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Torcida não merece esse Flamengo. Atlético-PR merece título histórico
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André Rocha

Mais de 60 mil pessoas no Maracanã em uma partida que nada valia e marcava despedida de uma temporada sem conquistas. Para terminar o Brasileiro com a melhor média de público como mandante, acima dos 50 mil pagantes.

Por mais que Dorival Junior, em entrevista a este blog, tenha exaltado a recuperação e a força do elenco, não há como confiar na força mental desse Flamengo. Depois de um primeiro tempo com alguma intensidade no embalo do apoio da massa e o gol de Rhodolfo na cobrança de escanteio de Diego, a desconcentração total na segunda etapa que permitiu a virada.

Na última partida com a camisa do clube que o formou, Lucas Paquetá nada produziu de útil atuando pela esquerda, deixando Vitinho no banco. Mas o símbolo de mais uma derrota foi Willian Arão. Até criou algumas situações pela direita com Pará e Everton Ribeiro e arriscou um chute perigoso no segundo tempo. Para logo em seguida acabar expulso por duas faltas bobas com reclamações da arbitragem. Desconcentrado sem a bola, sobrecarregou Piris da Motta, que não tem o mesmo nível de desempenho nem o entrosamento com os companheiros de Cuéllar.

Derrota emblemática no final da gestão Bandeira de Mello. Transformadora nas finanças, porém incompetente e paternalista na condução do futebol. A torcida não merece esse Flamengo.

Já o Atlético Paranaense consolida uma maneira de jogar agora com a confiança por afastar de vez a imagem de que só rende na Arena da Baixada. Volta do Rio de Janeiro com duas vitórias utilizando praticamente todo o elenco. Ainda que tenha precisado de Pablo e Lucho González saindo do banco para construir a virada no segundo tempo. O centroavante na vaga de Cirino e o argentino para qualificar o toque no meio e surgir como elemento surpresa na construção dos dois gols.

Saída com bola no chão, inteligência para acelerar ou cadenciar o jogo quando necessário e golaços de Matheus Rossetto e Rony. O primeiro pela jogada coletiva e o derradeiro em chute espetacular. O atacante acabou expulso na confusão depois do vermelho para Arão. Rigor da arbitragem para fazer média e tirar um de cada lado. Nada que impedisse o grande triunfo da equipe paranaense.

Pela maneira como se reconstruiu na temporada, efetivando Tiago Nunes que aprimorou e complementou os ideais de Fernando Diniz adicionando mais rapidez e contundência no ataque, o Atlético faz por merecer o título da Copa Sul-Americana. Decide contra o Junior Barranquilla uma taça histórica.

Se vencer servirá como bom exemplo de que não se deve recomeçar trabalhos praticamente do zero, descartando tudo do antecessor como acontece rotineiramente no futebol brasileiro. Mas principalmente para provar que é possível por estas bandas combinar  a competitividade e um jogo que agrada as retinas. No Maracanã fez bonito e não perdoou um time que sempre parece pronto para o fracasso.


Dorival Júnior, exclusivo: “Flamengo é um time pronto para grandes títulos”
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André Rocha

Foto: Getty Images

11 jogos, sete vitórias, três empates e uma derrota. 24 pontos conquistados. 72% de aproveitamento, acima dos 69,4% do campeão Palmeiras. Se contarmos o tempo em que trabalhou efetivamente, depois da estreia no empate contra o Bahia em Salvador um dia depois da confirmação como novo treinador, o aproveitamento de Dorival Júnior no Flamengo sobe para 77%. Atuações consistentes com a oscilação de desempenho no único revés, diante do Botafogo.

Contra o Atlético Paranaense no Maracanã encerra sua segunda passagem pelo clube, ao menos na gestão Bandeira de Melo. Sem a conquista almejada, porém com um novo patamar no mercado. Que corre por fora, mas com Renato Gaúcho renovando com o Grêmio e Abel Braga aberto a propostas de Santos e outros clubes, pode ser a solução “caseira” da chapa vencedora das eleições no dia oito de dezembro.

O rendimento da equipe e a gestão de grupo, recuperando jogadores como Willian Arão e a personalidade para enfrentar Diego Alves e convencer Diego Ribas, Everton Ribeiro e Lucas Paquetá a ficarem no banco e colaborarem são credenciais importantes para as metas a partir de 2019.

Esses são os principais pontos abordados nesta entrevista exclusiva para o blog, além de sua visão crítica sobre o futebol praticado no Brasil em relação aos grandes centros.

 

BLOG – Qual é o saldo desses dois meses de trabalho?

DORIVAL JÚNIOR – Não ficamos satisfeitos com a colocação final do campeonato. É uma frustração. Mas a alegria é grande pelo trabalho desenvolvido e a evolução dele em tão pouco tempo. Os atletas acreditaram na proposta, que já vinha com o Maurício Barbieri. Eu acrescentei um olhar de fora e dei umas pinceladas. Hoje a maior conquista, a meu ver, é eles perceberem que possuem uma qualidade superior ao que acreditavam ter. Acredito que é um grupo pronto para grandes conquistas que virão no momento certo.

BLOG – O time marcou 20 gols em 11 partidas sob seu comando, melhorando muito a média de gols – com Barbieri foram 38 em 26 partidas. Você saiu de Santos e São Paulo criticado porque seu time tinha a bola, porém infiltrava pouco. O que foi diferente agora, o time ou o Dorival?

