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Semifinal confirma: Real Madrid é maior porque o Atlético se apequena
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André Rocha

A impressão mais forte do jogo de volta da semifinal da Liga dos Campeões no Vicente Calderón é de que Simeone e seus jogadores planejaram e executaram uma pressão inicial para tentar descontar a desvantagem de três gols, mas não contavam com duas bolas na rede em 16 minutos.

Primeiro Saúl Ñíguez na jogada aérea, depois Griezmann cobrando (mal) o pênalti de Varane sobre Fernando Torres. Era hora de incendiar o estádio e aproveitar o rival tonto para igualar o confronto ainda no primeiro tempo.

O resultado prático foi o Atlético de Madri repetindo a estratégia que deu tão errado no Bernabéu: recolheu a equipe, compactou as duas linhas de quatro, marcou com Griezmann e Torres no próprio campo e aceitou a posse do time merengue sem adiantar mais a marcação.

Para piorar, a postura juvenil da retaguarda, quase sempre tão sólida e intensa no combate, permitindo a jogada individual pela esquerda de Benzema, que serviu Kroos e, no rebote do chute do meia alemão, o gol de Isco. Novamente o elo entre o trio de meio-campistas e a dupla de ataque num 4-3-1-2.

A disputa acabou ali. A massa manteve o apoio, mas sem pulsar, sem ferver. Para quem precisava atacar e criar, os 70% de aproveitamento nos passes dificultavam o domínio para buscar outros três gols. E o paradoxo: o Atlético cometeu 23 faltas contra sete do Real. Mas quando foi preciso parar Benzema, Giménez, Savic e Godín falharam.

Letal. Porque o Real Madrid é o maior da capital também pelo apequenamento do rival em momentos decisivos. Duas finais, mais duas eliminações. Em todas a camisa pesou. Algo que parece lenda, mas se manifesta em momentos como o gol de Sergio Ramos no ato final no estádio da Luz em 2014, na chance desperdiçada pelo time de Simeone de definir em 120 minutos no Giuseppe Meazza, dois anos depois. Fora o pênalti perdido por Griezmann.

Desta vez, na sequência do segundo gol. Se havia uma chance, era a de nocautear um oponente vivido e vencedor, mas assustado na casa do rival. Os colchoneros falharam mais uma vez.

O Real Madrid está na final para buscar a 12ª taça, o primeiro bicampeonato europeu depois do Milan 1989-90. Em Cardiff, jogo único e a tensão comum em finais, a experiência recente da maioria dos comandados de Zidane pode pesar. A tradição também.

Mas a Juventus parece mais concentrada e equilibrada em seu modelo de jogo. Sem contar a trajetória com mais folga na liga italiana para confirmar o hexa, enquanto o Real tem um Barcelona no retrovisor e a pressão de voltar a ser campeão espanhol depois de cinco anos.

Pode fazer diferença. Mas é uma decisão muito igual. Talvez definida nos pênaltis mais uma vez. Que três de junho chegue logo!

 


Argel e Muricy: futebol de resultados pouco oferece além do placar final
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André Rocha

O Internacional de Argel Fucks saiu vaiado do Beira-Rio depois do pênalti perdido por Paulão – ou defendido pelo goleiro Danilo, o melhor da Chapecoense – até deixar o campo. Pouco ou nada valeram os 61% de posse de bola e as onze finalizações.

Porque na necessidade de propor o jogo e diante de uma resistência maior que as equipes de menor investimento do Rio Grande do Sul, a bola circulou mais entre os jogadores da última linha de defesa e o volante Fernando Bob. Time jovem, campeão gaúcho, promissor. Mas sem ideias, sem gols. À imagem e semelhança de seu treinador. Sem vitória na estreia do Brasileiro.

Muricy Ramalho foi taxativo no Raulino de Oliveira depois do triunfo sobre o Sport: “Nós fomos ousados em muitos jogos e perdemos todos. Todo mundo acha bonito como o Flamengo joga, e jogam nos nossos erros. Agora não. Agora vamos jogar para ganhar.”

Ou seja, toda a filosofia inspirada no Barcelona vendida pelo técnico depois de voltar da Europa e comprada pelo Flamengo como solução não existe mais. O 4-3-3 com posse de bola e busca de protagonismo e uma nova estética deu lugar a um time mais reativo e pragmático.

