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Apesar de Paquetá, Flamengo adia título do Palmeiras e complica Sport
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André Rocha

O Palmeiras decepcionou ao empatar com o lanterna Paraná, sim. Atuação fraquíssima, mesmo com a atenuante da forte chuva. Mas objetivamente pontuou fora e aumentou a invencibilidade para 20 partidas. Com a derrota do Internacional para o Botafogo no Nílton Santos ainda manteve os cinco pontos de vantagem na liderança.

O ponto fora da curva foi a vitória do Flamengo na Ilha do Retiro sobre o Sport que evoluía em desempenho e resultados com Milton Mendes no comando técnico e vinha de cinco rodadas de invencibilidade.

Mudanças forçadas nos dois lados, cenário mais complicado para Dorival Júnior sem Rodinei e Pará na lateral direita, Diego, Uribe e ainda Everton Ribeiro, desgastado, no banco de reservas. Léo Duarte foi improvisado como lateral e Rhodolfo entrou na zaga. Milton Mendes também deslocou um zagueiro: Ernando na lateral esquerda.

Primeiro tempo de equilíbrio e o Flamengo, mesmo com 40% de posse de bola, uma raridade na competição, finalizou cinco vezes e teve boa oportunidade com Vitinho, completando jogada de Paquetá e Renê pela esquerda. O Sport também incomodava mais com Mateus Gonçalves para cima de Léo Duarte. O time carioca agredia pouco do lado oposto, mais com Willian Arão que nas jogadas de Geuvânio, novamente errando muito tecnicamente.

Disputa parelha na segunda etapa até a tola expulsão de Paquetá. Por mais que Dorival defenda seu jovem atleta e o camisa onze até tenha participado bem de alguns ataques, a dispersão do meia depois da negociação com o Milan é nítida. A cabeça não está mais na disputa do Brasileiro. A desconcentração permite faltas bobas como a que cometeu sobre Ernando. Ainda na intermediária do Sport, sem nenhum perigo de contragolpe. Já com cartão amarelo.

Atrapalhou ainda mais porque Dorival preparava as entradas de Berrío e Everton Ribeiro. Mesmo surpreendido, o treinador sacou Geuvânio e Henrique Dourado. No 4-4-1 alternando os dois substitutos no centro do ataque, o Fla cresceu porque ganhou espaços para acelerar as transições ofensivas. O Sport se lançou à frente naturalmente com a vantagem numérica e pela necessidade de três pontos para se afastar do Z-4.

O Flamengo “arame liso” pareceu dar as caras em Recife quando Berrío cabeceou na trave completamente livre. Até que surgiu o heroi improvável: Willian Arão. O volante que costuma fraquejar mentalmente quando o jogo fica mais duro e não tem o jogo aéreo como ponto forte aproveitou cobrança de escanteio de Vitinho para desviar de cabeça na primeira trave e definir o jogo.

Os minutos finais foram de Piris da Motta no lugar de Vitinho e o abafa descoordenado do Sport com Fellipe Bastos, Marlone e Matheus Peixoto, que ridiculamente tentou cavar pênalti em disputa com o goleiro César desperdiçando mais um ataque. Muitos cruzamentos, pouca eficiência. O rubro-negro pernambucano deve lutar até o fim para se manter na Série A.

O Fla ganhou uma rodada. Agora vai seguir na busca que só não é impossível por ser futebol. Jogo duro contra o Grêmio no Maracanã e o Palmeiras em casa encarando o América, que venceu o Santos e pode até dar trabalho. Mas o fato é que o campeonato pode acabar na quarta-feira – se o Internacional também não vencer em casa o Atlético-MG.

A boa notícia para o Fla é que Lucas Paquetá está suspenso. Sério desfalque em outros tempos, agora pode fazer o time render mais e tentar virar a lógica do avesso no Brasileirão. O mundo gira como a bola. Mas não deve mudar o campeão de 2018.

(Estatísticas: Footstats)


Atento e eficiente, Palmeiras é campeão brasileiro. Só falta a matemática
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André Rocha

A vitória por 3 a 0 sobre o Fluminense no Allianz Parque foi mais um típico triunfo do Palmeiras de Luiz Felipe Scolari.

