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Juve vacila e United consegue mais uma virada épica. Parece estratégia
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André Rocha

Aconteceu de novo. Na temporada passada, a virada que impediu a confirmação do título do Manchester City com festa preparada no Etihad Stadium. Em 2018/19, o Newcastle foi a vítima nos 3 a 2, quando José Mourinho parecia na berlinda. Quase tirou a invencibilidade do Chelsea de Maurizio Sarri, mas Barkley evitou e salvou no 2 a 2.

Em Turim, a Juventus foi melhor durante 85 minutos. Com a solução de Massimiliano Allegri para abrigar Dybala e Cristiano Ronaldo no ataque: um 4-3-3 atacando com o argentino como “falso nove” e o português pela esquerda formando o tridente ofensivo com Cuadrado. Sem a bola, o colombiano recua e forma uma linha de quatro dando liberdade aos seus talentos.

Foram 21 finalizações, mas apenas três no alvo. Duas bolas nas traves, de Khedira e Dybala. A mais eficiente, para variar, foi de Cristiano Ronaldo. Um golaço, o primeiro dele pelo novo clube na Liga dos Campeões, completando lançamento fantástico de Bonucci.

O jogo parecia controlado. Solidez defensiva e contragolpes seguidos. Cuadrado perdeu livre completando passe do CR7. Mourinho desfez o 4-1-4-1 sem Lukaku, com problemas físicos, e Alexis Sánchez no centro do ataque, com o apoio eventual de Lingard e Martial pelas pontas. Mais uma vez acanhado, engessado, abdicando de jogar no típico cenário: fora de casa diante de uma equipe poderosa. Só abriu mão de sua proposta com a desvantagem no placar.

Entraram Juan Mata, Rashford e Fellaini nas vagas de Herrera, Lingard e Sánchez. No abafa sem muita organização, uma falta tola sobre Pogba, gol de Mata aos 40 minutos. Arena da Juve em silêncio, queda brusca da Juve no desempenho e na parte mental. Na empolgação, mais uma jogada aérea e, no desvio de Fellaini e enrosco com Pogba, gol contra de Alex Sandro.

Inacreditável. Virada épica na ótica do United. Para encostar na Juve, que perdeu os 100% de aproveitamento no Grupo H, e abrir dois pontos sobre o Valencia. Saindo mais uma vez de uma catástrofe. Segurando novamente Mourinho no comando. No apito final, a provocação, lembrando dos tempos de Internazionale.

Típico. E tão estranho que parece até uma estratégia, ainda que nem sempre funcione. Remontada quando o rival baixa a guarda pela aparente facilidade no jogo. Para os mais “vividos”, no melhor estilo Rocky Balboa. Em um time de Mourinho não dá para descartar qualquer hipótese.

(Estatísticas: UEFA)


Manchester City de Guardiola ataca para não sofrer gols
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André Rocha

O Tottenham havia marcado pelo menos um gol nas nove rodadas do Campeonato Inglês. Até encarar em seu estádio o Manchester City de Pep Guardiola no gramado surrado por uma partida da NFL.

O treinador catalão vai mantendo uma prática de suas equipes nas ligas por pontos corridos. Ataca e fica com a bola para ser menos ameaçado. Mesmo se adaptando ao futebol por demanda e aprendendo a recuar linhas e também jogar em contragolpes quando necessário.

Em Wembley, avançou a marcação e atacou com Mahrez e Sterling pelas pontas, Bernardo Silva e David Silva por dentro. Os quatro à frente de Fernandinho e atrás de Sergio Aguero. De uma ponta a outra, passe de Sterling e gol de Mahrez. Jogada iniciada com um lançamento do goleiro Ederson.

Primeiro tempo de controle e domínio, com 57% de posse e oito finalizações contra duas – três a um no alvo. Diante de um Tottenham com Eriksen no banco, por conta do desgaste de cinco partidas em 12 dias, e um 4-2-3-1 com Sissoko como “ponta volante” pela direita e Lucas Moura do lado oposto buscando as diagonais para se juntar a Harry Kane.

Lamela como meia central. Argentino que se transformou em um dos personagens do jogo ao perder uma chance inacreditável na segunda etapa. Lembrando o gol perdido por Paquetá contra o Palmeiras no sábado. Das outras duas conclusões do time da casa, contra três dos citizens. Mesmo defendendo mais no próprio campo e tentando acelerar com De Bruyne na vaga de David Silva. Diminuiu a posse para 52%, mas resistiu.

Completando seis partidas sem sofrer gols. Já é o ataque mais efetivo com 27. Apenas três sofridos. Invicto como o Liverpool, mas superando no topo da tabela justamente no saldo de gols. Impressiona o equilíbrio que alcança nos campeonatos nacionais. Agora falta encontrar a medida para a Liga dos Campeões, especialmente no aspecto mental.

A receita inteligente de integrar ataque e defesa não precisa mudar.

