Blog do André Rocha

Arquivo : Colômbia

A bola escolheu punir a Colômbia em um jogo lamentável. Inglaterra vive
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André Rocha

A Inglaterra escalou reservas e não fez a mínima força para vencer a Bélgica e terminar na liderança do Grupo G. Com isso fugiu do cruzamento com seleções mais tradicionais a partir das quartas de final. Olhou o cruzamento por cima da Colômbia. A bola costuma punir esse tipo de petulância.

Mas também pune quem não quer jogar. Na arena do Spartak, José Pekerman se preocupou mais em se defender em função do adversário e armou uma marcação por encaixe. Laterais Arias e Mujica batendo com os alas ingleses Ashley Young e Trippier; Cuadrado e Falcao García saindo para pressionar o trio de zagueiros formado por Walker, Stones e Maguire; Mina e Davidson Sánchez cuidando de Harry Kane; Sánchez vigiava Dele Alli, Barrios pegava Sterling e Lerma seguia Lingard; Quitero tentava dificultar Henderson, volante que coordena a saída de bola inglesa.

Colômbia marcou a Inglaterra por encaixe, com duelos bem definidos. A solução tirou força ofensiva da seleção de José Pekerman e deu campo para o adversário (Tactical Pad).

Estratégia legítima, ainda mais sem o talento do lesionado James Rodríguez, maas que cria alguns efeitos colaterais: como trabalha com perseguições, normalmente na recuperação da bola o time está desorganizado para atacar. A solução intuitiva é apelar para a ligação direta e, por consequência, chegar com poucos jogadores na frente.

Carlos Sánchez cometeu pênalti e foi expulso na derrota para o Japão na estreia da Copa do Mundo que podia ter custado a vaga nas oitavas. Lance involuntário do volante essencialmente defensivo. Cumpriu suspensão e voltou à equipe na vitória contra Senegal. Seguiu titular e, na bola parada, agarrou Kane em um pênalti tolo e tosco. Para o artilheiro inglês marcar seu sexto gol no Mundial.

Até sofrer o gol, a Colômbia errava mais e dava chance para a falta de sorte. Mas a Inglaterra começou a equilibrar as coisas ao sentar em cima da vantagem, recuar demais e apelar para simulações bizarras. Tentando tirar proveito de uma das piores arbitragens da Copa: Mark Geiger. Um dos responsáveis pelo baixo nível do duelo.

A Colômbia foi avançando de forma aleatória. Pekerman trocou Sánchez, Lerma e Quintero por Muriel, Bacca e Uribe, que arriscou um chute surpreendente que Pickford salvou num defesaço. Mas no escanteio, Mina usou sua combinação de impulsão, estatura e tempo de bola para salvar sua seleção.

Faltou qualidade aos colombianos para aproveitar a nítida queda anímica da Inglaterra na prorrogação, mais do que a física. Gareth Southgate tentou aumentar a presença física na frente com Vardy ao lado de Kane na frente. Mas a Inglaterra viveu de ligações diretas e de tentar achar o gigante Maguire nas bolas paradas. Muito pouco.

Ninguém fez muito por merecer a classificação para enfrentar a Suécia. Nos pênaltis, a bola resolveu punir a Colômbia e consagrar o goleiro Pickford, que defendeu as cobranças de Uribe e Bacca e salvou Henderson, que bateu mal para defesa de Ospina. Definindo 120 minutos de um jogo lamentável. A Inglaterra vive.


Colômbia paga por erros, mas não tira méritos do Japão da posse de bola
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André Rocha

Escalar Carlos Sanchez, volante essencialmente marcador, violento e um tanto atabalhoado é ir contra as tendências do futebol atual. Ainda mais com Barrios no banco. E Cuéllar no Brasil…Pelas características é difícil entender a opção de José Pekerman no meio-campo colombiano. Independentemente de qualquer questão extra-campo ou de liderança.

O Japão tinha Hasebe e o ótimo Shibasaki ditando o ritmo entre as intermediárias com passes curtos e longos, se apresentando sempre como opção para fluir as ações ofensivas da equipe de Akira Nishino. Baseada em posse de bola, só acelerando os ataques mais próximo da área adversária.