Concentração sem a bola, futebol simples e direto usando e abusando da qualidade de jogadores como Bruno Henrique, Dudu e Lucas Lima para definir o jogo. Insiste, inclusive na bola parada, explora as deficiências dos adversários com maiores fragilidades técnicas e táticas, além da carência de peças de qualidade.

É simplesmente impossível tirar do líder absoluto mais um título brasileiro, repetindo 2016 na era dos pontos corridos. Com todos disponíveis, foco total na competição, confiança lá no teto e os concorrentes diretos Internacional e Flamengo já jogando a tolha e tropeçando na própria incompetência.

Gol de Borja no primeiro tempo completando bela jogada de Diogo Barbosa, depois Felipe Melo, que entrou na vaga de Lucas Lima, acertou um chute espetacular no ângulo de Julio César e Luan no final completou na bola parada. O Flu tentou duelar de igual para igual, Marcelo Oliveira desfez o sistema com três zagueiros e apelou para o 4-2-3-1.  Mas simplesmente não dá para competir.

55% de posse de bola, ainda que apelando para lançamentos e rebatidas, ou chutões mesmo, por 76 vezes e trocando menos passe que o Flu – 264 x 267. Mas foram 17 finalizações, oito no alvo. Enquanto os demais oscilam, o Palmeiras completa um turno sem derrotas, 19 partidas. Impossível questionar a competência para pontuar sempre. Sempre atento.

É o campeão brasileiro de 2018. No apito final, mais uma comemoração de jogadores, comissão técnica e torcedores. Agora só falta a matemática para entregar a taça. Questão de tempo.

(Estatísticas: Footstats)


Só um improvável “efeito São Paulo” pode tirar o título do Palmeiras
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André Rocha

As chances de reação do Flamengo de Dorival Júnior em busca do título voaram longe como os chutes de Lucas Paquetá contra o Palmeiras e Vitinho diante do São Paulo no Morumbi. Fraqueza mental que deve minar ainda mais as forças em uma tabela complicada nos seis jogos que restam – Botafogo, Sport e Cruzeiro como visitante e Santos, Grêmio, Atlético-PR em casa.

Sobra o Internacional, novo vice-líder depois da virada dramática sobre o Atlético-PR no Beira-Rio com gol no final em pênalti mais que discutível sobre Rossi. Com o ânimo de quem chegou mais longe que imaginava pode sonhar com uma virada. A tabela é acessível: América, Atlético-MG e Fluminense em Porto Alegre e Ceará, Botafogo e Paraná fora.

Mas depois da vitória no sábado sobre o Santos por 3 a 2 em um jogo maluco com gol de falta de Victor Luis num frango de Vanderlei quando o adversário parecia mais próximo da virada, é impossível não ver o título se encaminhando para Luiz Felipe Scolari e seus comandados.

A única chance de surpresa desagradável seria um “efeito São Paulo”. Ou seja, cair vertiginosamente de produção quando passa a se dedicar exclusivamente ao Brasileiro por conta de eliminações no mata-mata. As semanas cheias jogando contra pelo tempo para pensar no peso do favoritismo. A ansiedade sufocante fazendo o desempenho despencar e os resultados seguirem a trilha ladeira abaixo.

Algo bastante improvável. Primeiro porque o Palmeiras, mesmo carregando a pressão por grandes conquistas depois que o investimento no elenco aumentou,  foi campeão brasileiro há dois anos. Não carrega o fardo de falta de títulos do Tricolor do Morumbi. Ainda há no grupo remanescentes da conquista de 2016 com Cuca. E mesmo que Felipão não tenha um título por pontos corridos no país, a experiência do treinador para lidar com essa responsabilidade também cria ambiente mais sereno. Há um escudo.

Sem contar a qualidade. É claro que a ausência de Dudu, por exemplo, seria um duro golpe, mas não do tamanho da de Everton para Diego Aguirre pela falta de reposição. Com todos à disposição é possível armar o time em função de cada adversário.

