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Apesar de Paquetá, Flamengo adia título do Palmeiras e complica Sport
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André Rocha

O Palmeiras decepcionou ao empatar com o lanterna Paraná, sim. Atuação fraquíssima, mesmo com a atenuante da forte chuva. Mas objetivamente pontuou fora e aumentou a invencibilidade para 20 partidas. Com a derrota do Internacional para o Botafogo no Nílton Santos ainda manteve os cinco pontos de vantagem na liderança.

O ponto fora da curva foi a vitória do Flamengo na Ilha do Retiro sobre o Sport que evoluía em desempenho e resultados com Milton Mendes no comando técnico e vinha de cinco rodadas de invencibilidade.

Mudanças forçadas nos dois lados, cenário mais complicado para Dorival Júnior sem Rodinei e Pará na lateral direita, Diego, Uribe e ainda Everton Ribeiro, desgastado, no banco de reservas. Léo Duarte foi improvisado como lateral e Rhodolfo entrou na zaga. Milton Mendes também deslocou um zagueiro: Ernando na lateral esquerda.

Primeiro tempo de equilíbrio e o Flamengo, mesmo com 40% de posse de bola, uma raridade na competição, finalizou cinco vezes e teve boa oportunidade com Vitinho, completando jogada de Paquetá e Renê pela esquerda. O Sport também incomodava mais com Mateus Gonçalves para cima de Léo Duarte. O time carioca agredia pouco do lado oposto, mais com Willian Arão que nas jogadas de Geuvânio, novamente errando muito tecnicamente.

Disputa parelha na segunda etapa até a tola expulsão de Paquetá. Por mais que Dorival defenda seu jovem atleta e o camisa onze até tenha participado bem de alguns ataques, a dispersão do meia depois da negociação com o Milan é nítida. A cabeça não está mais na disputa do Brasileiro. A desconcentração permite faltas bobas como a que cometeu sobre Ernando. Ainda na intermediária do Sport, sem nenhum perigo de contragolpe. Já com cartão amarelo.

Atrapalhou ainda mais porque Dorival preparava as entradas de Berrío e Everton Ribeiro. Mesmo surpreendido, o treinador sacou Geuvânio e Henrique Dourado. No 4-4-1 alternando os dois substitutos no centro do ataque, o Fla cresceu porque ganhou espaços para acelerar as transições ofensivas. O Sport se lançou à frente naturalmente com a vantagem numérica e pela necessidade de três pontos para se afastar do Z-4.

O Flamengo “arame liso” pareceu dar as caras em Recife quando Berrío cabeceou na trave completamente livre. Até que surgiu o heroi improvável: Willian Arão. O volante que costuma fraquejar mentalmente quando o jogo fica mais duro e não tem o jogo aéreo como ponto forte aproveitou cobrança de escanteio de Vitinho para desviar de cabeça na primeira trave e definir o jogo.

Os minutos finais foram de Piris da Motta no lugar de Vitinho e o abafa descoordenado do Sport com Fellipe Bastos, Marlone e Matheus Peixoto, que ridiculamente tentou cavar pênalti em disputa com o goleiro César desperdiçando mais um ataque. Muitos cruzamentos, pouca eficiência. O rubro-negro pernambucano deve lutar até o fim para se manter na Série A.

O Fla ganhou uma rodada. Agora vai seguir na busca que só não é impossível por ser futebol. Jogo duro contra o Grêmio no Maracanã e o Palmeiras em casa encarando o América, que venceu o Santos e pode até dar trabalho. Mas o fato é que o campeonato pode acabar na quarta-feira – se o Internacional também não vencer em casa o Atlético-MG.

A boa notícia para o Fla é que Lucas Paquetá está suspenso. Sério desfalque em outros tempos, agora pode fazer o time render mais e tentar virar a lógica do avesso no Brasileirão. O mundo gira como a bola. Mas não deve mudar o campeão de 2018.

