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O “jogo para ganhar” do Corinthians. Falta pouco para o grito de alívio
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André Rocha

De novo o Corinthians sofreu com a posse de bola, que rondou quase sempre os 60%, e a responsabilidade de criar espaços jogando como favorito. Depois de duas vitórias sendo atacado, sem obrigação de protagonismo.

Terminou com 33 cruzamentos, 25 no primeiro tempo. Só não chegou aos 50 porque o de Guilherme Arana aos cinco minutos da segunda etapa encontrou as redes de Douglas depois de esbarrar no peito de Kazim. Substituto de Jô, suspenso pelo STJD. Na meta, o terceiro goleiro Caíque para suprir a ausência do titular Cássio, na seleção, e do lesionado Walter, heroi na Arena da Baixada contra o Atlético Paranaense.

Pelo contexto e por conta do cenário desconfortável é aceitável que o time de Fabio Carille assuma o pragmatismo e a praga do “jogo para ganhar”. Ou seja, o foco no resultado maior que no desempenho. Porque depois de um turno de sonho e um returno pífio com duas vitórias redentoras o foco precisa ser a confirmação do título.

Mesmo que a equipe com Romero e Clayson nas pontas não consiga ser criativa e precise de um Jadson vindo do banco e em má fase para acrescentar uma chama criativa no lugar de Camacho. Embora nem tenha tido tempo de acrescentar algo até o gol salvador.

Com o terceiro goleiro, ao menos a concentração defensiva, especialmente dos homens da última linha, foi alta e a equipe sofreu poucos sustos de um Avaí vivendo de contragolpes esporádicos e tentando algo na bola parada do veterano Marquinhos.

No final, os gritos de “É campeão!” para o hepta que se aproxima e nada parece ser capaz de detê-lo. Mesmo com o anticlímax de atuações fracas na reta final. Porque pela vantagem construída e o misto de desinteresse e incompetência dos concorrentes o título virou obrigação.

Agora é contagem regressiva para a matemática concretizar o que parecia tão certo há tempos, despertou dúvidas e na base do futebol de resultados se aproxima. Não precisava ser assim, mas dá para entender.

Falta pouco para o grito de alegria. Ou de alívio.

(Estatísticas: Footstats)


Mais uma “decisão”, outro “não jogo”. Corinthians e Grêmio se anulam
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André Rocha

O futebol brasileiro está num labirinto. O discurso é de concentração máxima, erro zero. Não sofrer gol e na frente esperar um lampejo, a bola parada e, principalmente, o erro do adversário.

O “jogar simples” se resume a não arriscar. O fluxo de passes é sempre o mais óbvio e as equipes aceitam que o adversário induza a circulação da bola procurando o flanco para o cruzamento. O discurso de jogadores e treinadores é sempre o mesmo: “jogo decidido no detalhe”, “quem errar menos vai levar vantagem”.

Uma palavra tão brasileira neste esporte e na vida vem sendo esquecida: criatividade. Criar espaços através de tabelas, triangulações. O passe diferente que fura as linhas de marcação. O drible. Ou ao menos uma jogada pensada e treinada, como uma inversão de jogo que encontre o atacante no um contra um. Ou a movimentação para a infiltração que surpreende.

Se ninguém erra, nada acontece. Nos jogos decisivos, com todos ligados e o rival bem estudado e mapeado, há o “não jogo”. Como foi Cruzeiro x Flamengo na final da Copa do Brasil. O mando de campo tem inflenciado pouco. No máximo na maior posse de bola.

Corinthians e Grêmio voltaram a competir com força. Intensidade, pressão no homem da bola, força mental. Diante da queda de desempenho recente, uma boa notícia. Mas para se impor faltou o talento. Faltou Jadson, autor do gol da vitória em Porto Alegre. Faltou Luan, de volta ao time de Renato Gaúcho.

O Grêmio, que precisava do resultado para uma última tentativa de aproximação na tabela,  teve a oportunidade mais marcante, com Edilson carimbando o travessão de Cássio. Na bola parada…No final, o cruzamento que Jael, substituto de Lucas Barrios, não concluiu com precisão.