Decisão legítima. Nos casos de Leicester City na Premier League e Atlético de Madri na Liga dos Campeões, por exemplo, a proposta é totalmente compreensível pelo contexto, enfrentando gigantes com orçamentos quase ilimitados. Aí é preciso se doar até a última gota de suor, além das forças. Vencer é o grande feito. Sem complexo de vira-latas. Se fosse a Chapecoense ou o Audax por aqui a lógica seria a mesma.

Para dois gigantes brasileiros, na disputa nacional é pouco. Uma opção do jogo, sim. Só perde o direito de pedir tempo para implementar um modelo, um padrão. O futebol de resultados é fast-food, imediatista. Precisa aceitar, como efeito colateral, a roda viva e a avaliação jogo a jogo do trabalho do treinador. Tem que lidar com as vaias no empate e na derrota. Sem ideologia ou algo mais subjetivo.

Exatamente porque tem pouco a oferecer além do placar final.

(Estatísticas: Footstats)


A sorte de Simeone e o fracasso de Guardiola, não vexame
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André Rocha

Que o Atlético de Madri tem o sistema defensivo mais eficiente da Europa não resta nenhuma dúvida. Linhas compactas e bem coordenadas, concentração absoluta e a fibra que dá liga e faz tudo acontecer no time de Diego Simeone.

Está novamente na final da Liga dos Campeões e trabalhou para isso. Mas na Allianz Arena teve mais sorte que juízo. Ou competência. Sim, sorte.

Porque não há como elogiar um trabalho de bloqueio que permite nada menos que 34 finalizações do adversário, 12 na direção da meta de Oblak. Incluindo os gols de Xabi Alonso, que também foi feliz no desvio de Giménez, e Lewandowski, além do pênalti cobrado por Muller e defendido pelo arqueiro colchonero.

O Bayern de Munique amassou com volume de jogo impressionante. 68% de posse, mas desta vez com contundência. Douglas Costa e Ribéry cortando para dentro com pés invertidos procurando Muller e Lewandowski e os laterais Lahm e Alaba abrindo e esgarçando a marcação. Domínio absoluto.

Mas sangrou e perdeu a vaga no contragolpe letal de Fernando Torres acionando Griezmann. Gol “qualificado”. Podia ter penado mais no pênalti inexistente que Torres bateu e Neuer também pegou. O velho risco de ser pego com linhas adiantadas e zaga aberta. Tão perigoso quanto esperar atrás e permitir tanta pressão do oponente.

Pep Guardiola fracassou em Munique. Porque a ideia era afirmar um estilo de jogo e construir uma dinastia. O técnico vai para Manchester comandar o City sem cumprir as duas metas. O time que deixa para Carlo Ancelotti tem posse, porém trabalha muito mais com cruzamentos e presença física na área que o Barcelona histórico.

Não impôs sua filosofia, mas sinaliza amadurecimento profissional, pelo respeito às características dos jogadores. Guardiola carrega o mundo e o peso do currículo impressionante nas costas, mas tem apenas sete temporadas no comando de grandes equipes. Parece ter nascido sabendo tudo, mas é só impressão. Há muito a aprender.

Nas duas primeiras semifinais de Champions frustradas com os bávaros, Guardiola e sua equipe sucumbiram diante de Cristiano Ronaldo e Messi, os dois gigantes desta era. Agora está eliminado por outro time histórico, mas no detalhe. No gol que faltou. Mas não deixou de ser construído. Fracasso sim, não vexame.

A rigor, Simeone não ganhou o duelo tático de 180 minutos, mas está na decisão. Contra o City levará a aura de favorito pela história. Diante do Real, a chance de vingar a derrota há duas temporadas. Certamente o treinador argentino prefere a segunda opção, pela chance de mobilizar ainda mais seus soldados. Só espera desta vez não ter um Sergio Ramos no meio do caminho.

Porque a sorte também faz parte da vitória nas batalhas. Como será o duelo final em Milão?

(Estatísticas: UEFA)


A pintura de Saúl no Atlético “de Libertadores” e a dura missão do Bayern
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André Rocha

A estratégia de Diego Simeone diante de um time de posse de bola novamente funcionou no Vicente Calderón. Assim como contra o Barcelona, iniciou abafando, aproveitando a atmosfera da torcida em êxtase.