(Estatísticas: Footstats)


Fluminense ganha corpo e goleia Paraná com força ofensiva de seus volantes
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André Rocha

O virtual rebaixado Paraná não é parâmetro para avaliações mais profundas, mas foi ao Maracanã para complicar através da retranca. Claudinei Oliveira plantou cinco homens na última linha, por vezes seis. Guardando com muito cuidado o seu setor direito.

Porque Ayrton Lucas e Everaldo são as melhores opções ofensivas do Fluminense de Marcelo Oliveira que preservou boa parte das ideias de Abel Braga. Depois de experimentar linha de quatro, resolveu voltar aos três zagueiros. Mas num 3-4-1-2 mais móvel com a entrada de Luciano na vaga do lesionado Pedro. Mesmo desequilibrado ao deixar o lado direito apenas com o ala Léo e apoio eventual de alguém do meio ou do zagueiro Ibañez.

Como acontece com a maioria dos times brasileiros,  o Flu sofreu para trabalhar a bola e buscar as infiltrações. Trocava passes e batia no muro, depois ensaiou apelar para os cruzamentos, mas sem uma referência no ataque com boa estatura ficou claro que seria arma interessante apenas nas bolas paradas, com os zagueiros aparecendo na área adversária.

A solução que resolveu o jogo nos 4 a 0 que alçam o Flu à oitava colocação – pelo menos até o Cruzeiro, com a mesma pontuação, enfrentar o Ceará no jogo adiado por conta do jogo na quinta pela Libertadores emendado com eleições gerais no país e final da Copa do Brasil – foi atacar com os volantes. Dois gols de Jadson, um de Richard. Jogando de área a área.

Na dificuldade para penetrar, os chutes mesmo diante de um forte bloqueio. O de Everaldo que desviou e encontrou Jadson no primeiro, o de Richard que desviou na defesa e saiu do alcance do goleiro Richard Costa. No início do segundo tempo, outro de Jadson. Pisando na área adversária. Em ritmo de treino no final, com Paulo Ricardo, Calazans e  Danielzinho ganhando minutos, mais um de Luciano consolidando a goleada.

Imposição do estilo com 61% de posse de bola e 15 finalizações. Quatro de Jadson, duas de Richard, metade no alvo. 32 cruzamentos, número alto. Mas definiu com bola no chão e arriscando de fora. Atacando com os volantes. Recursos que não são tão habituais para abrir retrancas. Funcionou também pelas muitas fragilidades do Paraná.

O Fluminense cumpriu sua missão e ganha corpo. Se afasta do Z-4 para se concentrar nas quartas de final da Copa Sul-Americana contra o Nacional. Mas antes vai mais forte para o clássico contra o Flamengo sábado no Maracanã.

(Estatísticas: Footstats)


Péssimos no returno, Vasco e Botafogo voltam a flertar com o perigo
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André Rocha

Foto: André Durão/Globoesporte.com

Parece um passado distante, mas o Vasco disputou a Libertadores em 2018. Eliminado em um grupo complicado com Cruzeiro e Racing, mas conseguindo passar pelas fases preliminares. O Botafogo marcou presença no ano passado, também começando a trajetória no início do ano, e foi mais longe. Talvez o adversário mais complicado do campeão Grêmio, caindo nas quartas de final.

Era possível vislumbrar um período com alguma estabilidade depois da sequência de rebaixamentos de 2013 a 2015. As oscilações, porém, voltaram com força e os times cariocas flertam de novo com o perigo.

No returno, o Vasco soma quatro pontos em cinco partidas, mais a derrota por 1 a 0 para o Atlético-PR em jogo adiado. Estreia de Alberto Valentim, que foi campeão estadual pelo Botafogo vencendo o Vasco de Zé Ricardo e voltou de uma breve experiência no Pyramidis do Egito. Ainda tem uma partida a cumprir para chegar aos 24 jogos, fora de casa contra o Santos de Cuca e Gabigol. São quatro reveses consecutivos. Nenhum ponto com o novo treinador.