É muito pouco. A rigor, as equipes se anularam. Na saída de campo, as mesmas justificativas, como se fosse normal. Algo inevitável. Não é. Desta vez a pausa foi de três dias, mas já foi de dez e a bola jogada por aqui não sai desse dilema: todo o esforço e estudo voltado para anular as virtudes do oponente, quase nada para potencializar as próprias vqualidades.

Mais um empate sem gols numa “decisão”, com aspas porque não valia sequer a liderança na disputa por pontos corridos. Mais 90 minutos de indigência de ideias. Algo precisa ser feito. Para ontem.


Corinthians perde solidez e depende de Cássio, que pode repetir Cavalieri
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André Rocha

A derrota por 2 a 0 para o redivivo Bahia de Paulo Cesar Carpegiani em Salvador foi construída objetivamente com uma falha de Fagner aproveitada por Vinicius e um contragolpe de fim de jogo finalizado por Régis com o goleiro na área para tentar o empate.

Mas o Corinthians novamente não jogou bem e foi dominado por um oponente em franca evolução. Revés fora de casa que até pode ser tratado como normal dentro do equilíbrio natural do Brasileiro.

O grande fator complicador é que o desempenho começou a cair na fase ofensiva pela dificuldade de criar espaços nas defesas adversárias quando ganhou status de favorito com o turno quase perfeito e passou a ser mais estudado. Também porque despencou o nível do trio Jadson-Rodriguinho-Romero que acabou isolando Jõ e tornando a equipe mais dependente de seu centroavante e nos últimos três jogos de Clayson, autor de quatro gols.

O sistema defensivo, porém, também teve queda nítida de desempenho. Tanto individual quanto coletivo. Antes as alterações na última linha e a ausência de Gabriel ou Maycon na proteção da retaguarda eram menos sentidas. Agora há impacto. Porque perdeu intensidade e concentração. Até de Guilherme Arana e Balbuena, antes os grandes destaques.

Por isso Cássio vem trabalhando tanto. Segundo o Footstats é o goleiro com mais defesa na Série A, empatado com Jean, do Bahia. Média de 2,4 defesas por jogo. Fica atrás na média só de Douglas Friedrich (Avaí) e de Fernando Miguel (Vitória) entre os que mais atuaram.

A questão é que geralmente, e a lógica sugere, o líder não faz seu arqueiro trabalhar tanto. É mais seguro, consistente e protege melhor sua meta. Tanto que entre os cinco primeiros só Cássio não está lutando para fugir do Z-4 ou, no mínimo, ocupando a segunda página da tabela – além dos três já citados está Aranha, da Ponte Preta. O sexto é Vanderlei, do Santos vice-líder, mas que atua no estilo “bate-volta” e sofre muitos ataques.

Se Cássio mantiver essa média e o Corinthians confirmar o título, será o segundo caso na história do Brasileiro por pontos corridos com 20 clubes. O primeiro foi Diego Cavalieri em 2012. Campeão com o Fluminense da defesa menos vazada junto com o Grêmio. Muito graças ao seu goleiro, que vivia fase esplendorosa e salvava um sistema não tão coeso assim. Também “mascarava” os números.

O líder não tem a melhor defesa nem na frieza da matemática. Pelo menos até o Santos enfrentar o Vitória na segunda-feira. Agora tem 17 sofridos em 28 partidas, um a mais que o segundo colocado. A recuperação no campeonato, a partir do duelo contra o Grêmio em Itaquera na quarta, passa pela volta da coordenação e da segurança que marcaram o time de Fabio Carille em seus melhores momentos na temporada.

Algo se perdeu e é melhor resgatar enquanto a vantagem no topo da tabela permite.


Será que o Corinthians vai protagonizar o maior “flop” da história?
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André Rocha

Com a derrota do Grêmio para o Vasco em São Januário, a distância entre o líder e o segundo colocado do Brasileiro se mantém nos sete pontos. Mas o Santos fez a diferença para o terceiro cair para nove.

A vantagem do Corinthians é considerável ainda, mas são três derrotas em quatro partidas no returno. Depois de uma campanha invicta, a melhor da história no turno. E o pior: uma nítida queda de desempenho.

Inclusive defensiva, cedendo contragolpes ao Santos na Vila Belmiro e sofrendo no primeiro tempo com as descidas do lateral esquerdo Zeca, destro, por dentro. Ultrapassando os volantes Alison e Renato, sendo mais um na articulação. A última linha da retaguarda, mesmo com a dupla central de volta – Balbuena e Pablo – já não é mais tão segura. Também porque está mais exposta pelo rendimento abaixo dos meio-campistas.

