Blog do André Rocha

Arquivo : evander

Racing atropela Vasco na noite das escolhas infelizes de Zé Ricardo
Comentários Comente

André Rocha

É difícil se defender contra o Racing no Cilindro, em Avellaneda. O time de Eduardo Coudet tem muito volume de jogo na execução do arrojado 4-1-3-2. Também movimentação, com os meias Centurión, Solari e Zaracho se juntando a Lisandro López e Lautaro Martínez. Com o apoio incondicional de sua gente a missão fica ainda mais complicada.

Mas Zé Ricardo facilitou com uma formação que só faltou estender tapete vermelho para o time da casa atacar durante 45 minutos pela direita. Evander não tem intensidade para atuar pelo lado e deixou Henrique sozinho. Contra o lateral Saravia e mais Zaracho ou Centurión e Lisandro ou Lautaro. Mobilidade, trocas de passes e as arrancadas com dribles de Zaracho, o melhor em campo.

Por ali saíram dois gols, de Centurión e Lautaro. E dois pênaltis. O primeiro inexistente, do próprio Evander sobre Saravia e outro de Erazo derrubando Lautaro. Lisandro bateu ambos pessimamente para defesas de Martín Silva. No total, foram nove finalizações, sete no alvo. Podia ter terminado 4 a 0. E Zé Ricardo nada fez para corrigir.

Talvez porque o Vasco ofensivamente até criou alguns problemas, aproveitando os buracos que o time argentino deixa entre os quatro da defesa mais o volante Nery Domínguez e os cinco mais ofensivos. Mas foram cinco finalizações e nenhuma na direção do jovem goleiro Juan Musso.

Só no intervalo Zé Ricardo agiu. Trocou Evander por Rildo e mexeu na linha de meio-campo do 4-1-4-1 cruzmaltino. Wellington foi para o lado direito, Wagner centralizou e Rildo ficou pela esquerda. Até corrigiu razoavelmente o problema defensivo, mas não conseguiu conter o “arrastão” do Racing no início da segunda etapa.

Primeiro um golaço de Zaracho em bela arrancada e depois mais um pênalti, desta vez convertido por Lisandro, que correu o risco de repetir Martín Palermo desperdiçando três cobranças. Com 3 a 0 no placar, porém, ficou mais fácil ser corajoso. Depois foi controlar e descansar Lautaro e Centurión, além da substituição na volta do intervalo para preservar o zagueiro Sigali, já com cartão amarelo. Entrou Barbieri, que seguiu com pouco trabalho na segunda etapa.

Zé Ricardo só foi efetuar a segunda substituição ao 40 minutos da segunda etapa. Caio Monteiro no lugar do volante Bruno Silva. E acabou o jogo goleado com uma mudança a fazer. Difícil entender, ainda que o elenco não ofereça tantas opções assim.

No total, 62% de posse do Racing e 14 finalizações, dez no alvo. Um 6 a 0 não teria sido nenhum absurdo. Atropelo  do líder do Grupo 5, agora com sete pontos em três rodadas. O Vasco se complica, inclusive no saldo de gols que pode definir a segunda vaga. Agora está em cinco negativos. Mas serão duas partidas em São Januário para se recuperar.

A missão de Zé Ricardo é reorganizar o time com escolhas mais felizes e menos questionáveis que em Avellaneda.

(Estatísticas: Footstats)


Vasco é mais um brasileiro que sofre com o “espírito de Libertadores”
Comentários Comente

André Rocha

Mais uma vez faltou naturalidade ao time brasileiro para jogar. Mesmo descontando o peso da estreia na fase de grupos, toda essa tensão que transforma a partida numa guerra por ser de Libertadores atrapalha demais.

O Vasco pecou pela pressa. Tanto para definir as jogadas quanto para tentar retomar a bola. Faltas seguidas, ligações diretas e a bola “queimando” no pé. Erros seguidos na tomada de decisão e pouca inteligência tanto para bloquear os pontos fortes como para explorar as fragilidades da Universidad de Chile.