Nada muito complicado: visita Atlético-MG, Paraná e Vasco e enfrenta Fluminense, América e Vitória em São Paulo. Com cinco pontos de vantagem sobre o Inter. Uma rodada e mais dois pontos. Fruto da campanha espetacular no returno até aqui: dez vitórias e três empates. Incríveis 85% de aproveitamento. Para perder o título teria que cair para 66% – ou seja, ganhar apenas 12 dos 18 que restam –  e o Internacional responder com 100%.

Se derrapar só não será mais vexatório que em 2009, quando o time comandado por Muricy Ramalho era favorito absoluto e perdeu até a vaga na Libertadores. Nada leva a crer que possa acontecer. Parece questão de tempo. A tendência é que a matemática faça seu serviço na antepenúltima ou penúltima rodada.


Futebol “serotonina” está mais perto da vitória que o “testosterona”
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André Rocha

Foto: Agustin Marcarian/Reuters

Este que escreve não é médico e a ideia do texto é fazer apenas uma analogia.

No Brasil, com o êxodo cada vez mais cedo dos talentos, criou-se a ideia de que o único futebol possível para ser bem sucedido é o pragmático, físico, de imposição da força em detrimento da técnica e da tática.

Quando o assunto é Libertadores isto fica ainda mais acentuado. “É guerra!” Vira uma disputa de quem é mais macho, grita mais alto. Vira um jogo à parte, mundo paralelo. Uma espécie de ode à virilidade.

É o futebol “testosterona” – alusão ao hormônio masculino associado à libido, força, desenvolvimento muscular, etc. que, quando desregulado pode gerar raiva, agressividade e tendência a agir por impulsos.

Hoje o maior símbolo deste fenômeno no futebol brasileiro é Felipe Melo. Intempestivo, às vezes histérico no campo discutindo com companheiros, adversários e árbitros. Muitas vezes desperdiça energia na ânsia de se impor como o “xerifão” e acaba cansando e se desconcentrando de sua função em campo. No gol de Benedetto que ratificou a classificação do Boca Juniors no Allianz Parque, o volante estava mal posicionado, demorou a reagir e permitiu a finalização do atacante argentino.

Mas o Grêmio, grande exceção até então no Brasil, também acabou apelando para um modo mais rústico ao se deparar com um River Plate técnico e organizado. Sem contar com Luan nos dois jogos da semifinal e em boa parte deles também sem Everton Cebolinha, o grande destaque nesta temporada.

O estilo mais defensivo foi compreensível e bem aplicado no Monumental de Nuñez. Em casa, porém, o clima de final foi transformando o time de Renato Gaúcho. Pragmatismo, tensão, mais jogo de contato, marcação forte. Quando Everton entrou em campo, faltou confiança para definir o jogo e a vaga na decisão. Sobrou luta, o atual campeão vai questionar eternamente a arbitragem por conta do gol de Borré com a bola desviando em seu braço e a comunicação do treinador Marcelo Gallardo com seu auxiliar à beira do campo. Mas foi visível a queda de desempenho. Por força das circunstâncias acabou trocado pelo “jogo de Libertadores” que fez mais uma vítima no Brasil.

Melhor para o futebol “serotonina” – relativo à substância que, resumindo bastante, faz a transmissão de dados entre os neurônios. Se bem dosada regula o sono, o apetite e o humor. Contribui também para agir com confiança e na capacidade de responder aos estímulos com rapidez e qualidade. Por isso está diretamente associada ao prazer.

Exatamente as características que costumam marcar os gigantes argentinos Boca Juniors e River Plate. Especialmente na Libertadores. São times que gostam de disputá-la e entram em campo sem o peso que as equipes brasileiras carregam.

Dentro ou fora de casa conseguem impor o ritmo e jogar com naturalidade. Inteligência sem arroubos. Intensidade sem desespero ou agressividade. Trabalham com naturalidade e não se abatem com adversidades. Oscilam sem desespero e tentam retomar o mais rápido possível a capacidade de controlar o jogo e os nervos.

Mesmo quando não contam com grandes esquadrões parecem saber exatamente o que precisam fazer em campo. Não se lançam ao ataque de forma inconsequente, nem se instalam no próprio campo guardando a própria meta com temor. São adaptáveis, sabem a hora de acelerar ou “congelar” a bola ganhando preciosos segundos em reposições, faltas e também trocando passes no campo adversário.