Ofensivamente a equipe de Fabio Carille está previsível, com todas as ações estudadas e mapeadas pelos rivais. O pivô de Jô, as incursões de Jadson da direita para dentro, as aparições de Rodriguinho e as infiltrações em diagonal de Romero. Com a busca da reação no segundo tempo, o número de cruzamentos disparou: 35. Terminou com mais posse (52%) e finalizações – 12 contra 11, mas quatro no alvo contra sete do rival. É preciso ter ideias, variações. Voltar a surpreender.

Cássio destoou com duas defesas portentosas na primeira etapa, impedindo gols de Ricardo Oliveira. Mas nada pôde fazer quando Lucas Lima apareceu livre para aproveitar a transição ofensiva rápida. Sempre com Bruno Henrique, o melhor do clássico, aberto e voando para cima ou nas costas de Fagner, outro em queda livre.

No final, bola de Lucas Lima, disparada de Bruno Henrique e Ricardo Oliveira, enfim, acertando as redes quando Cássio nada podia fazer. Primeira derrota do Corinthians em clássico estadual no ano. Triunfo santista para se posicionar como candidato real, apesar da prioridade dada à Libertadores. Assim como o Grêmio.

Se acontecer a revirada, ainda improvável, de um título que parecia apenas questão de tempo e matemática, o “flop” corintiano se transformaria, sem dúvida, no maior da história do Brasileiro na fórmula por pontos corridos com vinte clubes. Será possível?

(Estatísticas: Footstats)


As lições da coletiva de Vagner Mancini em Itaquera
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André Rocha

Vagner Mancini cometeu três erros na coletiva depois do jogo em que o seu Vitória tirou a invencibilidade de 34 partidas do Corinthians em Itaquera:

O primeiro ao insinuar que o colega Felipe Garrafa, da Rádio Bandeirantes, seria corintiano por uma informação equivocada, de fato. Mas mesmo que seja não justifica o erro na análise das estatísticas da partida. Depois por afirmar que o jornalista tem que ser imparcial, algo que não existe. Todos temos nossas convicções, princípios, paixões e influências do meio. Nossa missão é ter isenção, na análise, opinião ou informação. E terceiro e último, embora seja direito dele, ao encerrar a entrevista tirando o direito de outros repórteres fazerem questionamentos, por conta de sua indignação.

No mais, foi perfeito e suas colocações fazem refletir. Ao analisar o jogo, enumerar as oportunidades do time baiano e dar luz a um dado fundamental e que muitas vezes é distorcido ou mal interpretado: a chance clara de gol. Ou seja, a jogada construída ou originada na falha do adversário que permite a conclusão em posição privilegiada, com liberdade e clara condição de ir às redes.

Porque é natural que o Corinthians em sua casa e na liderança absoluta do Brasileiro jogue no campo de ataque, fique com a bola – chegou a ter 75% e terminou com 65%, segundo o Footstats – e ronde a área. Neste cenário é óbvio que as finalizações acontecerão. Foram 14 no total, cinco na direção da meta de Fernando Miguel. A missão do oponente é impedir a jogada trabalhada que encontre alguém livre para marcar.

Foi o que o time paulista fez contra Grêmio e Palmeiras como visitante, o próprio tricolor gaúcho diante do Flamengo na Ilha do Governador e tantos outros nesta edição do Brasileiro que tem premiado quem não fica com a bola. A rigor, o Vitória só permitiu duas cabeçadas com liberdade: de Balbuena e Jô, uma em cada tempo. As demais sempre tinha um jogador de vermelho e preto para dificultar. É o que chamamos de controle de espaços.

Mancini acertou também ao afirmar que o Corinthians não jogou mal. Talvez tenha faltado mais mobilidade e triangulações, prejudicadas pela ausência de Jadson ou de um meia jogando na ponta para circular e dificultar o bloqueio. Com Romero e Clayson a equipe de Fabio Carille ficou engessada. Talvez as duas semanas sem jogos, ao menos neste retorno, tenham mais prejudicado que auxiliado.