Já o time visitante, armado no 3-4-2-1 pelo treinador Ángel Guillermo Hoyos, contava com vários jogadores experientes: o goleiro Johnny Herrera, os zagueiros Vilches e Rafael Vaz, os meio-campistas Pizarro e Seymour, o ala esquerdo Beausejour e Pinilla no ataque. Não era um primor técnico ou tático, mas tinha calma para fazer o jogo que lhe interessava.

Basicamente forçar pelo lado esquerdo com Beausejour e Soteldo no setor de Yago Pikachu, que não contava com auxílio de Wagner e Wellington no trabalho defensivo. Na recomposição, linha de cinco mais posicionada e concentração para negar espaços. Nos primeiros 45 minutos, a melhor oportunidade surgiu num erro de reposição de Johnny Herrera que Riascos recuperou e cruzou com a bola batendo no travessão. Muito pouco.

Porque o time cruzmaltino facilitava errando passes e arriscando pouco. Faltava experiência e rodagem, além das claras limitações técnicas – sem contar o surto de virose que atingiu o elenco. O jovem Evander não conseguiu ser o organizador no meio-campo, tanto no primeiro tempo mais avançado no 4-2-3-1 quanto na segunda etapa depois que Zé Ricardo trocou Desábato por Andrés Rios.

Substituição infeliz porque os donos da casa não tinham o controle do jogo nem ocupavam o campo de ataque com segurança para tirar um jogador de proteção da retaguarda.Só fizera o goleiro Herrera trabalhar no cruzamento de Pikachu que Rildo cabeceou. Mais uma jogada apressada.

A punição veio com o gol de Ángelo Araos, o melhor em campo. Jovem de 21 anos equilibrando a média de idade de “La U” e desequilibrando a chegada ao ataque. Falha geral do sistema defensivo, inclusive Martín Silva, depois de uma cobrança de lateral. Imperdoável.

Depois só desespero, com a torcida cobrando…pressa para atacar. O time cansou de correr errado. Não podia dar certo. É pressão demais, sem calma e foco no desempenho que constroi o triunfo. Mais uma vítima do “espírito de Libertadores”. Ou a distorção deste.

Saldo final: 57% de posse e dez finalizações do Vasco, mas apenas três no alvo. Os visitantes concluíram nove, quatro na direção da meta de Martín Silva. A diferença foi Araos.

São Januário viu um paradoxo: tanta preocupação do Vasco com o resultado para o time chileno voltar para casa com os três pontos.

(Estatísticas: Footstats)


O que Vasco e São Paulo ganham e perdem com a transferência de Nenê
Comentários Comente

André Rocha

Quatro minutos no Morumbi. Nenê arranca pela esquerda, chega antes na bola e é derrubado na área do Bragantino. Cobrança precisa de pênalti e vitória do São Paulo no Paulista em mais uma atuação inconsistente. Muito pela nova formação que ainda busca um ajuste com duas peças novas – Diego Souza também entrou no quarteto ofensivo fazendo companhia a Marcos Guilherme e Cueva.

O encaixe e a combinação de características são complicadas para Dorival Júnior. Também porque Nenê não entrega intensidade por muito tempo nas partidas. É importante pelo talento, a personalidade para definir jogos, a liderança e a precisão nas bolas paradas. Mas para ser titular e ainda atuando pelo lado, no caso o esquerdo, fica difícil para o camisa sete de 36 anos.

O Vasco não contava em perder sua referência técnica, fundamental em jogos que ajudaram a colocar o Vasco na Libertadores, ainda que nas etapas anteriores à fase de grupos. Eficiência em faltas, escanteios e penalidades máximas.

Mas Zé Ricardo vai encontrando aos poucos no elenco após as muitas baixas algumas soluções para tornar a equipe competitiva. Além do mais que promissor Ricardo Graça herdando a vaga na defesa de Anderson Martins e o volante argentino Desábato melhorando o passe na saída de bola em relação a Jean, Evander entrou muito bem na execução do 4-2-3-1 cruzmaltino.

Talvez a equipe sinta falta de um jogador no meio-campo para variar o ritmo – embora Wagner venha cumprindo essa função como um ponta armador preferencialmente pela direita. Mas o novo camisa dez entrega mais dinâmica, participação sem a bola muitas vezes alinhado a Wellington à frente de Desábato e eficiência nas finalizações. É meia que pisa na área adversária.

