1 x 1 Vasco – Mais um clássico estragado pelo clima de guerra
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André Rocha

Aconteceu de novo. 40 faltas, muita reclamação desnecessária com arbitragem. Nervos à flor da pele e pouco, muito pouco futebol.

Desta vez foram Flamengo e Vasco os protagonistas deste espetáculo deprimente no Maracanã. Cada vez mais frequente. E certamente depois da partida só vão falar do trabalho da equipe comandada por Ricardo Marques Ribeiro. Ruim ao longo do jogo, desde o impedimento de Diego na origem da jogada que terminou na finalização de Everton Ribeiro e Vinicius Júnior abrindo o placar ao aproveitar falha de Martín Silva, que deu rebote de um chute nem tão forte. Confuso nos critérios para as expulsões de Rhodolfo, Cuéllar, Breno e Riascos na confusão do final do jogo.

Mas os jogadores em nada colaboram. Toda hora alguém pedindo cartão para faltas normais, fazendo escândalo se discordar de uma marcação. Criando um clima de pressão que só prejudica a partida. Futebol é detalhe. O jogador entra em campo com a obrigação de fazer tudo para que o torcedor não o considere apático. Entrada dura, carrinho para a lateral batendo no braço, chutões. Um jogo só sentido, nada pensado.

Uma lástima. O Flamengo até tentou tomar a iniciativa em boa parte do jogo, repetindo a ideia de jogo com mais trocas de passe e bola no chão desde que Mauricio Barbieri assumiu, ainda interinamente. Apesar do início ruim e das quatro finalizações do rival até a sua primeira ir às redes. Mas logo em seguida vacilar na jogada aérea e permitir o empate vascaíno com Wagner. Diferente de outras partidas, desta vez Diego foi bem e Lucas Paquetá mal. No saldo final, 63% de posse e oito finalizações. Apenas três no alvo.

Contra 15 do time de Zé Ricardo, que acertou sete vezes na direção da meta de Diego Alves. Novamente mostrando no clássico a consistência defensiva que não apresenta em outros jogos na temporada. Yago Pikachu travou bom duelo com Rodinei e Breno mostrou novamente que é o zagueiro mais confiável do elenco cruzmaltino. Ou dos que o treinador utiliza, já que o jovem Ricardo Graça segue escanteado.

Pelo menos não houve nada mais grave nas arquibancadas e foi um alento ver a área ocupada pelas duas torcidas juntas em paz. Mas ninguém mereceu sair com os três pontos. Até para não deixar o campo com a crença de que esses artifícios compensam. Não foram só dois pontos perdidos para cada lado, mas a chance desperdiçada de mostrar desempenho. Futebol. No apito final sobra muito pouco, quase nada.

Qual será o próximo clássico no Brasil estragado pelo clima de guerra?

(Estatísticas: Footstats)

 


Bahia perde chance de resolver confronto na noite da covardia de Zé Ricardo
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André Rocha

O Bahia cumpriu mais uma boa atuação na Arena Fonte Nova, se redimindo do péssimo desempenho contra o Sport fora de casa pelo Brasileirão. Intensidade, volume de jogo, Zé Rafael e Vinicius organizando e Elber e Edigar Júnior acelerando no quarteto ofensivo do 4-2-3-1 de Guto Ferreira.

Um baile pelo lado direito com João Pedro, substituto de Nino Paraíba, voando para cima de Henrique que não tinha o devido auxilío de Caio Monteiro. Também muita liberdade na entrada da área muito mal protegida por Wellington e Desábato, os volantes cruzmaltinos.

Terminou 3 a 0, poderia ter fechado em seis como resultado das 21 finalizações. Oito na direção da meta de Martín Silva, que sofreu novamente com a total desorganização do sistema defensivo da equipe. A prova na prática que escalar três zagueiros de ofício, mesmo numa linha de quatro, não garante solidez da retaguarda. Werley, improvisado na lateral direita, Paulão e Erazo totalmente perdidos.

Gols de Zé Rafael e Edigar Júnio no primeiro tempo e Vinicius na segunda etapa. Jogando ao natural, com facilidade. Muitos méritos do time da casa, ainda que tenha perdido a chance de resolver o confronto e garantir vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. De qualquer forma, a vantagem para a volta em São Januário não deixa de ser confortável.

