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Quartas da Champions: duelos de gigantes e entre semelhantes
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André Rocha

ATLÉTICO DE MADRID x LEICESTER CITY – Dureza para os dois times. Para o Atlético porque entra como favorito absoluto, obrigado a propor jogo e dar o contragolpe. Para o Leicester também, já que será azarão, mas não tanto como se encarasse um gigante como Bayern, Barcelona e Real Madrid.

Interessante para ver essa versão do time de Simeone, que ocupa o campo de ataque e valoriza mais a posse de bola no ritmo de Saúl Ñíguez, mas sem deixar de ser compacto e concentrado, diante do campeão inglês que só joga em velocidade, vai entregar tudo no trabalho defensivo para definir em casa com o melhor de Vardy e Mahrez.

FAVORITO – Atlético de Madrid

BORUSSIA DORTMUND x MONACO – Duelo de intensidade máxima e vocação ofensiva, com times se arriscando dentro e fora de casa. Porém sem tanto controle de jogo. Ou seja, quem abrir vantagem na ida sofrerá se quiser administrá-la na volta.

Dembelé e Aubameyang contra Bernardo Silva e Mbappé. Thomas Tuchel versus Leonardo Jardim. Confronto sem a pompa dos duelos de gigantes, mas que promete demais. Muitos gols. Time alemão leva pequena vantagem pela cancha maior na competição.

FAVORITO – Borussia Dortmund

BAYERN DE MUNIQUE X REAL MADRID – Simplesmente 16 títulos em campo. Carlo Ancelotti, o mentor e campeão de “la decima”, contra Zidane, o aprendiz e atual vencedor. Dois times com camisa e experiência. Mas é difícil imaginar alguma novidade tática, já que são treinadores mais administradores que construtores.

Mesmo que a marcação individual tenha ficado para trás, é impossível não imaginar duelos como Bale x Alaba e a luta no meio-campo com Casemiro, Modric, Kroos de um lado; Xabi Alonso, Vidal e Thiago Alcântara do outro. Mais Robben contra Marcelo. Quem controlar a posse não leva vantagem necessariamente. Aposta na “sede” dos bávaros de recuperar o domínio europeu e no retrospecto positivo no confronto.

FAVORITO – Bayern de Munique

BARCELONA X JUVENTUS – A reedição da final da temporada 2014/15. Mas desta vez com o time catalão sem a consistência da última conquista e a equipe que domina a Itália há tempos mais cascuda e querendo revanche da decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

A Juve parece ter uma formação mais equilibrada, com Mandzukic sendo o centroavante que infiltra pela esquerda para se juntar a Higuaín e Dybala no centro e receber as bolas de Cuadrado e Daniel Alves, que conhece muito bem o adversário. Mas o Barça, apesar das oscilações e dos problemas defensivos, tem o tridente genial e a sensação de que pode tudo depois dos 6 a 1 sobre o PSG.

FAVORITO – Barcelona

 

 


Futebol “líquido” e calendário inchado. Esta conta não vai fechar
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André Rocha

gianni infantino

A proposta deste post é cruzar informações para provocar a reflexão.

Está no ótimo blog FastFut, de Celso Miranda, o protesto de Pep Guardiola contra a proposta de Gianni Infantino de aumentar de 32 para 48 o número de seleções na disputa da Copa do Mundo e a confirmação da UEFA, inclusive com divulgação do regulamento, da Liga das Nações: competição envolvendo 55 seleções europeias a ser disputada de quatro em quatro anos a partir de 2018.

E ainda podemos ter a ampliação do Mundial Interclubes para 16 ou 32 times. Sem contar a prática cada vez mais habitual dos clubes de levar os jogadores para períodos de pré-temporada com amistosos e torneios para cumprir os compromissos comerciais de clubes globais.

Com isso, podemos ter as principais estrelas do futebol mundial entrando em campo, dependendo do desempenho de seus clubes e seleções, mais de 80 partidas em uma temporada.

É legítimo pensar que profissionais que faturam milhões e vivem essa rotina por no máximo vinte anos têm mais é que trabalhar muito mesmo. Mas há algo acontecendo em paralelo dentro de campo que será um fator complicador.

Quem traz a ideia à tona é Marti Perarnau, catalão que escreveu “Guardiola Confidencial” e agora lança “Pep Guardiola – La Metamorfosis”.

Segundo a visão do jornalista, corroborada por Paco Seirul lo, ex-preparador físico do Barcelona e agora responsável pela metodologia de treinamento do clube, o Barcelona não seria um time sólido, mas “líquido”.