Não é fórmula perfeita, ainda mais no esporte mais caótico e imprevisível. Mas o futebol “serotonina” está mais próximo da vitória que o “testosterona”. Porque a agressividade quase sempre é domada pela calma confiante. Por isso também é que Boca Juniors e River Plate farão a final das finais da Libertadores em Buenos Aires.


Palmeiras é mais uma vítima brasileira da força mental do Boca Juniors
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André Rocha

Não é o melhor Boca Juniors da história, longe disso. Mas o time dos irmãos Schelotto que vai fazer uma das maiores, se não for a maior, final da Libertadores da história contra o River Plate segue uma tradição do clube na principal competição sul-americana.

A equipe que perdeu para o Palmeiras de Roger Machado na fase de grupos e correu sério risco de ser eliminada cresceu demais no mata-mata por conta de sua mentalidade vencedora. Independentemente de quem está em campo, a postura é de time grande e vencedor.

Pode sofrer e ficar acuado, como no início do jogo no Allianz Parque e na virada do segundo tempo que deu alguma esperança a Luiz Felipe Scolari e seus comandados. Mas nunca abdica do jogo, dificilmente se desespera e sabe “congelar” a bola para o sufoco passar e voltar a atacar.

Desta vez num 4-3-3 com Villa e Pavón nas pontas e Ábila no centro do ataque. Para se antecipar a Luan e abrir o placar sobre um Palmeiras forçando demais o jogo em Dudu pela direita ou no pivô de Deyverson. Mesmo com Lucas Lima tentando qualificar o toque no meio-campo.

O jogo direto e rústico criou alguns problemas para o time argentino quando se transformava em volume de jogo ao dominar os rebotes e voltar a atacar, insistindo nas jogadas pelos flancos. Mas foi no abafa da segunda etapa que saíram os gols de Luan e Gómez cobrando pênalti sobre Dudu.

O único momento em que o time xeneize baixou um pouco a guarda. Mas impressiona como admite a dificuldade, oscila mentalmente, porém não se desmancha. Voltou a jogar com Zárate na vaga de Pavón e Benedetto no lugar de Ábila. Sem mudar o desenho tático e o modelo.

Quando Felipe Melo, em reta final da carreira e obrigado a marcar por encaixe e perseguição depois de anos na Europa defendendo por zona, cansou e deu espaços, Benedetto marcou seu terceiro gol dos quatro do Boca na semifinal e matou o confronto com os 2 a 2.

Com Moisés, Borja e Gustavo Scarpa, o Palmeiras insistiu, porém perdeu organização. 31 lançamentos, 37 cruzamentos e 30 rebatidas. Mesmo com 326 passes certos e 60% de posse sempre fica a impressão de que o Palmeiras de Felipão poderia trabalhar mais a bola. No futebol jogado no Brasil tem bastado.

Os argentinos administraram com aquela combinação de pressão no adversário com a bola e seguir atacando, mas sempre ganhando todo o tempo possível para esfriar o oponente.

Confirmando a 16ª classificação em 19 duelos em mata-mata contra brasileiros. Massacre histórico de uma força mental que vai buscar contra o maior rival a sétima conquista para se igualar ao Independiente como maior vencedor da história do torneio.

(Estatísticas: Footstats)


Palmeiras e Flamengo iguais na força pela esquerda. Empate encaminha taça
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André Rocha

Apesar das ausências importantes e da preocupação com a volta contra o Boca Juniors pela Libertadores, o Palmeiras tinha o jogo à sua feição pelo contexto. Mesmo contra o Maracanã cheio e um Flamengo confiante depois da chegada de Dorival Júnior.

Porque no futebol jogado dentro do Brasil quem pode atuar negando espaços e explorando as costas da retaguarda adversária sempre leva vantagem. Física, tática, técnica e mental. O time de Felipão se fechava em duas linhas de quatro com muita concentração para não permitir as triangulações e sempre pressionando o adversário com a bola.