(Estatísticas: BBC)

 

 


Valverde enfim se rende à lógica e o Barcelona de Messi voa em Wembley
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André Rocha

Muitas vezes se confunde o simples com o tosco, simplório. Mesmo caótico e apaixonante, o futebol tem alguma lógica e é tarefa do treinador tentar reduzir ao máximo a aleatoriedade do jogo a favor do seu time.

Ernesto Valverde vinha congestionando o lado esquerdo do Barcelona ao deslocar Dembelé para aquele setor, se juntando a Philippe Coutinho e Jordi Alba. Tudo para deixar o lado direito para Messi receber numa zona de menor pressão e partir em diagonal conduzindo a bola.

Na prática, porém, o treinador desequilibrou o time, tirou a fluência ofensiva e deixou o lateral direito entregue à própria sorte na defesa. Foi preciso sofrer em La Liga com empates contra Girona e Athletic Bilbao, além da derrota para o Leganés, mesmo sem perder a liderança, para o treinador enfim se render ao óbvio.

Messi precisa de liberdade, Alba do corredor para voar pela esquerda e a defesa de maior proteção. Bastou trocar Dembelé por Arthur e o Barça ganhou liga. No 4-4-2, com Coutinho voltando pela esquerda e Arthur, eventualmente Rakitic abrindo pela direita para auxiliar Semedo, que também ganhou o corredor para apoiar.

É claro que o gol de Coutinho no primeiro minuto, completando assistência de Alba na primeira disparada pela esquerda recebendo de Messi, condicionou o jogo em Wembley. Obrigou o Tottenham a adiantar as linhas e ceder espaços. Mesmo criando problemas com a movimentação do trio Lucas-Kane-Son, o Barça controlou o jogo com relativa tranquilidade através da posse de bola e setores mais compactos. Mais uma jogada pela esquerda, Coutinho errou a finalização, mas acertou o passe para um chute espetacular de Rakitic. O gol mais bonito da partida.

A segunda etapa começou com eletricidade. Messi acertou a trave esquerda de Lloris em duas arrancadas por dentro no início da segunda etapa e, na sequência, Kane marcou trazendo os Spurs de volta para o jogo. Mas bastou acionar novamente Alba pela esquerda para sair a assistência para o camisa dez, com direito a finta de Suárez.

Quando Mauricio Pochettino trocou Wanyama e Son por Dier e Sissoko o Tottenham passou a fazer um jogo mais físico e intenso. Diminuiu com Lamela e buscou uma pressão final com Fernando Llorente no ataque ao lado de Kane. Muitos cruzamentos, domínio dos rebotes. A vitória que parecia tranquila correu algum risco.

Valverde demorou a trocar e em alguns momentos o Barça sofreu sem um escape para os contragolpes. É neste momento que Dembelé faz falta. O ponta francês pode ser titular ou uma peça utilizada com frequência, mas pela direita. Garantindo amplitude e profundidade nos dois flancos.

Com Rafinha e Vidal nas vagas de Coutinho e Arthur, Messi resolveu em nova jogada que nasceu pela esquerda. Chega a cinco na Champions em dois jogos. Poderia ter marcado mais. Se o adversário não está na primeira prateleira do futebol europeu, o contexto era de jogo grande e o gênio argentino sobrou.

Assim como o time catalão, que teve a posse de bola quase durante todo o tempo acima dos 60% – terminou com 58% – e acertou 85% dos passes. Finalizou o dobro do adversário: 12 a seis, sete a cinco no alvo. Um desempenho consistente e animador.

Um ótimo sinal para Valverde. Basta não interromper o fluxo natural de sua equipe. Às vezes a melhor “assinatura” é não interferir no que funciona.

(Estatísticas: UEFA)


É triste ver José Mourinho parado no tempo
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André Rocha

Foto: Lee Smith/Reuters

José Mourinho foi indiscutivelmente e com alguma sobra o melhor treinador do mundo de 2004 a 2010. O grande divulgador da periodização tática – resumindo bastante, uma metodologia em que todos os treinamentos, até os físicos, contribuem para a construção e manutenção de um modelo de jogo.

Nos tempos de Chelsea, em que os números do sistema tático eram mais valorizados e debatidos, o português afirmava em entrevistas que o 4-3-3 e o 4-3-1-2 eram os que melhor distribuíam os jogadores em campo. Mas na Internazionale mudou para o 4-2-3-1 e ganhou a tríplice coroa em 2009/10. Seu maior mérito era formar equipes intensas, com a coordenação quase perfeita entre os setores, linhas compactas e muito rápidas nas transições ofensiva e defensiva.

Nos  bastidores, seus “jogos mentais” que começavam na coletiva da véspera ou antevéspera de uma partida decisiva tiravam o foco e a pressão de seus jogadores, pilhavam os adversários e suas equipes, mais concentradas, quase sempre levavam vantagem também no aspecto emocional. Assim venceu Arsene Wenger, Alex Ferguson, Rafa Benítez e tantos outros, também colecionando inimizades.