Já o Botafogo de Zé Ricardo, que comandou o time cruzmaltino no torneio continental, tem o mesmo desempenho: quatro pontos em cinco jogos. Aproveitamento de 27%. Ambos se igualam a Sport e Corinthians e só superam Paraná (dois pontos em cinco jogos) e Chapecoense (um ponto em quatro partidas), equipes que parecem fadadas ao rebaixamento, embora a recuperação ainda seja perfeitamente possível na matemática para ambas.

Clubes com problemas financeiros no primeiro ano dos mandatos dos presidentes Alexandre Campello e Nelson Mufarrej e quatro mudanças no comando técnico em nove meses de temporada. O Vasco teve Zé Ricardo, Jorginho, um breve hiato com o interino Valdir Bigode e agora Valentim. O Botafogo começou o ano com Felipe Conceição, depois Alberto Valentim saiu por proposta irrecusável – a única mudança sem a iniciativa do clube – para a chegada de Marcos Paquetá, que durou cinco jogos, e agora Zé Ricardo. Elencos também muito mexidos. Baixa qualidade e pouco entrosamento, sem um modelo de jogo assimilado. Uma fórmula que não costuma terminar bem.

Para complicar, Rodrigo Lindoso perdeu o pênalti do empate no clássico contra o Fluminense – uma bela defesa do goleiro tricolor Rodolfo – e Yago Pikachu foi expulso no Barradão na derrota para o Vitória e está suspenso para o clássico contra o Flamengo. Agora sob o comando de Paulo César Carpegiani, o time baiano subiu para a 12ª colocação, com dez pontos em 15 possíveis no returno. Com Tiago Nunes, o Atlético-PR também se afastou da “confusão” com bom futebol. Tem 27 pontos no 14º lugar e ainda dois jogos a cumprir.

Ceará também reage: são oito em seis partidas. Com os mesmos 24 pontos de Sport e Vasco, este o primeiro fora do G-4. Dois pontos abaixo do Bota, o 15º na tabela. Todos com aproveitamento total abaixo dos 40%. O Vasco já sofreu 35 gols. Só não levou mais que Vitória (40) e Sport (36).  O Botafogo sofreu 33, mas só marcou 21. Quinto ataque menos efetivo. Quarto pior saldo de gols.

A má notícia é o viés de queda em contraste com o Ceará de Lisca pontuando com mais frequência. É claro que nesta zona da tabela as variações são naturais e devem seguir até o final. Mas Vasco e Botafogo vivem situações preocupantes. A tensão de torcidas traumatizadas com descidas ao inferno da Série B torna tudo ainda mais explosivo.

O Botafogo tem uma competição em paralelo: disputa as oitavas de final da Copa Sul-Americana contra o Bahia. Uma possibilidade a mais de arrecadação e de vitórias para reagir animicamente no Brasileiro, mas também semanas “cheias” a menos que os concorrentes para recuperar e treinar.

É claro que o torcedor otimista pode ver esperança na classificação “achatada”: são seis pontos de distância do Vasco em relação ao décimo colocado, o Corinthians. Uma sequência de vitórias e a primeira página da tabela vira uma realidade.

Se tudo der errado e as campanhas forem novamente de rebaixado, a esperança da dupla carioca é que, ainda assim, quatro clubes caiam por eles. Já pareceu mais possível.  Os times se enfrentam dia 6 de outubro, pela 28ª rodada.


São Paulo e Internacional sofrem com a “síndrome do favoritismo”
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André Rocha

Quantas vezes você já ouviu logo após alguma conquista ou grande vitória no futebol brasileiro um jogador ou treinador, ainda na emoção e adrenalina do triunfo, falar que “ninguém acreditava na gente, mas trabalhamos quietinhos e está aí o resultado!” ou coisa parecida?

É muito comum porque faz parte da nossa cultura. Dos cinco títulos mundiais da seleção brasileira, a rigor, apenas o de 1962 foi com o favoritismo da conquista de 1958 e da base mantida. Ainda assim, teve que superar o abalo da perda de Pelé por lesão no Mundial do Chile.