Só tinha um “ponto cego”. Já esperado pelas ausências de Marcos Rocha e Mayke. Felipão posicionou Luan na lateral direita, mas o zagueiro sofreu no duelo com Vitinho, o grande destaque rubro-negro no primeiro tempo. O ponteiro do 4-2-3-1 do Fla que teve a grande chance nos primeiros 45 minutos quando Vitinho passou como quis por Luan e teve tempo e espaço para levantar a cabeça, mas não percebeu o deslocamento perfeito de Arão, que ficaria de frente para Weverton. Cruzamento errado, chance desperdiçada.

O Palmeiras também atacava pela esquerda, com Dudu para cima de Pará. Na primeira etapa não teve grande efeito prático, mas logo após a volta do intervalo a bola longa pegou o lateral direito do Flamengo mal posicionado e cedento espaço suficiente para o melhor jogador do campeonato até aqui cortar para dentro, limpar também Léo Duarte e bater no canto esquerdo de César.

Vitinho sentiu lesão no segundo tempo e Dorival colocou Marlos Moreno. Antes havia trocado Arão por Diego e voltado ao 4-1-4-1 dos tempos de Mauricio Barbieri. Luan também saiu desgastado para a entrada de Gustavo Gómez. As trocas criaram uma vantagem clara do atacante colombiano sobre o zagueiro paraguaio na velocidade.

Marlos recebeu nas costas de Gómez, cortou Antônio Carlos e empatou. Marlos não marcava desde 2016. Já o artilheiro do Flamengo no Brasileiro com dez gols perdeu a grande chance da virada. Antes de Felipão corrigir a marcação no setor ao deslocar o volante Thiago Santos para a direita, o ponteiro disparou e serviu Paquetá que, livre, bateu por cima.

Era a bola de um jogo estrategicamente igual. Já era esperado que o Flamengo tivesse muito mais posse (62%). Talvez não tantas finalizações – 19, mas só quatro no alvo. Mas novamente exagerou nos cruzamentos em uma partida decisiva: 43. O Palmeiras efetou 64 lançamentos e 50 rebatidas, também previsível para o “padrão Felipão”. Assim como a eficiência de finalizar sete vezes, duas no alvo e uma nas redes.

De Dudu, que se sacrifica nas duas competições porque o time depende dele. Vai precisar demais do fator de desequilíbrio contra o Boca no Allianz Parque. Já no Brasileiro a missão agora é administrar. Quatro pontos de vantagem mantidos, um confronto direto a menos e sete rodadas com tabela em tese mais fácil que a sequência de jogos dos concorrentes.

O título parece encaminhado. Logo o que o Palmeiras não priorizou e, por isso, jogou com calma e leveza. Vantagem considerável no tenso, quase surtado, ambiente de time grande no Brasil.

(Estatísticas: Footstats)


Palmeiras de Felipão perde quando abre mão da “trocação”. Mas ainda vive
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André Rocha

O Palmeiras foi o mesmo por 70 minutos na Bombonera. Muita concentração defensiva, pressão no adversário com a bola, encaixe no setor para não permitir superioridade numérica. Bola roubada, muitas ligações diretas (53 lançamentos) em busca de Borja na frente ou das extremas com Dudu e Willian.

O Boca Juniors também muito atento aos contragolpes do oponente, com Barrios na proteção e última linha posicionada para guardar a própria área. Na construção, porém, foi igualmente sem criatividade. Com Ábila na frente, abrindo mão de Villa na ponta e posicionando Zárate pela esquerda num 4-1-4-1.

Jogo igual que foi acomodando o time de Felipão no jogo. Talvez o primeiro tempo muito fraco tecnicamente tenha passado a impressão de que seria mais fácil controlar. E aí veio o equívoco no comportamento ao longo do segundo tempo e com mais ênfase a partir dos 25 minutos.

Porque o Palmeiras não é um time de controle, mas de “trocação”. Troca ataques e tenta se defender melhor e desequilibrar na frente com as individualidades. Mesmo com vantagem no placar segue incomodando. Desta vez jogou por uma bola e foi pouco. Até porque não valoriza a posse para esfriar o rival.