DORIVAL JÚNIOR – O Santos em 2016, quando tive uma temporada completa de trabalho, criava de 12 a 16 chances de gol por partida. O ano seguinte foi complicado por muitas baixas num elenco que não era grande. No São Paulo o time saiu da zona de rebaixamento para a terceira melhor campanha no returno. Perdemos Hernanes e Pratto e emendamos o Paulista e estreia na Copa do Brasil com poucos treinamentos. Eu preciso do campo para trabalhar e no calendário brasileiro isso é impossível. Mas tive no Flamengo e focamos o trabalho em ajustar a última linha de defesa e, principalmente, o ataque através de tabelas, infiltrações, jogadores atacando espaços. Os atletas têm um cognitivo muito bom, pegaram rápido. Com a repetição de treinos e escalações veio a confiança.

BLOG – Você reclamou do calendário, mas quando aceita um trabalho num time grande brasileiro tem conhecimento das condições. Acaba virando um ciclo vicioso com transferência de responsabilidade. Como minimizar os problemas do excesso de jogos na prática?

DORIVAL JÚNIOR – O nosso trabalho é muito atropelado. No início do ano o jogador entra em campo longe das condições mínimas para estar atuando. É uma ciranda muito prejudicial e a gente acaba se acostumando, criando uma couraça. Entre jogos desgastantes fazemos treinos de posicionamento, sem intensidade, apenas de repetição de movimentos. O grande problema é que a maioria dos envolvidos não entende os processos e só cobram resultados imediatos. A pré-temporada ideal é de 40 a 45 dias. Tivemos um período de 28 a 30 dias e já foi bem melhor, mas agora regrediu novamente. Fica impossível trabalhar bem dessa forma.

BLOG – Uma solução seria escalar reservas e jovens da base nos estaduais, como o Atlético-PR faz durante todo o campeonato e o Flamengo com Carpegiani numa fase inicial para os titulares completarem os 30 dias de férias?

DORIVAL JÚNIOR – Seria uma adaptação. O ideal é que dirigentes, torcedores e jornalistas entendam e não pressionem por resultado já na primeira rodada. Eu sou defensor dos estaduais, acho fundamental para o surgimento de novos jogadores e sustentação dos times do interior. Mas já voltei de férias dia três de janeiro e no dia nove estava com o time disputando três pontos. Nós terminamos a temporada com 25 ou 26 jogos a mais que os principais times europeus. Aí dizem que o treinador brasileiro não tem qualidade. Precisamos debater isso melhor. Esses últimos jogos do Flamengo provam que com tempo a qualidade aparece.

BLOG – Nesses dois meses você teve um problema sério a solucionar: a insatisfação do Diego Alves com a reserva. O César virou titular contra o Paraná meio “no susto” e depois veio uma sequência de desentendimento com o goleiro e a pior série de resultados, com empates com Palmeiras e São Paulo e derrota para o Botafogo. Foi coincidência ou o problema disciplinar de um líder no elenco interferiu no rendimento da equipe?

DORIVAL JÚNIOR – A minha experiência diz que se tivesse que ocorrer algum problema seria no jogo contra o Paraná. Nós tivemos domínio das ações contra Palmeiras e São Paulo e criamos chances claras para vencer. Contra o Botafogo, sim, foi nosso pior momento. Honestamente não vejo nenhuma ligação. Sem contar a qualidade dos adversários, especialmente o campeão Palmeiras, time muito pragmático, que se defende muito bem e sabe acionar suas individualidades no ataque. A nossa tabela não foi fácil, com sete jogos como visitante em onze.

BLOG – Esse grupo de jogadores é muito criticado pela torcida por falhar em momentos decisivos. Que cenário você encontrou quando assumiu e qual a diferença hoje?

DORIVAL JÚNIOR – São grandes jogadores e a resposta sempre foi positiva. Posso citar o exemplo do Diego Ribas. De início discordou da minha decisão de colocá-lo no banco porque estava voltando de contusão. Expliquei meus motivos e pedi a ele que continuasse treinando e acreditasse no que estava dizendo. Era uma decisão técnica e tática, não má vontade. Ele foi leal, correto e profissional. Trabalhou, não reclamou externamente e voltou a ganhar oportunidades pelos próprios méritos. Foi fundamental nessa reta final.

BLOG – E o Paquetá, reagiu da mesma forma ao voltar da expulsão contra o Sport no banco?

DORIVAL JÚNIOR – Ele reconheceu que errou. O jogador é inteligente e sabe quando se equivoca. O Everton Ribeiro ficou no banco contra o Sport e nos ajudou demais no segundo tempo com um homem a menos. Aí entra a importância do exemplo. Como o Paquetá poderia reclamar de ficar fora depois de um erro se o Diego aceitou voltando de lesão e modificou jogos a nosso favor saindo do banco?

BLOG – Mas no geral o grupo é forte mentalmente?

DORIVAL JÚNIOR – São profissionais abertos a melhorar conceitos. No aspecto de liderança, jogadores como Rever, Rhodolfo e Rômulo dão muita sustentação ao grupo pela experiência. Todos são atletas de bom nível de concentração e que aos poucos foram acreditando no trabalho. Não ficamos satisfeitos com o segundo lugar, mas temos que reconhecer os muitos méritos do campeão. Somos o segundo melhor ataque, a segunda defesa menos vazada. Só uma derrota, recorde de pontos do clube nos pontos corridos, acima até do título que conquistou em 2009. Logicamente com muitos méritos também do Barbieri, a quem agradeço pelo trabalho que é alinhado à minha forma de pensar futebol. Repito: é um grupo pronto para grandes títulos muito em breve.