As aspas estão na coluna de André Kfouri para a Editora Grande Área: “Os líquidos são menos vulneráveis do que os sólidos. Do sólido, pode-se conhecer tudo, inclusive seus pontos débeis. Você golpeia um ponto débil e o quebra. O líquido, não”. Leia o texto completo AQUI.

Líquido tem a ver com fluidez. E para fluir no futebol atual precisa ser jogado de memória, com movimentos mecanizados e numa velocidade cada vez maior. Um jogo mais rápido através de passes e deslocamentos. Sem a bola, reação imediata: “perde e pressiona”. A resposta cada vez mais rápida e intensa.

Esse futebol “líquido”, alucinante já se vê na Premier League e na Bundesliga com o Liverpool de Jurgen Klopp, o Borussia Dortmund de Thomas Tuchel, o Chelsea de Antonio Conte, o surpreendente Leipzig e outros.

O ponto não está na quilometragem percorrida pelos atletas. Não deve ultrapassar os 15 quilômetros por partida. A complexidade é aumentar exponencialmente as ações de alta intensidade. Ou seja, os sprints, a explosão da mudança de comportamento no momento com a bola e, logo após a perda, o pique para abafar a saída do adversário. Também a movimentação, a mudança de direção para fugir da marcação, entre outras.

No último parágrafo, Kfouri aborda a preparação física: “Além dos conceitos avançados e de sua aplicação em treinamentos que devem acompanhar a necessidade de novos objetivos, uma das fronteiras do jogo do futuro é a questão física. O nível de exigência para que jogadores sejam capazes de “liquidificar” times é brutal. Talvez seja por isso que técnicos como Guardiola, Klopp, Tuchel e Antonio Conte sejam obsessivos com a preparação nutricional e o descanso de seus atletas. O futebol líquido exigirá máquinas para processá-lo”.

Descanso. Preocupação dos técnicos com a QUALIDADE do jogo que vai de encontro aos interesses das federações que fazem política e querem aumentar a QUANTIDADE de partidas.

Por isso o protesto de Guardiola, que também quer o seu Manchester City com fluidez no jogo. Para fluir precisa treinar e memorizar. Exercício também mental. Mas como, sendo obrigado a viajar e dividir ainda mais a atenção com as seleções envolvidas em mais competições?

Tudo isso temperado com pressão cada vez maior por resultados. Jogadores milionários e midiáticos não devem ser mimados nem tratados como vítimas. Só que a exigência está desproporcional.

Porque com a evolução do esporte no mais alto nível não há mais a menor chance de usarmos aquela tese de mesa de bar: “Amadores jogam seis peladas por semana e não se cansam”. O futebol “líquido” já está aumentando exponencialmente a distância competitiva entre jogos e brincadeiras entre amigos.

Ou seja, esta conta não vai fechar. Guardiola sugere o aumento do número de substituições para rodar o elenco. Ajudaria, mas não parece o suficiente.

Como será o amanhã? Com clubes se rebelando contra FIFA e UEFA a ponto de partir para a desfiliação, organizando as próprias competições e negociando com mais autonomia a cessão de seus jogadores para as seleções? Difícil prever.

A única certeza é que o cenário que se apresenta com mais jogos cada vez mais intensos fica nebuloso para atletas e, consequentemente, para o espetáculo em si, que precisa de bilheteria e grana da TV. Se jogadores já se arrastam nas disputas de Copa do Mundo, Copa América e Eurocopa logo depois das temporadas europeias, a tendência é piorar.

Porque jogadores não são máquinas. Voltando ao  FastFut, palavras de Guardiola: “Os jogadores não descansam e vivem constantemente sobre pressão, ninguém pode ser saudável e ter um bom desempenho dessa forma.”

Será preciso alguém morrer em campo para que eles enfim sejam a prioridade como protagonistas e não engravatados no conforto de suas salas com ar condicionado? Tomara que não.


Real 2×2 Dortmund – Mais um jogaço didático para técnicos brasileiros
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André Rocha

O colega Mauro Cezar Pereira levantou a bola na ESPN Brasil e Tostão reforçou em sua coluna na Folha de São Paulo. Na entressafra de treinadores no Brasil é salutar para jovens e experientes a atenção ao que acontece nos principais centros do planeta.

Como os 3 a 1 do Chelsea sobre o City em Manchester no sábado pela Premier League. Mais interessante tática e até tecnicamente que o superclássico na Espanha entre Barcelona e Real Madrid.

No encerramento da fase de grupos da melhor competição de clubes do mundo, o empate entre Real Madrid e Borussia Dortmund no Santiago Bernabéu foi mais um bom exemplo de uma disputa em alta velocidade, muita intensidade e variações táticas.

