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Real Madrid campeão! A revolução de simplicidade e discrição de Zidane
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André Rocha

Zinedine Zidane assumiu o Real Madrid no início de 2016, salvando a pele de Florentino Pérez, que emendou duas decisões para lá de controversas: demitir Carlo Ancelotti mais pela frustração de ver o Barcelona faturar a tríplice coroa do que propriamente por uma avaliação do trabalho do treinador italiano que comandou o time que conquistou a sonhada “La Decima”.

Pior ainda foi trazer Rafa Benítez, em baixa na carreira, para liderar seu elenco estelar. Não podia dar certo, até por não se identificar com o clube e ter a petulância de tentar ensinar jogadores como Cristiano Ronaldo e Toni Kroos a bater na bola, se intrometendo até nos gestos técnicos dos atletas.

Algo que Zidane, um dos maiores e mais técnicos jogadores da história, poderia se aventurar a impor. Pelo contrário. Transmitiu confiança, usou o respeito que desperta sem fazer força para deixar o ambiente mais leve, trouxe as lideranças para perto. Na gestão do grupo, também manteve todos motivados, mudou de patamar jogadores como Lucas Vázquez. Investiu no condicionamento físico.

Na parte tática e estratégica, começou resgatando as ideias de Ancelotti, de quem era auxiliar. Variação do 4-3-3 para o 4-4-2 sem a bola. Com a má fase de James Rodríguez e a dificuldade de encontrar o meia para atacar centralizado, na articulação, e voltar pela esquerda, além dos problemas defensivos, fez o simples mais uma vez: plantou Casemiro na proteção da defesa e deu liberdade a Kroos.

Trabalhando jogo a jogo, descansando quem precisava e valorizando os substitutos sem lamentar as ausências foi arrumando a casa. Realista, jogou a toalha na liga na derrota para o Atlético de Madrid no Santiago Bernabéu. Paradoxalmente, o foco na Champions e a sensação de “o que vier é lucro” ajudou a construir um retrospecto de 12 vitórias seguidas, inclusive os 2 a 1 sobre o Barcelona no Camp Nou.

Campanha que manteve a confiança alta e ajudou a pavimentar o 11º título da Liga dos Campeões. Conquista que pode ser atribuída um tanto à sorte por conta dos cruzamentos menos complicados que os rivais e superar o Atlético novamente, desta vez nos pênaltis. Sem muito brilho, mas fazendo história.

Para a temporada 2016/17, o aprimoramento das virtudes: elenco mais forte, com Morata e Asensio formando uma equipe reserva capaz de manter a competitividade enquanto descansa os titulares. E atento ao desempenho para fazer ajustes por meritocracia.

Isco foi o beneficiado pelo senso de justiça na reta final. Voando nas vitórias dos reservas e entrando bem quando solicitado, virou titular na vaga de Bale, em uma nova alteração tática. Do 4-3-3 para o 4-3-1-2, com o meia atuando como “enganche” à frente de Modric e Kroos e deixando Cristiano Ronaldo praticamente como um atacante próximo à área adversária, com liberdade de movimentação.

Poupado em nove partidas na liga, o português estava pronto para ser decisivo na reta final do campeonato nacional e do torneio continental. Se antes o genial finalizador tentava duelar com Messi nos números, agora entendeu que as taças são mais importantes que as bolas na rede. Até porque ele sempre será o artilheiro e a estrela da equipe, mesmo sem jogar todas.

O resultado prático é uma campanha memorável no Espanhol: 29 vitórias, seis empates, apenas três derrotas. 82% de aproveitamento. O ataque mais positivo e a defesa menos vazada são do Barcelona. Mas nos pontos foi soberano durante toda a liga.

Futebol prático e simples, respeitando as características dos jogadores. Os laterais Carvajal e Marcelo abrem o campo, ainda que o brasileiro infiltre muito por dentro, quase como meia. O meio-campo marca e joga, com Kroos e Modric alternando passes longos e curtos e qualificando a saída desde a defesa auxiliando Casemiro. Na frente, o trabalho de coadjuvante de Benzema e o poder de decisão de Cristiano Ronaldo. Se necessário, há a qualidade na reposição para manter desempenho e a média na conquista de pontos.

