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Sarrià, 35 anos: a velha mania brasileira de achar que perdeu pra si mesmo
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André Rocha

 

As seleções brasileiras nas Copas de 1930 e 1934 foram “improvisadas”, não eram propriamente um grupo com os melhores jogadores do país. Em 1938 a Itália fascista de Mussolini venceu a semifinal por conta da ausência de Leônidas da Silva, “poupado” pelo treinador Ademar Pimenta. O “Maracanazo” de 1950 está eternamente na conta do goleiro Barbosa. Em 1954 e 1966 foi a desorganização. Na Copa da Alemanha depois do tri “amarelamos” contra a Holanda.

Em 1978 não houve derrota, então foi “campeão moral”. Mas se o Falcão tivesse sido convocado…Em 1986 a culpa foi do Zico com o joelho em frangalhos. Em 1990 e 2010 o responsável pelo fracasso foi o Dunga, dentro e fora de campo. A convulsão de Ronaldo impossibilitou a conquista em 1998 – para muitos foi a Copa “vendida” para a França. Há três anos, um simples “apagão” no Mineirão.

Para muitos brasileiros, em condições normais de temperatura e pressão, a seleção de Tite iria para o Mundial da Rússia apenas buscar sua 19ª taça. Porque o Brasil sempre perdeu apenas para si mesmo. Quando venceu foi por méritos totais. Ou não mais que a obrigação.

Ninguém lembra da dura semifinal contra a França em 1958 que acabou facilitada pela fratura do zagueiro Jonquet que deixou a forte seleção de Just Fontaine e Raymond Kopa fragilizada pela impossibilidade de fazer substituições. Nem dos apitos amigos em 1962 e 2002 contra Espanha e Bélgica, respectivamente. Em 1994, Branco nos tirou do sufoco nas quartas-de-final contra a Holanda numa falta cavada em que colocou a mão na cara do adversário. Mas aí é a velha “malandragem” tupiniquim.

Em 1982 foi culpa do Cerezo que entregou a bola para Paolo Rossi no segundo gol, do Telê Santana que não tinha um ponta pela direita e Cabrini desceu livre para cruzar na cabeça do algoz brasileiro no gol que abriu o placar . Junior vacilou não deixando Rossi impedido no tento derradeiro dos lendários 3 a 2 no Sarrià. Há 35 anos.

Esquecem, mais uma vez, que havia uma camisa bicampeã mundial vestindo a base da equipe, com o mesmo Enzo Bearzot no comando, que foi a única a vencer a anfitriã Argentina quatro anos antes. Que ficou em quarto no Mundial por detalhes, tanto na derrota para a Holanda que custou a vaga na final quanto nos gols de Nelinho e Dirceu na decisão do terceiro lugar. Em disputas equilibradíssimas.

Time do “regista” Antognioni, meio-campista que jogava com classe e marcou o quarto gol, anulado por impedimento inexistente. De Bruno Conti, ponta direita canhoto e articulador com técnica refinada. Do onipresente Tardelli no meio, indo e voltando. Do versátil Oriali, que foi atuar na lateral direita para que Gentile fosse perseguir Zico no campo todo, assim como fizera com Maradona.

De Gaetano Scirea, um dos melhores líberos de todos os tempos. De Cabrini, o lateral apoiador que apareceu bem no primeiro gol, mas depois sofreu com a movimentação brasileira pelo seu setor. Um dos motivos de críticas depois do revés, mas que confundiu e tirou o encaixe pensado por Bearzot. A ideia era que Cabrini cuidasse de Sócrates e Graziani, o ponta esquerda, voltasse com Leandro. Por ali saíram os gols de Sócrates e Falcão.

Porque a Azzurra também errou. Na defesa deixando Zico e Serginho livres para concluir à frente de Dino Zoff, mas o centroavante finalizou bisonhamente. O camisa dez brasileiro ainda sofreu pênalti tendo sua camisa rasgada. Marcação implacável? Só no segundo tempo. E Zico reclama até hoje que os companheiros pararam de procurá-lo, por estar sempre vigiado.

Rossi marcou três, porém o mais fácil ele perdeu, totalmente livre no segundo tempo, com a bola à feição no tradicional “contropiede” italiano. Com Bergomi no lugar de Collovati e a entrada de Paulo Isidoro na vaga de Serginho, Sócrates foi para o centro do ataque e a retaguarda italiana se confundiu para fazer a sobra com Scirea.

Jogaço duríssimo até a cabeçada de Oscar na cobrança de falta de Eder que Zoff pegou na maior defesa sem rebote da história das Copas. Mérito total do goleiro veterano. Assim como a Itália cumpriu sua melhor atuação naquela Copa na Espanha. Depois, com a confiança no topo, passou por cima da Polônia sem o craque Boniek na semifinal e atropelou na decisão no Santiago Bernabéu a Alemanha estropiada pelo esforço hercúleo diante da França.