Quando desafiado por Pep Guardiola, o outro grande expoente dos últimos 15 anos, radicalizou no trabalho defensivo, montou uma linha de handebol guardando a própria área e talvez tenha influenciado mais o futebol jogado no mundo que o rival catalão. Afinal, é mais fácil vermos equipes colocando em prática essa compactação defensiva do que o complexo jogo de posição. Na última Copa do Mundo ficou bem nítido.

Por tudo isso é muito triste ver Mourinho parado no tempo. Seu Manchester United é chato de ver jogar. Lento na circulação da bola, pouco intenso na pressão pós perda, sem ideias. Um elenco milionário que vive essencialmente de lampejos de Pogba e das vitórias pessoais de Lukaku contra a defesa adversária em bolas longas ou jogadas aéreas. Os movimentos em diagonal dos ponteiros – seja Rashford, Martial, Lingard ou Alexis Sánchez – são previsíveis. Só há alguma criatividade ou movimento quando joga Juan Mata, que não consegue manter uma consistência nas atuações. Há qualidade no meio com Fred e Andreas Pereira, mas Mourinho insiste com Fellaini…

Para complicar, o treinador repete em sua terceira temporada um fenômeno que vem desde o Real Madrid em 2012/13: exaure seus atletas mentalmente e desgasta a gestão de grupo com cobranças exageradas, muitas vezes públicas. Elege inimigos no vestiário, pressiona as estrelas com a intenção de desafiá-las e extrair melhor rendimento. Não funciona e ele insiste no erro.

A impressão que passa é de que Mourinho não conseguiu se livrar do personagem. O malvado, o “lado negro da força”, o expoente máximo do futebol pragmático. Ou seja, o anti-Guardiola. É como se obrigasse a ser a antítese do futebol ofensivo.

Sem notar que mesmo o treinador que comanda o rival dos Red Devils em Manchester vem mudando o seu estilo. Saindo de um extremo e vindo para o meio. Compreendendo que o futebol atual exige equipes versáteis e inteligentes. Que jogem por demanda, se adaptem a qualquer cenário.

O raciocínio é lógico: um grande time, com camisa pesada e tradição, terá que ser ofensivo na maioria das partidas. Afinal, o número de clubes de menor investimento e envergadura sempre será maior dentro de um campeonato. Até na Liga dos Campeões. Então a equipe precisa saber trabalhar a bola para criar espaços em sistemas defensivos cada vez mais organizados e fechados. Mas também deve estar preparada para jogar com transições ofensivas rápidas e matar o adversário nos contragolpes. Ou nas bolas paradas.

Assim Jupp Heynckes levou o Bayern de Munique à tríplice coroa em 2012/13 e o Real Madrid se consagrou com Carlo Ancelotti e depois Zinedine Zidane. Diego Simeone vai tentando adaptar o seu estilo a essa nova realidade no Atlético de Madrid. O mesmo com Jurgen Klopp no Liverpool. Cada um à sua maneira. Até o City de Guardiola busca definir as jogadas de maneira mais rápida, utiliza mais os contra-ataques e a bola parada.

Mourinho segue agarrado às suas convicções. Parece não aprender com as críticas dentro e fora do clube. Sua equipe não evolui nem encontra soluções. Como tem qualidade no elenco consegue se manter competitivo. Mas sem o salto não chega ao topo. Para um clube que disputa com Barcelona e Real Madrid o posto de mais rico do planeta é muito pouco.

Para quem foca tanto em resultados este início de temporada é decepcionante. Derrota para o Tottenham por 3 a 0, empate com o Wolverhampton, eliminação vexatória na Copa da Liga Inglesa para o Derby County e empate sem gols em casa pela Liga dos Campeões contra o Valencia, perdendo a liderança do Grupo H. É apenas o décimo colocado da Premier League.

Mourinho não repete escalação há 43 partidas. Parece perdido, embora tente manter a imagem de líder frio e inabalável. A pergunta é até quando o Manchester United será capaz de suportar. A julgar pelas vaias da torcida e críticas de ídolos do clube, o futuro não parece tão promissor.

 


Marcelo: rei do “freestyle”, mas ponto fraco da defesa do Real e da seleção
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André Rocha

Foto: Getty Images

Marcelo é um dos maiores e melhores laterais da história do futebol mundial. Não, isto não é um elogio introdutório para depois descarregar nas críticas sugeridas no título deste post. Apenas um reconhecimento até óbvio.

Quatro títulos de Liga dos Campeões entre outras muitas conquistas pelo Real Madrid e várias premiações individuais. Jogador que costuma crescer em partidas decisivas, forte personalidade. Figura marcante que ajuda a intimidar os rivais.

Acima de tudo, técnica e habilidade impressionantes. Controle de bola absurdo. Faz o que quer. Imagens de treinos da seleção e do clube rodam o mundo com seus domínios geniais. O mais incrível quando “esconde” a bola embaixo do pé seja lá de que forma a bola seja lançada. Impressionante!