O Vasco segue vivo, mas há muito a corrigir. E Zé Ricardo a refletir. O treinador que ganhou oportunidade no profissional pelo bom trabalho nas divisões de base do Flamengo deveria ter a mesma lógica na hora de colocar os jovens em campo. Mas a falta de paciência e confiança é assustadora.

Com 30 minutos de jogo tirou Bruno Cosendey para a entrada de Wagner. Com todos jogando mal e Wellington rendendo pouco há muito tempo, sacar foi queimar o menino que mudou o jogo na virada sobre o América. Representa também desvalorizar um patrimônio que pode através de uma venda futura reforçar os cofres de um clube afundado em profunda crise institucional e financeira.

Uma covardia, não há outro termo sem soar como eufemismo. E nenhuma questão técnica ou tática é capaz de justificar. Até porque, na prática, pouco acrescentou coletivamente ao Vasco, que sequer esboçou reação e só foi finalizar com perigo no final do jogo, com Kelvin.

Difícil de entender e aceitar a má vontade de um jovem treinador, campeão da Copa São Paulo há dois anos, com garotos. Antes Lucas Paquetá, hoje Bruno Cosendey. Qual será o próximo?

(Estatísticas: Footstats)


No Vasco rachado pela política, só a base pode salvar o futebol
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André Rocha

A eleição do presidente Alexandre Campello via Conselho e desrespeitando os votos dos sócios, que elegeram Julio Brant n polêmica eleição da já folclórica “urna sete”, foi uma das páginas mais negras da bela história de democracia e raízes populares do Clube de Regatas Vasco da Gama. Do estádio construído por sua gente, dos jogadores negros e de tantos gestos pioneiros.

É óbvio que criaria um racha político de consequências imprevisíveis. No poder, o lado mais fraco. Eleito pelas circunstâncias. Para Eurico Miranda perder, mas não permitir que Julio Brant vencesse. Um filme de terror que já teve renúncia de 13 vice-presidentes, agora acena até com possibilidades de impeachment de Campello, questionado pela negociação pouco transparente, segundo conselheiros, de Paulinho com o Bayer Leverkusen e por um suposto empréstimo feito com o ex-vice de patrimônio, Luiz Gustavo.

Estava claro também que tanta turbulência somada à crise financeira respingaria no campo. Ainda que Zé Ricardo tenha feito tudo para blindar seus comandados. Chegar à final do estadual e passar pelas etapas preliminares da Libertadores até sinalizaram a possibilidade de repetir o bom desempenho da reta final do Brasileiro de 2017.

A fase de grupos do torneio continental, porém, trouxe a realidade crua e dura na eliminação precoce com derrotas para Racing, Cruzeiro e Universidad de Chile na pior campanha do clube na competição até aqui. A retaguarda considerada sólida penou com três goleadas por 4 a 0 – Jorge Wilstermann, Racing e, a pior, para o Cruzeiro dentro de São Januário.

Restam Brasileiro e Copa do Brasil. Dentro de um elenco limitado e com a baixa de Paulinho sem reposição à altura, resta a Zé Ricardo deixar de lado uma prática que vem de sua primeira experiência no futebol profissional vindo da base do Flamengo: relegar os jovens a um papel secundário e escalar os mais experientes que deram sustentação ao seu início de trabalho. Antes a “gratidão” ao esforço de Gabriel que negou oportunidades a Lucas Paquetá.

Agora o treinador tem obrigação de dar mais minutos em campo aos jovens Caio Monteiro e Bruno Cosendey, protagonistas da virada sobre o América por 4 a 1 no sábado em São Januário. Não repetir o que fez com Ricardo Graça, de desempenho promissor nas primeiras oportunidades e infeliz como o time todo na goleada sofrida na Bolívia.  Automaticamente ficou atrás de Paulão e Werley na disputa por uma vaga na zaga.