Por isso a festa de título no apito final de Abraham Klein no dia 5 de julho. A Itália havia eliminado o melhor futebol daquele torneio até então. Que não é esquecido até hoje. Que provocou aplausos a Telê Santana na sala de imprensa e elogios do vencedor Bearzot. Também o prêmio de segundo melhor jogador da competição a Falcão.

Mas não perdeu para si mesmo. A Itália venceu. Talvez fosse derrotada em outros dez confrontos. Talvez não. Nunca saberemos. No Sarrià superou as desconfianças de uma primeira fase de empates contra Peru, Polônia e Camarões para alcançar um de seus mais celebrados êxitos. Porque foi melhor.

Como tantas outras seleções que nos superaram em Copas. Desde a Itália bicampeã nos anos 1930, passando pelo Uruguai de Obdulio Varela, a Hungria em 1954, mesmo sem Puskas. Portugal de Eusébio, Holanda de Cruyff e de Sneijder, Argentina de Menotti, a França de Platini e de Zidane, a Argentina de Maradona e Caniggia. A Alemanha dos 7 a 1. Com exceção de 1966 e 1986, todos que eliminaram o Brasil foram, no mínimo, finalistas.

Não é pouco, nem merece ser subestimado como a Itália. Não foi a vitória do pragmatismo sobre a arte irresponsável, o futebol “bailarino”. O Brasil de Telê tinha os dez homens na defesa quando sofreu o terceiro gol e foi buscar o empate na jogada aérea. Não houve catenaccio, retranca, futebol covarde. A Azzurra fez uma partida combinando seu estilo e a necessidade do resultado.

O Brasil não contrariou suas características, mas quando empatou pela segunda vez com Falcão percebeu que devia ser mais cuidadoso. E foi, não sofreu gol em contra-ataque. Telê podia ter trocado Waldir Peres por Paulo Sérgio, Luisinho por Edinho e Serginho por Dinamite ao longo do Mundial. Mas não foi derrotado apenas por conta de seus elos fracos.

Havia um rival valoroso, com entrega, técnica e estratégia. O Brasil perdeu para a melhor seleção daquele mês de verão na Espanha em 1982. O resto é nossa presunção de onipotência quando o assunto é futebol. Uma velha e tola mania.


Nova Argentina de Sampaoli, um ótimo teste. Resultado é o que menos importa
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André Rocha

Tite tinha dois problemas para o clássico sul-americano em Melbourne: a formação sem muito entrosamento em função da busca por novos testes e observações. Principalmente, a falta de parâmetros consistentes de observação para imaginar como viria a Argentina, agora comandada por Jorge Sampaoli.

E a albiceleste chegou bem diferente. Não só no sistema tático – um 3-4-3 com Di María bem espetado à esquerda e Messi e Dybala mais próximos de Higuaín – mas também na dinâmica, nos comportamentos, nas ideias de jogo.

O resultado foi uma disputa com altíssima intensidade: pressão sobre quem estava com a bola e muitos deslocamentos. Menos Messi, mantendo seu estilo de trotar em campo e só acelerar com a bola ou na possibilidade de recebê-la. Prejudica coletivamente, mas tem a peça capaz de desequilibrar.

O 3-4-3 de Sampaoli com intensidade e velocidade pela esquerda com Di María, mas ainda precisando aproveitar o melhor de Messi e Dybala e ajustar o posicionamento defensivo. Brasil com muitas mudanças, mas mantendo o 4-1-4-1 que se manteve competitivo, apesar do desempenho abaixo da média de Philippe Coutinho no primeiro tempo aberto à direita (Tactical Pad).

Até as muitas substituições – necessárias para fazer experiências, mas que descaracterizam o jogo em si – a partida foi equilibrada. A Argentina tinha Di María levando vantagem seguidamente sobre Fagner, que destoou e ainda tentou cavar pênalti de forma grotesca. O Brasil sempre rendia mais ofensivamente quando acelerava o passe e aproveitava um “ponto cego” das equipes de Sampaoli: os espaços entre os zagueiros abertos e os alas.

Philippe Coutinho teve duas boas oportunidades, mas novamente não se sentiu confortável pelo lado direito na execução do 4-1-4-1. Por isso a inversão com Willian na segunda etapa. Tite manteve a ideia de manter Renato Augusto mais recuado, defendendo e organizando, e Paulinho chegando mais à frente. A melhor chance, porém, foi no passe longo de Fernandinho e os chutes nas traves de Gabriel Jesus e Willian.