Quando Guillermo Schelotto trocou Ábila por Benedetto, o Boca ganhou uma referência mais móvel. Já com Villa no lugar de Zárate. Sem nenhuma grande evolução, apenas com um pouco mais de dinâmica e fôlego renovado na frente, o time argentino conseguiu os gols com o centroavante substituto. Benedetto ganhou no alto de Felipe Melo e abriu o placar. Depois, por baixo, limpou Luan e bateu no canto de Weverton.

Entre um gol e outro, dos 38 aos 43, o único momento em que a Bombonera pulsou e intimidou o rival. Pela primeira vez se viu o seguro Palmeiras assustado. Também porque não vinha mais criando problemas ao sistema defensivo xeneize.

O placar de 2 a 0 parece exagerado. Mesmo com o Boca impondo 57% de posse, e nove finalizações contra oito. Mas seis a dois no alvo. Poucas chances cristalinas. No geral, muito equilíbrio. Por isso o Palmeiras ainda vive na semifinal da Libertadores. Mas terá que voltar à sua essência com intensidade máxima. E força mental para lidar com a obrigação de reverter um cenário agora tão complexo.

(Estatísticas: Footstats)


São Paulo sofre sem títulos porque não se preparou para perder
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André Rocha

Em dezembro de 2008, o debate por essas terras era se o São Paulo se transformaria no “Lyon brasileiro” e criaria uma dinastia, com títulos seguidos sem dar chance aos demais. Havia um projeto ambicioso de se tornar a maior torcida do país.

O ano virou, o Corinthians trouxe Ronaldo Fenômeno, transformou sua imagem e construiu os alicerces para o período mais vitorioso de sua história. Com sete títulos brasileiros, um a mais que o rival tricolor. O Santos de Neymar venceu Copa do Brasil e Libertadores. O Palmeiras afundou e depois submergiu com Paulo Nobre, depois Crefisa. Os dois rivais na cidade agora têm estádios modernos, não precisam mais do Morumbi. O Santos, quando precisa, “herda” o Pacaembu.

O São Paulo venceu uma Sul-Americana em 2012 e só. Segue olhando para o passado “Soberano” e andando em círculos. Sempre os mesmos nomes se revezando na presidência. A solução parece ser sempre resgatar algo. Os três zagueiros, Muricy Ramalho, Paulo Autuori, Raí, Ricardo Rocha… Lugano e a raça uruguaia agora com Diego Aguirre no comando técnico.

No empate sem gols contra o Atlético Paranaense no Morumbi, a pá de cal anímica na pretensão de voltar a ser campeão brasileiro. Na matemática ainda é possível, mas em campo não há mais respostas. Logo no período em que se imaginava que as semanas para recuperação física e dedicada a treinamentos levariam a equipe a outro patamar.

O São Paulo estagnou. Ou congelou com o favoritismo inesperado. O elenco parece frágil, sem opções. Mas qual era a oferta, por exemplo, para Fabio Carille no ano passado? As informações de bastidores sinalizam que a relação entre Aguirre e elenco é tensa. Mas o Palmeiras de Cuca de 2016 era uma panela de pressão, o ambiente quase paranóico, mas o time em campo entregava os resultados, nem que fosse na marra.

O que falta no Morumbi? A impressão é de que os títulos não chegam porque o clube não se preparou para perder na típica alternância de poder do futebol paulista e brasileiro. A sequência de conquistas de 2005 a 2008 com Libertadores, Mundial e três brasileiros era apenas um ciclo, não o resultado de uma fórmula mágica e eterna.

Agora sente o peso da responsabilidade de voltar a ser vencedor. Neste ambiente, as semanas sem jogos são um tormento. Minutos, horas e dias lembrando que o gigante brasileiro é obrigado a despertar e levantar uma taça. Pressão que esmaga mentes e espíritos.

Não pode ser só falta de conteúdo nos treinos porque no Brasil isto nunca foi problema. Desfalques todos têm, o líder do campeonato escala há tempos mais reservas que titulares. O problema é mais profundo e emocional. Típico num futebol mais sentido que pensado e jogado.

Ver Corinthians e Palmeiras dominando o cenário nacional recente é um pesadelo sem fim. A sensação de ter ficado para trás desmancha a autoestima, alimenta um saudosismo destrutivo.  Talvez o clube peça perdão e traga Rogério Ceni de volta para 2019. De novo olhando para as glórias do passado, como está no hino.

