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Por que o Bahia de Carpegiani é o “time do mês” no Brasil
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André Rocha

O Corinthians é o virtual campeão brasileiro, o Grêmio finalista da Libertadores com grande atuação na partida fora de casa contra o Barcelona de Guayaquil. O Vasco de Zé Ricardo só sofreu uma derrota, exatamente para o líder do campeonato com o gol irregular e polêmico de Jô usando o braço. O São Paulo de Dorival Júnior conseguiu a redenção com o apoio comovente de sua torcida e o talento de Hernanes.

Mas se um time merece um hipotético crachá ou foto na moldura de “time do mês” no Brasil, este é o Bahia. Mais precisamente desde o feriado de 12 de outubro, na estreia de Paulo César Carpegiani no comando técnico. Empate em 2 a 2 contra o Palmeiras no Pacaembu, buscando uma desvantagem de dois gols. Não fossem as defesas de Fernando Prass e o tricolor poderia ter saído de São Paulo com uma virada histórica. O resultado e, principalmente, o desempenho do atual campeão brasileiro custou o emprego de Cuca. E sinalizou a virada baiana.

A partir daí a equipe fez campanha de recuperação que ocasionou um salto na tabela e a consequente mudança de perspectiva: da fuga do Z-4 para a primeira página da tabela e agora o sonho, ainda improvável, com o G-7 e a vaga nas fases preliminares da Libertadores.

Vitórias sobre o líder Corinthians e Ponte Preta em casa, no clássico contra o Vitória na Fonte Nova e fora de casa sobre o Avaí. Empate com o Fluminense no Maracanã e o único revés diante do Flamengo na Ilha do Governador por 4 a 1 num placar um tanto “mentiroso”. No total, quatro vitórias, dois empates e uma derrota. Dez gols marcados, sete sofridos. Aproveitamento de 66%.

Fruto do amadurecimento de uma maneira de jogar, saindo das linhas de quatro e dois atacantes de Preto Casagrande para o 4-1-4-1 montado por Carpegiani com muita mobilidade e rapidez. Antes com Edson entre as linhas de quatro até o volante se lesionar e dar lugar a Renê Júnior.

Na frente, o quinteto formado por Zé Rafael, Vinicius, Allione e Mendoza na linha de meias e Edigar Júnio como referência móvel é a grande chave da mudança. Trocando posições, tabelando, triangulando, aproveitando a velocidade de Mendoza pelos flancos sempre buscando as diagonais nos espaços às costas da defesa adversária. Os meias trocando passes curtos e rápidos fazem o jogo fluir com incrivel desenvoltura.

A consequência de tanta vocação ofensiva é a dificuldade para compactar os setores em alguns momentos e ceder espaços para os adversários, sem maior controle do jogo mesmo em vantagem no placar. É quando aparece Jean com defesas importantes. O goleiro mais acionado do campeonato. 84 intervenções, média de 2,4. Só inferior aos 2,7 de Fernando Miguel, do rival Vitória. Nada que diminua a importância do arqueiro para evitar que os problemas no trabalho sem a bola se transformem em gols dos adversários. Mesmo com a falha no gol de falta de Marquinhos na Ressacada que obrigou o time a buscar a virada por 2 a 1.

O grande destaque, porém, é Edigar Júnio. Média de um gol por partida desde a chegada de Carpegiani. Sete dos dez que marcou até aqui em 22 partidas. Colocando Hernane Brocador no banco depois da devolução de Rodrigão ao Santos. Exatamente porque sua rapidez de raciocínio e execução combina melhor com a de seus companheiros.

O ataque fica mais leve e envolvente e, mesmo sem funcionar como o típico centroavante, a colocação para finalizar as jogadas vem sendo perfeita. Sem contar a precisão, que ajuda a equipe a ser superada apenas pelo Cruzeiro nas finalizações certas – média de cinco por partida. É o terceiro ataque mais positivo com 45 gols, só atrás de Palmeiras e Grêmio. Futebol que agrada as retinas sem deixar de ser competitivo. Com um treinador veterano, porém antenado. Sim, é possível.

Ao final da 33ª rodada pode ser ultrapassado por São Paulo e Atlético Mineiro e sair da primeira página da tabela. Ainda assim, por todo o contexto e pelas dificuldades de um clube voltando à Série A e fora do eixo financeiro e midiático do futebol no país, o Bahia é o “melhor time de todos os tempos da última semana” no Brasileirão. Ou dos últimos 30 dias.