Sem dúvida, o rei do “freestyle” no futebol profissional de mais alto nível. Talvez superior até a Messi, outro fenômeno que faz o que quer com a pelota.

Mas aos 30 anos o tempo começa a pesar, assim como alguns problemas na formação do jogador. Não do Fluminense, nem de Marcelo, mas do futebol brasileiro no período em que ele passou pelas divisões de base, no início dos anos 2000. Lateral aprendia a ser ala. Se fosse técnico, habilidoso e rápido ficava aberto e só se preocupava em atacar. Um volante ou terceiro zagueiro que se virasse para cobrir.

Marcelo evoluiu defensivamente nesses quase 12 anos na Europa, mas a formação capenga neste aspecto e mais uma certa autossuficiência pela carreira que construiu e moral que tem diante de companheiros e adversários, além da nítida e natural queda de desempenho, justamente no momento em que o jogo exige vigor para atuar em intensidade máxima, estão cobrando um preço bem alto.

Ainda mais numa temporada com  “ressacas” importantes: a partida do grande amigo Cristiano Ronaldo para a Juventus, além da saída de Zidane; o tricampeonato da Champions, quatro em cinco temporadas, que transfere aquela impressão de que o auge passou, a história já foi escrita…e agora? Falta a Copa do Mundo pela seleção brasileira, mas perdeu a chance na Rússia e o Mundial do Qatar é uma grande incógnita. Será que consegue chegar lá ainda capaz de ser competitivo?

A julgar pela atuação catastrófica na derrota do time merengue fora de casa por 3 a 0 para o Sevilla na quarta feira será bem complicado. Marcelo foi o ponto fraco da defesa com falhas seguidas de posicionamento, confronto direto, cobertura. O “mapa da mina” bem explorado pelo adversário, com Jesus Navas e quem mais apareceu pelo setor.

Méritos do time da Andaluzia, que soube aproveitar com intensidade e velocidade os muitos espaços cedidos pelo lateral e até seus raros erros técnicos, como o passe que tentou para Casemiro em uma zona pressionada e a bola roubada terminou num contragolpe de manual completado por André Silva. No segundo do atacante português foi constrangedor vê-lo tentando acompanhar a velocidade do adversário, desistir e permitir a conclusão no rebote. Ainda assistiu a Ben Yedder infiltrasse às suas costas para marcar o terceiro. Correu tanto querendo compensar as falhas que acabou lesionando a panturrilha na segunda etapa.

Sim, foi apenas a primeira derrota do Real Madrid no Espanhol. A preparação para o jogo também ficou comprometida pela cerimônia do Prêmio “The Best” da FIFA dois dias antes com a presença de vários madridistas. Mas um forte sinal de alerta. Porque Julen Lopetegui é da típica escola espanhola, mais ligada ao Barcelona. Gosta de linhas adiantadas, posse de bola, jogo de posição. O antecessor, Zinedine Zidane, combinava o estilo francês com o italiano, já que foi auxiliar e é discípulo confesso de Carlo Ancelotti.

Por isso a primeira providência ao suceder Rafa Benítez foi promover Casemiro a titular absoluto. A dinâmica pela esquerda era Marcelo com liberdade, Sergio Ramos fazendo a cobertura e o volante brasileiro fechando o centro da área. Agora o time fica mais adiantado e essa recomposição está mais lenta, até porque Sergio Ramos, aos 32 anos, também sente o impacto da passagem do tempo. É muito campo para cobrir!

Na seleção de Tite, os cuidados defensivos também protegem o setor esquerdo, praticamente com o mesmo trabalho. O zagueiro pela esquerda faz a cobertura e o mesmo Casemiro repete o posicionamento do clube. Mas quando faltou o volante titular nas quartas de final da Copa contra a Bélgica e o substituto, Fernandinho, entrou em pane mental depois do gol contra que abriu o placar, o lado esquerdo virou “atalho”. Contragolpe, passe de Lukaku para De Bruyne pela direita com Marcelo mal posicionado na transição defensiva e o chute forte que Alisson não segurou.

É óbvio que o desastre no Ramón Sánchez Pizjuán pode ser um ponto fora da curva e o Real se recuperar na temporada. Com novas compensações para proteger o setor esquerdo. Questão de ajuste. O principal segue lá: talento e experiência. Mas o futebol em rotação cada vez mais alta será um complicador.

Talvez fosse o caso de pensar numa mudança natural para o meio-campo, ainda que a concorrência com Modric e Kroos seja cruel. Repetir os passos de Júnior, craque do Flamengo e da seleção nos anos 1980 que saiu da lateral para se transformar no “Maestro” que conduziu Torino e Pescara na Itália para voltar ao rubro-negro em 1989 e comandar a equipe em outras grandes conquistas. Semelhanças na qualidade absurda com a bola, mas também nos problemas sem a bola.

Crítica que não é novidade, nem invenção deste blogueiro. Marcelo “El Loco” Bielsa, quando participou de um evento na CBF com Tite e Fabio Capello no ano passado, afirmou na presença do treinador da seleção brasileira: “Filipe Luis defende três vezes mais que Marcelo, muito mais. E você escala o Marcelo…” A Copa mostrou que ele não estava errado.