Ser zebra é cômodo, não traz grandes responsabilidades. O trabalho motivacional tem um alvo fácil: “eles”, os que não acreditam e menosprezam. Mais fácil mobilizar, manter todos concentrados. Até uma raiva no limite certo colabora para competir mais forte.

No cenário do favoritismo só há exigências. De resultados e, na maioria das vezes, de espetáculo. Uma cobrança estética que é inviável por aqui pela falta de continuidade dos trabalhos, as constantes mudanças no elenco e a saída para o exterior dos mais talentosos ou que estejam se destacando.

São Paulo e Internacional não podiam ser considerados favoritos antes do Brasileiro. Até o Flamengo era uma incógnita, pela perda do Carioca e a demissão de Paulo César Carpegiani, sucedido pelo jovem Maurício Barbieri. O rubro-negro acabou surpreendendo nas primeiras doze rodadas antes da Copa do Mundo. Mesmo com alto investimento, a liderança conquistada com bom desempenho era inesperada.

Bastou retornar com o peso da expectativa, associada à saída de Vinícius Júnior para o Real Madrid e alimentada pela galhofa da torcida com o mantra “Segue o líder!”, para o rendimento cair. Com o “agosto negro” emendando partidas da Série A com Libertadores e Copa do Brasil, o desgaste completou o serviço.

Subiu o São Paulo e, no “vácuo”, o Internacional. Dedicados apenas ao Brasileirão, se transformaram nos times a serem batidos. Responsabilidade desconfortável mesmo para clubes grandes, porém com torcidas sofridas e sem grandes expectativas a curto prazo. De repente todos os holofotes estavam virados para a dupla de redivivos.

Junte a isso os modelos de jogo de Diego Aguirre e Odair Hellmann mais voltados para o controle de espaços, marcação com intensidade e saídas para o ataque em velocidade e temos duas equipes que sofrem quando precisam ocupar o campo de ataque e criar. Sem contar a instabilidade emocional e a insegurança para se impor.

Mais uma vez, o paradoxo: os resultados são construídos de uma maneira até a equipe alcançar o topo. Uma vez lá, para mantê-los é preciso mudar o estilo. O contexto exige, com adversários fechados. Agora o “franco atirador” está do outro lado.

Não por acaso o São Paulo empatou com o Paraná fora de casa e sofreu para vencer o Ceará no Morumbi. Nem jogou mal, apesar das 36 bolas levantadas na área do oponente, mas a dificuldade imposta, mesmo por times lutando para se manter na primeira divisão, é maior. As virtudes e defeitos são mais estudados. Além disso, como estimular e mobilizar se agora todos respeitam e muitos até temem? Não há nada a superar quando se está no topo.

Ou mesmo perto dele. O Internacional encarou seu primeiro grande duelo dos seis que terá no Beira-Rio neste returno. Expectativa e favoritismo, até pela opção de Luiz Felipe Scolari de escalar um Palmeiras repleto de reservas no Brasileiro para priorizar os torneios de mata-mata. Para complicar, a pressão por conta da vitória do São Paulo no jogo das 11h.

Resultado: um time tenso e ainda mais travado pela postura ofensiva do visitante, que finalizou 15 vezes contra oito, mesmo com apenas 42% de posse de bola. O Colorado hesitou quando mais se esperava dele. Talvez a ansiedade pela busca de um título que não vem desde 1979 justamente no ano da volta do inferno da Série B tenha pesado. Mas a partir de agora, já escaldado e sem preocupar tanto os adversário, é possível que as partidas ganhem menos peso.

Porque o favoritismo joga contra, ainda mais nos pontos corridos. No mata-mata há a imprevisibilidade, a chance do time menos poderoso se impor em casa ou surpreender fora. Na liga quem está na frente passa a ser tratado como a referência.

Repare nos últimos campeões: o Corinthians era chamado de “quarta força” em 2017, mas quando disparou na ponta sofreu contra equipes menores, principalmente em casa, pela obrigação de atacar. A vitória chave, sobre o Palmeiras, veio quando o time, mesmo ainda na primeira colocação, foi tratado como “zebra” por conta má fase. Fabio Carille mexeu no time, voltou a unir todos em torno de um “inimigo” e o triunfo no clássico encaminhou o hepta.