O 4-1-4-1 do Bahia de Carpegiani, com muita mobilidade na frente, as infiltrações em diagonal de Mendoza, Edigar Junio circulando e os meias Zé Rafael, Allione e Vinicius se aproximando. Sem a bola, quando a vocação ofensiva dificulta a compactação sem a bola, o goleiro Jean aparece para garantir a retaguarda (Tactical Pad).

(Estatísticas: Footstats)


Corinthians perde solidez e depende de Cássio, que pode repetir Cavalieri
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André Rocha

A derrota por 2 a 0 para o redivivo Bahia de Paulo Cesar Carpegiani em Salvador foi construída objetivamente com uma falha de Fagner aproveitada por Vinicius e um contragolpe de fim de jogo finalizado por Régis com o goleiro na área para tentar o empate.

Mas o Corinthians novamente não jogou bem e foi dominado por um oponente em franca evolução. Revés fora de casa que até pode ser tratado como normal dentro do equilíbrio natural do Brasileiro.

O grande fator complicador é que o desempenho começou a cair na fase ofensiva pela dificuldade de criar espaços nas defesas adversárias quando ganhou status de favorito com o turno quase perfeito e passou a ser mais estudado. Também porque despencou o nível do trio Jadson-Rodriguinho-Romero que acabou isolando Jõ e tornando a equipe mais dependente de seu centroavante e nos últimos três jogos de Clayson, autor de quatro gols.

O sistema defensivo, porém, também teve queda nítida de desempenho. Tanto individual quanto coletivo. Antes as alterações na última linha e a ausência de Gabriel ou Maycon na proteção da retaguarda eram menos sentidas. Agora há impacto. Porque perdeu intensidade e concentração. Até de Guilherme Arana e Balbuena, antes os grandes destaques.

Por isso Cássio vem trabalhando tanto. Segundo o Footstats é o goleiro com mais defesa na Série A, empatado com Jean, do Bahia. Média de 2,4 defesas por jogo. Fica atrás na média só de Douglas Friedrich (Avaí) e de Fernando Miguel (Vitória) entre os que mais atuaram.

A questão é que geralmente, e a lógica sugere, o líder não faz seu arqueiro trabalhar tanto. É mais seguro, consistente e protege melhor sua meta. Tanto que entre os cinco primeiros só Cássio não está lutando para fugir do Z-4 ou, no mínimo, ocupando a segunda página da tabela – além dos três já citados está Aranha, da Ponte Preta. O sexto é Vanderlei, do Santos vice-líder, mas que atua no estilo “bate-volta” e sofre muitos ataques.

Se Cássio mantiver essa média e o Corinthians confirmar o título, será o segundo caso na história do Brasileiro por pontos corridos com 20 clubes. O primeiro foi Diego Cavalieri em 2012. Campeão com o Fluminense da defesa menos vazada junto com o Grêmio. Muito graças ao seu goleiro, que vivia fase esplendorosa e salvava um sistema não tão coeso assim. Também “mascarava” os números.

O líder não tem a melhor defesa nem na frieza da matemática. Pelo menos até o Santos enfrentar o Vitória na segunda-feira. Agora tem 17 sofridos em 28 partidas, um a mais que o segundo colocado. A recuperação no campeonato, a partir do duelo contra o Grêmio em Itaquera na quarta, passa pela volta da coordenação e da segurança que marcaram o time de Fabio Carille em seus melhores momentos na temporada.

Algo se perdeu e é melhor resgatar enquanto a vantagem no topo da tabela permite.


Com Levir Culpi, Santos cresce no modo “briga de rua”: jogo de trocação
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André Rocha

O Santos de Dorival Júnior prezava posse de bola e troca de passes. Na reta final do trabalho de quase dois anos, o domínio era inócuo pela baixa efetividade da equipe que rodava, tocava, mas não finalizava e deixava a defesa exposta.

Levir chegou e não mudou o DNA ofensivo da equipe, algo até cultural no clube. Nas últimas partidas, incluindo os 3 a 0 sobre o Bahia, até arriscou mais encaixando Emiliano Vecchio no lugar de Thiago Maia, negociado com o Lille.

A execução do 4-3-3, porém, é vertical, direta. Não controla o jogo com a bola, ainda que seja o líder em posse e o segundo em acertos de passes na competição – muito mais pelo volume de jogo e pela vontade de atacar, dentro ou fora de casa, sem contar os altos índices nas quatro partidas ainda sob o comando do antecessor.