BLOG – Você é fã do Guardiola, que desde o Bayern de Munique e agora no Manchester City procura ampliar o repertório em relação ao Barcelona. Tem posse, mas agora adiciona contra-ataques e jogadas aéreas. O futebol mundial parece caminhar para a versatilidade, com treinadores intensos como Klopp e Simeone buscando mais controle do jogo com a bola quando necessário. Você também busca esse jogo mais inteligente, capaz de se adaptar às demandas de uma partida?

DORIVAL JÚNIOR – Há formas e formas de ganhar partidas e campeonatos. Eu tenho 13 anos de carreira e dez títulos conquistados. Tirei equipes de rebaixamentos praticamente certos. Meus times sempre buscaram essa versatilidade. O Santos de 2015/16 tinha posse, mas também um contra-ataque veloz que foi considerado o mais rápido do mundo, por chegar à área adversária em pouco tempo e com poucos passes. Para isso você precisa dos jogadores certos, que foi o que faltou no São Paulo. Sem velocidade tentávamos infiltrar com trocas de passes. No Flamengo eu tenho o Berrío que ataca espaços em velocidade e tento aproveitar o máximo de minutos que ele pode estar em campo com alta intensidade.

Quanto ao Guardiola é uma evolução natural. Tudo depende do grupo de atletas. Se eu fosse o Klopp também jogaria acelerando para acionar o seu trio de ataque com Salah, Firmino e Mané. No Bayern e agora no City o Guardiola coloca mais intensidade na pressão assim que a equipe perde a bola. Os jogadores estão sempre muito próximos. É uma maneira competitiva e agradável de jogar desde os tempos de Barcelona. Exatamente o que busco nos meus times. Mas para isso o tempo é essencial. Guardiola implantou seu modelo na primeira temporada na Inglaterra e só foi vencer na segunda. Aqui teria essa chance? No Brasil é utopia. Nossos contratos deveriam ser semanais e não anuais. Treinamos mais os reservas, porque os titulares quase sempre estão no regenerativo. Aqui cobram qualidade na quantidade. A grande pergunta que gostaria de deixar para refletirmos é: você está satisfeito com o nível de futebol apresentado em nosso país?

BLOG – E o futuro?

DORIVAL JÚNIOR – É o jogo contra o Atlético Paranaense no sábado para terminarmos bem o ano e deixarmos o nosso torcedor satisfeito com o rendimento, já que o resultado esperado não veio. Depois veremos.


O mea culpa necessário sobre Diego, Berrío e Dourado na vitória do Flamengo
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André Rocha

O goleiro César foi o personagem da vitória do Flamengo sobre o Santos no Maracanã por 1 a 0. Venceu o duelo com Gabriel Barbosa, artilheiro do Brasileiro, ao defender no segundo tempo um chute do atacante sem marcação e depois pegar o pênalti cobrado pelo camisa dez do alvinegro praiano já no final do jogo.

O triunfo não muda nada na briga pelo título, mas ajuda na luta pela vaga no G-4 e, consequentemente, na fase de grupos da Libertadores 2019. Internacional, Grêmio e São Paulo agora são os rivais, não mais o campeão Palmeiras esperando apenas a matemática para receber a taça.

Mas é dever deste blog fazer um mea culpa sobre os três jogadores rubro-negros envolvidos no gol única da partida.

Diego Ribas foi e ainda é criticado por atrasar os ataques da equipe ao prender demais a bola e quase sempre precisar dar um giro para só depois pensar no que fazer. Por aqui você já leu que era uma falácia ele ser o meia criativo do Fla. Esta crítica, no geral, continua sendo justa.

Mas é preciso reconhecer que em vários momentos não houve uma opção confiável para um passe em profundidade. Seja por falta de velocidade, erro de posicionamento ou de tomada de decisão do atacante para receber a bola às costas da defesa adversária. Muito ligado em estatísticas, Diego não gosta de errar passes, por isso costuma esperar e fazer a escolha mais segura. Nem sempre a mais produtiva.

Já Orlando Berrío, quando foi contratado em 2017, foi avaliado neste espaço como um erro da diretoria. Não pelo que o colombiano poderia produzir, mas pelas características. Zé Ricardo, treinador à época, disse a este blogueiro na virada do ano que precisava de um ponteiro de bom drible e finalizador. Vitinho já era o alvo, mas não foi possível.

Veio Berrío, ponta de velocidade espantosa, mas que não tem o drible nem a conclusão como pontos fortes – apesar da jogada espetacular e surpreendente que terminou no gol de Diego sobre o Botafogo na semifinal da Copa do Brasil do ano passado. Ou seja, o treinador pediu uma coisa e a diretoria trouxe outra.

Só que a saga rubro-negra sem grandes conquistas mostrou que Berrío, quando esteve em campo, deu à equipe a alternativa de velocidade, aceleração e capacidade de explorar as costas da retaguarda do oponente. Só inferior à de Vinicius Júnior em seus momentos mais inspirados. Uma pena que quando mostrava estar mais bem adaptado ao clube e ao futebol brasileiro teve uma contusão grave e só retornou no segundo semestre de 2018, mas ganhando confiança e ritmo de competição bem aos poucos.