O amistoso foi decidido na bola parada, com Mercado. Mais uma arma dessa Argentina de Sampaoli que tende a crescer. Basta encaixar melhor Messi e Dybala na proposta de jogo. Questão de tempo.

Tempo também ótimo para Tite. Sem foco em resultados, até porque em um passado recente alimentou-se uma ilusão pelas vitórias em partidas sem valer três pontos. Importante foi observar a seleção se mantendo competitiva em alto nível, mesmo sem toda a defesa titular, Casemiro e Neymar. Thiago Silva teve boa atuação e Gabriel Jesus, mesmo apanhando bastante, retornou mantendo o nível de desempenho.

A perda da invencibilidade e dos 100% de aproveitamento é uma questão menor. O teste foi ótimo! Que contra a Austrália o treinador fique mais à vontade, sem a rivalidade continental para exigir um cuidado mínimo. Se a Argentina não tem margem de erro, o Brasil construiu um cenário para já pensar na Rússia.


E Lionel Messi, enfim, foi Maradona. Tinha que ser no Bernabéu!
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André Rocha

Foto: Juan Carlos Hidalgo (EPA)

A imagem de Messi comemorando o gol da vitória por 3 a 2 sobre o Real Madrid rodou o mundo. No lance final, dentro do Santiago Bernabéu. Mostrando para a gente que reverencia Cristiano Ronaldo que ele estava ali. O camisa dez eterno do Barcelona. O maior de todos. Lionel.

Um gesto que vindo de Neymar, por exemplo, seria interpretado como arrogância. E foi mesmo. Mas desta vez como um desabafo de quem precisava, enfim, se manifestar como o melhor de uma era. E nos noventa minutos o que se viu em Messi foi um total e inédito inconformismo com a derrota.

Revés que viria até com o empate. Com todo o seu simbolismo: praticamente um adeus à disputa do título espanhol e, consequentemente, mais uma Bola de Ouro indo para Cristiano Ronaldo. A quinta. Empatando a disputa, algo que nunca aconteceu desde a afirmação do argentino como um gênio do esporte.

Por isso o que se viu em campo não foi apenas um Messi desequilibrante. Isso ele é desde o primeiro “triplete” da carreira, nos 3 a 3 contra o próprio time merengue em 2007. Passando pelos 6 a 2 em 2009 que foi a “gênese” do Messi “falso nove” que mudaria de patamar o promissor ponteiro canhoto formado nas canteras do clube.

Desta vez era um homem que não admitia sair de Madri derrotado. Ou sem provar que continua sendo o melhor. A entrega foi total, inclusive voltando para ajudar na defesa uma equipe desorganizada, sem Neymar e com Luis Suárez vivendo o momento menos produtivo no clube – já são cinco partidas sem ir às redes. Que precisava dele como nunca.

Casemiro abriu o placar na sempre mortífera jogada aérea do time de Zidane. A resposta veio em um golaço enfileirando dentro da área antes de tirar de Navas. A jogada que termina no petardo no ângulo de Rakitic inicia com Messi tentando de novo romper a defesa e o desarme parando nos pés do croata. O triunfo de virada parecia encaminhado com a expulsão de Sergio Ramos após entrada criminosa. Em Messi, que também levou cotovelada de Marcelo. Sangrou e seguiu correndo, tentando.

Tudo pareceu ruir em nova falha defensiva e o gol de James Rodríguez. Um protagonista improvável para o gol que praticamente garantiria a conquista da liga nacional depois de cinco anos. Não podia ser o colombiano.

O Real se empolgou com as chances seguidas, lembrando o jogo de ida contra o Bayern em Munique, e seguiu no ataque. Só que daquela vez era o time alemão que estava com um homem a menos. E Carlo Ancelotti não tinha Messi.

Contragolpe letal, com vantagem numérica. Iniciado com uma arrancada de Sergi Roberto, que podia ter sido contida com falta por Marcelo. Parou nas redes em um chute típico de Messi.

Inusitada e inesperada foi a comemoração. O gênio argentino, enfim, lembrou Diego Maradona. Na arrogância de quem sempre se achou o melhor. O primeiro a desafiar publicamente o reinado antes inquestionável de Pelé, defendido pelos que jogaram antes e depois do brasileiro.

Astro que disputou quatro Copas do Mundo. Na que venceu saiu do Estádio Azteca acariciando a taça. Mas em 1982 perdeu a cabeça e a esportiva no Estádio Sarriá dando um coice em Batista nos 3 a 1 do time de Telê Santana que mandou para casa a albiceleste campeã quatro anos antes em casa.