As divisões de base são a tábua de salvação do Vasco neste momento. Tanto no retorno técnico em campo dentro de um elenco desigual e longe da primeira prateleira do futebol nacional quanto na possibilidade de negociação no futuro para salvar os cofres na caixa preta que é a gestão financeira a cada ciclo de um presidente. Foi assim com Eurico Miranda, Roberto Dinamite, agora Campello. O que mais virá por aí?

Se quiser salvar seu emprego e a sobrevivência digna do clube, Zé Ricardo precisa olhar com mais carinho para os meninos que são produtos de uma reestruturação do trabalho de formação. É a perspectiva a curto, médio e longo prazo para a grande incógnita que é o Vasco da Gama.


Goleada em São Januário reflete abismo entre Cruzeiro e Vasco
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André Rocha

Cruzeiro e Vasco empataram sem gols no Mineirão no dia quatro de abril. Jogo duro, com o time visitante ainda contando com Paulinho, joia da base cruzmaltina, cumprindo boa atuação e tendo chances de sair de Belo Horizonte com três pontos. Superando a equipe mandante em momento turbulento por conta da derrota para o rival Atlético na primeira partida da final mineira.

Quase um mês depois o reencontro na Libertadores. O tempo foi cruel com Zé Ricardo, que perdeu Paulinho, lesionado e depois negociado com o Bayer Leverkusen, e viu os problemas políticos e financeiros do clube se somarem às escolhas infelizes do próprio treinador para criar o cenário da inevitável eliminação na fase de grupos.

Depois da surpreendente recuperação no Brasileiro 2017 e da luta nas fases preliminares do torneio continental, o nível do grupo pesou. Racing emergente na Argentina e o Cruzeiro que oscila, mas segue com Mano Menezes no comando técnico e construindo uma identidade que busca unir competitividade e qualidade técnica.

O tempo favoreceu o treinador e o elenco celestes. A conquista do Campeonato Mineiro também aliviou a pressão de transformar investimento em desempenho e, por consequência, em resultados. O início da redenção em termos de desempenho se deu nos 7 a o sobre a Universidad de Chile. Beneficiado, sim, pelo gol de Thiago Neves na bola parada logo no início e da vantagem numérica ao longo do jogo. Mas ganhando confiança e uma nova cara.

No mesmo 4-2-3-1, porém com Lucas Silva se juntando a Henrique à frente da defesa, De Arrascaeta pela esquerda sendo o ponta mais articulador e Rafinha mais atacante, se juntando a Sassá, a alternativa à ausência do lesionado Fred. E Thiago Neves solto para desequilibrar, especialmente nas finalizações. Para completar, o crescimento de Egídio para abrir o campo e buscar a linha de fundo pela esquerda.

O lateral levou vantagem no duelo com Yago Pikachu foi responsável por três passes que terminaram em gols na primeira etapa. Leo, Thiago Neves e Sassá. Nas três primeiras finalizações do Cruzeiro em São Januário. Prenúncio da goleada por 4 a 0, completada também por Sassá na segunda etapa. Na quarta e última conclusão na direção da meta de Martín Silva. Para colocar o time mineiro praticamente classificado e na luta pela primeira colocação no Grupo 5 – a definição deve acontecer no confronto direto, desta vez no Mineirão.

Ao Vasco resta a luta com “La U” pela vaga na Copa Sul-Americana. Antes é preciso se reorganizar como clube, para que as diferenças políticas não passem dos bastidores para as arquibancadas e de lá para o campo. Zé Ricardo também precisa repensar suas escolhas. Os reveses e, principalmente, os muitos gols sofridos, têm a cota de responsabilidade do treinador. Mesmo com todos os “incêndios” que precisam ser apagados diariamente.

A fibra livrou de algumas derrotas. Também rendeu 55% de posse e 15 finalizações contra o Cruzeiro. Mas é muito pouco. A noite em São Januário apenas concretizou na frieza do placar o abismo entre os times brasileiros.

(Estatísticas: Footstats)

 


Gestão Bandeira de Mello confunde continuidade com continuísmo no Flamengo
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André Rocha

A pífia atuação do Flamengo no empate sem gols contra o Independiente Santa Fé em Bogotá pela Libertadores, com a equipe exagerando na cautela e satisfeita com o resultado que pouco acrescentou na campanha da fase de grupos, subiu ainda mais o tom de indignação dos torcedores contra jogadores e dirigentes, especialmente o presidente Eduardo Bandeira de Mello e o meia Diego Ribas.