Sem a bola, marcação adiantada e pressão. Na transição ofensiva, time descendo em bloco, mas sem valorizar muito a posse. Para não errar e ceder espaços à equipe mais qualificada, a jogada é definida rapidamente.

Menos quando Saúl Ñíguez colou a bola no pé esquerdo, limpou Thiago Alcântara, Bernat, Xabi Alonso e Alaba para bater com efeito e marcar um dos mais belos gols desta edição da Liga dos Campeões. Obra de arte que contradiz as teses reducionistas de “time de Libertadores, que não joga, truculento”. Uma equipe apenas violenta não investiria em um jovem tão talentoso quanto Saúl.

Atlético de Madri com linhas adiantadas no início, descendo em bloco. Mas sem reter a bola, definindo logo a jogada sobre um Bayern mais cauteloso num 4-1-4-1. Até o golaço de Saúl (Tactical Pad).

Atlético de Madri com linhas adiantadas no início, descendo em bloco. Mas sem reter a bola, definindo logo a jogada sobre um Bayern mais cauteloso num 4-1-4-1. Até o golaço de Saúl (Tactical Pad).

Com a vantagem logo aos dez minutos veio a segunda parte do plano de jogo de Simeone: linhas compactas à frente da meta de Oblak negando espaços. Jogadores concentrados no posicionamento e nos confrontos diretos com rivais mais habilidosos. Desta vez mais no 4-4-2 que no 4-1-4-1.

Pep Guardiola respondeu com um Bayern ainda controlando a bola, porém muito mais intenso, vertical, explorando os cruzamentos procurando Lewandowski. No segundo tempo, desmontou o 4-1-4-1 que visava preencher mais o meio-campo e avançou com Muller e Ribéry.

Quando Benatia entrou na zaga e Alaba foi fazer a lateral esquerda, ofensivamente o time bávaro lembrou muito o da tríplice coroa, comandado por Jupp Heynckes na lendária temporada 2012/13. Na formação e no estilo.

Amassou os colchoneros com mais de 70% de posse (69% nos 90 minutos) e volume de jogo sufocante, com troca de passes, mas também jogadas aéreas. Bola no travessão com Alaba, Oblak fazendo grandes defesas em cabeçada de Javi Martinez e chute de Vidal.

Dezenove finalizações contra onze – sete a cinco no alvo. Podia ter virado. Mas quase saiu com os 2 a 0 que eliminou o Barca. Faltou “El Nino” Torres acertar o chute que carimbou a trave de Neuer num contragolpe em altíssima velocidade. Para lembrar que esse Atlético nunca se desmancha mentalmente.

Na segunda etapa, os bávaros amassaram com as substituições de Guardiola. Os colchoneros sofreram, mas resistiram e quase ampliaram em contragolpe com Fernando Torres (Tactical Pad).

Na segunda etapa, os bávaros amassaram com as substituições de Guardiola. Os colchoneros sofreram, mas resistiram e quase ampliaram em contragolpe com Fernando Torres (Tactical Pad).

Por isso o Bayern terá que ser um rolo compressor na Allianz Arena. Dentro e fora de campo, com sua torcida também apaixonada. Apuro técnico e variações táticas como pede Guardiola, mas também as tradicionais abnegação e persistência alemãs. Como na virada sobre a Juventus nas oitavas. Ou com mais intensidade.

Porque é semifinal de Champions. Porque é dura a missão de dobrar o time de Simeone, que provou sua força em mais uma noite mágica em Madri. Na capacidade de competir, mas também na pintura de Saúl.

(Estatísticas: UEFA)


Mais um feito dos herois de Simeone sobre o Barcelona que “virou o fio”
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André Rocha

O maior desafio para se manter no topo em alto nível na Europa é o estudo obsessivo dos adversários buscando anular virtudes e explorar deficiências. Principalmente a dificuldade de preservar a “fome” para superar a exaustão física e mental, além do natural relaxamento.

Não por acaso, o último bicampeão europeu foi o Milan, de 1988 a 1990. Nem o Real Madrid galáctico, nem o Barcelona de Guardiola.