Em 1990, chorou com o vice-campeonato reclamando da arbitragem que, de fato, inventou o pênalti cobrado por Brehme que deu o tricampeonato mundial aos alemães. Quatro anos depois, botou a culpa de seu doping em João Havelange por um suposto favorecimento ao Brasil tirando do caminho o craque que eliminara a seleção de Lazaroni na Itália com uma arrancada genial e assistência para Caniggia.

No Argentinos Juniors, Boca, na seleção, no Napoli e até no próprio Barcelona, uma insana sensação de onipotência. A certeza de ser a estrela mais brilhante e a vontade de mostrar isso para o universo. Bem diferente da postura blasé de Messi em tantas ocasiões. Até quando chora ao perder a Copa para a Alemanha no Maracanã ou as duas Copas América para o Chile. Mesmo lutando em campo e às vezes até tentando definir sozinho, como fazia Diego.

Mas sem o brilho no olhar que fez luz no Bernabéu. Pela 14ª vez no estádio, dentre os 23 gols em 34 partidas que faz dele o maior goleador do clássico que atrai os olhos do mundo desde que Cristiano Ronaldo desembarcou na Espanha para desafiar mais de perto e em mais jogos quem o planeta sabe que é o melhor desta era.

Lionel Messi. Aquele que sem fazer muito esforço, às vezes parecendo indiferente, jogando a toalha antes de Neymar nos 6 a 1 sobre o PSG e falhando no duelo com Buffon e a defesa da Juventus, tem 47 gols em 46 jogos na temporada pelo Barça. 31 no Espanhol, abrindo vantagem na disputa da Chuteira de Ouro que pode ser a quarta da carreira. Agora 500 pelo clube. Se Cristiano Ronaldo falhar nas conquistas coletivas com o Real, a chance da sexta Bola de Ouro.

Era isso que estava em jogo no Bernabéu. Por isso Messi saiu de seu universo particularíssimo, foi humano como nunca e mostrou para o estádio do rival e para o mundo as cores do seu clube, o número de sua camisa e o nome ali escrito. Que já é uma lenda, como Maradona. Por caminhos diferentes que se cruzaram em Madri para ficar na eternidade de um gesto. Simbólico e emblemático.

 


Messi suspenso pode ser inferno para Argentina em 2017. Ou o céu em 2018
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André Rocha

A Argentina de Edgardo Bauza lembra o Santos de Neymar sob o comando de Muricy Ramalho em 2011/12: a dependência de seu craque maior se reflete nos números. Aproveitamento de campeão (ou líder) com ele e de rebaixado na sua ausência.

Nas Eliminatórias, a albiceleste ganhou 15 dos 18 pontos com Messi. Derrota apenas contra o Brasil no Mineirão. 83% de aproveitamento. Sem ele, porém, foram sete pontos em 21. 33% dos pontos.

Sintomático. E preocupante com a suspensão de quatro jogos do camisa dez por ofender o assistente brasileiro Emerson Augusto de Carvalho na vitória sobre o Chile por 1 a 0 em Buenos Aires.

Se a AFA não conseguir diminuir a pena, Messi ficará de fora contra Bolívia e Uruguai fora e definindo a vida em casa diante de Venezuela e Peru. Voltaria na última rodada diante do Equador, em Quito. Está em terceiro com 22 pontos. O cálculo é de 28 pontos para alcançar ao menos a zona da repescagem. Ou seja, se não pontuar fora terá que vencer as duas na Argentina.

O desempenho e os resultados mostram que a equipe de Bauza viverá um inferno para conseguir a classificação em uma disputa parelha, fora o Brasil de Tite.

Bauza terá que montar uma equipe mais competitiva. Talvez até apelar para retrancas longe de Buenos Aires e uma estratégia pragmática, abusando de jogadas aéreas e ligações diretas para o ataque que segue com bom nomes – Higuaín, Di María, Aguero…

Mas caso consiga a pontuação para a disputa do Mundial da Rússia, o descanso forçado de Messi em 2017 pode refletir numa vantagem física na Copa. Repousando em datas FIFA, o gênio argentino chegaria menos desgastado.

Como, por exemplo, Ronaldo Fenômeno e Rivaldo na Copa de 2002. Voltaram na reta final da temporada europeia e chegaram voando na Ásia. Mesmo Zidane em 2006, na reta final da carreira, jogou menos pelo Real Madrid e também disputou a Copa na Alemanha mais inteiro.

Na Copa do Brasil em 2014, Messi conseguiu desequilibrar nas primeiras partidas, mas na reta final ficou claro que a parte física pesou, além dos adversários mais complicados, e o rendimento caiu bastante. A ponto de mudar dieta e preparação física para arrebentar na temporada seguinte e faturar a tríplice coroa e a Bola de Ouro pelo Barcelona.