Henrique Dourado chegou ao Flamengo por conta da artilharia do Brasileirão 2017 pelo rival Fluminense. Outra contratação equivocada de Rodrigo Caetano pelas características do centroavante. Jogador de último toque, não de pivô para participar de ações ofensivas mais elaboradas em um time que se propõe a se instalar no campo adversário e trabalhar. Difícil dar sequência às jogadas com bola no chão. Por isso as críticas frequentes nas análises sobre o time. Ficaram apenas os 100% de aproveitamento nas cobranças de pênalti.

No gol que decidiu a partida, um contraponto ao maior problema do Fla nos últimos anos: a difícil combinação de características dos jogadores em campo. Diego arriscou e acertou o passe longo porque Berrío apareceu às costas da linha defensiva santista. O colombiano foi preciso na assistência porque Dourado estava na área para finalizar. E a bola foi parar nas redes de Vanderlei porque o centroavante teve liberdade para concluir, justamente porque a jogada foi surpreendente e bem executada.

Lance único em um universo de 19 finalizações, apenas quatro no alvo. Domínio inócuo do Flamengo na primeira etapa, com Everton Ribeiro, Diego e Vitinho cortando da ponta para dentro em jogadas já mapeadas pelos rivais e que dificilmente terminam em uma chance cristalina. Só com as mudanças de Dorival Júnior o time voltou a sair de campo com os três pontos depois de três partidas.

É final da gestão Bandeira de Mello e os candidatos à presidência já sinalizaram uma mudança profunda no elenco para o ano que vem. É bem provável que Diego, um dos símbolos dessa fase sem conquistas, deixe o clube. Mesmo sendo exemplo de comportamento com Dorival Júnior ao aceitar a reserva e lutar no campo para recuperar a titularidade, a passividade em entrevistas depois de derrotas importantes mancharam a imagem do meia junto à torcida. O futuro de Berrío e Dourado são grandes incógnitas, vai depender do novo treinador.

De qualquer forma, fica o registro desse mea culpa. Talvez em equipes com outras propostas de jogo e elencos mais ajustados ao que o time pretende fazer em campo esse trio possa render o que se espera. No Flamengo, o gol do triunfo foi raridade. Talvez um presente tardio no aniversário dos 123 anos do clube.

(Estatísticas: Footstats)

 


Só um improvável “efeito São Paulo” pode tirar o título do Palmeiras
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André Rocha

As chances de reação do Flamengo de Dorival Júnior em busca do título voaram longe como os chutes de Lucas Paquetá contra o Palmeiras e Vitinho diante do São Paulo no Morumbi. Fraqueza mental que deve minar ainda mais as forças em uma tabela complicada nos seis jogos que restam – Botafogo, Sport e Cruzeiro como visitante e Santos, Grêmio, Atlético-PR em casa.

Sobra o Internacional, novo vice-líder depois da virada dramática sobre o Atlético-PR no Beira-Rio com gol no final em pênalti mais que discutível sobre Rossi. Com o ânimo de quem chegou mais longe que imaginava pode sonhar com uma virada. A tabela é acessível: América, Atlético-MG e Fluminense em Porto Alegre e Ceará, Botafogo e Paraná fora.

Mas depois da vitória no sábado sobre o Santos por 3 a 2 em um jogo maluco com gol de falta de Victor Luis num frango de Vanderlei quando o adversário parecia mais próximo da virada, é impossível não ver o título se encaminhando para Luiz Felipe Scolari e seus comandados.

A única chance de surpresa desagradável seria um “efeito São Paulo”. Ou seja, cair vertiginosamente de produção quando passa a se dedicar exclusivamente ao Brasileiro por conta de eliminações no mata-mata. As semanas cheias jogando contra pelo tempo para pensar no peso do favoritismo. A ansiedade sufocante fazendo o desempenho despencar e os resultados seguirem a trilha ladeira abaixo.

Algo bastante improvável. Primeiro porque o Palmeiras, mesmo carregando a pressão por grandes conquistas depois que o investimento no elenco aumentou,  foi campeão brasileiro há dois anos. Não carrega o fardo de falta de títulos do Tricolor do Morumbi. Ainda há no grupo remanescentes da conquista de 2016 com Cuca. E mesmo que Felipão não tenha um título por pontos corridos no país, a experiência do treinador para lidar com essa responsabilidade também cria ambiente mais sereno. Há um escudo.

Sem contar a qualidade. É claro que a ausência de Dudu, por exemplo, seria um duro golpe, mas não do tamanho da de Everton para Diego Aguirre pela falta de reposição. Com todos à disposição é possível armar o time em função de cada adversário.

Nada muito complicado: visita Atlético-MG, Paraná e Vasco e enfrenta Fluminense, América e Vitória em São Paulo. Com cinco pontos de vantagem sobre o Inter. Uma rodada e mais dois pontos. Fruto da campanha espetacular no returno até aqui: dez vitórias e três empates. Incríveis 85% de aproveitamento. Para perder o título teria que cair para 66% – ou seja, ganhar apenas 12 dos 18 que restam –  e o Internacional responder com 100%.

Se derrapar só não será mais vexatório que em 2009, quando o time comandado por Muricy Ramalho era favorito absoluto e perdeu até a vaga na Libertadores. Nada leva a crer que possa acontecer. Parece questão de tempo. A tendência é que a matemática faça seu serviço na antepenúltima ou penúltima rodada.