No ano anterior, o Palmeiras de Cuca liderava, mas parecia o azarão com o Flamengo atraindo toda atenção para si com o papo do “cheirinho”. Justamente o que manteve todos no Alviverde ligados e sem dar chance ao azar. Com a conquista e o aumento de investimento no elenco, mudou de patamar e, pressionado, não venceu mais nada.

Voltando à exigência por espetáculo, curioso observar que com Roger Machado havia uma cobrança por um estilo vistoso que não se vê com a volta de Felipão. Agora é futebol de resultados e só. Com menos pressão é possível pensar em novas conquistas.

Veja o Flamengo. Quando Eduardo Bandeira de Mello assumiu em 2013, a promessa era de títulos em dois anos, depois de equacionar dívidas e aumentar as receitas. Pois foi justamente no primeiro ano, com o elenco que foi possível montar dentro da austeridade financeira, que veio o único título nacional desta gestão: a Copa do Brasil. Desacreditado e arrancando na reta final. Agora, com uma contratação de impacto por ano desde 2015, o Fla coleciona fracassos no mais alto nível.

Por aqui vale muito o dito popular “quem tudo quer nada tem”. Mais fácil fingir que não pode, fazer o papel de coitadinho. Antes São Paulo e Internacional podiam blefar, agora não têm para onde correr. É preciso conviver e saber lidar com a “síndrome do favoritismo” tipicamente brasileira. Na segunda rodada do returno, o tricolor do Morumbi se saiu melhor e aumentou a vantagem na liderança.

(Estatísticas: Footstats)

 

 


Flamengo ainda mais líder e seguro até para abrigar os “renegados”
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André Rocha

Aos 19 minutos do segundo tempo, com 1 a 0 no placar e o Paraná de Rogerio Micale saindo mais para o ataque e rondando a área do Flamengo, Mauricio Barbieri colocou em campo Willian Arão no lugar de Jean Lucas. O jovem da base cumpriu boa atuação por dentro da linha de meias do 4-1-4-1 rubro-negro, embora não seja reposição para o talento de Lucas Paquetá na articulação.

Uma substituição controversa pela qual a torcida demonstrou contrariedade, ainda que um tanto contida pelo placar favorável e a ótima fase do time. Para compensar, a saudada entrada de Filipe Vizeu no lugar de Henrique Dourado – lutador mais uma vez, porém novamente destoando dos companheiros no desempenho.

Mas o líder do campeonato vive fase de tanta confiança e segurança que até os “renegados” são abrigados e respondem com boas jogadas. Como a infiltração de Arão, lembrando os tempos de Botafogo e até os melhores no próprio Fla, para servir Vizeu em sua despedida do Maracanã antes de partir para a Udinese. Segundo gol e jogo resolvido aos 20 minutos. Seis minutos depois, Diego saiu para a entrada de Marlos Moreno, outro que tem seu desempenho muito questionado. Mas quem se importou?

O Paraná baixou a guarda e o Fla, basicamente, jogou para que Vinícius Júnior fosse às redes no seu provável último jogo no Maracanã com a camisa do clube que o revelou e rendeu uma negociação com o Real Madrid. Mas o jovem parecia ansioso, emocionado. E não rendeu. Perdeu uma chance clara ao demorar a finalizar e só apareceu no final, em belo passe por elevação para o voleio de Everton Ribeiro que o goleiro Thiago Rodrigues salvou.

A última das nove finalizações do Fla, quatro no alvo. Contra sete do Paraná, mas nenhuma na direção da meta de Diego Alves. Muito por mais uma atuação correta do sistema defensivo rubro-negro. Com a última linha bem posicionada, mesmo com as constantes mudanças no miolo da zaga, e muita concentração de todos para pressionar logo após a perda da bola. Além disso, jogadores como Cuéllar e Renê têm sido precisos em desarmes e na tarefa de cercar o adversário e impedir o contragolpe rápido.