Com inteligência para mudar a dinâmica. Inicialmente com Sakai mais fixo pela direita e Nagatomo saindo para o jogo do lado oposto. Depois invertendo a lógica, até pela movimentação de Haraguchi, ponteiro pela direita no 4-2-3-1 dos asiáticos, saindo do flanco para dentro e abrindo o corredor para Sakai. Pela esquerda, Inui era mais incisivo, infiltrando em diagonal buscando as finalizações. Também se aproximando para tabelas com Kagawa e Osako, o centroavante que deixou no banco a estrela Okazaki do Leicester City, ainda se recuperando de fadiga muscular.

O jogo na Arena Mordovia foi condicionado pelo pênalti com expulsão de Carlos Sanchez logo aos cinco minutos de jogo. O primeiro erro grave da Colômbia em sua estreia. Kagawa cobrou no centro do gol e o Japão, mesmo com a vantagem no placar, continuou executando seu modelo de jogo. Rodando a bola com paciência tentando cansar o adversário.

Pekerman reorganizou seu time em um 4-4-1 básico, mas precisou trocar Cuadrado por Barrios para não perder o meio-campo de vez. Quintero, meia do River Plate, foi ocupar o lado direito da segunda linha de quatro. Mais organizada, a seleção sul-americana teve chance com Falcao García e empatou na cobrança de falta à la Ronaldinho Gaúcho, por baixo da barreira, de Quintero.

Jogo equilibrado até que no segundo tempo Pekerman tirou Quintero e colocou James Rodríguez. Craque do país, artilheiro do último Mundial, mas que ainda não está 100% fisicamente. Substituição até óbvia, mas que na prática desestruturou a Colômbia taticamente.

Porque James, que até já cumpriu função pelo lado na própria seleção e também no Bayern de Munique, passou a jogar centralizado, deixando o lateral Arias solitário no trabalho defensivo pela direita. Os japoneses fizeram a leitura correta e passaram a atacar mais pela esquerda. Por este lado saiu o escanteio que encontrou a cabeça de Osako. 2 a 1.

Sim, a Colômbia sofreu um gol de cabeça na bola parada dos japoneses. E James Rodríguez perdeu a chance de empate em ótima chance dentro da área. Equívocos cruciais: escalação inicial, alteração tática, erros técnicos. Em uma Copa do Mundo não se pode vacilar tanto.

O Japão aproveitou e fez história, em sua primeira vitória em Mundiais sobre sul-americanos. Não sem méritos. 59% de posse de bola, 86% de efetividade nos passes, 14 finalizações – seis na direção da meta de Ospina. No ritmo de seus bons meio-campistas.

O Grupo H que já parecia o mais equilibrado da Copa agora fica ainda mais imprevisível. E interessante.

(Estatísticas: FIFA)

 


Copa do Mundo deve combinar características da última Euro e da Champions
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André Rocha

A Copa do Mundo tem sua abertura na quinta-feira com a anfitriã Rússia diante da Arábia Saudita. O primeiro duelo já deve dar a tônica do que provavelmente será a fase de grupos na maioria das partidas.

Uma seleção favorita pela camisa, história, tradição e/ou um grupo mais qualificado de jogadores contra uma equipe tratada como “zebra” fechando espaços no próprio campo. Com a cada vez mais frequente linha de cinco ou mesmo a tradicional com quatro defensores, porém com os pontas recuando como laterais formando um cinturão guardando a própria área. Todos os movimentos estudados por departamentos de inteligência cada vez mais equipados e qualificados.

Então o time que ataca busca uma jogada individual mais perto da área do oponente, ou uma virada de bola rápida que surpreenda o sistema defensivo. Se não for possível, os chutes de média e longa distância, a jogada aérea com bola rolando ou parada e o desarme no campo de ataque com transição rápida viram as possíveis soluções para ir às redes. Tudo isso atento ao balanço defensivo para não dar ao rival os espaços tão desejados às costas da retaguarda.

Fica tudo muito condicionado ao primeiro gol. Se a seleção que defende marca aí o bloqueio fica ainda mais sólido, com todos os jogadores num espaço de 20 metros em linhas quase chapadas, como no handebol. Já se o favorito abre o placar aumenta exponencialmente a chance do jogo mudar e os espaços e mais gols aparecerem.

Foi o que aconteceu na última Eurocopa, na França em 2016, com algumas partidas de fato entediantes para quem aprecia uma trocação de ataques e gols e se apega ao esporte mais pela emoção que pelo jogo em si. Apenas oito placares com vantagens iguais ou superiores a dois gols num total de 36 partidas. Média de 1,2 por jogo.

Sim, desta vez haverá Messi, Neymar, Suárez, James Rodríguez, Salah, Guerrero, o jovem Mbappé que surgiu ano passado na França e outros talentos desequilibrantes. Mas também um trabalho defensivo ainda mais concentrado e aprimorado para bloquear a técnica e o improviso.