Melhor para o adversário na zona de rebaixamento, mas em recuperação. Que cresce ao se fechar com duas linhas de quatro e acelerar com Tréllez, autor do gol único da partida, e Neilton, que fez a assistência, porém perdeu chance cristalina na segunda etapa à frente de Cássio. O Vitória também pode reclamar de gol mal anulado do zagueiro Kanu na segunda etapa. O mesmo que chutou Jô em pênalti ignorado pela arbitragem comandada por Eduardo Tomaz de Aquino.

Mas o treinador visitante foi preciso mesmo ao tocar o dedo numa ferida de todos nós: o hábito de analisar o jogo sob a ótica de apenas uma equipe. A mais forte, popular. A que dá mais audiência, gera mais cliques. Ou a local, tantas vezes desprezando o futebol jogado em outra praças. Por mais que se possa considerar indefensável uma derrota do líder do campeonato em sua casa para um time na zona de rebaixamento, os méritos do rival não podem ser esquecidos.

Muito menos menosprezados. Ninguém vai a Itaquera enfrentar o Corinthians de peito aberto, atacando e deixando jogar, ofertando espaços generosos. Imagine uma equipe de capacidade de investimento bem inferior e com dificuldades no campeonato. O Vitória traçou sua estratégia, executou e foi mais feliz. Se vencesse por 2 a 0 não seria nenhum absurdo.

Jogou bem dentro de sua proposta. É dever esclarecer mais uma vez que o que se condena como jogar mal é a pobreza de ideias e de repertório das equipes que podem entregar mais. Ou absurdos como times fortes abrirem mão de atacar em seus estádios, exagerando no pragmatismo.

O Corinthians pagou pelo status que sua própria competência o fez alcançar. Antes estava em um pelotão secundário de favoritos, agora é o grande candidato ao título. Natural ser mais estudado e motivar mais os adversários a batê-lo.

O Vitória conseguiu o que tantos desejavam por suas virtudes. Não “jogou por uma bola”, assim como o Corinthians não “massacrou”. Mancini mandou bem dentro e fora de campo. Que fique a lição para quem quiser aprender.


Na vitória do recorde, as duas faces do Corinthians invicto e absoluto
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André Rocha

O primeiro tempo dos 3 a 1 sobre o Sport em Itaquera que consolidaram o recorde de 47 pontos em um turno de Brasileiro com 20 clubes foi um símbolo da trajetória invicta do Corinthians.

Vanderlei Luxemburgo tentou alargar a última linha da defesa de Fabio Carille abrindo Everton Felipe e Osvaldo nas extremas e enfiando André e Diego Souza praticamente num 4-2-4. A solução corintiana foi recuar Romero como lateral pela direita e manter os quatro defensores bem próximos.

Mas foi o cruzamento de duas estatísticas que demonstra a evolução defensiva que, dentro do caos que é o futebol, vai tangenciando a perfeição. Com apenas 38% de posse de bola, o time paulista acertou 13 desarmes e não cometeu faltas. Isso mesmo, ZERO.

Só foi cometer a primeira aos nove minutos da segunda etapa. De Jô no campo de ataque. Já com 2 a 0 no placar. O primeiro com Arana completando cruzamento de Fagner. Ou seja, os dois laterais que sabem se comportar como defensores foram os protagonistas do gol que abriu o placar.  Na saída do segundo tempo, bola recuperada, Rodriguinho disparou e marcou um golaço. Na quinta finalização, terceira na direção da meta de Magrão.

Depois jogou mais solto, focado no desempenho e tentando proporcionar espetáculo ao seu torcedor. Só cometeu mais uma falta. E, lógico, permitiu que o Sport criasse oportunidades. Praticamente impossível não cedê-las num jogo tão dinâmico. Mas o Corinthians trabalha para sempre dificultar a finalização do oponente. Quando nem isso é possível, ainda que por mérito do outro lado, Cássio aparece para garantir a meta. Só não pôde evitar o chute impressionante de Thallyson. O nono gol sofrido em um turno.

Campanha fantástica pelo desempenho coletivo que faz Pedro Henrique superar suas limitações como substituto de Pablo para não comprometer atrás e ainda aparecer no ataque para aproveitar a cobrança de escanteio de Clayson, outro que entrou no time organizado e confiante e manteve o alto rendimento.