Paternalismo e redes sociais: os erros do Flamengo no caso Diego Alves
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André Rocha

Foto: Douglas Magno/AFP

Só mesmo a busca  desesperada por um título brasileiro para fechar a gestão Bandeira de Mello e tentar eleger o sucessor da situação e os bons resultados depois da chegada de Dorival Júnior para que o Flamengo dê respaldo ao treinador no caso Diego Alves.

Porque o histórico da diretoria rubro-negra é de uma relação paternalista com os jogadores. Ainda mais quando o personagem é o goleiro que virou ídolo antes mesmo de estrear. Diego Alves chegou no ano passado com tratamento de “sonho de consumo”, palavras do próprio presidente. Muito pelo movimento de torcedores nas redes sociais. Apavorados com as falhas de Muralha e a insegurança natural do jovem Thiago, quase suplicaram para que o arqueiro acertasse com o clube.

Um início de processo equivocado e que explica a postura do jogador ao se recusar a viajar com o grupo para o jogo contra o Paraná depois de saber que seria reserva de César. Não se desculpou e agora quase chegou às vias de fato com Dorival Júnior em uma discussão diante do elenco.

Vale a lembrança de que Diego Alves só acertou com o Flamengo porque o Valencia não deu garantias de que ele seria titular e o projeto pessoal do goleiro era buscar uma vaga na seleção brasileira para a Copa do Mundo disputada na Rússia. Coincidência ou não, seu melhor momento foi justamente antes do Mundial, ajudando a alçar o time à liderança do Brasileiro. Depois veio a queda junto com a equipe, em desempenho e resultados.

Reforça a impressão de que o jogador coloca suas ambições acima do clube. Na Europa só criou problema semelhante quando ficou de fora de um jogo do Valencia contra o Real Madrid na temporada 2013/14. Mas era uma transição de treinadores e Diego cresceu para cima do interino Nico Estévez, reclamando aos gritos. Foi multado, baixou a bola e a vida seguiu.

A diretoria rubro-negra ainda não definiu o futuro do jogador. Diego Alves não deve mais atuar sob o comando de Dorival Júnior. Mas é atleta do clube e pode ser aproveitado a partir de 2019 pelo novo treinador, já que o atual só permanece se for campeão brasileiro – hipótese improvável, ao menos no momento, pelos quatro pontos de desvantagem em relação ao Palmeiras e uma sequência de jogos, em tese, mais complicada.

Nas redes sociais, a notícia da barração gerou uma gritaria inicial. Mas com o time pontuando, atuando melhor e o goleiro substituto demonstrando segurança os ânimos se acalmaram e agora a maioria das manifestações é de apoio a Dorival e diretoria. Mas se César falhar…

Seja como for, a relação que começou errada tem tudo para terminar de maneira traumática. Para clube e jogador, este um “ídolo” sem feitos ou conquistas. Típico da gestão, ou da falta de comando, do Flamengo de Bandeira de Mello.


O que mudou no meio-campo do Flamengo com Willian Arão na vaga de Diego
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André Rocha

Foto: André Durão/Globoesporte.com

O Flamengo não conseguiu a vitória que contava para encostar de vez no Palmeiras e brigar pelo título brasileiro. Mas o Maracanã viu o time comandado por Dorival Júnior mais organizado, concentrado e intenso. Não se abateu com o gol de Dudu e podia ter virado na bola que Lucas Paquetá mandou na lua.

O crescimento passa inegavelmente pelo “fato novo”da mudança do comando, o olhar de alguém de fora que efetuou algumas correções na dinâmica de jogo – ainda que os rubro-negros tenham novamente exagerado nos cruzamentos e sofrido para ir às redes, mesmo finalizando muito, em um jogo grande. O desgaste também vem sendo menor com a dedicação exclusiva à principal competição nacional.

Mas um detalhe tático também ajuda a explicar a evolução coletiva. Dorival desfez o 4-1-4-1 com a ausência de Diego por lesão nas primeiras partidas e voltou ao 4-2-3-1 com a entrada de Willian Arão e o avanço de Paquetá, mais próximo de Uribe, centroavante que ganhou a vaga no ataque com o novo treinador.

Arão é um volante de chegada à frente. Um tanto disperso na marcação, com deficiências no jogo aéreo ofensivo e defensivo e que oscila muito na parte mental. Mas oferece ao time um passe mais vertical e, principalmente, sua capacidade de infiltração. Tanto por dentro quanto pela direita. Quando o canhoto Everton Ribeiro corta da direita para dentro, muitas vezes é Arão quem ataca o espaço às costas do lateral do oponente e chega ao fundo. Até porque Pará não tem a mesma velocidade e vigor que Rodinei nas ultrapassagens, embora defenda melhor.

Flagrante de Willian Arão recebendo de Everton Ribeiro e infiltrando às costas do lateral adversário. Pará dá o apoio por dentro. (Reprodução Premier)

Com isso as funções ficam mais definidas no meio-campo e mantém Paquetá avançado, sem correr pelo campo todo como nos tempos em que dividia a articulação com Diego. Fica mais focado, menos “peladeiro”. Defensivamente, Arão vem cobrindo os momentos em que Cuéllar sai à caça na intermediária do adversário. Antes se o colombiano não conseguisse o desarme ou cometesse a falha a última linha de defesa ficava totalmente exposta.