Por outro lado, se os favoritos em cada grupo conseguirem suas classificações o torneio tende a passar por uma transformação, como a que ocorre quase todo ano na Liga dos Campeões. A partir da primeira “seleção natural” o nível já sobe bastante. Mesmo com a presença de algumas surpresas que se conseguem a vaga a partir das quartas é porque houve mérito.

Imaginemos a partir das oitavas os duelos envolvendo as favoritas Alemanha, Brasil, Espanha e França, mais os talentos belgas, o Uruguai de Cavani, Suárez e agora meio-campistas mais qualificados. Inglaterra, Colômbia, Croácia…A Polônia de Lewandowski e a promissora Dinamarca do meia Eriksen. E ainda Messi e Cristiano Ronaldo no Mundial que provavelmente será o último da dupla de extraterrestres jogando no mais alto nível. Conduzindo Argentina e Portugal. Mas ao contrário do universo dos clubes sem o favoritismo de Barcelona e Real Madrid, o que torna tudo mais imprevisível e eletrizante. Mesmo sem o peso de Holanda e Itália, esta a única ausente do seleto grupo de campeãs. Em jogo único. Segue ou vai para casa.

A torcida é para que este que escreve esteja enganado em sua previsão da primeira fase e os jogos eliminatórios sejam acima das ótimas expectativas. Mas caso o blogueiro tenha razão viveremos uma montanha russa de impressões. Para o deleite dos saudosistas – como se nas décadas anteriores os Mundiais não tivessem peladas homéricas, inclusive com a seleção brasileira – e reclamões de plantão na “chata” primeira fase e depois a apoteose de jogaços na reta final deixando a média positiva.

Seja como for, Copa do Mundo é como pizza. Até quando é ruim é boa e vale a pena. O maior evento esportivo do planeta que felizmente acontece de quatro em quatro anos e não se banaliza, ao menos por enquanto. Que tudo enfim comece na Rússia!


Fim dos 100% do Brasil de Tite é compensado pelo valor do teste
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André Rocha

O calor e a umidade em Barranquilla foram obstáculos tão grandes quanto a boa atuação da Colômbia no segundo tempo, não por acaso coincidindo com a maior produção de James Rodríguez, o meia central do 4-2-3-1 armado por Jose Pekerman. Na jogada bem trabalhada do camisa dez com Arias contra Filipe Luís sem o suporte de Renato Augusto, o cruzamento na cabeça de Falcao García, que se antecipou a Marquinhos para empatar.

Um raro vacilo brasileiro dentro de uma atuação segura de acordo com o contexto. Tite acertou ao acrescentar Fernandinho e Roberto Firmino às mudanças obrigatórias – Thiago Silva no lugar do lesionado Miranda e Filipe Luís no lugar do suspenso Marcelo. Descansou Casemiro e guardou Gabriel Jesus para a segunda etapa na vaga de Firmino, que não brilhou mas novamente contribuiu coletivamente. Mais importante: experimentou sua equipe.

Manteve Willian entre os titulares e o ponteiro pela direita do 4-1-4-1 correspondeu com bom trabalho no setor, em dupla com Daniel Alves. E ainda apareceu no centro para receber passe de Neymar, após lançamento preciso de Fernandinho, para acertar um chutaço no ângulo de Ospina. Golaço único da primeira etapa, logo depois da parada para a retirada de um cachorro do gramado.

A assistência de Neymar foi o ápice de uma atuação mais solidária. No esforço na recomposição e, principalmente, por soltar mais rapidamente a bola e fazer o jogo fluir. Quando tentou as jogadas individuais era o único recurso, como na bela arrancada desde a intermediária brasileira até a área colombiana no segundo tempo. O craque voltando aos eixos, mesmo sem desequilibrar, foi uma boa notícia.

Também a confiança do treinador ao arriscar novamente Philippe Coutinho no lugar de Renato Augusto, mudando o desenho tático para o 4-2-3-1 com o recuo de Paulinho, novamente atuando mais avançado na linha de meias. O Brasil nunca abdicou de jogar e isto é sempre positivo e merece reconhecimento.

Assim como a manutenção do desempenho, mesmo com quase meio time alterado. O fim dos 100% de aproveitamento com Tite nas Eliminatórias era esperado, até pelo peso zero do resultado na classificação. Importante foi o valor do teste e a boa resposta de maturidade de uma seleção que parece pronto, mas ainda está em formação.