Um time “camaleão”, que joga com posse de bola ou nas transições velozes, sem deixar de valorizar o momento das jogadas aéreas com bola parada. Algo lógico quando se tem a precisão de Kroos e a fantástica presença na área adversária do já lendário Sergio Ramos.

Acima de tudo, respeitando a história do clube. Porque o torcedor madridista não quer exatamente espetáculo. Exige vitórias, mas que de preferência sejam construídas com futebol ofensivo e liberdade para os craques “galácticos” contratados a peso de ouro colocarem o talento a serviço da equipe. Sem amarras táticas. Com mentalidade vencedora.

Título confirmado fora de casa nos 2 a 0 sobre o Málaga. Um gol de Cristiano Ronaldo em contragolpe letal, outro de Benzema na bola parada sempre tão eficiente. Mais simbólico, impossível. Completando 64 partidas consecutivas fazendo gols. Pela primeira vez com campanha mais efetiva em pontos fora de casa do que no Bernabéu: 47 x 46.

Nada muito inovador, embora moderno. Zidane respeita as características e as qualidades dos jogadores. Não tenta ser a estrela mais reluzente e midiática. Valoriza o jogo, o futebol em todas as suas vertentes. Se Zidane revolucionou o Real Madrid, foi pela discrição e simplicidade.

Agora parte para o ato final e mais importante: nova final de Champions, desta vez contra a Juventus em Cardiff. Decisão sem favoritos, até pelo tempo que ambos terão para se preparar e com a confiança das ligas conquistadas. Agora com o Real enfrentando os cruzamentos mais complicados: Napoli, Bayern de Munique e Atlético de Madrid.

A Juventus tem mais “fome”, já que o título europeu não vem desde 1996. Já o Real carrega a “casca” de uma base que disputou duas finais recentes. Se vier a décima segunda, todos os holofotes estarão sobre Cristiano Ronaldo e sua quinta Bola de Ouro.

No banco, aplaudindo os protagonistas, o grande mentor. O Zidane que em campo fazia tudo parecer tão trivial e agora, na beira do gramado, trabalha com o mesmo semblante tranquilo de quem sabe o que quer.


Semifinal confirma: Real Madrid é maior porque o Atlético se apequena
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André Rocha

A impressão mais forte do jogo de volta da semifinal da Liga dos Campeões no Vicente Calderón é de que Simeone e seus jogadores planejaram e executaram uma pressão inicial para tentar descontar a desvantagem de três gols, mas não contavam com duas bolas na rede em 16 minutos.

Primeiro Saúl Ñíguez na jogada aérea, depois Griezmann cobrando (mal) o pênalti de Varane sobre Fernando Torres. Era hora de incendiar o estádio e aproveitar o rival tonto para igualar o confronto ainda no primeiro tempo.

O resultado prático foi o Atlético de Madri repetindo a estratégia que deu tão errado no Bernabéu: recolheu a equipe, compactou as duas linhas de quatro, marcou com Griezmann e Torres no próprio campo e aceitou a posse do time merengue sem adiantar mais a marcação.

Para piorar, a postura juvenil da retaguarda, quase sempre tão sólida e intensa no combate, permitindo a jogada individual pela esquerda de Benzema, que serviu Kroos e, no rebote do chute do meia alemão, o gol de Isco. Novamente o elo entre o trio de meio-campistas e a dupla de ataque num 4-3-1-2.

A disputa acabou ali. A massa manteve o apoio, mas sem pulsar, sem ferver. Para quem precisava atacar e criar, os 70% de aproveitamento nos passes dificultavam o domínio para buscar outros três gols. E o paradoxo: o Atlético cometeu 23 faltas contra sete do Real. Mas quando foi preciso parar Benzema, Giménez, Savic e Godín falharam.

Letal. Porque o Real Madrid é o maior da capital também pelo apequenamento do rival em momentos decisivos. Duas finais, mais duas eliminações. Em todas a camisa pesou. Algo que parece lenda, mas se manifesta em momentos como o gol de Sergio Ramos no ato final no estádio da Luz em 2014, na chance desperdiçada pelo time de Simeone de definir em 120 minutos no Giuseppe Meazza, dois anos depois. Fora o pênalti perdido por Griezmann.

Desta vez, na sequência do segundo gol. Se havia uma chance, era a de nocautear um oponente vivido e vencedor, mas assustado na casa do rival. Os colchoneros falharam mais uma vez.