Ano que vem pode ser diferente. Para isso, porém, A Argentina terá que jogar por sua estrela mais brilhante. Os números mostram que não será nada fácil.


Procura-se um time para Lionel Messi
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André Rocha

Lionel Messi tem 13 gols no Espanhol e dez na Champions League em 20 partidas – 14 pela liga nacional, seis no torneio continental. Em 2016 foi às redes 59 vezes e serviu 31 assistências em 61 jogos.

No empate com o Villareal com arbitragem polêmica que fez o Barcelona perder a segunda colocação para o Sevilla de Sampaoli, evitou uma derrota que podia ter sido trágica com uma fantástica cobrança de falta no final da partida.

Na Argentina, salvou a seleção no último jogo de 2016 com um golaço, também em cobrança de falta que está virando especialidade, e mais duas assistências nos 3 a 0 sobre a Colômbia que fez a albiceleste ao menos ficar na zona de classificação na repescagem das eliminatórias sul-americanas.

Messi viu Cristiano Ronaldo faturar a Bola de Ouro da “France Football” e provavelmente levar amanhã em Zurique também o prêmio da FIFA. Porque Real Madrid e Portugal conquistaram os títulos mais importantes da Europa na temporada. Equipes que nos momentos decisivos trabalharam coletivamente e não dependeram tanto de sua estrela maior.

Já Barça e Argentina precisam demais de seu camisa dez pela falta de uma proposta de jogo que não necessite tanto do brilho de seu craque. O time catalão porque está mais que previsível e o técnico Luis Enrique não encontra alternativas para variar as ações ofensivas e surpreender os rivais nos jogos mais complicados. Na seleção, o trabalho de Edgardo Bauza, ainda no início, sofre por falta de repertório.

Sem desempenho da equipe, Messi precisa buscar mais o jogo e partir com bola dominada para tentar a vitória pessoal ou usar sua visão de jogo privilegiada para colocar um companheiro na cara do gol. Agora adiciona as cobranças de falta em seus múltiplos recursos para desequilibrar. Ou igualar as forças entre times organizados e suas equipes, talentosas, mas capengas no jogo coletivo.

Eis o paradoxo de Messi: para recuperar o domínio dos prêmios individuais, o gênio argentino precisa de um time. Na acepção da palavra. Para potencializar seu enorme talento e não sobreviver por causa dele.


David Luiz não é líbero, nem sobra no Chelsea e pode voltar à seleção
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André Rocha

David Luiz Chelsea

Bastou o técnico Antonio Conte utilizar o esquema com três defensores e encaixar David Luiz na zaga do Chelsea para começar a surgir aqui e ali a tese de que o brasileiro está rendendo porque atua protegido como líbero ou zagueiro de sobra.

Nem uma coisa, nem outra. Os Blues se defendem no 5-4-1, com a linha de cinco atrás formada por Moses, Azpilicueta, David Luiz, Cahill e Alonso. Marcam por zona, posicionados. Não é raro observar a equipe ser atacada pelo seu lado esquerdo e Alonso sair no combate, Cahill ficar na cobertura, Azpilicueta e David Luiz guardarem a área e Moses, o ala/ponta aparecer como lateral na diagonal de cobertura. Ou seja, a sobra naquela ação defensiva. O último homem a bloquear o ataque adversário.

De fato, David Luiz vem atuando mais protegido. Inclusive por ele mesmo, sem as saídas tresloucadas da defesa e um sistema de cobertura, tanto para armar o jogo quanto caçar os atacantes na intermediária. Conte usa a rapidez do zagueiro nas recuperações e coberturas e aproveita seu passe longo para acionar os atacantes de forma mais direta e prática.

Mas não é líbero. Para entender melhor é preciso resgatar os conceitos e a história desta função.

O primeiro time que se tem notícia de usar um jogador atrás da linha defensiva foi a Suíça do austríaco Karl Rappan na Copa de 1938, que eliminou a Alemanha de Hitler com seu “ferrolho”, espécie de 5-4-1. A estratégia, junto aos aspectos táticos do “Metodo” de Vittorio Pozzo nos títulos mundiais italianos de 1934 e 1938, formou a base do “Catenaccio” que Nereo Rocco implantou na Triestina, depois Milan nos anos 1940, e Helenio Herrera consagrou na Internazionale bicampeã europeia nos anos 1960.

O raciocínio era simples: em tempos de marcação individual e WM (3-2-2-3), três defensores cuidavam do trio de ataque. Pela direita, o “terzino destro” cuidava do ponta-esquerda, no centro o “stopper” marcava o centroavante e o “terzino sinistro” pegava o ponta-direita. Ou seja, uma vitória pessoal do atacante e só sobrava o goleiro.