Seleção: testar novidades ou entrosar e criar variações na base titular?
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André Rocha

A partir dos duelos contra Equador e Colômbia pelas Eliminatórias a seleção brasileira viverá um dilema causado pela competência de Tite, comissão técnica e jogadores.

Por conta das oito vitórias seguidas alcançou a vaga para a Copa do Mundo da Rússia. Encontrou uma base titular muito rapidamente e deu liga de maneira veloz quase na mesma proporção. Mas continua sendo um trabalho de pouco mais de um ano e um universo de apenas onze partidas, incluindo amistosos contra Colômbia, Argentina e Austrália.

É pouco, mas conseguiu muito. O objetivo principal. E terminar a disputa sul-americana em primeiro lugar nada significa objetivamente para o Mundial. Por isso fica a impressão de que seria o momento para fazer testes. Para evitar o grupo fechado, a pouca importância dada ao momento dos jogadores e a preferência pela manutenção do que deu certo anteriormente. Ideias que prejudicaram Parreira, Dunga e Felipão nas três últimas Copas do Mundo.

Desta vez não houve Copa das Federações. Ou das ilusões: de time pronto e imbatível, sem considerar todas as variáveis e possibilidades de mudanças em doze meses. O engano da receita de sucesso infalível. O que deve ser evitado.

Mas por conta do espaçamento entre as partidas e das poucas sessões de treinos é natural que Tite fique tentado a ver seus titulares em ação mais vezes. Para consolidar ideias, construir o jogar de memória na execução do 4-1-4-1 já bem ajustado e até criar variações sem mexer nas peças. Ou só deixar Phillippe Coutinho de lado neste momento por não estar em ritmo de competição, sem jogar no Liverpool e esperando o desfecho deste interminável interesse do Barcelona.

Willian deve começar a partida na Arena do Grêmio, o que muda as características porque o ponteiro do Chelsea atua mais aberto e circula menos que Coutinho. Perde o ponta articulador, mas pode abrir o campo e até aproveitar Daniel Alves descendo mais por dentro.

Não seria, porém, o momento de testar mais gente, mesclar a escalação com reservas para observá-los em ação num cenário competitivo, com os adversários ainda buscando a classificação? De repente testar Luan e buscar um jogo entrelinhas mais envolvente tentando reeditar o sucesso da parceria com Neymar. Experimentar e manter todos atentos, motivados, sem risco de acomodação. Mas sem perder a identidade como equipe.

Difícil escolha que só reforça a crítica à CBF por ter perdido dois anos com Dunga quando era claro o momento do melhor treinador brasileiro que se sentia pronto para o cargo. O trabalho estaria mais maduro, haveria duas disputas de Copa América como bagagem e o planejamento teria menos urgências.

Agora cabe a Tite definir o caminho até o ano que vem. Dosando manutenção, aprimoramento e busca constante de meritocracia. Entrosar, variar e testar na justa medida. Um desafio que começa na quinta-feira em Porto Alegre.

 


Reinaldo Rueda e Flamengo: relação que já nasce imediatista
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André Rocha

Reinaldo Rueda é mais um treinador estrangeiro a desembarcar no Brasil cercado de expectativas. Campeão da Libertadores com o Atlético Nacional, alimenta a esperança do torcedor do Flamengo de colocar na rota do sucesso e das conquistas o elenco milionário construída pela gestão financeira responsável do clube.

Em relação à imprensa será visto com a desconfiança habitual pelos que refutam a presença de comandantes estrangeiros no país. Mas como tem perfil estudioso, porém não é nenhum garoto com seus 60 anos pode agradar aos mais atualizados, mas também à “velha guarda”.

No entanto, a relação entre Rueda e Fla já nasce com urgências. Imediatista. Simbolizada pela chegada ao Rio de Janeiro e a viagem logo em seguida para Belo Horizonte acompanhar a derrota por 2 a 0 para o Atlético Mineiro. Pela necessidade de recuperação no Brasileiro, porque há uma semifinal de Copa do Brasil contra o Botafogo aquecida pela rivalidade regional e também a urgência em conquistar um título internacional e a Sul-Americana aparece como ótima oportunidade.

Talvez a única com o treinador colombiano. Porque no melhor dos cenários o Flamengo será uma mera ponte para o grande sonho de Rueda: voltar a comandar a seleção do seu país, mas desta vez em um ciclo completo de Copa do Mundo. Não como “bombeiro” para buscar o milagre da classificação para o Mundial, como aconteceu, sem sucesso, no ciclo de 2006.