Marcelo merece todo respeito e este texto não tem viés pejorativo, nem oportunista. A ideia não é sugerir que ele nunca foi tudo isso, muito menos usar uma atuação ruim para afirmar que ele está acabado. Apenas um contraponto aos muitos elogios que recebe pela habilidade e técnica raríssimas. Só que no futebol atual não são o suficiente para um defensor de uma equipe de ponta. Muito menos jogando numa retaguarda tão adiantada.

O Sevilla soube explorar e saiu com uma vitória inquestionável, construída ainda no primeiro tempo. Fica a lição.


Sneijder e Iniesta mereciam mais que Modric quebrar “duopólio” Messi/CR7
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André Rocha

Foto: AFP

Luka Modric é um meio-campista brilhante, dos melhores de todos os tempos. Joga de área a área, inteligente para fechar e abrir espaços, ditar o ritmo. Tem passe curto e longo quando necessário. Teve bom desempenho no Real Madrid tri da Liga dos Campeões e na Croácia vice-campeão do mundo.

Mas na visão deste blogueiro não foi sequer o melhor de seu time e de sua seleção em 2017/18. Ou ao menos isto é discutível. Para não citar Cristiano Ronaldo, nas estatísticas, Toni Kroos foi mais eficiente cumprindo a mesma função no tripé que forma com Casemiro no time merengue. Mais passes certos, finalizações, inversões de jogo, até desarmes. Na seleção croata, Perisic foi mais decisivo com gols e assistências. Craque da Copa? Para este blog, Kylian Mbappé. Nem foi o melhor Modric da carreira…

Como diz o ótimo colega Bruno Formiga, a impressão que tanto a UEFA quanto a FIFA dão ao entregar os prêmios individuais para Modric é de que resolveram premiar um roteiro de cinema. O menino da infância sofrida que ama seu país e chegou à glória aos 33 anos. Muito longe da meritocracia. E ainda dá margem para teorias da conspiração como a de que CR7 só não venceu porque saiu do poderoso gigante espanhol e partiu para a Juventus.

O fato é que chega ao fim o “duopólio” Messi /Cristiano Ronaldo. Cinco para cada lado. Sem dúvida um momento histórico, mas com protagonista que merece todo o respeito, mas não tem peso nem teve rendimento para tal feito. Talvez por isso a ausência dos dois recordistas na cerimônia. Eticamente discutivel, mas até justificável.

Se fosse para premiar um meio-campista com temporada brilhante neste período que fizessem com Sneijder em 2010. Tríplice coroa com a Internazionale como um dos protagonistas e o melhor holandês vice-campeão, um dos artilheiros do Mundial na África do Sul e que perdeu a final para a Espanha apenas na prorrogação.

Gol de Iniesta, outro que poderia ter sido contemplado em 2010 pelas conquistas com o Barcelona do Espanhol e da Copa do Rei, além do título mundial com direito ao gol que o transformou num mito não só na Catalunha, mas em todo o país. Ou em 2012, quando venceu a Euro sendo o craque da “Roja” e Messi acabou faturando pelo recorde de 91 gols em um ano.

Dois que jogaram mais que Modric. O croata não tem nada com isso e pode e deve comemorar muito com família, compatriotas e colegas de time. Mas é difícil, quase impossível entender os critérios da premiação se comparados com os de outros anos. Forçaram a barra e não foi pouco.


Só Vinicius Júnior está se ajudando no Real Madrid
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André Rocha

A semana foi de boas notícias para o Real Madrid. Os 3 a 0 em casa sobre a Roma na estreia da Liga dos Campeões mostraram que o time segue muito forte, mesmo sem Zidane e Cristiano Ronaldo. Já a rodada da liga espanhola, com vitória também no Santiago Bernabéu por 1 a 0 sobre o Espanyol e o empate por 2 a 2 entre Barcelona e Girona no Camp Nou, deixa o time merengue com os mesmos 13 pontos do Barça, só ficando atrás no saldo de gols (5 a 3).

Mas no sábado faltou tato ao treinador Julen Lopetegui. Incluiu Vinicius Júnior entre os relacionados, encheu de esperanças torcedores, mídia e fãs do jovem talento na Espanha e no Brasil, alimentou uma esperança no jogador…para sequer colocá-lo no banco de reservas.

Vinicius assistiu à partida e depois teve que se juntar ao Real Castilla para o jogo fora de casa no dia seguinte contra o Cultural Leonesa. Jogou com naturalidade, sofreu pênalti, arriscou suas jogadas características partindo com a bola dominada partindo do lado esquerdo e desperdiçou algumas chances.