Também não há controle de espaços, com o time bem posicionado na fase defensiva. Por isso Vanderlei trabalha tanto e é o melhor goleiro da Série A. Assim como explica os muitos erros de Lucas Lima em lançamentos e cruzamentos. Força a assistência o tempo todo, buscando Kayke no centro do ataque ou os pontas Copete e Bruno Henrique jogando invertidos para infiltrar em diagonal.

O camisa dez tem só dois passes para gols – Bruno Henrique tem cinco. Mas é quem faz o time acelerar o tempo todo, agora com auxílio de Vecchio e a proteção de Yuri à frente da retaguarda.

O Bahia terminou o jogo no Pacaembu lotado com 51% de posse e 14 finalizações contra onze do time mandante. Mas Bruno Henrique aproveitou uma trinca de ações ofensivas rápidas, com pelo menos três santistas na área adversária para resolver a partida. O alvinegro praiano melhorou muito sua relação finalizações/gols: agora precisa de oito conclusões para ir às redes.

O Santos cresce e luta na parte de cima do Brasileiro no modo “briga de rua”. Aposta na trocação, no jogo aberto acreditando na força de seu ataque e no momento espetacular de seu goleiro para derrubar os rivais.  Até porque o mantra atual do futebol nacional é não ficar com a bola e jogar em transições o tempo todo.

Não chega a ser um “Peixe Doido”, como o Galo de Cuca que Levir herdou e manteve a intensidade no topo. Mas torna o time mais imprevisível e eficiente. Dorival caiu com uma vitória e três derrotas. Com Levir são oito triunfos, três empates e apenas um revés. 75% de aproveitamento que só ficaria atrás do líder Corinthians. Não é pouco.

 

(Estatísticas: Footstats)


Grêmio de Renato sofre com o pior da Era Roger, mas vence no modo “copero”
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André Rocha

O Grêmio sentiu os desfalques em sua arena. Edilson finaliza melhor e é forte na bola parada, mas não chega tanto à linha de fundo quanto Léo Moura – fundamental para aproveitar o espaço deixado por Ramiro quando vem para o centro.

Já a opção de Renato Portaluppi para a vaga do lesionado Lucas Barrios foi um tanto controversa. Abriu mão do centroavante mais típico, manteve Everton, autor de três gols em Chapecó, no banco e adiantou Arthur para a meia central, Luan voltou a ser “falso nove” e Maicon entrou no meio-campo.

O resultado prático foi um Grêmio rodando a bola, mas sem opções de infiltração além das diagonais de Pedro Rocha, que teve a melhor oportunidade tentando encobrir o goleiro Jean. Mas na maior parte do tempo a posse foi estéril. A pior faceta da Era Roger.

A escolha, inclusive, corrobora a tese de que o trabalho mantém uma linha mestra de conceitos e ideias, com algumas adaptações e reparos do treinador carismático e experiente. Quando não teve Barrios e Bolaños, Renato voltou à configuração típica do seu antecessor, com Arthur fazendo a função que era de Douglas. Desta vez não deu tão certo.

Também pela maior concentração do adversário, efeito colateral do grande futebol apresentado pela equipe gaúcha. As duas linhas de quatro compactas do Bahia de Jorginho negavam espaços, dificultavam as tabelas e triangulações. Mas a equipe visitante também ameaçava pouco, isolando Edigar Junio. Com alguns momentos de aceleração e habilidade com Zé Rafael e Allione pelos flancos.

Melhorou um pouco para o mandante e favorito no segundo tempo com Everton, Fernandinho e Lincoln. Passou a rondar a área em uma zona mais perigosa e chegou a 16 finalizações, contra apenas seis do Bahia. Diminuiu um pouco a posse, de 66% para 61% definindo mais rapidamente as jogadas. Mais Renato Gaúcho.

O gol da vitória veio no melhor estilo “copero y peleador” tão prezado pelos gremistas. Quarenta minutos do segundo tempo. Cobrança de escanteio, desvio e toque de Cortez, que virou titular com a lesão de Marcelo Oliveira. Ala de outros tempos que hoje cumpre função de lateral, primeiro sendo um defensor. Mas apareceu na área para ajudar sua equipe a arrancar três pontos.

