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Quartas da Champions: duelos de gigantes e entre semelhantes
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André Rocha

ATLÉTICO DE MADRID x LEICESTER CITY – Dureza para os dois times. Para o Atlético porque entra como favorito absoluto, obrigado a propor jogo e dar o contragolpe. Para o Leicester também, já que será azarão, mas não tanto como se encarasse um gigante como Bayern, Barcelona e Real Madrid.

Interessante para ver essa versão do time de Simeone, que ocupa o campo de ataque e valoriza mais a posse de bola no ritmo de Saúl Ñíguez, mas sem deixar de ser compacto e concentrado, diante do campeão inglês que só joga em velocidade, vai entregar tudo no trabalho defensivo para definir em casa com o melhor de Vardy e Mahrez.

FAVORITO – Atlético de Madrid

BORUSSIA DORTMUND x MONACO – Duelo de intensidade máxima e vocação ofensiva, com times se arriscando dentro e fora de casa. Porém sem tanto controle de jogo. Ou seja, quem abrir vantagem na ida sofrerá se quiser administrá-la na volta.

Dembelé e Aubameyang contra Bernardo Silva e Mbappé. Thomas Tuchel versus Leonardo Jardim. Confronto sem a pompa dos duelos de gigantes, mas que promete demais. Muitos gols. Time alemão leva pequena vantagem pela cancha maior na competição.

FAVORITO – Borussia Dortmund

BAYERN DE MUNIQUE X REAL MADRID – Simplesmente 16 títulos em campo. Carlo Ancelotti, o mentor e campeão de “la decima”, contra Zidane, o aprendiz e atual vencedor. Dois times com camisa e experiência. Mas é difícil imaginar alguma novidade tática, já que são treinadores mais administradores que construtores.

Mesmo que a marcação individual tenha ficado para trás, é impossível não imaginar duelos como Bale x Alaba e a luta no meio-campo com Casemiro, Modric, Kroos de um lado; Xabi Alonso, Vidal e Thiago Alcântara do outro. Mais Robben contra Marcelo. Quem controlar a posse não leva vantagem necessariamente. Aposta na “sede” dos bávaros de recuperar o domínio europeu e no retrospecto positivo no confronto.

FAVORITO – Bayern de Munique

BARCELONA X JUVENTUS – A reedição da final da temporada 2014/15. Mas desta vez com o time catalão sem a consistência da última conquista e a equipe que domina a Itália há tempos mais cascuda e querendo revanche da decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

A Juve parece ter uma formação mais equilibrada, com Mandzukic sendo o centroavante que infiltra pela esquerda para se juntar a Higuaín e Dybala no centro e receber as bolas de Cuadrado e Daniel Alves, que conhece muito bem o adversário. Mas o Barça, apesar das oscilações e dos problemas defensivos, tem o tridente genial e a sensação de que pode tudo depois dos 6 a 1 sobre o PSG.

FAVORITO – Barcelona

 

 


Talentosos, inteligentes, versáteis. Por que a Europa quer Jesus e Gabigol
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André Rocha

Jesus e Gabigol

Até Neymar, o futebol brasileiro exportava três tipos de atacante: o extra-classe, ponto fora da curva – Romário, Ronaldo, o meteoro Adriano Imperador, Rivaldo, Ronaldinho e a própria estrela solitária, camisa onze do Barcelona.

Também os jogadores rápidos pelos flancos, mas com algumas deficiências nas tomadas de decisão e nas finalizações. Como Lucas Moura, por exemplo. Ou o centroavante fazedor de gols, mas nem tão participativo no trabalho coletivo. Como Fred.

Gabriel Jesus e o seu xará do Santos, o Barbosa ou Gabigol, não mostram hoje o talento que saltava aos olhos e encantava quando Neymar, com os mesmos 19 anos, decidia uma Libertadores para o Santos em 2011, marcava gols antológicos como o sobre o Flamengo que rendeu o Prêmio Puskas e já era a referência na seleção.

A dupla de jovens avantes atrai a atenção de grandes equipes como Manchester City (leia-se Guardiola), Real Madrid, Bayern de Munique, Manchester United, Barcelona e Juventus. Pelo potencial, mas principalmente por conta das características parecidas com as de Neymar e que se encaixam no que se espera de um atacante nos principais centros europeus.

Jesus e Gabigol fazem gols, mas não são típicos centroavantes. Até atuam nessa função mais centralizada. O primeiro no Palmeiras de hoje, comandado por Cuca. O outro em 2014, com 17 anos, no Santos de Oswaldo Oliveira antes da chegada de Leandro Damião. Depois Ricardo Oliveira.

Mas também jogam circulando pelos flancos, sabem abrir espaços, procurar as diagonais. Lidam bem com lançamentos às costas das defesas adversárias. Sabem sair do jogo de contato, mais físico dos zagueiros. Aparecem na área para finalizar, não ficam nela facilitando a marcação. Guardiola gosta disso.