O Real Madrid está na final para buscar a 12ª taça, o primeiro bicampeonato europeu depois do Milan 1989-90. Em Cardiff, jogo único e a tensão comum em finais, a experiência recente da maioria dos comandados de Zidane pode pesar. A tradição também.

Mas a Juventus parece mais concentrada e equilibrada em seu modelo de jogo. Sem contar a trajetória com mais folga na liga italiana para confirmar o hexa, enquanto o Real tem um Barcelona no retrovisor e a pressão de voltar a ser campeão espanhol depois de cinco anos.

Pode fazer diferença. Mas é uma decisão muito igual. Talvez definida nos pênaltis mais uma vez. Que três de junho chegue logo!

 


A Juventus está pronta para tudo. Um timaço na acepção da palavra
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André Rocha

Foi difícil entender a opção de Leonardo Jardim por espelhar o sistema com três zagueiros da Juventus, deixando Fabinho e Lemar, pilares do meio-campo, no banco. O Monaco perdeu volume de jogo e presença ofensiva no primeiro tempo. Bernardo foi o mais prejudicado, isolado na articulação.

Melhor para o time italiano em sua arena, que novamente variou o desenho tático de acordo com os movimentos de Daniel Alves e Barzagli pela direita. Com a vantagem de dois gols, permitiu que o adversário tivesse a posse, mas controlou o jogo e criou as oportunidades mais claras.

Gol de Mandzukic em jogada bem trabalhada iniciada com um contragolpe. O centroavante típico de 30 anos que fecha o setor esquerdo na segunda linha, à frente de Alex Sandro e ainda infiltra em diagonal na velocidade para finalizar e se juntar a Higuaín.

Tão surreal quanto a fase de Daniel Alves. De novo foi lateral, meia e ponta. Colocou no bolso o ótimo Mendy, transformado em ala por Jardim. Passador na jogada do primeiro gol. Também finalizador preciso em um golaço no rebote que praticamente sacramentou a classificação para a final da Liga dos Campeões, contra Real Madrid ou Atlético de Madri.

Mesmo com o segundo tempo mais que digno do time francês. Com Fabinho e Lemar em campo. Com Mbappé, jovem candidato a gênio, tirando o lacre do sistema defensivo da Vecchia Signora no mata-mata. Mantendo superioridade na posse e aumentando o número de finalizações.

Mas não havia o que fazer. Porque a Juventus de Massimiliano Allegri tem um nível de concentração absurdo na execução de seu modelo de jogo complexo e completo, que sabe variar posse de bola e jogo em transição, na velocidade. De solidez impressionante, que sabe exatamente o que quer em todos os momentos.

Um timaço na acepção da palavra que irá a Cardiff no dia 3 de junho para buscar o título que não vem desde 1996. Venha quem vier. Coletivamente e na força mental, nunca pareceu tão pronto.


Juventus, o time de verdade que o Monaco ainda não tinha enfrentado
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André Rocha

O jovem e ofensivo Monaco encanta na temporada europeia pela volúpia ofensiva, o estilo leve e solto nas duas linhas de quatro que se transformam num 4-2-2-2 à brasileira quando os meias Bernardo Silva e Lemar ganham liberdade para criar por dentro.

A equipe de Leonardo Jardim tem todos os méritos por voltar a uma semifinal de Liga dos Campeões depois de 13 anos. Mas, a rigor, tinha enfrentado até aqui no mata-mata do torneio continental dois times jovens, que também têm seus momentos de encanto. Mas oscilam demais.

Só que o Manchester City de Pep Guardiola pecou pela irregularidade e pelos gols perdidos de Kun Aguero e o Borussia Dortmund, no mundo ideal e alheio ao “the show must go on”, não podia ter encarado partida decisiva um dia depois de sofrer o atentado que mandou seu zagueiro Bartra para o hospital. Não há força mental que resista.

Concentração foi exatamente a arma da Juventus no jogo de ida. Alternando o 5-3-2 com as duas linhas de quatro e Dybala se aproximando de Higuaín. Com Daniel Alves sendo lateral, meia e ponta. Também o assistente que consagrou Messi no Barcelona. Desta vez, dois passes espetaculares para Higuaín enfim ser decisivo na reta final da Liga dos Campeões.