O de Luis Enrique “virou o fio”. A preparação que fez o time voar na reta final da temporada passada falhou em algum momento. Também porque o sucesso e as conquistas fizeram a equipe catalã disputar mais jogos, inclusive um Mundial Interclubes.

De repente o time que parecia imbatível e o trio MSN já sendo citado como o melhor ataque da história travaram. Pararam. Cansaram. Perderam intensidade na marcação adiantada e por pressão, mobilidade e brilho na frente. A mágica desapareceu.

Só restou a posse de bola. 72% no Vicente Calderón. Inócua. Ou só ameaçou num abafa final, rodando a pelota e levantando na área. Pode lamentar o pênalti no centro de Iniesta que Gabi cortou com o braço dentro da área. O árbitro Nicola Rizzoli viu fora. Muito pouco diante dos heróis de Diego Simeone.

O Atlético de concentração absoluta na execução do seu plano de jogo. Primeiro tempo no 4-4-2, segunda etapa no 4-1-4-1. Compactação, vergonha zero de dar de bico para se livrar do perigo, pressão para tentar evitar o passe limpo do oponente. Transição ofensiva em alta velocidade e jogadas aéreas. Assim como o tocante clima de comunhão com a torcida em Madri.

Atlético de Madri compacto em duas linhas de quatro no primeiro tempo, adiantando a marcação, concentrado para travar a posse de bola do Barcelona e procurando Griezmann para definir na frente (Tactical Pad).

Atlético de Madri compacto em duas linhas de quatro no primeiro tempo, adiantando a marcação, concentrado para travar a posse de bola do Barcelona e procurando Griezmann para definir na frente (Tactical Pad).

Para decidir, Antoine Griezmann. Jogando como a referência na frente com a ausência de Fernando Torres. Primeiro completando de cabeça o centro de Saúl, outro destaque. No final cobrando pênalti de Iniesta em bela jogada de Filipe Luís. Agora são seis gols na Liga dos Campeões, 29 na temporada que da expectativa de nova tríplice coroa do Barça pode ser deste incrível time colchonero.

Simeone pensa jogo a jogo. E compete segundo a segundo, gota a gota de suor. Sim, muitas vezes exagera nas faltas e provocações. Mas mudam as peças, o espírito permanece. Está novamente nas semifinais da principal competição de clubes do planeta e de novo pode ser o “intruso” na liga nacional fadada até financeiramente a ser dominada por Barcelona e Real Madrid.

Protagonistas de mais um grande feito. Mas nem precisaram de uma atuação perfeita para repetir 2014 e mandar o gigante e favorito para casa nas quartas-de-final.

É bem provável que Luis Enrique não esperasse a queda de rendimento de sua equipe. Mas sabia desde o início que o Atlético seria o pior adversário possível. E foi.

No 4-1-4-1, se entrincheirou para defender as muitas bolas levantadas pelo Barça e esperou o momento do contragolpe letal, que saiu dos pés de Filipe Luís e terminou no pênalti convertido por Griezmann (Tactical Pad).

No 4-1-4-1, se entrincheirou para defender as muitas bolas levantadas pelo Barça e esperou o momento do contragolpe letal, que saiu dos pés de Filipe Luís e terminou no pênalti convertido por Griezmann (Tactical Pad).

(Estatísticas: UEFA)


Com histórias diferentes, Bayern e Barcelona abrem vantagem. Mas deveram
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André Rocha

Diego Simeone surpreendeu com formação ofensiva para o jogo de ida no Camp Nou, com Griezman, Fernando Torres e Carrasco na frente.

No fundo, porém, apenas replicou sistema e estratégia do Real Madrid no sábado: 4-1-4-1 com Gabi entre as linhas de quatro para negar espaços, alternando marcação adiantada e compactando setores à frente da própria área.

Com Messi caindo à direita no início, o Atlético mudou para duas linhas de quatro, com Saul Ñiguez abrindo pela direita e Griezmann adiantado. Mas durou pouco, inexplicavelmente. O argentino voltou a procurar o centro e a equipe de Madri retornou ao sistema inicial.

Com times completos, Atlético de Madri alternou o 4-1-4-1 com duas linhas de quatro e Griezmann na frente, sempre em função de Messi, que iniciou à direita e depois se fixou no meio e facilitou a marcação novamente (Tactical Pad).