O “libero” jogava na sobra da retaguarda. Mas com uma função primordial: aproveitar essa liberdade na construção do jogo. Se cada um pegasse o seu, quem marcaria esse jogador de trás? Era a chance de quebrar o sistema defensivo do adversário.

Apesar da origem italiana e a excelência de nomes como Giovani Trapattoni, Ivano Blason, Armando Picchi, Gaetano Scirea e Franco Baresi, ninguém exerceu melhor a função que um alemão: Franz Beckenbauer. Saiu do meio para estar em todo o campo, na seleção e no Bayern de Munique. Mas inspirado em um outro jogador da Azzurra: Giacinto Facchetti, lateral esquerdo da Internazionale e vice-campeão mundial em 1970.

“Ele marcava bem e atacava ainda melhor quando se projetava à frente, pela lateral. Pensei, então, que atuando atrás dos zagueiros, saindo para o jogo, eu teria a vantagem de atacar pelos dois lados”, lembra o Kaiser (trecho do livro “As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os Tempos”, de Mauro Beting).

David Luiz também não é zagueiro de sobra. Função que se confunde com o líbero no Brasil, especialmente depois da criação do sistema com três zagueiros nos anos 1980. Tempos também de marcação individual. Já que quase todos atuavam com dois atacantes, cada um era vigiado por um defensor e outro sobrava.

Brown na Argentina de Bilardo jogava atrás de Cuciuffo e Ruggeri, só aparecia no ataque em bolas paradas – como no gol da final da Copa de 1986 sobre a Alemanha. Já Morten Olsen na Dinamarca de Sepp Piontek, era o primeiro articulador, iniciando a saída de bola e aparecendo na frente.

Na seleção brasileira da Copa de 1990, com Sebastião Lazaroni, Mauro Galvão era chamado de líbero e, no ano anterior, chegou a ser comparado a Baresi pelas ótimas atuações com a camisa canarinho. Mas atuava na sobra.

“Era uma função diferente. Eu e os outros dois zagueiros tínhamos que cobrir os laterais, então eu não saía muito, ficava mais fixo”, explica o ex-defensor e agora técnico.

Valdir Espinosa, treinador de Galvão no Botafogo, lembra que no time campeão carioca de 1989, depois de 21 anos de jejum, o zagueiro cumpria mais a função de líbero: “No Botafogo ele armava o time de trás e tinha a cobertura do volante Carlos Alberto Santos. Eu repeti naquela equipe o que fiz no Grêmio campeão da Libertadores e Mundial em 1983: Hugo De Leon subia e o volante China ficava. Isso, sim, é ser líbero”.

Outros brasileiros atuaram desta forma, como Marinho Peres, no Barcelona de Rinus Michels e no Internacional de Rubens Minelli nos anos 1970, e Luis Pereira no Palmeiras no mesmo período e no início dos anos 1980. Todos inspirados em Beckenbauer. Marcando e armando o jogo.

David Luiz até cumpre as duas funções, mas em outro sistema, outra dinâmica. Atuando com mesma seriedade e simplicidade, pode voltar à seleção brasileira. Como opção, claro. Se até Thiago Silva precisa esperar sua vez por conta do ótimo momento de Marquinhos e Miranda sob o comando de Tite, imagine quem tem no currículo atuações pluripatéticas, como nos 7 a 1, tentando bancar o heroi, e no empate contra o Uruguai pelas eliminatórias, sofrendo como quase sempre contra Luis Suárez.

No 4-1-4-1 bem executado e com Casemiro na proteção, David Luiz pode simplesmente ser um defensor. Que cresce quando não se arrisca. Como no Chelsea das 12 vitórias seguidas e apenas dois gols sofridos nesta sequência de triunfos. Como sempre deveria ter sido.


A vitória que faltava, com a assinatura de Tite
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André Rocha

O trabalho de Edgardo Bauza na seleção albiceleste está no início e não é bom. Mas era natural que a Argentina dominasse o primeiro tempo com mais posse e volume de jogo. Pela necessidade do resultado e por conta do entrosamento de uma base que chegou a três finais seguidas.

Também pela tensão natural do Brasil de Tite em seu grande teste, no Mineirão dos 7 a 1. Mas um nervosismo sem dispersão. Concentrado na execução do 4-1-4-1, ciente do tamanho do clássico, de que sofreria, sem “oba oba”.

Dificuldade para compor o lado esquerdo e fechar o apoio de Zabaleta com Enzo Pérez e a flutuação de Messi. Marcelo muitas vezes ficou sozinho. Até Tite inverter Renato Augusto e Paulinho, que foi proteger o lateral esquerdo e também Fernandinho, pendurado por um cartão amarelo absurdo depois de uma disputa com Messi que até a falta é duvidosa.