O trio Barzagli-Bonucci-Chiellini teve algum trabalho com Falcão e Mbappé, mas quando foram superados havia Buffon pela frente. Explica muito os míseros dois gols sofridos pela Juve na Champions. Nenhum no mata-mata.

Mas não só. Coletivamente é fortíssima. Com e sem a bola. Melhor exemplo é a jogada construída desde a defesa no primeiro gol até a assistência de calcanhar de Daniel Alves para o argentino que se atrapalhou em dois lances grotescos. Mas decidiu.

Mesmo. É praticamente impossível o Monaco reverter em Turim. Só não é 100% porque estamos falando de futebol. E de um Monaco que marcou 95 gols em 34 partidas na liga francesa. Mas desta vez enfrentou um time de verdade. Sólido, vivido, consciente. Envolvente e quase intransponível.

Se não houver nenhuma aberração na volta, que final teremos em Cardiff entre Real Madrid e Juventus!

 


Trauma ou sede de revanche? Como será o Atlético de Simeone contra o Real?
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André Rocha

Foto: Denis Doyle (Getty Images)

O sorteio das semifinais da Liga dos Campeões promove o quarto encontro consecutivo entre Real e Atlético, o clássico de Madrid. Foram duas finais duríssimas, definidas em prorrogação e pênaltis. Mais um duelo pelas quartas-de final em 2015. 1 a 1 no Calderón, 1 a 0 para os merengues no Bernabéu.

O Atlético vem de três vitórias e um empate no Santiago Bernabéu pelo Espanhol. O retrospecto contra o rival na Era Simeone é de sete vitórias, seis empates e oito derrotas. Equilíbrio absoluto.

Agora a ida no Bernabéu e a definição no Calderón. Em tese, uma vantagem para o Atlético e um cenário nunca vivido pelo Real contra os colchoneros.

Taticamente, sem segredos. Real Madrid terá a bola, trocará passes no meio e buscará as infiltrações com os atacantes acelerando ou abrindo o jogo pelas laterais com Carvajal e Marcelo para furar as compactas linhas de quatro de Simeone que vai tentar controlar o jogo sem a bola esperando a chance de golpear com o talento e a rapidez de Griezmann.

A grande questão é como o Atlético vai se comportar em termos anímicos. Porque o retrospecto, no geral, é de jogos parelhos. Mas na Champions o rival sempre saiu comemorando. Quando os times entrarem em campo no Bernabéu valerá mais a invencibilidade dos visitantes ou o que foi vivido no duelo continental?

O Atlético será todo trauma, todo medo de sair novamente como o vencido ou todo valentia, todo sede de revanche com o “sangue nos olhos” tão cobrado por Simeone? Como será encarar de novo os algozes Sergio Ramos, Cristiano Ronaldo, Marcelo? Os clássicos pela liga espanhola terão peso nesta equação?

As respostas de Madrid virão a partir do dia 2 de maio. Mas se tivesse que investir as fichas, a aposta seria no Atlético. Se sair vivo do Bernabéu que conhece tão bem, a atmosfera do Calderón com Simeone regendo a massa pode fazer a diferença desta vez.

Para fazer a final em Cardiff, provavelmente, contra a Juventus. Favorita contra o Monaco pela chance de domar o time do jovem Kylian Mbappé como o irregular Manchester City de Guardiola e o traumatizado Borussia Dortmund não conseguiram. Sistema defensivo sólido para controlar e qualidade na frente para aproveitar os espaços cedidos pelo time de Leonardo Jardim.


A vitória da filosofia que se adapta e reinventa sobre o time previsível
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André Rocha

A Juventus começou sua trajetória vencedora com a nova arena, o Juventus Stadium. Em 2011, uma casa para chamar de sua, faturar e se impor no futebol italiano. Pentacampeã com o hexa encaminhado.

Passaram por lá Antonio Conte, Andrea Pirlo, Arturo Vidal, Carlos Tevez, Paul Pogba…Filosofia fora e dentro do campo, apostando na excelência. Antenada com o melhor do futebol mundial, sabendo jogar com ou sem a posse de bola de acordo com o contexto.

Capacidade de adaptação, aprendendo a se reinventar sob o comando de Massimiliano Allegri. Aos poucos aprendendo a ser forte também no cenário europeu, como um contraponto à decadência do futebol italiano, a ponto de perder uma vaga na Liga dos Campeões.