O São Paulo é fraco mentalmente hoje porque não consegue enxergar um lugar para si no futuro. Um ciclo vicioso e perigoso que ganha novo capítulo dramático.

 


Cruzeiro bi e maior campeão da Copa do Brasil, com a marca de Mano Menezes
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André Rocha

O mais impressionante da campanha cruzeirense na sexta conquista da Copa do Brasil, o primeiro a vencer duas vezes consecutivas, foi a campanha fora de casa. Atlético-PR, Santos, Palmeiras e Corinthians. 100% de aproveitamento.

Porque é um time frio e “cascudo”, mas, acima de tudo, organizado por Mano Menezes. Sempre compacto e com setores bem coordenados. Ataca pronto para defender, se posta atrás preparado para as rápidas transições ofensivas. Muita concentração na execução do plano de jogo, além da mentalidade vencedora. Desta vez com desempenho mais consistente do que em 2017, mesmo com alguns problemas jogando no Mineirão.

Na final em Itaquera, um primeiro tempo quase perfeito taticamente. Mesmo com Rafinha sacrificado para auxiliar Lucas Romero, improvisado na lateral esquerda. Além do gol de Robinho, no rebote do chute na trave de Barcos aproveitando falha de Léo Santos, uma cabeçada na trave de Dedé, o melhor da final. Oito finalizações, quatro no alvo. Não permitiu nenhuma na direção de Fabio em 45 minutos.

Sofreu na segunda etapa com o pênalti, mais que discutível assinalado pelo árbitro Wagner do Nascimento Magalhães com auxílio do VAR, de Thiago Neves sobre Ralf e convertido por Jadson. Compensado pela falta, também muito questionável e novamente utilizando árbitro de vídeo, de Jadson em Dedé no lance que terminou no golaço de Pedrinho que levaria para a decisão por pênaltis. Este que escreve não teria marcado nenhuma das duas.

Time e torcida da casa esfriaram, o Cruzeiro se reagrupou num 4-1-4-1 com Henrique entre as linhas de quatro, Lucas Silva no lugar de Thiago Neves e Raniel e De Arrascaeta,substitutos de Barcos e Rafinha, prontos para os contragolpes. Na saída rápida, passe do atacante e gol do uruguaio que cruzou o mundo depois de servir sua seleção e fez valer o investimento com belo toque por cima de Cássio.

O Corinthians fez o que pôde dentro de seu contexto de dificuldade financeira e desmanche de elenco e comissão técnica. Jair Ventura foi infeliz na formação inicial num 4-2-3-1 com Emerson Sheik e Jonathas na tentativa de tornar sua equipe ofensiva. Sacrificou Jadson na organização e criou pouco. Na segunda etapa foi na fibra, no grito. Não deu.

Porque o Cruzeiro é forte e um visitante indigesto no mata-mata nacional. Com a marca de Mano Menezes, treinador tricampeão do torneio. Um dos melhores do Brasil no trabalho mais longevo entre os grandes do país. Terminou em taça mais uma vez.

(Estatísticas: Footstats)


Palmeiras de Felipão é versão aprimorada do campeão brasileiro com Cuca
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André Rocha

Everton faz uma falta tremenda ao Grêmio. É o desafogo dos contragolpes, o ponteiro do drible que desarticula o sistema defensivo adversário. Da infiltração em diagonal para a finalização. Um desfalque imenso para uma partida do tamanho do confronto fora de casa contra o líder do campeonato.

Mas convenhamos que por mais que se dedique e reforce o discurso de que a competição por pontos corridos é importante, a concentração e a intensidade do Grêmio no Brasileiro nunca é a mesma em relação à Libertadores. É cultura, assimilada por Renato Gaúcho, maior ídolo da história do clube, e por seus comandados.

Nada disso, porém, tira os méritos dos 2 a 0 do Palmeiras no Pacaembu. Uma atuação segura, sólida, que permitiu apenas três finalizações do atual campeão sul-americano. Nenhum no alvo. O Alviverde concluiu sete, cinco na direção da meta de Paulo Victor. Nem tanto assim, mas o jogo todo deixou a impressão de que poderia marcar mais gols, mesmo com apenas 40% de posse.