Está claro que não é um jogador pronto. Nem poderia aos 18 anos, a menos que fosse um daqueles fenômenos que surgem de tempos em tempos. Vinicius vai precisar de tempo para se adaptar ao jogo no mais alto nível europeu. Ainda erra muito por afobação nas tomadas de decisão. Mas a qualidade, o toque diferente está lá. O clube espanhol pagou 45 milhões avaliando o potencial do jogador, não pelo que já entrega em campo.

O problema é que só ele parece estar se ajudando. Com paciência, sem a ansiedade de fãs e imprensa, que se empolgam com qualquer drible ou gol bonito em treinamentos que são transmitidos para todo o mundo e se espalham pelas redes sociais. Alguns lá na pré-temporada criaram uma ilusão de que bastaria encaixá-lo na vaga do CR7 e o Real estaria pronto para seguir soberano no continente.

Não é assim que funciona. Vinicius Júnior era a peça desequilibrante do Flamengo que liderou o Brasileiro até a parada para a Copa do Mundo e faz uma falta enorme ao treinador Maurício Barbieri, mas o futebol jogado por aqui não é parâmetro. Talvez fosse melhor até emprestá-lo a um time de menor investimento na primeira divisão espanhola para que ganhasse minutos em partidas com nível de competição mais alto. Na terceira divisão já está virando alvo dos adversários, inclusive gerando protestos por “distorcer a competição”, como acusou o presidente do Cultural Leonesa.

Vinicius sabe que chegou cedo ao topo da carreira, vestindo a camisa do maior time da Europa e do planeta. Não tem pressa, quer aprender para se afirmar com maturidade. Lopetegui tem o direito de utilizá-lo quando bem entender e a concorrência com Bale, Isco e Asensio é pesada para o brasileiro. Mas um pouco de sensibilidade sempre ajuda.

O menino já tem os olhos do mundo voltados para si. Não precisa criar expectativas para depois frustrar os fãs e até alimentar os críticos que desconfiam das possibilidades do atacante promissor – no Brasil, aqueles que deram a Vinicius o absurdo apelido de “Neguebinha”. Ele só precisa de calma e confiança, já que conta com o principal:  talento e todo o tempo do mundo.


Firmino desequilibra quando o Liverpool cansava. Mais uma lição para o PSG
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André Rocha

O Liverpool tem uma vantagem essencial sobre o PSG antes mesmo do confronto entre as equipes na abertura da Liga dos Campeões: o time inglês se testa praticamente toda semana na Premier League no mais alto nível de competitividade, enquanto o Paris Saint-Germain muito eventualmente na Ligue 1 se depara com um rival que seja efetivamente um adversário mais complicado.

Na temporada passada, o time francês bateu um Bayern de Munique em crise ainda com Carlo Ancelotti, mas levou o choque de realidade na volta, com o time bávaro já sob o comando de Jupp Heynckes no encerramento da fase de grupos. Para nas oitavas da Champions cair para o campeão Real Madrid. A rigor, três desafios. Na temporada em que conquistou todos os títulos no país.

Mesmo com Roberto Firmino no banco e Sturridge no centro do ataque do 4-3-3 habitual da equipe de Jurgen Klopp, os Reds mostraram quase sempre um volume de jogo bem maior que o adversário no Anfield Road. Muita intensidade e superioridade numérica atacando e defendendo. Pressão logo após a perda da bola com a fúria de sempre.

Os laterais Alexander-Arnold e Robertson atacavam juntos e bem abertos para que os três atacantes ficassem mais próximos uns dos outros e da área adversária. Mais Wijnaldum chegando sempre, já que Klopp optou por Henderson à frente da defesa e deixou Keita no banco.

O PSG de Thomas Tuchel busca exatamente uma maior competitividade. Com um “discípulo” de Klopp e sucessor no Borussia Dortmund. Já melhorou no início da temporada, mas ainda não é o suficiente para encarar o vice-campeão europeu e 100% em cinco rodadas no campeonato inglês.

Justamente pela falta de prática. Questão de hábito. No 4-3-3 isolando muito o trio Mbappé-Cavani-Neymar do resto do time. Com Marquinhos à frente da defesa para evitar os espaços entre retaguarda e meio-campo. Sem sucesso, porém. Até pelo auxílio frágil de Rabiot e Di María.

O Liverpool abriu 2 a 0 com Sturridge em falha de Thiago Silva e no pênalti cobrado por Milner. Mas o PSG voltou para o jogo ainda na primeira etapa “imitando” o adversário ao chegar com muita gente no campo de ataque, inclusive os laterais Bernat, que cruzou, e Meunier, que finalizou diminuindo para 2 a 1.

Segundo tempo de domínio inglês, mas com um velho problema: o desgaste por conta de uma maneira de jogar com o pé fundo no acelerador o tempo todo, porém sem transformar o domínio em larga vantagem no placar. Foram 17 finalizações contra nove, oito a cinco no alvo. Também mais posse de bola, que chegou a bater em 60% e terminou com 52%. Pelo domínio dos rebotes mais que por conta do controle do jogo através dos passes. Mas cedendo espaços e baixando a guarda quando o gás começou a acabar.