A principal mudança, porém, foi na circulação de bola ficou mais rápida, já que Arão sabe jogar tocando de primeira, enquanto Diego normalmente precisa dominar, girar, dar mais um toque e só então soltar a bola, o que atrasa muitos ataques.

Contra o Palmeiras, o time empatou com Diego na vaga de Arão. Até por necessidade. Mas a diferença foi Marlos Moreno, veloz e objetivo na vaga do lesionado Vitinho. A tendência é Dorival manter a estrutura inicial para a sequência da competição, começando pelo duelo contra o São Paulo no Morumbi.

Willian Arão não é craque, nem solução para um time que briga por grandes conquistas. Mas dentro de um elenco caro, porém desequilibrado, vai dando encaixe na maneira de jogar com Dorival Júnior. O tão sonhado título para encerrar a Era Bandeira de Mello ficou bem mais longe, mas é possível sonhar com o milagre nas últimas sete rodadas. Ou ao menos a vaga direta na fase de grupos da Libertadores 2019.

No 4-2-3-1 armado por Dorival Júnior, Willian Arão é o volante que infiltra se juntando ao quarteto ofensivo, mas também volta para colaborar com Cuéllar (Tactical Pad).


Palmeiras e Flamengo iguais na força pela esquerda. Empate encaminha taça
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André Rocha

Apesar das ausências importantes e da preocupação com a volta contra o Boca Juniors pela Libertadores, o Palmeiras tinha o jogo à sua feição pelo contexto. Mesmo contra o Maracanã cheio e um Flamengo confiante depois da chegada de Dorival Júnior.

Porque no futebol jogado dentro do Brasil quem pode atuar negando espaços e explorando as costas da retaguarda adversária sempre leva vantagem. Física, tática, técnica e mental. O time de Felipão se fechava em duas linhas de quatro com muita concentração para não permitir as triangulações e sempre pressionando o adversário com a bola.

Só tinha um “ponto cego”. Já esperado pelas ausências de Marcos Rocha e Mayke. Felipão posicionou Luan na lateral direita, mas o zagueiro sofreu no duelo com Vitinho, o grande destaque rubro-negro no primeiro tempo. O ponteiro do 4-2-3-1 do Fla que teve a grande chance nos primeiros 45 minutos quando Vitinho passou como quis por Luan e teve tempo e espaço para levantar a cabeça, mas não percebeu o deslocamento perfeito de Arão, que ficaria de frente para Weverton. Cruzamento errado, chance desperdiçada.

O Palmeiras também atacava pela esquerda, com Dudu para cima de Pará. Na primeira etapa não teve grande efeito prático, mas logo após a volta do intervalo a bola longa pegou o lateral direito do Flamengo mal posicionado e cedento espaço suficiente para o melhor jogador do campeonato até aqui cortar para dentro, limpar também Léo Duarte e bater no canto esquerdo de César.

Vitinho sentiu lesão no segundo tempo e Dorival colocou Marlos Moreno. Antes havia trocado Arão por Diego e voltado ao 4-1-4-1 dos tempos de Mauricio Barbieri. Luan também saiu desgastado para a entrada de Gustavo Gómez. As trocas criaram uma vantagem clara do atacante colombiano sobre o zagueiro paraguaio na velocidade.

Marlos recebeu nas costas de Gómez, cortou Antônio Carlos e empatou. Marlos não marcava desde 2016. Já o artilheiro do Flamengo no Brasileiro com dez gols perdeu a grande chance da virada. Antes de Felipão corrigir a marcação no setor ao deslocar o volante Thiago Santos para a direita, o ponteiro disparou e serviu Paquetá que, livre, bateu por cima.

Era a bola de um jogo estrategicamente igual. Já era esperado que o Flamengo tivesse muito mais posse (62%). Talvez não tantas finalizações – 19, mas só quatro no alvo. Mas novamente exagerou nos cruzamentos em uma partida decisiva: 43. O Palmeiras efetou 64 lançamentos e 50 rebatidas, também previsível para o “padrão Felipão”. Assim como a eficiência de finalizar sete vezes, duas no alvo e uma nas redes.

De Dudu, que se sacrifica nas duas competições porque o time depende dele. Vai precisar demais do fator de desequilíbrio contra o Boca no Allianz Parque. Já no Brasileiro a missão agora é administrar. Quatro pontos de vantagem mantidos, um confronto direto a menos e sete rodadas com tabela em tese mais fácil que a sequência de jogos dos concorrentes.

O título parece encaminhado. Logo o que o Palmeiras não priorizou e, por isso, jogou com calma e leveza. Vantagem considerável no tenso, quase surtado, ambiente de time grande no Brasil.

(Estatísticas: Footstats)


Palmeiras de Felipão é versão aprimorada do campeão brasileiro com Cuca
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André Rocha

Everton faz uma falta tremenda ao Grêmio. É o desafogo dos contragolpes, o ponteiro do drible que desarticula o sistema defensivo adversário. Da infiltração em diagonal para a finalização. Um desfalque imenso para uma partida do tamanho do confronto fora de casa contra o líder do campeonato.

Mas convenhamos que por mais que se dedique e reforce o discurso de que a competição por pontos corridos é importante, a concentração e a intensidade do Grêmio no Brasileiro nunca é a mesma em relação à Libertadores. É cultura, assimilada por Renato Gaúcho, maior ídolo da história do clube, e por seus comandados.