Com times completos, Atlético de Madri alternou o 4-1-4-1 com duas linhas de quatro e Griezmann na frente, sempre em função de Messi, que iniciou à direita e depois se fixou no meio e facilitou a marcação novamente (Tactical Pad).

Também começou a sair para o jogo. Trocando passes e aproveitando que o Barca adiantava linhas, mas não fazia pressão no adversário com a bola. Koke teve liberdade para servir Torres aos 25 minutos. Personagem pelo gol e pela tola expulsão dez minutos depois.

O leitor pode questionar o rigor do árbitro Felix Brych na entrada sobre Busquets, mas não a imprudência do atacante na seqüência de faltas. O erro do juiz foi não aplicar o mesmo critério com Busquets, Suárez e outros dos dois times ao longo de um jogo tenso e duro. Mas sem teorias da conspiração.

Depois de muitos protestos, Simeone reagrupou sua equipe num 4-4-1 com Griezmann adiantado. Ou dando o primeiro combate na própria intermediária. A senha para um duelo ataque x defesa de quase sessenta minutos. O “ônibus” colchonero lembrou a Internazionale em 2010 e o Chelsea em 2012.

Mas desta vez havia Luis Suárez. Nem tanto pela atuação – assim como contra o Real, ficou devendo em desempenho. Mas transformou em bolas nas redes de Oblak o domínio de 68% de posse de bola, 19 finalizações contra sete (5 a 2 no alvo).

Fruto da circulação de bola com inversões, toques curtos e jogadas individuais para fazer valer o homem a mais. Desta vez Luis Enrique usou as três substituições: Rafinha Alcântara, Sergi Roberto e Arda Turan formando nova trinca de meio-campistas. Destaque para os laterais Daniel Alves e Jordi Alba, que serviram Suárez nos gols. 45 no mesmo número de jogos na temporada.

Atlético entrincheirado num 4-4-1 tentou conter o Barça que se instalou no campo de ataque com substituições no meio-campo. Virou com Suárez e poderia ter ampliado (Tactical Pad).

Atlético entrincheirado num 4-4-1 tentou conter o Barça que se instalou no campo de ataque com substituições no meio-campo. Virou com Suárez e poderia ter ampliado (Tactical Pad).

Mas ficou a impressão de que era possível aproveitar melhor a vantagem numérica e ferir mais o Atlético que será forte no Vicente Calderón.

Assim como o Benfica também saiu vivo da Allianz Arena. Apesar do gol de Vidal aos dois minutos que parecia o prenúncio de uma goleada histórica, lembrando os 6 a 1 que o rival Porto sofreu na temporada passada.

A diferença foi que o time luso recuou quando foi empurrado pelo volume por vezes sufocante do time alemão, mas nunca se amedrontou ou abdicou de jogar.

Guardiola repetiu o ataque do início contra a Juventus: Douglas Costa à direita e Ribéry pela esquerda. Pontas com pés invertidos, mas tentando abrir o jogo e dar profundidade. Nem sempre conseguiam, até pela tendência de cortar para dentro.

A mudança significativa foi o meio-campo mais leve e intenso com Vidal e Thiago Alcântara articulando e aparecendo como elementos surpresa. No primeiro tempo, muita pressão na perda da bola que atrapalhava a transição ofensiva dos encarnados. Jonas era mais marcador que criador, atrás do centroavante Mitroglou. Nem sinal do goleador da Europa com 30 gols.

Ainda assim, o Benfica cumpriu o “manual” contra os times da posse de bola: pressão nos tiros de meta, nas bolas recuadas para o goleiro e nas cobranças de laterais no campo de defesa para tentar impedir o passe “limpo” de trás. Quando ultrapassado, recompõe em linhas muitos próximas.

Faltou contundência ao Bayern, sobrou disciplina e concentração aos visitantes, que podem reclamar de um toque de braço de Lahm que pela nova orientação às arbitragens poderia ter sido marcado pênalti na primeira etapa.

Bayern com muito volume de jogo, mas sem a contundência de outros jogos; Benfica nunca abdicou do jogo e tentou pressionar na frente sempre que possível, mas Jonas foi mais marcador que atacante na primeira etapa  (Tactical Pad).