São inteligentes, no posicionamento e na movimentação. E se os treinadores precisarem da colaboração pelos lados auxiliando numa recomposição, fechando uma segunda linha de quatro, eles executam sem problemas. Como diria Tite, são atletas que suportam transições mais longas. Estão atentos ao jogo coletivo. Versatilidade e capacidade de adaptação. Não têm lampejos geniais, mas podem ser talentos mais constantes.

Sem contar a força mental, já que são tratados, antes de chegarem aos vinte anos, como protagonistas em grandes clubes. Com toda a responsabilidade que vem a reboque da superexposição de astros precoces. Cobrados como prontos.

Rogério Micale tem na seleção olímpica um trio de ataque móvel e inteligente. Gabriel pela direita, Jesus centralizado e Neymar pela esquerda. Mas se procurando o tempo todo para tabelas e deslocamentos em progressão.

O treinador só precisa manter os dois garotos focados, sem deixar a cabeça viajar para os campos europeus. Aqueles que eles só viam na TV e no videogame. Neymar, mais vivido, pode ajudar a mostrar o caminho.

Pés cravados no chão para voarem na hora certa.


Espírito alemão salva Guardiola e supera a sólida Juventus num jogaço
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André Rocha

A Juventus teve atuação perfeita nos primeiros 45 minutos na Allianz Arena. Sem Dybala e Marchisio, Massimiliano Allegri armou um 5-4-1 compacto, alternando marcação adiantada, obsessiva e uma parede à frente da própria área.

Saída rápida nos contragolpes com Cuadrado aberto e Pogba saindo da esquerda para dentro. O francês marcou o primeiro e teve atuação de craque em boa parte do jogo. O colombiano fez um golaço aproveitando jogada de Morata que lembrou Maradona servindo Caniggia em 1990 contra o Brasil – sem comparações, obviamente.

Podia ter saído o terceiro, em impedimento mal marcado de Morata em nova saída de bola equivocada dos bávaros, que sofriam com uma atuação pluripatética de Alaba, falhando nos dois gols. Mas principalmente com as escolhas infelizes de Guardiola.

A maior delas, trabalhar com Douglas Costa à direita e Ribéry pela esquerda com a ausência de Robben, gripado. Pontas com pés invertidos. Um contrasenso no 2-3-5 que cria com os laterais Lahm e Alaba por dentro para os ponteiros abrirem o jogo. Ou ao menos um deles.

Resultado: quando ultrapassava a pressão italiana, o Bayern afunilava o jogo, batia na parede, perdia a bola e era surpreendido em contragolpes seguidos. Com 27% de posse, a Juve parecia aprimorar a estratégia letal do Real Madrid em 2014 na semifinal da Liga dos Campeões contra o time de Guardiola.

Juventus com execução perfeita do 5-4-1 com organização defensiva e velocidade e pragmatismo na transição; Bayern afunilando o jogo, perdendo a bola e dando os contragolpes (Tactical Pad).

Juventus com execução perfeita do 5-4-1 com organização defensiva e velocidade e pragmatismo na transição; Bayern no 2-3-5 afunilando o jogo, perdendo a bola e dando os contragolpes (Tactical Pad).

O jogo pedia Coman e Thiago já na volta do intervalo. O técnico catalão preferiu resgatar a formação da defesa do jogo em Turim: Bernat no lugar de Benatia, recuando Alaba para a zaga. A ideia era qualificar a saída de bola.

Não funcionou, só que desta vez a Juventus não aproveitou. Desperdiçou chances cristalinas no “contropiede”. O Bayern parecia desmanchar, com Ribéry exagerando no individualismo. Até Guardiola se render e mandar a campo Coman para, enfim, abrir o jogo à direita. Saiu Xabi Alonso.

O time italiano recuou demais. A ponto de se defender em alguns momentos com sete na última linha: os cinco, mais Cuadrado e Pogba nas “laterais”. Allegri trocou Khedira e Cuadrado por Sturaro e Pereyra. Na frente, perdeu velocidade com Mandzukic no lugar de Morata.

O time de Guardiola, da troca de passes, deu lugar ao velho espírito alemão: persistente, inabalável, mesmo com o tempo passando e a vaga escorrendo pelos dedos. Sem vergonha do jogo feio, da bola aérea. Douglas Costa, com liberdade de movimentação, colocou na cabeça de Lewandowski. No final, jogada de Coman, gol de Muller. No abafa, no jogo aéreo. Empate na fibra. Um jogaço!

Salvo dos próprios pecados, Guardiola trocou o exausto Ribéry por Thiago. Douglas Costa voltou ao lado esquerdo. Com os dois ponteiros jovens bem abertos, esgarçou a marcação do sólido rival na prorrogação. Abriu espaços no meio para Thiago tabelar com Muller e encaminhar a vaga.

Saída descoordenada da Juve, transição rápida e gol de Coman. Bayern nas quartas-de-final. Acreditem: apesar de Guardiola.

Coman e Douglas Costa abertos, Thiago com espaço no centro para tabelar e finalizar. Juventus pecou pelo recuo excessivo na segunda etapa do tempo normal e desmanchou na prorrogação, apesar da luta (Tactical Pad).