O deslocamento de Renato para a direita criou uma solução decisiva: Coutinho saiu da ponta e procurou o setor que domina. Do lado oposto, recebeu de Neymar e partiu para a jogada característica: corte para dentro e um chute espetacular no ângulo de Romero.

Uma jogada com a marca de Tite. No Corinthians era Jadson, no Mineirão foi o craque do Liverpool. E diziam que a geração era fraca…

O talento descomplicou tudo, tirou o peso. A Argentina seguiu ofensiva e rondando a área. Nos primeiros 45 minutos, 53% de posse, seis finalizações contra quatro brasileiras. Superioridade até nos desarmes certos: nove a seis.

Mas o contragolpe com Neymar ficou preparado. Primeiro pela direita em jogada individual que parou na trave. Depois na linda assistência de Gabriel Jesus para o camisa dez infiltrar em diagonal e tirar de Romero com uma tranqüilidade impressionante.

Segunda etapa de cuidados contra o 4-2-4 com a entrada de Aguero no lugar de Pérez. Controle e atenção no posicionamento, com a colaboração da atmosfera no estádio. Até Paulinho perder gol feito e depois se redimir no terceiro.

A partir daí começou a festa, com dribles de Neymar, chances seguidas com futebol objetivo, as entradas de Firmino, Douglas Costa e Thiago Silva para provar que qualidade não falta. E  gritos seguidos em homenagem a Tite. Muito justos. Impressiona a rapidez com que uma seleção que treina tão pouco mudou modelo e padrão.

Fruto de um trabalho obsessivo de estudo, observação, análise, acompanhamento. De toda a comissão técnica, mas com um gestor exemplar. Na tática e na condução do grupo. É possível questionar uma ou outra decisão, mas o saldo até aqui vai além dos 100% de aproveitamento. Desempenho que leva ao resultado.

Liderança garantida, vaga na Copa da Rússia encaminhada e a vitória que faltava para mudar o espírito de vez. Triunfo com a assinatura de Adenor Leonardo Bacchi, o Tite.

(Estatísticas: Footstats)

 


Douglas Costa, Coutinho e Neymar. Tite, é possível juntar os talentos!
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André Rocha

No anúncio dos 24 convocados para os jogos contra Argentina e Peru pelas Eliminatórias, Tite já começou a tirar o peso do clássico no Mineirão, palco do eterno 7 a 1, diante da seleção de Messi. Até porque ele tem sua relevância e seu simbolismo, mas, a rigor, nada define mesmo. Ao menos para o Brasil.

Vale observar o desempenho em um jogo com características diferentes que pode consolidar uma etapa de preparação depois das quatro vitórias que mudaram o patamar da seleção.

É possível subir o nível tentando encaixar os mais talentosos, ainda que Tite tenha suas regras de meritocracia e sua lógica para dar oportunidades a quem pede passagem. E a última semana, além de trazer a boa notícia da chegada à terceira posição no ranking da FIFA ultrapassando a Bélgica e só ficando atrás de Argentina e Alemanha, sinaliza algumas coisas.

A primeira é que Douglas Costa está de volta ao Bayern de Munique e o segundo gol nos 2 a 0 sobre o Borussia Monchengladbach indica um caminho para a seleção: embora tenha atuado a maior parte do tempo pelo lado esquerdo, num momento de alternância com Robben apareceu à direita para finalizar com a destra e ir às redes.

Não é novidade para o ponteiro. No Shakhtar Donetsk e no próprio time bávaro com Guardiola ele chegou a atuar no setor, para trabalhar com o pé canhoto cortando para dentro. Mas como vem de seguidas lesões, a tendência é que não retorne diretamente como titular.

Philippe Coutinho e até Willian estão na frente na ponta direita do 4-1-4-1 que o técnico brasileiro prefere não alterar para consolidar os movimentos coletivos. No meio, Paulinho e Giuliano devem disputar a vaga no meio para iniciar o jogo no Mineirão. Por conta de uma provável disputa mais física é possível que o ex-corintiano hexacampeão na China com o Guangzhou Evergrande de Felipão saia jogando.

Mas na participação no programa “Bem, Amigos!”, Tite demonstrou que está atento à possibilidade de escalar Coutinho por dentro no linha de quatro meias. Como ele disse para Galvão Bueno e seus convidados, observou o meia no Liverpool jogando “na do Lallana”. Ou seja, substituindo o meio-campista inglês pelo centro e não jogando à esquerda como de costume.

Já que na seleção ele não pode atuar na função de Neymar e tem que se adaptar à outra, por que não no meio, algo mais conhecido que atuar como ponta direita, mesmo contando com a liberdade de circular na “função Jadson”?