Junte a isto a polêmica na reunião do Conselho Deliberativo para aprovar as contas de 2017, suspensa depois da discussão sobre a premiação de mais de dez milhões de reais – 7,7 para jogadores, 2,5 para comissão técnica e 800 mil para o ex- diretor executivo Rodrigo Caetano – em um ano de título estadual, vices da Copa do Brasil e Sul-Americana e sexta colocação no Brasileiro e temos um barril de pólvora.

É óbvio que o ano de eleição torna o ambiente político quase insuportável na Gávea e se o pagamento estava previsto dentro de um plano de metas ele tem mesmo que ser cumprido e o clube valorizar a possibilidade de honrar seus compromissos, algo inviável há menos de dez anos.

Mas todo esta crise é consequência do grande equívoco da gestão Bandeira de Mello na condução do futebol do time de maior torcida do país: confundir continuidade com continuísmo.

Quando há ideias dentro e fora de campo com planejamento e que geram desempenho vale a insistência até que comecem a resultar em troféus. Como no próprio Flamengo há quatro décadas, perdendo títulos seguidos para Fluminense e Vasco de 1975 a 1977, mas ganhando maturidade para em seguida alcançar as maiores conquistas da história da agremiação.

Agora há um time que é criticado por sua apatia e pouca entrega, mas que na maioria dos reveses se ressentiu mesmo da falta de rendimento. Porque as características dos jogadores não combinam com a proposta de jogar no ataque e se impor. Zagueiros lentos, laterais que oferecem poucas soluções além dos cruzamentos a esmo, meio-campistas sem o passe decisivo e um ataque que precisa de muitas oportunidades para ir às redes.

Não há plano de jogo que funcione. Com Zé Ricardo, Rueda, Carpegiani ou o novato Maurício Barbieri.  Sem triangulações, ultrapassagens, fluência. Só bolas levantadas na área e lampejos dos mais talentosos. Simplesmente não funciona.

E não há mudanças profundas, porque na visão do presidente basta insistir para dar certo. O “vamos levando” que se transformou na grande marca de sua administração que é histórica pelo saneamento das finanças, algo que não é mérito apenas de Bandeira de Mello, mas vai chegando ao fim do segundo mandato com o rótulo do insucesso no carro-chefe do clube.

A manutenção de Barbieri é a prova de que o crédito de um elenco caro e que entrega pouco em campo parece infinito. Os jogadores querem, os dirigentes atendem. O ápice dessa estranha relação foi o pedido de Bandeira para que os atletas o ajudassem depois da eliminação do Carioca. Sem cobranças, apenas afagos e súplicas.

A direção do futebol age como o pai que começa a ganhar dinheiro e cobre os filhos de mimos, deixando de ensinar o valor do esforço. Só que a maioria dos que lá estão não viveram os tempos difíceis para ganhar tantas recompensas.

O que é mais preocupante em toda essa crise é um pensamento crescente de que o futebol só funciona em meio ao caos financeiro e com jogadores “bandidos”. Este que escreve prefere não ficar recorrendo ao passado para comparar com a situação atual, mas neste caso é preciso: Zico era “bandido”? Em 1981 o salário atrasava? Definitivamente todo este cenário complexo não pode ser resumido à “falta de raça”.

É claro que, na prática, tudo seria diferente, por exemplo, com a conquista da Copa do Brasil. No país do futebol de resultados não se avalia qualidade de trabalho. E obviamente este blogueiro não defende que profissionais não tenham as melhores condições para exercer seus ofícios apenas porque não venceram. Muito menos que sejam agredidos, como quase aconteceu no embarque da delegação para Fortaleza.

Mas o momento exige ruptura que vai além das demissões após a eliminação no Carioca. Direção do futebol com independência e treinador com autonomia para mudar peças e o modelo de jogo. Ou seja, sair da inércia. Com a gestão Bandeira de Mello parece uma missão quase impossível. Porque há apego ao fracasso.