Coman e Douglas Costa abertos, Thiago com espaço no centro para tabelar e finalizar. Juventus pecou pelo recuo excessivo na segunda etapa do tempo normal e desmanchou na prorrogação, apesar da luta (Tactical Pad).


Messi e Guardiola: os gênios que fazem quase tudo parecer pouco
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André Rocha

Se há um marco de mudança do futebol deste século, ele veio em 2009 quando Pep Guardiola convocou Messi para mostrar em vídeo o espaço que havia entre a defesa e o meio-campo do Real Madrid e pediu a ele que circulasse por ali. 6 a 2 no Santiago Bernabéu.

Nascia o Messi “falso nove”, um gênio tático a empilhar títulos, prêmios e Bolas de Ouro. A obra prima do treinador igualmente brilhante que amadureceu suas ideias naquela noite e consolidou seu igualmente complexo e vistoso estilo de jogo.

Os personagens desta terça-feira histórica da Liga dos Campeões, com jogos espetaculares.

No Emirates Stadium, faltou ao Barcelona um pouco de Guardiola. Leia-se controle de jogo, especialmente no primeiro tempo. Apesar da posse que chegou aos 71%. O time de Luis Enrique preza a bola, porém é mais vertical. Não tem um plano de circulação da bola que mine as forças do rival. Troca passes, mas procura logo o tridente espetacular.

Não conseguiu, por mérito da concentração e da entrega do Arsenal na proposta reativa que se impôs pela marcação adiantada. Só faltou contundência na frente. O lance que podia ter mudado a rota do confronto no pé direito de Oxlade-Chamberlain. Escalado por Arsene Wenger pelo maior vigor em pressão e recomposição no setor de Alba e Neymar, falhou na conclusão que permitiu a grande defesa de Ter Stegen, que depois salvaria cabeçada de Giroud.

A senha para um Barcelona mais aceso e coordenado para sair da pressão na saída de bola que os Gunners tentaram repetir. E espaços, mesmo que não tão genersosos, para Messi, Suárez e Neymar costumam terminar nas redes. Até de Petr Cech, que no Chelsea não fora superado pelo argentino.

Até Suárez acionar Neymar, que serviu o gênio para começar a decidir o jogo. Depois Messi encaminhou a classificação no pênalti sofrido e convertido. 65% de posse, 16 finalizações a sete. Dois a zero para administrar no Camp Nou. Vitória espetacular, mas pareceu faltar alguma coisa. Não basta o pragmatismo. É preciso o brilho, o fulgor que faz do Barcelona de Messi um time histórico.

Arsenal no 4-2-3-1 alternando pressão e compactação no próprio campo para conter o Barcelona no 4-3-3 habitual, com posse, porém pouco efetivo no primeiro tempo. Até Messi resolver.

Arsenal no 4-2-3-1 alternando pressão e compactação no próprio campo para conter o Barcelona no 4-3-3 habitual, com posse, porém pouco efetivo no primeiro tempo. Até Messi resolver (Tactical Pad).

Porque a exigência aumenta por quem pode entregar muito. Como o outro grande construtor deste novo futebol. Pep Guardiola, mesmo em meio a questionamentos e críticas em Munique por já estar com a cabeça em Manchester, armou um Bayern sem zagueiros de ofício e ultraofensivo em Turim.

Se defendendo da vice-campeã da última edição do torneio continental, invicta há 14 partidas antes do jogo, ficando com a bola. Intensidade,volume, controle entre as intermediárias com Lahm, Alaba, Thiago Alcântara e Vidal, esgarçando a marcação com Robben e Douglas Costa pelas pontas e procurando Muller e Lewandowski.

Posse que chegou a 77%, gols de Muller e Robben, este na sua jogada característica cortando da direita para dentro. Mas natural queda de intensidade na segunda etapa, quando ter a bola funciona como pausa, administração do vigor físico. Calma para anestesiar o rival. Costuma funcionar na liga alemã.

Bayern de Guardiola manteve postura ofensiva em Turim, com praticamente quatro atacantes e muito volume de jogo, oprimindo a Juve frágil e com as linhas de quatro sufocadas, que só encontraram alívio e força com a queda dos bávaros na segunda etapa (Tactical Pad).

Bayern de Guardiola manteve postura ofensiva em Turim, com praticamente quatro atacantes e muito volume de jogo, oprimindo a Juve frágil e com as linhas de quatro sufocadas, que só encontraram alívio e força com a queda dos bávaros na segunda etapa (Tactical Pad).

Não diante da Juventus que ganhou consistência no meio com Hernanes e Sturaro, mais força na frente com Dybala, depois Morata. Reação, empate e sensação de ter ganhado uma sobrevida nas oitavas de final.

Na prática, um resultado difícil de reverter na Allianz Arena. Até improvável. Mas pelo nível de exigência quando se trata de Guardiola, um ótimo empate com gols parece derrota, uma ameaça.

Porque se espera muito do melhor técnico de uma era. Também do craque maior, Messi. Ainda assim eles seguem como se competissem apenas com os próprios feitos. O muito, ou quase tudo para os meros mortais parece pouco. O preço da genialidade.


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