Nada disso, porém, tira os méritos dos 2 a 0 do Palmeiras no Pacaembu. Uma atuação segura, sólida, que permitiu apenas três finalizações do atual campeão sul-americano. Nenhum no alvo. O Alviverde concluiu sete, cinco na direção da meta de Paulo Victor. Nem tanto assim, mas o jogo todo deixou a impressão de que poderia marcar mais gols, mesmo com apenas 40% de posse.

Porque Luiz Felipe Scolari e sua comissão técnica conseguiram fazer o elenco assimilar a proposta de jogo rapidamente e com muita precisão, aditivada pela confiança por conta dos bons resultados. A ponto de poder mesclar cada vez mais titulares e reservas sem queda de desempenho por falta de entrosamento.

Contra o Grêmio, a maior virtude foi a concentração no trabalho sem bola. Depois do sucesso no duelo com o Colo Colo pelas quartas de final da Libertadores, Felipão resolveu seguir apostando na marcação por encaixe. Diante do time de Renato Gaúcho, que no país é quem trabalha no modelo mais próximo do jogo de posição, com toques curtos e mobilidade em pequenos espaços, as perseguições nem precisavam ser tão longas, o que costuma desarrumar mais os setores.

Os duelos, então, ficavam bem definidos: Dudu e Willian voltavam com os laterais Leo Gomes e Marcelo Oliveira, Thiago Santos pegava Luan, Moisés bloqueava Maicon, Bruno Henrique batia com Cícero. Mayke esperava Pepê, o mesmo do lado oposto com Diogo Barbosa contra Alisson. Zagueiros Luan e Gustavo Gómez cuidavam de Jael. Na frente, Deyverson incomodava Geromel e Bressan.

O gremista que recebia a bola era imediatamente pressionado por seu marcador. Nas tentativas de triangulação, quase nunca o Palmeiras permitia o terceiro homem livre – ou seja, aquele que se desmarca e vai receber a bola mais à frente. Impressionante como o time da casa permaneceu ligado durante os noventa minutos.

Bola retomada, muitas ligações diretas. Foram 44 lançamentos na partida. Quase sempre buscando Deyverson no pivô ou Dudu na velocidade. Não por acaso, os dois melhores em campo. Um desequilibrou com gols, outro como o ponteiro que Everton costuma ser para o Grêmio. O centroavante finalizou três vezes, duas no alvo. Nas redes.

O camisa sete, melhor em campo, foi quem mais acertou dribles e passes para finalizações. Cruzou para Deyverson desviar para o primeiro gol. Ganhou da defesa e rolou para Bruno Henrique chutar e Cícero salvar quase sobre a linha. Apesar de ainda insistir muito nas reclamações com a arbitragem, já é candidato a grande destaque individual do campeonato.

Marcação por encaixe, perseguições individuais, ligações diretas, concentração, Dudu desequilibrando. Tudo isso lembra demais a trajetória que terminou com o título em 2016. Sob o comando de Cuca. Campanha fantástica no segundo turno, outra semelhança.

Só que o time de Felipão, pelo menos até aqui, parece uma evolução daquele Palmeiras. Que tinha o talento de Gabriel Jesus, mas nem sempre um pivô como Deyverson para reter a bola e contribuir para o volume ofensivo. Mais leve, sem o peso dos 22 anos sem título brasileiro e o clima tenso que Cuca costuma criar na gestão do elenco, o jogo flui melhor.

Conta também, e muito, o elenco mais qualificado e homogêneo que o de dois anos atrás. Para vencer o Grêmio e praticamente tirá-lo da briga pelo título. Com os 3 a 1 do Internacional sobre o São Paulo no Beira-Rio, sobram três reais candidatos à principal competição nacional. Os dois vencedores das partidas mais importantes do domingo e mais o redivivo Flamengo de Dorival Júnior.

A menos que surja um “fato novo”, a única possibilidade de queda do líder é o contexto da semifinal da Libertadores contra o Boca Juniors e de uma possível decisão continental interferir muito nas rodadas de fim de semana. Hoje parece improvável. Mais fácil os outros dois tropeçarem na ansiedade por taças.

Favoritismo absoluto do Palmeiras, maior que os três pontos de vantagem na tabela sobre o Inter. Returno de oito vitórias e dois empates, 16 gols a favor e apenas cinco contra. Praticamente imune a desfalques, com confiança no teto e tratando o Brasileiro sem obsessão. Não é a prioridade, mas parece ser levado cada vez mais a sério faltando nove rodadas.

(Estatísticas: Footstats)


Flamengo de Dorival faz mais gols com menos cruzamentos e finalizações
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André Rocha

Desde o início do Fla-Flu no Maracanã estava claro que o lado forte ofensivamente do time rubro-negro seria o esquerdo, com Renê, Lucas Paquetá e Vitinho para cima de Mateus Norton, volante tricolor improvisado na direita substituindo o suspenso Léo, titular depois da lesão de Gilberto.

Marcelo Oliveira tentou compensar abrindo Marcos Júnior no setor para auxiliar e Ibañez na cobertura. Um 3-4-2-1 que até começou bem, com finalização de longe de Luciano, aproveitando falha de Rever que proporcionou o contragolpe.

Mas depois o time de Dorival Júnior dominou inteiramente o primeiro tempo. Posse de bola, volume de jogo e intensidade na marcação em contraste com a postura passiva do rival. Criou chances, teve posse girando em torno de 60% – terminou os primeiros 45 minutos com 58%.