A forceps. À la Grêmio. Para alcançar a vice-liderança e já ensaiar uma polarização na disputa da ponta da tabela com o Corinthians. Quem sabe até o dia 25, quando as equipes se encontram também em Porto Alegre?

(Estatísticas: Foostats)

 

 


Com nove meses de atraso, Vasco está em depressão
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André Rocha

O rebaixamento para um clube grande é sinônimo de depressão. Tem que ser. Mesmo para quem enfrenta o drama pela terceira vez em oito anos, como o Vasco.

Tristeza, lamber as feridas, avaliar os erros e encarar como uma oportunidade de se reorganizar, trazer a torcida para perto e tratar a temporada seguinte como um desafio e uma oportunidade de reinvenção.

O time cruzmaltino não viveu nada disso no final de 2015. Nem tanto pelo descenso não ser inédito. Até porque era a primeira vez do presidente Eurico Miranda, que garantiu que com ele o clube nunca cairia quando criticava o sucessor/antecessor Roberto Dinamite.

A questão é que o Vasco viveu uma situação inusitada. De lanterna no turno da Série A, terminou a competição com a oitava melhor campanha do returno. O Corinthians foi campeão em São Januário, mas com um empate sofrido. Com Jorginho, o time fazia jogos equilibrados contra qualquer um. Faltou bem pouco para se salvar. Talvez um ou dois erros de arbitragem a menos.

Eurico manteve o técnico e a base do elenco, especialmente o craque do time, Nenê. Criou-se um clima de esperança, até pela importância que a gestão do clube e boa parte da torcida dá ao estadual.

O título carioca com vitórias sobre o arquirrival Flamengo deixou equipe e torcida eufóricos. Alegria que seguiu com o ótimo início na Série B, a manutenção de Jorginho com a negativa à proposta do Cruzeiro, a série invicta de jogos e a possibilidade de fazer campanha histórica.

Mas o time com média de idade acima dos 30 anos foi sentindo o desgaste das viagens. A invencibilidade de 34 acabou contra o Atlético Goianiense e com ela a esperança de igualar marca histórica: 35 jogos sem derrota entre 1945 e 1946. A perspectiva de superar o Corinthians de 2008, com 25 vitórias e 74% de aproveitamento também foi para o espaço com o time irregular, em resultados e desempenho.

O Vasco que trocava passes, iniciava os ataques com Andrezinho e encontrava Nenê, liberado para atacar na variação do 4-3-1-2 para o 4-4-1-1 quando Jorge Henrique recua pela esquerda, perdeu a referência de velocidade na frente: Riascos, atacante colombiano limitadíssimo tecnicamente, mas cujas características se encaixavam perfeitamente com a proposta de jogo de Jorginho.

O clube foi ao mercado e trouxe Ederson. Também Junior Dutra e Rafael Marques. Aproveitou alguns jovens da base – Douglas Luiz o último. Para rodar o elenco, descansar um pouco os jogadores fundamentais.

Não conseguiu, mas ainda assim a disparidade técnica permite ao time seguir na liderança da segunda divisão. A última esperança: Copa do Brasil. O gol de Eder Luis transferiu uma sobrevida, mas o Vasco sabe que a missão contra o Santos depois dos 3 a 1 na Vila Belmiro é das mais complicadas. Quase impossível.

Porque a depressão chegou para o Vasco, com nove meses de atraso. O único objetivo palpável que restou é a obrigação do ano. Não há mais Carioca, duelos contra o Fla, marcas a alcançar. Só o duro cotidiano da Série B.

Jorginho tem responsabilidade por não encontrar alternativa quando Andrezinho e Nenê são marcados e a equipe simplesmente trava. A derrota para o Bahia em Salvador por 1 a 0 foi a segunda consecutiva depois do revés para o Vila Nova em São Januário. O quinto jogo sem vitória na Série B, seis no total incluindo a Copa do Brasil.

No primeiro tempo na Fonte Nova, uma atuação pluripatética. O Vasco trocava bolas na própria intermediária e parava no organizado sistema defensivo armado por Guto Ferreira. A primeira finalização só no segundo tempo, no belo chute de Jorge Henrique que Muriel salvou.

No mais, bolas paradas, nenhum jogo associativo, tudo dependendo das individualidades. Um time perdido, lento, sem ideias. Abatido. Mas ainda líder. Talvez seja o que desanime: não ter um rival à altura.