Tuchel  colaborou trocando Cavani e Di María por Draxler e Choupo-Moting. Não só por reoxigenar o setor ofensivo, mas principalmente por dar liberdade a Neymar, novamente subaproveitado pela esquerda, e Mbappé sair da direita e assumir o comando do ataque. Com os dois na frente, o gol de empate da joia francesa.

O Liverpool dava sinal de esgotamento. Mas entrou Firmino, dúvida para o jogo depois do acidente no olho contra o Tottenham no fim de semana. Mesmo com a boa atuação de Sturridge, o ataque com o brasileiro ganha outro brilho. Não só pelo entrosamento com Salah e Mané, mas também pela inteligência na movimentação e os recursos técnicos.

Na individualidade, limpou Marquinhos e resolveu o jogo. Um trunfo desequilibrante da equipe que novamente parece mais pronta para chegar longe no maior torneio de clubes do planeta. Ainda mais com o elenco reforçado, equilibrado e sem os elos fracos de outras temporadas.

Os 3 a 2 são mais uma lição para o PSG. Difícil é colocar em prática o aprendizado contra os “sparrings” do seu quintal.

(Estatísticas: UEFA)


Messi precisa acordar! O mundo e o futebol mudaram, também por causa dele
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André Rocha

Foto: Reuters

Messi foi o melhor do mundo há oito anos sendo campeão espanhol e da Copa do Rei, caindo nas semifinais da Liga dos Campeões e nas quartas de final para a Alemanha na Copa do Mundo da África do Sul. Foi o ano da festa do Barcelona, com Xavi e Iniesta, campeões com a Espanha, formando a trinca de finalistas.

Era o período de encantamento com o argentino genial que evoluiu absurdamente sob o comando de Pep Guardiola. Mesmo sem marcar um gol no Mundial de seleções sua imagem de jogador de uma era seguiu intacta. Cristiano Ronaldo sofreu com lesão grave, eliminação nas oitavas da Champions e desempenho apenas razoável, para seu nível, com Portugal na Copa. Era a primeira temporada no Real Madrid.

Pouco valeu o brilho de Sneijder, que ganhou tudo com a Internazionale e foi um dos artilheiros da Copa pela Holanda, só perdendo o título na prorrogação da final. Sendo decisivo contra o Brasil nas quartas de final. Uma das maiores injustiças da premiação.

Corte para 2018. Luka Modric ganha o prêmio da UEFA como melhor jogador da temporada europeia e está entre os três finalistas do Prêmio The Best da FIFA. Campeão da Champions e vice mundial, como Sneijder. Mohamed Salah, outro finalista dos dois prêmios, nem isso. Eliminado na fase de grupos com seu Egito, não chegou perto de ser campeão inglês com seu Liverpool e perdeu a final do principal torneio de clubes do mundo para o Real Madrid. Mesmo com o golpe sujo de Sergio Ramos que tirou o atacante da decisão ainda no primeiro tempo, não parece algo que chame tanto a atenção.

Mas é. Porque o mundo e o futebol mudaram. Muito. Também por causa do argentino. A Liga dos Campeões ganha um peso cada vez maior na temporada. Por conta da visibilidade e do nível cada vez mais alto do torneio europeu, os campeonatos nacionais perderam relevância. Até por conta dos supertimes que dominam seus países – leia-se Bayern de Munique, PSG e Juventus. Na Espanha, a tendência recente é o Real Madrid focar tudo na Champions e o Barcelona dividir esforços.

Eis o ponto que marca esse novo olhar. Messi foi novamente protagonista no domínio espanhol do Barça. Liga e Copa. Chuteira de Ouro com 34 gols na liga. 46 no total e mais 18 assistências. Mas e daí? O seu talento é que fez subir o sarrafo, o nível de cobrança. Não é mais o suficiente. Pior ainda com a eliminação para a Roma, time de poder de investimento muito inferior e em outra prateleira do cenário mundial. Derrota vexatória por 3 a 0. Mais uma vez ficando de fora até das semifinais.

Na Copa do Mundo, novamente um desempenho bem abaixo de sua excelência. Sua Argentina caiu nas oitavas de final. Para a campeão França justamente na melhor atuação da equipe de Pogba, Griezmann e Mbappé na Copa. Por 4 a 3, sem vexame. Porém não basta mais para Messi. Espera-se muito dele e se decepciona sua avaliação cai a ponto de ficar abaixo de jogadores sem números e conquistas semelhantes.

Imaginava-se que ficaria ao menos entre os três finalistas, como em todas as edições desde 2007. Nem isso. Um momento simbólico, que pede reflexão a Messi. Sua rivalidade com Cristiano Ronaldo fez história e jogou no teto o nível do futebol de clubes na elite europeia nestes dez anos. O mundo cobra Messi que seja campeão da Champions ou do mundo com a albiceleste. Ele precisa ver que mudou. Acordar para uma nova realidade, caso ainda queira ser competitivo no topo, individual e coletivo.