Bayern com muito volume de jogo, mas sem a contundência de outros jogos; Benfica nunca abdicou do jogo e tentou pressionar na frente sempre que possível, mas Jonas foi mais marcador que atacante na primeira etapa (Tactical Pad).

O Benfica competiu. Com 36% de posse, finalizou dez vezes contra 15. Só uma na direção da meta de Neuer. De Jonas, que o goleiro alemão salvou. Os bávaros mandaram cinco no alvo. Com 89% de acerto nos passes, controlaram o jogo no campo de ataque.

Mas produziu pouco, porque a precisão técnica não foi a de outras jornadas. Na frente entraram Coman e Gotze nas vagas de Douglas Costa e Muller. Atrás, Javi Martinez no lugar de Kimmich para aumentar a estatura da defesa, mas andou se atrapalhando. Também contra Raul Jimenez e Sálvio, a dupla ofensiva que entrou em seguida. Assim como Samaris, que adiantou Sanches – aposta de Rui Vitória para criar no final. Sem sucesso.

Bayern tentou ser mais contundente com as substituições, mas o time português soube conter o volume e não deixou de atacar (Tactical Pad).

Bayern tentou ser mais contundente com as substituições, mas o time português soube conter o volume e não deixou de atacar (Tactical Pad).

Em Lisboa, Jonas fará muita falta. Mas a disputa da vaga na semifinal está em aberto. Com favorito intacto, porém. Assim como em Madri. Mais pelo poder das equipes e a capacidade de propor o jogo em qualquer campo do que pelas vantagens construídas.

As potências mundiais ficaram devendo.

(Estatísticas: UEFA)


Diego Simeone, o técnico que o mundo gostaria de ter
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André Rocha

O Atlético de Madri sofreu e não conseguiu ir às redes contra o PSV nas oitavas de final da Liga dos Campeões. Com um jogador a mais por 23 minutos, mais os descontos, em Eindhoven após a expulsão do uruguaio Gastón Pereio.

Mais 120 minutos no Vicente Calderón. Penou contra o 5-4-1 armado por Phillip Cocu que se defendia bem e saía rápido no toque de Propper e Guardado no meio acionando pelos flancos Van Ginkel e Locadia, que acertou a trave de Oblak.

A execução do 4-4-2 só funcionou na primeira etapa no passe de Koke para Griezmann que fez Zoet brilhar mais uma vez no confronto. Fernando Torres entrou bem e contribuiu para as 24 finalizações do time espanhol contra nove dos holandeses.

Sem o Radamel Falcao de 2012 e o Diego Costa de 2014 como referência na frente, Diego Simeone não tem o time letal de outros tempos, por isso mantém a compactação e a intensidade, porém investe um pouco mais em posse de bola. Trabalhando para Griezmann definir.

O francês só conseguiu acertar sua cobrança na decisão por pênaltis. Tensão absoluta no estádio com a sequência de bolas nas redes de Oblak e Zoet. Saúl Ñiguez bateu mal, o goleiro holandês tocou. Mas entrou.

A torcida em desespero se calou. Até Narsingh caminhar para a cobrança e Simeone clamar com gestos e gritos por vibração, comprometimento e cumplicidade para criar novamente uma atmosfera favorável. Talvez não tenha influenciado o adversário a chutar forte no travessão.

Mas foi a senha para Juanfran, já com a massa em êxtase, garantir o Atlético de Madri novamente nas quartas-de-final na principal competição de clubes do planeta. Terceira vez consecutiva. Sem a qualidade e o poder de decisão de outros tempos, mas ainda competitivo.

Desde 2011 em outro patamar. Campeão de Liga Europa, Copa do Rei, Campeonato Espanhol. A segundos e uma cabeçada de Sergio Ramos da Champions. Duelando com o melhor Barcelona da história e o Real Madrid de Cristiano Ronaldo. Exemplo de concentração, superação e fibra. Tática, estratégia e espírito. Às vezes confunde garra com truculência. Não é bonito, mas deve ser ótimo de torcer.

Com Diego Simeone, que pode não ser o melhor treinador do planeta. Mas é o técnico que todo o mundo gostaria de ter.

 


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