Porque Luiz Felipe Scolari e sua comissão técnica conseguiram fazer o elenco assimilar a proposta de jogo rapidamente e com muita precisão, aditivada pela confiança por conta dos bons resultados. A ponto de poder mesclar cada vez mais titulares e reservas sem queda de desempenho por falta de entrosamento.

Contra o Grêmio, a maior virtude foi a concentração no trabalho sem bola. Depois do sucesso no duelo com o Colo Colo pelas quartas de final da Libertadores, Felipão resolveu seguir apostando na marcação por encaixe. Diante do time de Renato Gaúcho, que no país é quem trabalha no modelo mais próximo do jogo de posição, com toques curtos e mobilidade em pequenos espaços, as perseguições nem precisavam ser tão longas, o que costuma desarrumar mais os setores.

Os duelos, então, ficavam bem definidos: Dudu e Willian voltavam com os laterais Leo Gomes e Marcelo Oliveira, Thiago Santos pegava Luan, Moisés bloqueava Maicon, Bruno Henrique batia com Cícero. Mayke esperava Pepê, o mesmo do lado oposto com Diogo Barbosa contra Alisson. Zagueiros Luan e Gustavo Gómez cuidavam de Jael. Na frente, Deyverson incomodava Geromel e Bressan.

O gremista que recebia a bola era imediatamente pressionado por seu marcador. Nas tentativas de triangulação, quase nunca o Palmeiras permitia o terceiro homem livre – ou seja, aquele que se desmarca e vai receber a bola mais à frente. Impressionante como o time da casa permaneceu ligado durante os noventa minutos.

Bola retomada, muitas ligações diretas. Foram 44 lançamentos na partida. Quase sempre buscando Deyverson no pivô ou Dudu na velocidade. Não por acaso, os dois melhores em campo. Um desequilibrou com gols, outro como o ponteiro que Everton costuma ser para o Grêmio. O centroavante finalizou três vezes, duas no alvo. Nas redes.

O camisa sete, melhor em campo, foi quem mais acertou dribles e passes para finalizações. Cruzou para Deyverson desviar para o primeiro gol. Ganhou da defesa e rolou para Bruno Henrique chutar e Cícero salvar quase sobre a linha. Apesar de ainda insistir muito nas reclamações com a arbitragem, já é candidato a grande destaque individual do campeonato.

Marcação por encaixe, perseguições individuais, ligações diretas, concentração, Dudu desequilibrando. Tudo isso lembra demais a trajetória que terminou com o título em 2016. Sob o comando de Cuca. Campanha fantástica no segundo turno, outra semelhança.

Só que o time de Felipão, pelo menos até aqui, parece uma evolução daquele Palmeiras. Que tinha o talento de Gabriel Jesus, mas nem sempre um pivô como Deyverson para reter a bola e contribuir para o volume ofensivo. Mais leve, sem o peso dos 22 anos sem título brasileiro e o clima tenso que Cuca costuma criar na gestão do elenco, o jogo flui melhor.

Conta também, e muito, o elenco mais qualificado e homogêneo que o de dois anos atrás. Para vencer o Grêmio e praticamente tirá-lo da briga pelo título. Com os 3 a 1 do Internacional sobre o São Paulo no Beira-Rio, sobram três reais candidatos à principal competição nacional. Os dois vencedores das partidas mais importantes do domingo e mais o redivivo Flamengo de Dorival Júnior.

A menos que surja um “fato novo”, a única possibilidade de queda do líder é o contexto da semifinal da Libertadores contra o Boca Juniors e de uma possível decisão continental interferir muito nas rodadas de fim de semana. Hoje parece improvável. Mais fácil os outros dois tropeçarem na ansiedade por taças.

Favoritismo absoluto do Palmeiras, maior que os três pontos de vantagem na tabela sobre o Inter. Returno de oito vitórias e dois empates, 16 gols a favor e apenas cinco contra. Praticamente imune a desfalques, com confiança no teto e tratando o Brasileiro sem obsessão. Não é a prioridade, mas parece ser levado cada vez mais a sério faltando nove rodadas.

(Estatísticas: Footstats)