Sua personalidade aponta dois caminhos. Ou o “sangue nos olhos” de 2015, depois do grito de Cristiano Ronaldo (o lendário Síiiiii!) na celebração do prêmio de melhor de 2014 desafiando o rival, para liderar o trio MSN na conquista da tríplice coroa. Ou se conformar em seguir reinando no Barça, aumentando ainda mais os números como o grande jogador da história do clube que o acolheu, pagou seu tratamento para crescer e formou o homem e o atleta. Jogar por gratidão.

Se houver espaços para ele jogar como gosta vem o brilho. Se o adversário nega, Messi circula pelo campo sem produzir grande coisa e vê seu time derrotado. Foi assim nas últimas três temporadas. Começa assim a atual: adversários fáceis na liga, quatro gols e duas assistências. Sem Cristiano Ronaldo, a tendência é nadar de braçadas no Espanhol.

Pode bastar para ele, não para o planeta bola. Messi não vai a Zurique desta vez. Pode estar irado, aliviado ou mesmo indiferente. Quem é capaz de entender o argentino?


Por que a transição de CR7 do Real Madrid para a Juventus não é tão simples
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André Rocha

Foto: Twitter/JuventusFC

Cristiano Ronaldo saiu da zona de conforto ao trocar o Real Madrid pela Juventus. Ou para fugir do desconforto de lidar com Florentino Pérez, uma torcida saturada de títulos e, por isso, exigente demais até com o maior artilheiro da história do clube. Ou só para escapar dos altos impostos mesmo.

Mas não deixa de ser um movimento interessante aos 33 anos. Até porque a fome continua a mesma, assim como a indignação nas derrotas – inclusive as individuais, como a perda do prêmio de melhor da Europa para Luka Modric que fez com que ele sequer comparecesse à cerimônia.

Só que não é uma transição fácil. Porque Cristiano Ronaldo estava totalmente inserido em uma mecânica de jogo desenvolvida e aprimorada em cinco anos, com um breve hiato sob o comando de Rafa Benítez entre Carlo Ancelotti e Zinedine Zidane.

O camisa sete se entendia no olhar com Benzema, Marcelo, Modric e Bale. Companheiros desde a primeira conquista da Liga dos Campeões em 2013/14. Praticamente a mesma formação no tricampeonato continental. Escalação igual nas duas últimas finais, algo inédito na história da competição.

Zidane acertou demais ao apostar na repetição, nos movimentos coordenados, no jogar “de memória”. Tudo moldado desde o início para Cristiano Ronaldo ser a estrela. Se ele prefere jogar em dupla na frente com liberdade de movimentação, ora infiltrando em diagonal, ora se posicionando como referência, era assim que o ataque funcionava.

Ele pode não ser o mais talentoso ou genial, mas certamente é o atacante mais inteligente do futebol atual. Posicionamento, desmarque, movimentação. Tudo para estar no lugar certo no momento exato e dar o toque decisivo. Funciona ainda melhor quando os companheiros conhecem os gestos nos detalhes.

É o que falta à equipe de Massimiliano Allegri. Adicione a ansiedade do craque para marcar e dos companheiros para serví-lo depois de três partidas, mesmo com 100% de aproveitamento nos resultados, e o time perde o mais importante para fazer tudo fluir: a naturalidade.

Por enquanto, Cristiano Ronaldo é um corpo estranho. Allegri tenta ajudar colocando Mandzukic, atacante de ofício com perfil parecido com o de Benzema: presente na área adversária, mas habituado ao papel de coadjuvante. Assim não deixa o CR7 isolado como referência na frente auxiliado por Dybala e Douglas Costa, como era o plano original.

Como sempre, ninguém pode acusá-lo de omissão. Corre, luta, contribui coletivamente e já demonstra sinais de liderança junto aos companheiros. Interesse em evoluir rápido também não é problema, já que deixou até a seleção portuguesa em segundo plano e ficou fora dos primeiros amistosos para se dedicar integralmente ao novo clube. Falta o que deve vir com o tempo: sintonia fina, adaptação ao futebol jogado na Itália e o primeiro gol. Cristiano já passou por “secas” no Real, mesmo com tudo a favor. Mas quando a bola começa a entrar…

Bom lembrar que a primeira temporada na Espanha (2009/10) não foi das mais bem sucedidas. Lesão, expulsão, apenas 35 jogos com 33 gols, sem títulos e eliminação nas oitavas de final da Liga dos Campeões para o Lyon. Agora, nove anos mais velho e com expectativas ainda mais altas, fica ainda mais complexo.

São poucas partidas oficiais e a Champions, especialidade do português, nem começou. A pressão é normal com os olhos do planeta voltados para o vencedor dos últimos dois prêmios de melhor do mundo e detentor de cinco no total, que pode virar seis em breve se a FIFA seguir a tendência dos últimos anos e não os critérios da UEFA.

Não é simples. Mas parece questão de tempo para o maior jogador europeu de todos os tempos começar a fazer história nos campos da Itália.