Final em 2015, eliminação sofrida e precoce para o Bayern de Guardiola na temporada passada. Mas o trabalho seguiu, sem sobressaltos. Aprimorando conceitos e processos. Mantendo o ideal de protagonismo, especialmente atuando em seu estádio.

Agora volta à semifinal da Champions. Com Buffon, Bonucci e Chiellini da base vencedora lá atrás. Mas agora a gestão permite ir ao mercado com força. E inteligência para montar um grupo forte, mesmo com perdas importantes.

Equipe que varia o sistema com três ou quatro atrás. Em Turim, postura ofensiva que sufocou o Barcelona. No Camp Nou, chegou a se fechar com sete na última linha. Empate sem gols, mas com a vaga.

Para o Barcelona, a decepção de sequer ter vazado Buffon em 180 minutos. Mas nenhuma surpresa, mesmo depois dos 6 a 1 sobre o PSG. Por tudo que representa, o time catalão era o favorito no confronto. Mas desde o início da temporada era nítido que a proposta de jogo ficou previsível.

Na despedida do torneio continental, nove campeões de 2015. Apenas Sergi Roberto no lugar de Daniel Alves, que estava do outro lado. Mais Umtiti na zaga, com Mascherano no banco. Só que nesta caso, a manutenção da equipe e também do técnico desgastaram a fórmula outrora vencedora.

A Juventus tinha todas as ações ofensivas do Barça mapeadas. No primeiro tempo, bloqueava a entrada da área e induzia o adversário a terminar a jogada com seus laterais: o improvisado Sergi Roberto e o decadente Jordi Alba.

Restava o improviso do trio MSN. Mas com Suárez irreconhecível, Neymar nervoso e Messi com uma imprecisão anormal. Talvez pela preocupação exagerada de tirar a bola do alcance do melhor goleiro do mundo. Muito provavelmente pela pressão de resolver apenas no talento. Sem um plano.

O resultado prático do desespero do time da casa e da marcação bem pensada e executada pelos visitantes foram 17 finalizações do Barça, mas apenas uma no alvo. Precisando de três bolas na rede, no minimo. Com 61% de posse de bola. Inócua.

O Barcelona é previsível até no desespero. Desde os tempos de Pep Guardiola, a única saída no sufoco é mandar Piqué para o centro do ataque e levantar bolas a esmo. Pobreza de ideias e também consequência de elencos mal formados, nada homogêneos. Por isso a dependência dos titulares. Ou melhor, do seu trio de ataque.

Não podia dar certo. E com uma derrota no Bernabéu para o rival e líder do Espanhol no domingo só restará a Copa do Rei na temporada. Um duro fim de festa para Luis Enrique. O novo técnico terá trabalho para reconstruir o time.

Especialidade da Juventus de Allegri. Que já foi de Conte. Que será forte contra qualquer um na semifinal. E seguirá vencedora. Porque vale mais a manutenção da filosofia do clube que valorizar apenas nomes. Ou velhas ideias que não entregam mais o jogo que encantou o mundo.

(Estatísticas: UEFA)

 


Juventus soberana! Porque não há trio MSN que salve o Barça dos elos fracos
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André Rocha

O Barcelona jogou mais em Turim do que em Paris. Messi procurou a bola, criou espaços, não se entregou ao forte bloqueio do adversário. Desta vez foi que mais tentou, já que Neymar ficou encaixotado entre Daniel Alves e Cuadrado, sem um apoio qualificado pela esquerda com a ausência de Jordi Alba.

Já Suárez na maior parte do tempo teve que encarar simplesmente Bonucci, Chiellini e Buffon. Goleiro que salvou o gol de empate na primeira etapa no lampejo de Messi que achou Iniesta completamente livre na área. Com 3 a 0 na segunda etapa, negou o gol a Suárez.

Raros lampejos de um time que ao longo da temporada, em jogos duros fora de casa, sempre pareceu mais próximo de sofrer gols do que ir às redes. Simplesmente porque o time catalão, trio MSN à parte, é hoje uma equipe de “elos fracos”.