Finalizou 11 vezes, quatro no alvo. Mas gols apenas nas jogadas aéreas. Duas assistências de Vitinho, novamente um dos destaques. A primeira na jogada característica, cortando para dentro e levantando com efeito. Para Uribe desviar, a bola bater no zagueiro Digão e sair do alcance de Julio César. Depois a cobrança de escanteio pela direita que passou por Réver e encontrou Léo Duarte.

Dez cruzamentos, sete corretos. No total foram 21, nova certos. Menos que a média total de 24 e quase o dobro dos cinco que encontram os companheiros. Melhora também na relação finalização/gol: 15 nos 90 minutos, seis no alvo. Três gols. Uma a cada cinco. Contra o Corinthians, também três gols em 12. Quatro conclusões para ir às redes.

Eficiência que Uribe enfim demonstrou com a camisa do Fla: três finalizações, todas na direção da meta de Julio César, duas nas redes. A última um tanto atabalhoada, mas aproveitando de novo um ataque pela esquerda. Mesmo com Marcelo Oliveira trocando no intervalo Mateus Norton por Danielzinho, deslocando Jadson para a ala direita.

Depois os rubro-negros controlaram o jogo, ganharam velocidade nos contragolpes com a entrada de Berrío na vaga de Everton Ribeiro. Rever, contundido, já havia saído para a entrada de Rhodolfo e Dorival trocou Uribe por Rômulo para reforçar a marcação no meio.

Também para dar um refresco para Willian Arão, que levou cartão amarelo por falta dura em Ayrton Lucas e flertou com o vermelho na segunda etapa. O volante até apareceu como opção pela direita e por dentro em alguns momentos, entrando no espaço certo, mas errou demais nas finalizações.

Destoou na boa atuação coletiva do Fla. Mostrando evolução além do “fato novo” na mudança de treinador. Até aqui, a melhora no desempenho é reflexo também do tempo maior para treinamentos. Os cruzamentos não são a esmo, as finalizações não são tão truncadas. Há mais fluência nas ações ofensivas.

Dorival vai corrigindo deficiências, dando confiança a jogadores desacreditados. Fazendo o Flamengo sonhar com uma arrancada na reta final do Brasileiro.

(Estatísticas: Footstats)

 


Paquetá e Vitinho desequilibram e Flamengo de Dorival já faz história
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André Rocha

É óbvio que o Flamengo trocaria os 3 a 0 na Arena Corinthians pela vaga na final da Copa do Brasil, até pela cultura “copeira” do futebol brasileiro. O time paulista também não colocou intensidade máxima tendo a primeira decisão contra o Cruzeiro já na quarta-feira.

Mas no contexto atual do time rubro-negro, o triunfo na estreia de fato de Dorival Júnior pode ser um “turning point” no Brasileirão. Ainda mais numa sexta-feira com derrota do Internacional para o Sport e o clássico São Paulo x Palmeiras no sábado. Mais uma chance de se aproximar do topo da tabela.

De qualquer forma, a vitória é histórica. Desde 2009 o Flamengo não vencia o Corinthians como visitante – ou seja, nunca havia superado o atual campeão brasileiro em seu estádio –  e há sete anos não conseguia voltar da cidade de São Paulo com três pontos pelo Brasileiro. Uma estatística que incomodava o clube que tenta ser mais competitivo nacionalmente em um período de domínio dos times paulistas na competição por pontos corridos.

Dorival não é mágico e em quatro dias não teria como transformar completamente o Fla em tática e espírito. Mas já se viu uma equipe mais intensa e organizada, se fechando em duas linhas de quatro, dando a liberdade que Lucas Paquetá precisa num 4-2-3-1 e confiança para Vitinho tirar o peso das costas por ser a contratação mais cara da história do clube. O ponta, bem aberto pela esquerda, tentou oito vezes o drible e acertou cinco. A maioria para cima de Gabriel, volante improvisado na lateral direita.

Ainda falta ao trabalho coletivo a infiltração que surpreende, a presença de área para completar os muitos cruzamentos de Vitinho – foram 15 no total, mas só três encontraram um companheiro para finalizar, um com bola rolando. No final do primeiro tempo, uma oscilação perigosa com falha grotesca de Willian Arão na saída de bola que Mateus Vital e Douglas não aproveitaram e o goleiro César, substituto de Diego Alves, apareceu com duas grandes intervenções.

A vitória foi construída na bola parada. Escanteios de Vitinho para Paquetá. Dois gols, chegando a nove no campeonato. O melhor finalizador atualmente no elenco precisa jogar mais próximo da meta do oponente. Com a volta de Diego, talvez atuar no centro do ataque – você já leu sobre isto AQUI. Se prender a bola além do recomendável, ainda um hábito, que seja bem longe da própria defesa. No contragolpe final, o belo passe clareando para Rodinei disparar e servir Renê. Os 3 a 0 são a maior derrota corintiana em Itaquera.

Menos posse de bola: 47%. Doze finalizações contra onze, sete a três no alvo. Se o Corinthians fragilizado da temporada e focado em outra competição não é parâmetro para uma avaliação mais profunda, o simbolismo da vitória com Paquetá e Vitinho desequilibrando é o “fato novo” que o Flamengo precisava para uma última tentativa de conquista em 2018.

(Estatísticas: Footstats)