Ele é o favorito  para suceder o argentino José Pekerman depois do Mundial da Rússia. A informação de bastidor é de que há uma cláusula de liberação sem multa no contrato (atualização pós anúncio oficial: não há a cláusula contratual, mas o risco continua o mesmo) . Ou seja, se não demiti-lo antes, o Fla pode ficar sem técnico no segundo semestre do ano que vem. A única competição que poderia comandar do início ao fim seria o estadual.

Diante da falta de opções mais confiáveis é uma aposta válida. Rueda é antenado e bom gestor de grupo. Tem perfil semelhante ao de Tite. Não por acaso foi atrás de Carlo Ancelotti na Alemanha para buscar aprimoramento de suas ideias. É mais administrador de elencos que um gênio criativo. No Atlético Nacional deu sequência a um projeto que passou pelas mãos de Juan Carlos Osorio e conseguiu seis títulos em sete finais disputadas. Sem reveses, já que o que não conquistou, da Copa Sul-Americana, foi cedido em solidariedade à Chapecoense.

Mas não faz milagres. Com o desmanche da equipe de Medellín, sem Berrío, Guerra e Borja que vieram atuar no futebol brasileiro, caiu na fase de grupos da Libertadores. Com duas derrotas para o Botafogo. Manteve a proposta ofensiva e sofreu com o jogo reativo do time de Jair Ventura.

Não quer dizer que será derrotado na quarta-feira. Assim como seus títulos na Colômbia nada garantem agora. É uma nova história. Um idioma a aprender, uma cultura a descobrir. Resultadista e intensa, até cruel nas cobranças.

Rueda pode dar muito certo, mesmo com a péssima primeira impressão que certamente teve no Estádio Independência. Consolidar a recuperação de Berrío, fazer Diego e Everton Ribeiro se entenderem na criação, aproveitar o compatriota Cuéllar de maneira mais efetiva no meio-campo, posicionar melhor o sistema defensivo e dar mais chances aos jovens do elenco – também teve passagem pela seleção sub-20 da Colômbia.

Armar o time no 4-2-3-1 ou no 4-4-2 que utilizou no Nacional ou seguir o exemplo de Tite e implantar o 4-3-3/4-1-4-1 bebendo na fonte de Ancelotti. Construir um modelo de jogo forte e competitivo, potencializando as qualidades individuais através do coletivo.

A questão é o tempo. O encaixe precisa ser rápido, a margem para testes e experiências é mínima. E há uma massa de torcedores ansiosa, querendo tudo para ontem. Rueda sabe, ou deveria saber, que os mesmos que clamaram nas redes sociais para que ele viesse e fizeram festa no aeroporto podem pedir sua saída na primeira sequência ruim.

Que não seja mais um triturado por nossa máquina de moer que já vitimou ou desgastou Gareca, Osorio, Bauza, Aguirre, Fossati, entre outros estrangeiros. Paciência é artigo raro por aqui, ainda mais com quem não fala nossa língua. Boa sorte a Rueda! Ele vai precisar…


A maior vitória de Tite: a geração “fraca e mimada” agora sabe o que fazer
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André Rocha

Além dos três pontos que recolocam a seleção brasileira no pelotão da frente nas Eliminatórias, o melhor da vitória por 2 a 1 sobre a Colômbia em Manaus foi perceber que em pouquíssimo tempo Tite já conseguiu o mais importante para qualquer treinador: seus comandados já entendem seu plano de jogo.

Tem a ver com tática, mas principalmente com concentração e capacidade de se manter competitivo. No primeiro tempo, o gol relâmpago de Miranda em jogada nitidamente ensaiada no escanteio cobrado por Neymar. Depois o controle da partida com posse de bola, organização, força pela esquerda aproveitando os espaços deixados pelos rivais.

Depois o gol contra de Marquinhos salvando a equipe de Jose Pekerman, que não havia finalizado no alvo e terminou os primeiros 45 minutos apenas com uma finalização. O Brasil teve 63% de posse e o dobro de passes certos. Mas foi para o intervalo com o empate.

Sofreu na segunda etapa com o crescimento da Colômbia e de James Rodríguez na articulação. Em outros tempos, a chance de se desmanchar mentalmente e perder a coordenação dos setores seria enorme. Até porque a torcida passou a transformar o apoio em tensão e impaciência.