A ideia é do livro “Os Números do Jogo”, de Chris Anderson e David Sally. Ou seja, a disputa normalmente é definida mais pelas limitações do que pelas virtudes.E como este Barça é frágil…

Ainda mais sem Busquets, suspenso, e com Mascherano perdido à frente da defesa, como se ainda não atuasse como volante na seleção argentina. Pensando como zagueiro e deixando espaços generosos para Dybala fazer os dois primeiros gols em belas finalizações do primeiro tempo.

Depois, já como zagueiro com a saida de Mathieu para a entrada de André Gomes depois do intervalo, hesitou no bloqueio a Chiellini no terceiro gol.

Mas não só ele. Sergi Roberto improvisado, Mathieu, um Rakitic longe do melhor momento, André Gomes…Mesmo Iniesta, com a categoria intacta, mas com um notável decréscimo de intensidade. Sem contar os problemas coletivos de um time que se habituou a entregar a bola para seus três talentos.

O resultado prático é um Barcelona com 65% de posse de bola, 88% de efetividade nos passes e 13 finalizações, uma a menos que a “Vecchia Signora”. Só que oito no alvo dos italianos e apenas duas dos visitantes. Só um par de oportunidades cristalinas.

Porque a Juve errou pouco e deu uma aula de leitura de jogo e inteligência tática. No 4-4-2 montado por Massimiliano Allegri que defendia com todos no próprio campo, havia dois laterais brasileiros formados como alas que aprenderam na Europa a jogar como defensores (Daniel Alves e Alex Sandro), um centroavante aberto à esquerda muitas vezes formando com a defesa uma linha de cinco (Mandzukic). Nenhum “volantão” à frente da defesa, os dois centralizados marcando e jogando (Pjanic e Khedira).

Muita concentração defensiva e qualidade e rapidez nas transições ofensivas. A Juventus jogou a vida em sua arena e foi soberana. O Barcelona precisa de muita inspiração do seu tridente sul-americano. Mais complicado diante de rivais tão atentos na retaguarda.

Pior ainda quando um clube milionário é tão infeliz nas contratações e enche o elenco de “elos fracos”. Alguns circunstanciais, por mau momento, mas outros que eram tragédias anunciadas. Quase sempre Luis Enrique precisa de dois ou três deles.

Em um confronto de quartas-de-final de Liga dos Campeões, com tanto em jogo, costuma ser fatal. O talento, o acaso e a arbitragem compensaram no Camp Nou contra o PSG. A Juventus fez um gol a menos, mas tem camisa, cultura defensiva de sua escola e, em especial, o exemplo das oitavas para impedir uma nova remontada.

 

 


Quartas da Champions: duelos de gigantes e entre semelhantes
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André Rocha

ATLÉTICO DE MADRID x LEICESTER CITY – Dureza para os dois times. Para o Atlético porque entra como favorito absoluto, obrigado a propor jogo e dar o contragolpe. Para o Leicester também, já que será azarão, mas não tanto como se encarasse um gigante como Bayern, Barcelona e Real Madrid.

Interessante para ver essa versão do time de Simeone, que ocupa o campo de ataque e valoriza mais a posse de bola no ritmo de Saúl Ñíguez, mas sem deixar de ser compacto e concentrado, diante do campeão inglês que só joga em velocidade, vai entregar tudo no trabalho defensivo para definir em casa com o melhor de Vardy e Mahrez.

FAVORITO – Atlético de Madrid

BORUSSIA DORTMUND x MONACO – Duelo de intensidade máxima e vocação ofensiva, com times se arriscando dentro e fora de casa. Porém sem tanto controle de jogo. Ou seja, quem abrir vantagem na ida sofrerá se quiser administrá-la na volta.

Dembelé e Aubameyang contra Bernardo Silva e Mbappé. Thomas Tuchel versus Leonardo Jardim. Confronto sem a pompa dos duelos de gigantes, mas que promete demais. Muitos gols. Time alemão leva pequena vantagem pela cancha maior na competição.

FAVORITO – Borussia Dortmund

BAYERN DE MUNIQUE X REAL MADRID – Simplesmente 16 títulos em campo. Carlo Ancelotti, o mentor e campeão de “la decima”, contra Zidane, o aprendiz e atual vencedor. Dois times com camisa e experiência. Mas é difícil imaginar alguma novidade tática, já que são treinadores mais administradores que construtores.