Com a afirmação da maneira de jogar virá o segundo momento, da lapidação, do aprimoramento. E com ele uma velha discussão do futebol brasileiro: como encaixar os mais talentosos no time base?

Nos anos 1980 a questão era no meio-campo, com Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico. Nos 1990 no ataque, quando contávamos com Bebeto, Careca e Romário. Em 2006 o “quadrado mágico” na cabeça de muitos poderia virar quinteto: Robinho, Adriano, Kaká, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho. Uma irresponsabilidade que Parreira nunca arriscou, até porque não era o seu perfil.

Agora é perfeitamente viável imaginar um quinteto ofensivo, à frente de Casemiro ou Fernandinho, com Douglas Costa pela direita, Renato Augusto como um dos meias centrais, porém voltando mais para buscar o jogo  e articular. Coutinho por dentro sendo mais vertical e incisivo, Neymar na ponta entrando em diagonal para se juntar a Gabriel Jesus. Ou Roberto Firmino, outro pedindo passagem no Liverpool.

O mesmo 4-1-4-1 que Tite vai consolidando na seleção, mas aproveitando os talentos: Douglas Costa pela direita e Philippe Coutinho pelo meio. Algo a ser pensado com carinho e testado (Tactical Pad).

O mesmo 4-1-4-1 que Tite vai consolidando na seleção, mas aproveitando os talentos: Douglas Costa pela direita e Philippe Coutinho pelo meio. Algo a ser pensado com carinho e testado (Tactical Pad).

Algo a ser trabalhado, testado. Pensado com carinho. Com o suporte do volante de bom passe e as ultrapassagens de Daniel Alves e Marcelo o volume de jogo seria sufocante para o oponente. Sem a bola, marcação adiantada e por pressão que todos sabem fazer ou a recomposição compactando as linhas. Com bom posicionamento não há necessidade de especialistas em desarmes.

Além disso, oferece uma alternativa tática sem mudar as peças também já mencionada pelo treinador: Neymar ganha liberdade como atacante e Coutinho abriria pela esquerda compondo uma segunda linha de quatro. Todos à vontade. O bom momento sempre traz junto a atenção e o estudo dos rivais. É preciso pensar em alternativas para surpreender e não ficar “manjado”. Evolução constante.

A variação tática para o 4-4-2 sem mexer nas peças. Basta soltar Neymar e abrir Coutinho à esquerda, onde fica mais confortável (Tactical Pad).

A variação tática para o 4-4-2 sem mexer nas peças. Basta soltar Neymar e abrir Coutinho à esquerda, onde fica mais confortável (Tactical Pad).

Contra a Argentina, Douglas Costa deve iniciar na reserva. Mas se Tite precisar poderá contar com mais um talento de uma geração antes pressionada e agora mais madura e com o comando certo para explodir e retomar o protagonismo da camisa cinco vezes campeã do mundo.


De Dunga à liderança, o Brasil de Tite sobe na pressão
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André Rocha

Pressão pelo risco de não se classificar para a Copa do Mundo com a sexta colocação que, enfim, expurgou Dunga;

Pressão na CBF pelo nome de Tite, o melhor treinador brasileiro que já devia estar por lá, no mínimo, desde 2014;

Pressão sobre Tite, quase messiânica, por resposta imediata em desempenho e resultados;

Pressão em cima da geração “fraca e mimada” desde os empates na primeira fase da Olimpíada;

Pressão a partir da convocação para manter o espírito e a cultura de vitória da inédita medalha de ouro;

Pressão que fez Tite trabalhar obsessivamente assistindo a vários jogos da seleção, fazendo contato com jogadores e treinadores. Era preciso vencer;

Pressão por no mínimo quatro pontos contra Equador e Colômbia. Vieram seis.  Depois maior ainda para manter o desempenho contra Bolívia e Venezuela. Mais seis, mesmo sem boa atuação em Mérida nos 2 a 0;

Subiu. Ou decolou. Na pressão.

Pressão no campo de ataque para roubar a bola mais perto da área adversária. Gols de Neymar sobre a Bolívia, de Gabriel Jesus contra a Venezuela;

Pressão do adversário? Inteligência para sair jogando, criando linhas de passe e construindo um jogo coletivo que vinha faltando e agora leva o Brasil à liderança das Eliminatórias;

Fim da pressão? Negativo. Agora a missão é se afirmar diante da Argentina de Messi desesperada. No Mineirão dos 7 a 1. Se possível, afundando ainda mais o maior rival.

Tite e jogadores já conhecem a pressão. Mas agora, no topo depois de quatro vitórias, doze gols marcados e um sofrido, é bem mais confortável.