Recordes ficam para a história, ainda mais se o título coroá-los no final. Mas o Corinthians do primeiro tempo, perfeito defensivamente, deu a impressão de que começava muito cedo a se agarrar a um pragmatismo resultadista. Depois da vantagem construída, porém, procurou mostrar futebol. Tabelou, triangulou, arriscou algumas jogadas plásticas.

Mesmo dando espaços que podiam ter sido mais bem aproveitados pela equipe pernambucana se André não tivesse perdido três chances claras. Os visitantes finalizaram 12 vezes contra nove do vencedor – sete a quatro no alvo. O Corinthians colocou três nas redes. Eficiência é a outra chave para o domínio corintiano. Aliada à concentração.

A vantagem na tabela deve transmitir confiança para jogar ao natural e buscar evolução. Não aderir ao pensamento medíocre de definir “jogos para ganhar e não jogar”. O melhor sempre é jogar bem para merecer os resultados. O Corinthians mostra suas duas faces para construir com méritos inquestionáveis a liderança absoluta em 19 rodadas.

(Estatísticas: Footstats)


Problemas do Flamengo desconcentram Corinthians em jogo maluco. Empate ruim
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André Rocha

Antes de qualquer análise da disputa em si, é dever ressaltar o erro grotesco, imperdoável da equipe de arbitragem liderada por Ricardo Marques Ribeiro no gol absurdamente mal anulado do Corinthians. Jô recebe passe de Maycon três metros (!) atrás da linha da bola.

Ainda que o mesmo Jô tenha aberto o placar logo em seguida aproveitando passe de Balbuena, o crônico erro de posicionamento da defesa rubro-negra permitindo a infiltração e o estreante Diego Alves mal colocado, não dá para dizer que o mandante não foi prejudicado.

Porque o Flamengo se abateu tanto por ter permitido a finalização na primeira jogada bem coordenada pelo adversário que teria se desmanchado se o gol tivesse sido validado. Difícil prever o que aconteceria na sequência.

Mas também não dá para descartar a hipótese do líder do campeonato ter antecipado a postura conservadora, confiando na capacidade de controlar os espaços e de negar as finalizações com os movimentos perfeitos da última linha de defesa.

Futebol é louco e apaixonante pelas surpresas que reserva conforme o jogo anda. O Flamengo sem ideias e evolução, com Márcio Araújo inoperante na fase ofensiva, com direito a uma finalização bizarra com total liberdade, e Diego girando, prendendo a bola e travando o jogo novamente.

O Corinthians repousou no resultado, acomodado pelas fragilidades do oponente, perdendo força na saída para os contragolpes depois da troca de Marquinhos Gabriel, lesionado, por Giovanni Augusto. Especialmente sentindo falta de Romero, que ataca os espaços certos em velocidade. Clayson se esforçou, mas não conseguiu manter o desempenho. Rodriguinho, o meia central atrás do centroavante no 4-2-3-1, novamente ficou devendo.

No segundo tempo, as entradas de Willian Arão e Berrío nas vagas de Cuéllar e Trauco distribuíram melhor o Flamengo em campo. Everton ocupava todo flanco esquerdo e seu xará, o Ribeiro, se juntava a Diego e Guerrero no centro para articular e rondar a área corintiana.

Sim, mais uma vez o time de Zé Ricardo exagerou nos cruzamentos. Foram 41 no total. No 30º saiu o belo gol de Rever com assistência de Juan, que antes obrigara Cássio a uma defesaça. Mas a grande oportunidade foi em jogada bem trabalhada com bola no chão, em velocidade, passando por Berrío, Guerrero e Arão. Diego, porém, errou feio na finalização, perdendo gol feito. Mais uma atuação bem abaixo da média do meia. Mas só saiu com dores na mão para a entrada de Vinicius Júnior.

O jogo ficou aberto com o Corinthians tentando atacar para sair do sufoco. Mas desta vez a descoordenação dos setores não permitiu que os substitutos Pedrinho e Camacho fizessem subir o desempenho pelo aspecto físico. Ainda assim, a chance da vitória caiu nos pés de Jô em novo chute cruzado, mas desta vez Diego Alves estava bem posicionado. Na sequência, pixotada de Pedro Henrique, o elo fraco na defesa corintiana, e bola no travessão.