Mesmo que a marcação individual tenha ficado para trás, é impossível não imaginar duelos como Bale x Alaba e a luta no meio-campo com Casemiro, Modric, Kroos de um lado; Xabi Alonso, Vidal e Thiago Alcântara do outro. Mais Robben contra Marcelo. Quem controlar a posse não leva vantagem necessariamente. Aposta na “sede” dos bávaros de recuperar o domínio europeu e no retrospecto positivo no confronto.

FAVORITO – Bayern de Munique

BARCELONA X JUVENTUS – A reedição da final da temporada 2014/15. Mas desta vez com o time catalão sem a consistência da última conquista e a equipe que domina a Itália há tempos mais cascuda e querendo revanche da decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

A Juve parece ter uma formação mais equilibrada, com Mandzukic sendo o centroavante que infiltra pela esquerda para se juntar a Higuaín e Dybala no centro e receber as bolas de Cuadrado e Daniel Alves, que conhece muito bem o adversário. Mas o Barça, apesar das oscilações e dos problemas defensivos, tem o tridente genial e a sensação de que pode tudo depois dos 6 a 1 sobre o PSG.

FAVORITO – Barcelona

 

 


Talentosos, inteligentes, versáteis. Por que a Europa quer Jesus e Gabigol
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André Rocha

Jesus e Gabigol

Até Neymar, o futebol brasileiro exportava três tipos de atacante: o extra-classe, ponto fora da curva – Romário, Ronaldo, o meteoro Adriano Imperador, Rivaldo, Ronaldinho e a própria estrela solitária, camisa onze do Barcelona.

Também os jogadores rápidos pelos flancos, mas com algumas deficiências nas tomadas de decisão e nas finalizações. Como Lucas Moura, por exemplo. Ou o centroavante fazedor de gols, mas nem tão participativo no trabalho coletivo. Como Fred.

Gabriel Jesus e o seu xará do Santos, o Barbosa ou Gabigol, não mostram hoje o talento que saltava aos olhos e encantava quando Neymar, com os mesmos 19 anos, decidia uma Libertadores para o Santos em 2011, marcava gols antológicos como o sobre o Flamengo que rendeu o Prêmio Puskas e já era a referência na seleção.

A dupla de jovens avantes atrai a atenção de grandes equipes como Manchester City (leia-se Guardiola), Real Madrid, Bayern de Munique, Manchester United, Barcelona e Juventus. Pelo potencial, mas principalmente por conta das características parecidas com as de Neymar e que se encaixam no que se espera de um atacante nos principais centros europeus.

Jesus e Gabigol fazem gols, mas não são típicos centroavantes. Até atuam nessa função mais centralizada. O primeiro no Palmeiras de hoje, comandado por Cuca. O outro em 2014, com 17 anos, no Santos de Oswaldo Oliveira antes da chegada de Leandro Damião. Depois Ricardo Oliveira.

Mas também jogam circulando pelos flancos, sabem abrir espaços, procurar as diagonais. Lidam bem com lançamentos às costas das defesas adversárias. Sabem sair do jogo de contato, mais físico dos zagueiros. Aparecem na área para finalizar, não ficam nela facilitando a marcação. Guardiola gosta disso.

São inteligentes, no posicionamento e na movimentação. E se os treinadores precisarem da colaboração pelos lados auxiliando numa recomposição, fechando uma segunda linha de quatro, eles executam sem problemas. Como diria Tite, são atletas que suportam transições mais longas. Estão atentos ao jogo coletivo. Versatilidade e capacidade de adaptação. Não têm lampejos geniais, mas podem ser talentos mais constantes.

Sem contar a força mental, já que são tratados, antes de chegarem aos vinte anos, como protagonistas em grandes clubes. Com toda a responsabilidade que vem a reboque da superexposição de astros precoces. Cobrados como prontos.

Rogério Micale tem na seleção olímpica um trio de ataque móvel e inteligente. Gabriel pela direita, Jesus centralizado e Neymar pela esquerda. Mas se procurando o tempo todo para tabelas e deslocamentos em progressão.

O treinador só precisa manter os dois garotos focados, sem deixar a cabeça viajar para os campos europeus. Aqueles que eles só viam na TV e no videogame. Neymar, mais vivido, pode ajudar a mostrar o caminho.

Pés cravados no chão para voarem na hora certa.