Mesmo considerando a fragilidade da Universidad de Concepción no primeiro desafio na Libertadores e a eliminação na Taça Guanabara em meio ao caos político e as saídas dos jogadores, a impressão que fica é de que com calma e tempo para trabalhar Zé Ricardo terá condições de entregar um Vasco competitivo. Ainda que possa faltar um Nenê.

Paradoxalmente, o São Paulo que agora tem o meia, uma solução individual,  recebe no “kit” também um problema coletivo. Perdas e ganhos de um futebol complexo, sem receita de bolo.


Vasco vence na volta à Libertadores com a marca de Zé Ricardo: foco no jogo
Comentários Comente

André Rocha

Em meio à toda turbulência política do Vasco flertando com o caos neste início de 2018, Zé Ricardo só falou grosso quando chegou ao absurdo de não saber a quem se reportar no departamento de futebol.

Porque o foco do treinador é sempre o campo, o jogo. Discreto, até pacato, evita polêmicas ou reclamações que possam ser tratadas como “bengala”. Como o desgaste das viagens seguidas que prejudicou o desempenho do Flamengo na reta final do Brasileiro de 2016 em sua primeira experiência no comando de um time profissional. Para ele, falar de cansaço podia condicionar seus atletas e os adversários ou mesmo criar um “álibi” para os resultados ruins. Diminuir a concentração, um dos lemas de Zé Ricardo.

Por isso agora evitou protestar contra as baixas no elenco e valorizou os que ficaram, procurando manter a estrutura tática e o modelo de jogo. Organização e rapidez nas transições ofensivas e defensivas.

Priorizou a montagem do time e manteve o grupo mobilizado. Eis o maior mérito na vitória vascaína no retorno à Libertadores depois de cinco anos. Zé Ricardo mandou a campo um time eficiente que fez um duelo que parecia complicado e corria o risco de virar drama se transformar em goleada por 4 a 0 sobre a Universidad de Concepción.

Facilitada pelo gol logo aos dois minutos em bela combinação iniciada por Andrés Rios, passando por Wellington, o toque de calcanhar de Paulinho e a finalização precisa de Evander, o substituto de Nenê na execução do 4-2-3-1 com mais rapidez e intensidade.

Virtudes do novo camisa dez no segundo gol após o chute do goleiro Cristián Muñoz que pegou na mão de Ríos e sobrou para o jovem meia acertar chute de longe. No último ataque do primeiro tempo, a chance de consagração desperdiçada em belo contragolpe finalizado por Paulinho, mas Evander perdeu livre no rebote.

Foram cinco finalizações para cada lado, mas o Vasco chutou três no alvo contra nenhuma do time do jovem treinador Francisco Bozán que só foi perigoso nas descidas do lateral esquerdo De La Fuente para cima de Yago Pikachu – meia no ano passado que precisou voltar à lateral com as negociações de Gilberto com o Fluminense e Madson para o Grêmio.

O camisa dois sofreu um pouco atrás, mas estava bem posicionado para aproveitar mais uma falha de Muñoz e matar o jogo. Ainda houve tempo para outro contra-ataque letal que Rildo mandou para as redes. O ponteiro entrou com Thiago Galhardo e Riascos nas vagas de Wagner, Evander e Rios aumentando a velocidade nas saídas para o ataque.

O Concepción não pode reclamar da sorte, pois finalizou 13 vezes, mas nenhuma no alvo. Foi um time lento e insistindo demais em cruzamentos. Santiago Silva e Droguett pecaram nos momentos em que um gol poderia trazer o time mandante de volta para o jogo. Mas o Vasco não deu chance.

Chances para mais gols não faltaram, mas a melhor estreia cruzmaltina em Libertadores praticamente garante a classificação para a última etapa antes da fase de grupos. Triunfo com a marca de Zé Ricardo na primeira vitória fora de casa da carreira do treinador no principal torneio da América do Sul.

Pensando só em futebol, o Vasco subverteu tudo no Chile.

(Estatísticas: Conmebol)


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>