A começar pelo avanço do lateral Schemlzer como ala pela esquerda e deixando Bartra aberto na cobertura e Piszczek mais plantado à direita, quase como um terceiro zagueiro. A ideia era aproveitar a organização defensiva do Real em duas linhas de quatro para criar superioridade numérica no meio com Schurrle, em tese o meia aberto à esquerda, centralizando para junto com Gonzalo Castro e Weigl fazer três contra dois diante de Casemiro e Modric. Criar o “homem livre”.

Mas havia um efeito colateral: Schmelzer avançava, não era tão efetivo na frente e na transição defensiva do time alemão abria um buraco pela esquerda que Bartra chegava tarde na cobertura e por ali passavam Lucas Vázquez ou James Rodríguez, Cristiano Ronaldo e Carvajal, que serviu Benzema no primeiro gol do jogo.

Equipes pressionando a saída de bola, jogando com setores próximos e acelerando para surpreender. Jogo aberto no primeiro tempo com posse de bola dividida e cinco finalizações para cada lado, mas quatro na direção da meta de Weindenfeller e apenas duas no alvo do Dortmund.

Mesma toada na volta do intervalo, com o time merengue pressionando o jovem Julian Weigl, que qualifica os passes na saída da defesa. Ora com Modric, ora com James.

O Dortmund minimizou os danos na retaguarda definindo uma linha de quatro com Schmelzer mais fixo. O Real respondeu mais forte pela esquerda, com as descidas de Marcelo e as trocas dos ponteiros. Jogada pelo setor, outro gol de Benzema. Jogo definido? Nem tanto.

Porque Zidane trocou o esgotado Modric por Toni Kroos, vindo de longa inatividade e sobrecarregando Casemiro, um dos melhores em campo. Thomas Tuchel melhorou a produção na frente com Emre More no lugar de Schurrle e Marco Reus na vaga de Pulisic. Dembélé foi para o lado direito, onde rende mais que centralizado. Depois Sebastian Rode substituiu Castro e reoxigenou o meio.

Mas o grande acréscimo na frente foi Reus, que seria titular absoluto não fosse a infelicidade de lesões seguidas. Um dos mais talentosos atacantes da Europa. Pelo centro, passou a dividir as atenções da marcação com Aubameyang e o Dortmund cresceu, mesmo correndo riscos. Inclusive um incrível gol perdido por Cristiano Ronaldo, que não consegue chegar aos 96 gols na Champions.

Gol de Aubameyang, empate no final com Reus. O Real tentou um abafa com Morata, que entrou no lugar de Benzema, e Cristiano Ronaldo na área rival. Jogaço de quinze finalizações contra doze, equilíbrio na posse. Grandes defesas de Weindenfeller e Keylor Navas.

Os times fazem história. O Real Madrid de Zidane aumenta a invencibilidade para 34 partidas e iguala a marca da temporada 1988/89. Com a segunda colocação, foge de Bayern de Munique e Manchester City. As bolinhas do sorteio costumam ser generosas com o time de Madrid.

Já o Dortmund alcança o recorde de gols numa fase de grupos da Liga dos Campeões: 21 gols em seis partidas, média superior a três por partida. Ajudaram a construir a liderança do grupo.

Sanha ofensiva, variações táticas, dois grandes times do continente e do planeta. Material obrigatório para observação e estudo. Para seguir antenado, sem “vanguarda” apenas no discurso.

(Estatísticas: UEFA)


Bundesliga “de um time só”? Só se ele for competente
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André Rocha

O Bayern de Munique sofreu por 25 minutos em Dortmund contra um Borussia que impressionou pela intensidade máxima e as muitas variações táticas partindo de uma base no 3-1-4-2 montado por Thomas Tuchel.

Três zagueiros, Weigl à frente da defesa. Piszczek e Schmelzer ora laterais, ora alas abrindo bem o jogo. Gotze e Schurrle trabalhando no meio e aparecendo na frente formando praticamente um quarteto ofensivo com Adrian Ramos e Aubameyang, autor do gol único da partida.

Vantagem que fez o time da casa manter a proposta por mais algum tempo e depois recolher as linhas naturalmente, na maior parte do tempo com cinco atrás.

Trocando passes, o time bávaro começou a ter o controle do jogo. Algo que falta muitas vezes ao ritmo insano do Dortmund, que tentava o contragolpe, a bola batia e voltava para ser trabalhada pelo rival.

No 4-3-3, o time de Carlo Ancelotti se instalou no campo de ataque. Sem Vidal, perdeu a variação para as linhas de quatro com Muller fazendo a diagonal e se juntando a Lewandowski. O time fica mais engessado, menos imprevisível, o que dificulta a jogada que cria a chance cristalina.