Espírito alemão salva Guardiola e supera a sólida Juventus num jogaço
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André Rocha

A Juventus teve atuação perfeita nos primeiros 45 minutos na Allianz Arena. Sem Dybala e Marchisio, Massimiliano Allegri armou um 5-4-1 compacto, alternando marcação adiantada, obsessiva e uma parede à frente da própria área.

Saída rápida nos contragolpes com Cuadrado aberto e Pogba saindo da esquerda para dentro. O francês marcou o primeiro e teve atuação de craque em boa parte do jogo. O colombiano fez um golaço aproveitando jogada de Morata que lembrou Maradona servindo Caniggia em 1990 contra o Brasil – sem comparações, obviamente.

Podia ter saído o terceiro, em impedimento mal marcado de Morata em nova saída de bola equivocada dos bávaros, que sofriam com uma atuação pluripatética de Alaba, falhando nos dois gols. Mas principalmente com as escolhas infelizes de Guardiola.

A maior delas, trabalhar com Douglas Costa à direita e Ribéry pela esquerda com a ausência de Robben, gripado. Pontas com pés invertidos. Um contrasenso no 2-3-5 que cria com os laterais Lahm e Alaba por dentro para os ponteiros abrirem o jogo. Ou ao menos um deles.

Resultado: quando ultrapassava a pressão italiana, o Bayern afunilava o jogo, batia na parede, perdia a bola e era surpreendido em contragolpes seguidos. Com 27% de posse, a Juve parecia aprimorar a estratégia letal do Real Madrid em 2014 na semifinal da Liga dos Campeões contra o time de Guardiola.

Juventus com execução perfeita do 5-4-1 com organização defensiva e velocidade e pragmatismo na transição; Bayern afunilando o jogo, perdendo a bola e dando os contragolpes (Tactical Pad).

Juventus com execução perfeita do 5-4-1 com organização defensiva e velocidade e pragmatismo na transição; Bayern no 2-3-5 afunilando o jogo, perdendo a bola e dando os contragolpes (Tactical Pad).

O jogo pedia Coman e Thiago já na volta do intervalo. O técnico catalão preferiu resgatar a formação da defesa do jogo em Turim: Bernat no lugar de Benatia, recuando Alaba para a zaga. A ideia era qualificar a saída de bola.

Não funcionou, só que desta vez a Juventus não aproveitou. Desperdiçou chances cristalinas no “contropiede”. O Bayern parecia desmanchar, com Ribéry exagerando no individualismo. Até Guardiola se render e mandar a campo Coman para, enfim, abrir o jogo à direita. Saiu Xabi Alonso.

O time italiano recuou demais. A ponto de se defender em alguns momentos com sete na última linha: os cinco, mais Cuadrado e Pogba nas “laterais”. Allegri trocou Khedira e Cuadrado por Sturaro e Pereyra. Na frente, perdeu velocidade com Mandzukic no lugar de Morata.

O time de Guardiola, da troca de passes, deu lugar ao velho espírito alemão: persistente, inabalável, mesmo com o tempo passando e a vaga escorrendo pelos dedos. Sem vergonha do jogo feio, da bola aérea. Douglas Costa, com liberdade de movimentação, colocou na cabeça de Lewandowski. No final, jogada de Coman, gol de Muller. No abafa, no jogo aéreo. Empate na fibra. Um jogaço!

Salvo dos próprios pecados, Guardiola trocou o exausto Ribéry por Thiago. Douglas Costa voltou ao lado esquerdo. Com os dois ponteiros jovens bem abertos, esgarçou a marcação do sólido rival na prorrogação. Abriu espaços no meio para Thiago tabelar com Muller e encaminhar a vaga.

Saída descoordenada da Juve, transição rápida e gol de Coman. Bayern nas quartas-de-final. Acreditem: apesar de Guardiola.

Coman e Douglas Costa abertos, Thiago com espaço no centro para tabelar e finalizar. Juventus pecou pelo recuo excessivo na segunda etapa do tempo normal e desmanchou na prorrogação, apesar da luta (Tactical Pad).

Coman e Douglas Costa abertos, Thiago com espaço no centro para tabelar e finalizar. Juventus pecou pelo recuo excessivo na segunda etapa do tempo normal e desmanchou na prorrogação, apesar da luta (Tactical Pad).