O empate deixa a impressão, mais uma vez, de que o Flamengo tem potencial para render muito mais em termos coletivos. Na segunda etapa, foi quem fez o melhor time da competição mais sofrer e ver sua invencibilidade de fato em risco. Teve 55% de posse e finalizou 15 vezes, mas só duas no alvo contra nove do Corinthians, três na direção da meta de Diego Alves.

Porque os desfalques pesaram na equipe de Fabio Carille e os problemas rubro-negros nitidamente desconcentraram os donos da casa em Itaquera. Jogo maluco, com altos e baixos. Ações e respostas inesperadas. Um erro capital da arbitragem. Um ponto para cada lado que não satisfaz ninguém.

(Estatísticas: Footstats)


Vitória do Corinthians no dérbi é o triunfo do presente sobre o passado
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André Rocha

Antes do início da 13ª rodada da Série A, o líder Corinthians era o segundo ataque mais positivo, a equipe que mais acerta passes e a quarta em posse de bola. Mas no Allianz Parque aproveitou a estatística que lidera e, na prática, é a mais importante: só precisa de seis finalizações, na média, para fazer um gol.

Na casa do Palmeiras esta eficiência foi ainda maior: dois gols em três conclusões. Jadson no pênalti sobre Guilherme Arana, que marcou o da vitória na segunda etapa. Ambos iniciados com passes espetaculares de Romero, o destaque absoluto do triunfo de uma ideia de jogar.

Atual, que se adapta de acordo com o que pede o jogo. Diante de um mandante tão forte, como o Grêmio há três rodadas, não fazia sentido partir de peito aberto. Principalmente pela consciência de que o rival viria no desespero para buscar a vitória e descontar os 13 pontos de desvantagem.

Organizou duas linhas de quatro compactas, executou com concentração absoluta seu modelo de jogo que baseia o trabalho defensivo na marcação por zona e no controle dos espaços. Fagner, Balbuena, Pablo e Arana parecem chegar à perfeição dos movimentos de corpo para tirar as opções do atacante que está com a bola. E quando o oponente consegue ultrapassá-los, aparece Cássio novamente no ápice físico e técnico.

Na transição ofensiva, inteligência para triangular e atacar os espaços na hora certa. Mesmo sem o brilho de Jô e de Jadson, que só apareceu na cobrança de pênalti. O forte é o coletivo, com eficiência absurda. Um relógio preciso.

Bem diferente do Palmeiras de Cuca, que diante das dificuldades impostas pelo Corinthians apelou para o que se convencionou chamar de “Cucabol” e nunca foi bem entendido. Na necessidade de criar os espaços em uma retaguarda bem posicionada, o time desde o ano passado apela para os cruzamentos sucessivos. Não há ideias.

Antes da partida, a média era de 22 bolas levantadas. Só no primeiro tempo foram 28. Chegou a 47 no final. No desespero, Cuca empilhou atacantes tirando volantes, adiantou o zagueiro Mina com centroavante e…tome bola na área! Teve 61% de posse, finalizou 18 vezes, mas faltou a chance cristalina, a ação ofensiva bem trabalhada.

Cuca tem razão ao lamentar as ausência de Vitor Hugo, Moisés e Gabriel Jesus em relação ao time campeão brasileiro do ano passado. O zagueiro que compensava todos os problemas ocasionados pelos ultrapassados encaixes individuais com velocidade, concentração e vigor físico. O meio-campista que acertava passes, chutes e as cobranças de lateral na área. E o melhor atacante atuando no país em 2016. Sem as individualidades resta muito pouco de uma ideia de jogo pobre e anacrônica.

Por isso o Corinthians sobra. Não é exemplo de gestão nem ostenta patrocínio forte, mas tem identidade dentro do campo. Uma ideia que vai sendo aprimorada por Fabio Carille, auxiliar dos “construtores” Mano Menezes e Tite. 35 pontos em 39 possíveis. Invicto, não sofre gols há sete partidas. Ataca quando precisa e chega a 23 gols marcados, igualando o Grêmio que ainda joga na rodada.

Campanha histórica em 13 rodadas. É o grande favorito ao título. Mas mesmo que a taça não venha, que o modelo de jogo alinhado ao que de mais atual se pratica nos principais centros e base de ideias da seleção brasileira líder das eliminatórias sul-americanas seja a referência para um futebol mais bem jogado no país.

No dérbi, o presente venceu o passado.

(Estatísticas: Footstats) 


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