Tite trocou Paulinho e Willian por Giuliano e Coutinho. Com o meia do Liverpool, novamente ganhou mobilidade e um homem para circular por todo o ataque, deixando o lado direito para o apoio de Daniel Alves praticamente como um ala. Melhorou a produção, retomou o domínio e seguiu jogando. Sem desespero, atento à disputa e não se deixando impactar pelo ambiente externo.

Até o gol da vitória que começa com um desarme de Neymar no campo brasileiro, a saída rápida até Coutinho, pelo centro, achar o camisa dez pela esquerda. Finalização precisa. Uma das cinco na direção da meta de Ospina, dentre as 15 conclusões contra apenas quatro colombianas. Nenhuma no alvo.

Ponto para o treinador, que não se deixou levar pelas boas atuações do craque na Olimpíada atuando mais centralizado, praticamente como um meia articulador, e seguiu seu plano de escalar os jogadores nas funções em que estão acostumados em seus clubes. Neymar pela esquerda, como no Barcelona.

Para que os movimentos fossem assimilados mais rapidamente e a equipe entendesse o que é preciso fazer em campo sem grandes adaptações. Cada um jogando no seu espaço “de memória” e contribuindo para o coletivo. Não são por acaso as ótimas atuações de Marcelo e Casemiro, por exemplo.

Por isso a geração “fraca e mimada” mostrou personalidade nos dois triunfos que alçaram o Brasil à vice-liderança. Com chances de chegar ao topo já em outubro contra Bolívia e Venezuela. Porque agora sabe o que fazer.

Continua sendo o início de um trabalho, sujeito a oscilações. Tite não é um gênio da raça nem Rei Midas. Pelo contrário, faz o simples: planeja e trabalha. Cria um bom ambiente e deixa os atletas confortáveis em campo. Tão importante quanto os conceitos atualizados e a cobrança por concentração.

A seleção já é um time. Agora a missão é evoluir.

(Estatísticas: Footstats)

 


O Brasil dos quatro atacantes que não sofre gols. Porque todos defendem
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André Rocha

Foi um jogo diferente. Pela rivalidade recente com a Colômbia, por ser o primeiro confronto eliminatório na Olimpíada e pela torcida paulista, quase sempre ácida com a seleção brasileira, apoiando o tempo todo na Arena Corinthians.

O gol de Neymar de falta aos onze minutos ajudou. A única finalização no alvo no primeiro tempo – cinco brasileiras, quatro colombianas. Atrapalhou o clima bélico que podia ter rendido um vermelho a Neymar pelo destempero porque o rival não teve fairplay. O capitão brasileiro cavou três dos quatro cartões amarelos do oponente, fora o próprio.

Não teve jogo em 45 minutos. Pior para o Brasil, pois sobravam espaços entre os setores colombianos, mas o quarteto ofensivo errava nos contragolpes por pura tensão.

No segundo tempo, com o perigoso Borja, meteoro artilheiro do Atlético Nacional campeão da Libertadores, a disputa foi tática. E aí saltou aos olhos o trabalho coletivo da equipe de Rogerio Micale. Especialmente sem a bola.

O 4-2-3-1, ou 4-2-4 ganhou solidez com Gabigol e Gabriel Jesus pelos flancos, Neymar e Luan centralizados. Em tese, quatro atacantes. Na prática, todos participam da pressão no campo adversário ou voltam na recomposição e defendem em trinta metros. A entrega de Jesus pela esquerda foi impressionante. Para pulverizar todos os clichês.

Protegidos ou expostos quando as linhas avançam, Marquinhos e Rodrigo Caio estiveram perfeitos. Rápidos nas coberturas, corretos na saída de bola, atentos no jogo aéreo. O zagueiro do PSG um pouco acima do são-paulino, que ainda hesita em alguns momentos. Mas não compromete.

Atuação madura na segunda etapa, controlando com Thiago Maia no lugar de Gabriel para fazer dupla com Walace, liberar Renato Augusto e transferir Luan para o lado direito. Autor do segundo, com passe de Neymar. Golaço encobrindo Bonilla para premiar a consistência. Do gremista e da seleção.

A Colômbia, mesmo eliminada, consolida o bom momento e pode ter uma geração do mesmo nível ou superior à atual. Não por acaso manda no continente no universo dos clubes.

Mas é o Brasil que avança às semifinais contra Honduras. Maduro para compensar o nível técnico pouco abaixo na partida e com os zagueiros voando no time que não sofre gols. Porque todos trabalham.

 


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