Um time bem distribuído em campo e que sabe o que fazer. Mesmo sem tanta criatividade, soube rodar a bola com paciência – teve 62%  de posse no primeiro tempo e terminou com 57%. Diego desta vez não foi tão objetivo na armação. Outro a sentir falta de Paquetá. Compensou com luta e sofrendo e cobrando a falta que desviou na barreira e saiu do alcance do goleiro. Para descomplicar o jogo.

Em outros tempos poderia ser uma partida perigosa pelo “oba oba” ou por uma certa acomodação pela boa vantagem na liderança, agora de seis pontos sobre Atlético-MG e São Paulo. Mas o Flamengo de Barbieri vem jogando com seriedade e consistência. Na última rodada antes da parada para a Copa do Mundo, um teste importante para confirmar a força coletiva contra o Palmeiras em São Paulo.

Ainda que em julho comece outro campeonato. Por isso a importância para o Fla de tentar até aumentar a vantagem para administrá-la especialmente no decisivo mês de agosto, com jogos seguidos contra Cruzeiro e Grêmio, incluindo Copa do Brasil e Libertadores. Sem Vizeu e, provavelmente, Vinicius Júnior. E o time de melhor campanha no Brasileiro ainda pode ser alvo de mais assédio durante o Mundial – quem sabe o futuro de Paquetá?

Como será o amanhã do Flamengo? Se é impossível prever o futuro, a torcida curte a fase iluminada, na qual até Willian Arão ressurge para ser decisivo.

(Estatísticas: Footstats)


Centroavante para quê, Corinthians?
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André Rocha

A importância de Jô como artilheiro, pivô e atacante que abre espaços no Corinthians campeão paulista e brasileiro em 2017 é inegável e até dispensa estatísticas para comprová-la.

Mas em 2018 a mudança de Fabio Carille descartando as opções de centroavante – Kazim e Júnior Dutra – e incluindo um volante para dar liberdade a Jadson e Rodriguinho como “falsos noves” deu liga sem mudar a identidade da equipe.

Estão lá as duas linhas de quatro compactas, a concentração, a última linha defensiva bem posicionada, as rápidas transições ofensiva e defensiva. Sem a referência, não há mais um homem fixo na área adversária, mas vários chegando.

Nos 4 a 0 sobre o Paraná em Vila Capanema, primeiro chegou Rodriguinho, o goleador da nova fase. Sidcley dois minutos depois. Na segunda etapa, Clayson que entrou na vaga de Jadson aproveitou jogada pela direita e depois serviu o volante Gabriel.

É claro que a ausência de Maycon, que vai para o Shakhtar Donetsk na parada para a Copa do Mundo, não terá a reposição com mesma qualidade com Renê Júnior. Mas dentro de um time organizado e com modelo de jogo assimilado a adaptação de uma nova peça é mais rápida e menos traumática.

Mais um passeio no modo Corinthians. Posse de bola quase empatada, sete finalizações contra nove do Paraná. Quatro no alvo. Nas redes. A equipe de Rogerio Micale tentou jogar, mas é um trabalho no início de um time voltando à Série A. Contra uma rara equipe consciente jogando em alto nível no país fica bem mais complicado.

Roger chega do Internacional e Carille ganha mais uma opção ofensiva. Importante para uma temporada longa e dura, com várias frentes. Mas hoje a dinâmica ofensiva do campeão brasileiro e bi paulista pode prescindir das características de um atacante de referência. Centroavante para quê?

(Estatísticas: Footstats)


Qualquer projeção para o Brasileirão é chute, puro e simples
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André Rocha

Todo ano era a mesma tortura. Fim dos estaduais e logo aparecia alguém pedindo projeções para o Brasileirão. Título, vagas na Libertadores, rebaixados. Em maio. Para um campeonato que acaba no fim de novembro. Com uma janela de transferências que parece nunca fechar. Agora Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil durando o ano todo.