Só uma remontada histórica do “time da virada” contra o Santos para sair deste quarto escuro. Da letargia de quem torce para o ano acabar, ainda em setembro. Da depressão por despertar em um lugar que não é mais novidade. Mas continua incômodo.


Corinthians e Cristóvão Borges: nada será como antes
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André Rocha

A opção mais óbvia era Mano Menezes. Disponível no mercado e junto com Tite alternando no comando do Corinthians desde 2008, com o hiato dos dois meses de Adilson Batista em 2010. Mas houve desgaste na saída em 2014 e foi o primeiro nome rechaçado com a ida de Tite para a seleção brasileira.

Para evitar constrangimento parecido com o do Cruzeiro, descartado publicamente por Jorginho e Ricardo Gomes, o clube fez sondagens. O velho recurso de conseguir um interlocutor que consulte informalmente antes da proposta oficial. Assim foi com Eduardo Baptista, Roger Machado e Fernando Diniz, que preferiram seguir com seus projetos profissionais. Sylvinho, amigo do presidente Roberto de Andrade, decidiu continuar aprendendo na Internazionale e nos cursos da UEFA.

Segundo o mandatário do clube, o segundo procurado foi Cristóvão Borges. Demitido do Atlético Paranaense em março, chega ao Corinthians que o acolheu como jogador entre 1986 e 1987. Revelado pelo Bahia, atuou por mais tempo em Fluminense, Grêmio e Portuguesa. Não dá para chamar de identificação, apesar de um gol decisivo sobre o rival Palmeiras na semifinal do Paulista de 1986.

Como técnico, a rigor, os trabalhos de Cristóvão desde a sucessão forçada de Ricardo Gomes no Vasco em 2011 não o credenciam a substituir o melhor técnico do país no atual campeão brasileiro. É uma aposta.

No clube cruzmaltino, a melhor combinação entre desempenho e resultados. Inclusive na Libertadores de 2012, com eliminação para o próprio Corinthians de Tite nos detalhes: lendária defesa de Cássio na finalização de Diego Souza e gol salvador de Paulinho. Depois Bahia, Fluminense, Flamengo e Atlético-PR.

Em todos foi possível perceber o trabalho com conceitos atuais, como compactação, posse de bola, movimentação e intensidade. Chamou atenção também porque, exceto no Vasco e com Milton Mendes no clube paranaense, recebeu terra arrasada em termos táticos de seus antecessores – Joel Santana no Bahia, Renato Gaúcho no Fluminense e Vanderlei Luxemburgo no Flamengo. A resposta imediata foi positiva.

No entanto, o desempenho foi se desgastando com o tempo. Fora de campo, na visão de pessoas que cobriam o dia-a-dia dos clubes, em alguns momentos faltou pulso na gestão dos grupos. Mesmo sendo querido pelos atletas. No Flu, por exemplo, saiu criticado por ser muito permissivo com a liderança de Fred.

Na execução do plano de jogo faltou maturidade para adaptar os conceitos à realidade brasileira. Longas viagens, altas temperaturas e o pouco tempo para treinar não eram dosados com uma proposta mais flexível, alternando marcação pressão com linhas adiantadas e sistema defensivo mais postado jogando de forma reativa quando necessário. Os times cansavam.

Por isso a fragilidade defensiva que virou seu ponto fraco. Com a retaguarda em linha e avançada é obrigatório diminuir o espaço e o tempo de raciocínio do adversário com a bola. Não conseguiu e viu suas equipes sofrerem goleadas que minaram a confiança.

A boa notícia é que essa dinâmica já foi automatizada por Tite. Em vez de construir do zero, a missão será apenas dar sequência a um trabalho estruturado, como deixou claro o interino Fabio Carille na coletiva depois da vitória por 3 a 1 sobre o Botafogo que entrega o time no G-4 ao novo comandante.

Taticamente não deve fugir do 4-2-3-1 dos últimos jogos com Guilherme na articulação central. A missão é melhorar a dinâmica ofensiva no último terço do campo. Sem um típico centroavante, os muitos cruzamentos das últimas partidas não parecem a melhor solução. É possível trabalhar mais as triangulações, tabelas e infiltrações em diagonal.

Cristóvão não é Tite. Técnico e clube sabem bem disso. Nada será como antes. O futuro é uma grande incógnita. Mas com respaldo da direção, evolução e maturidade do treinador em um cenário mais favorável. é possível seguir competitivo em 2016.


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