E quem é pago para analisar tinha que recorrer ao tiro no escuro. Para ser cobrado depois porque para muita gente quem trabalha com futebol tem que ser adivinho e cravar o que vai acontecer, mesmo com tantas variáveis possíveis. Como se jornalistas de Economia ou Política tivessem que prever todas as oscilações de mercado ou diplomáticas e traçar um cenário preciso até o fim do ano para serem considerados minimamente competentes.

Na era dos memes e da zoeira que sempre carrega um pouco de covardia, mas dá para tirar de letra, o que é dito ou escrito tem que valer por seis meses. Se errar logo vêm os mantras “tá fácil ser jornalista”, “por isso não exigem diploma” e outras pérolas dos “jênios” da internet. Os profetas do acontecido que ficam calados no conforto do anonimato para garantirem que sabiam lá atrás e quem é pago para isso tinha que carregar a mesma certeza.

Mas como imaginar o que virá? Mesmo descontando toda a imprevisibilidade do esporte, no Brasil é ainda mais complicado. Imaginem os guias da competição já furados com as prováveis saídas de Everton do Flamengo para o São Paulo, de Maycon do Corinthians para o Shakhtar Donetsk e de Roger do Internacional para o Corinthians.

Sem contar que o time que joga o melhor futebol do país, o Grêmio, até por sua cultura copeira, deve novamente poupar jogadores na competição por pontos corridos e priorizar Libertadores e Copa do Brasil. E o Corinthians, atual campeão e favorito natural, desta vez não terá o respiro do ano passado e também dividirá esforços. Com elencos mexidos o tempo todo.

E os grandes orçamentos, como Flamengo e Palmeiras, regidos pelos humores e arroubos de dirigentes-torcedores, embalados por redes sociais? Com escolhas mais políticas que técnicas. Sem ideias ou norte, ao menos por enquanto. Só agora começam a entender a importância de ter uma identidade, como o Cruzeiro de Mano Menezes vai tentando implementar, mas também muito condicionado a resultados, até pelo alto investimento na formação do elenco.

São Paulo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Internacional, Atlético Mineiro, Bahia, Chapecoense, Vitória e o Atlético Paranaense de Fernando Diniz formam um “blocão” de incógnitas que podem circular entre zona de Libertadores e Z-4. Como de costume, Ceará, Paraná e América-MG, os times que subiram além do “gigante redimido”, são cantados como bolas da vez para cair pela famosa dificuldade de se manter depois do acesso. Ainda que Enderson Moreira e Marcelo Chamusca tenham trabalhos consolidados em seus clubes e possam, sim, tornar suas equipes competitivas. Quem vai saber?

Para completar, um campeonato com seus desequilíbrios por forças das circunstâncias. Como um time encarar os reservas do Grêmio e outro sofrer diante da equipe principal de Renato Gaúcho focada naquela rodada específica. Ou o time beneficiado pela perda do mando de campo do adversário. Três pontos que podem fazer toda diferença. Na tabela ou no estado de ânimo de uma equipe.

Por isso o equilíbrio que gera a emoção que muitos confundem como qualidade ou virtude. Será que nossos times vão usar a concentração e a organização não só para defender e teremos times atacando melhor? Ou será novamente o campeonato do futebol reativo, de contragolpe? Nenhum time vive e viverá mais este dilema do que o Santos do DNA ofensivo, mas agora comandado pelo pragmático Jair Ventura.

Com pressão por resultados, viagens e mais viagens e pouco tempo em campo para treinar é difícil imaginar algo mais elaborado. Por mais que os treinadores da nova safra tentem. E ainda tem o vestiário, ambiente sempre espinhoso e que diz muito da verdade do campo. Por isto a lacuna ainda não preenchida pelos jovens comandantes buscando afirmação para substituírem de vez os da “Velha Guarda”.

A sorte está lançada. Vejamos quem será o mais competente, contando também com a proteção tão bem-vinda do acaso. Palpites? Ainda bem que desta vez ninguém pediu nada ao blogueiro. Projeção a esta altura é chute, puro e simples. Melhor analisar rodada a rodada. Até porque quem pensa jogo a jogo sempre está mais perto da taça nesta loucura que é o Brasileirão.

 


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