No segundo tempo, mais pressão com Douglas Costa na vaga de Kimmich abrindo bem na ação ofensiva, quase colado na linha lateral para Muller centralizar, e fechando o meio na recomposição. Rafinha entrou no lugar de Lahm e Renato Sanches substituiu Xabi Alonso, que acertou o travessão de Burki, ótimo goleiro suíço que trabalhou muito.

Mas, a rigor, foram apenas três finalizações do Bayern no alvo em um universo de 18. Quatro do Dortmund, mesmo concluindo apenas onze e tendo 38% de posse. Eficiência.

E competência que deixa uma lição para o atual tetracampeão alemão: a Bundesliga, e qualquer campeonato de alto nível, só pode ser “de um time só” apenas se esta equipe for a melhor em desempenho e resultados. Senão a distância diminui ou simplesmente desaparece.

Em onze rodadas quem está na frente com campanha invicta é o debutante Leipzig, o “Expresso do Oriente”. Quer conhecer mais sobre esta surpresa? Clique AQUI


Jogaço e empate entre a tradição e o futebol do futuro em Dortmund
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André Rocha

O técnico Thomas Tuchel é um produto do segundo desdobramento da revolução de ideias do futebol nos últimos oito anos.

A primeira consequência do impacto de Guardiola no Barcelona foram as respostas de treinadores experientes e já consolidados no mercado, como Mourinho, Ancelotti e Heynckes, além de Klopp.

Tuchel cresceu já dentro deste cenário e sua busca é de combinar conceitos para evoluir e surpreender. Seu Borussia Dortmund mantém a intensidade na frente dos tempos de Kloop, mas insere o jogo de posição de Guardiola.

Como? Trocando passes com paciência e organização desde a defesa até se instalar no campo de ataque. Com os jogadores mais próximos, essa bola gira até encontrar uma zona de superioridade numérica ou de fragilidade do adversário para acelerar com tabelas e triangulações rápidas e envolventes até a finalização.

Não por acaso a boa temporada passada que trouxe a equipe de volta à Liga dos Campeões. Nem os 20 gols nos últimos quatro jogos e a disputa ponto a ponto pela liderança da Bundesliga com o gigante Bayern de Munique.

Porque cria um volume de jogo sufocante, já que inicia a pressão assim que perde a bola e as linhas estão adiantadas com jogadores próximos. É roubar a bola e seguir atacando. Vanguarda que pode ser uma das portas para o que será jogado daqui para frente.

Diante do Real Madrid sem Casemiro na proteção da retaguarda e com Danilo improvisado na lateral-esquerda por conta da ausência de Marcelo, imaginava-se um arrastão amarelo no Signal Iduna Park. Só que o atual campeão continental não é uma equipe qualquer. Tem talento, experiência e o peso da camisa que também conta em momentos chave do confronto para evitar o massacre.

Não que o Dortmund tenha se intimidado. Impossível na proposta de jogo de Tuchel. No primeiro tempo foram 63% de posse, oito finalizações contra duas do time merengue. Mas a de Cristiano Ronaldo foi às redes abrindo o placar em bela combinação do ataque. Mesmo longe da melhor condição física e após uma semana tensa, a eficiência nas finalizações do português segue absurda.

Zidane plantou James Rodríguez, Modric e Kroos quase em linha para proteger a defesa e compensar a ausência do volante brasileiro que dá equilíbrio ao time. Nem sempre conseguiu, porque a equipe alemã avançava com os laterais Piszczek e Schmelzer, mais os meias Castro e Gotze por dentro, Dembélé e Guerreiro nas pontas e Aubameyang na frente.

Artilheiro gabonês que achou o empate na falha de Keylor Navas, depois de duas boas defesas do goleiro vindo de inatividade. Logo em um momento de mais controle do jogo do Real e menos intensidade do adversário.

Borussia com sua proposta que adianta linhas e acelera na frente, mas deixando espaços para o Real Madrid que respondeu com experiência e compactação, com Bale voltando para ajudar James, Modric e Kroos (Tactical Pad).

Borussia com sua proposta que adianta linhas e acelera na frente, mas deixando espaços para o Real Madrid que respondeu com experiência e compactação, com Bale voltando para ajudar James, Modric e Kroos (Tactical Pad).

Senha para um atropelamento dos donos da casa na segunda etapa? Não contra o Real que sabe se defender e sempre deixa claro para os adversários que se deixar espaços os contragolpes com o trio BBC podem ser letais. Ou ir às redes na jogada aérea, normalmente com Sergio Ramos. Desta vez com Varane.

Tuchel fez sua equipe recuperar ritmo e jogo vertical com Pulisic e Schurrle nas pontas e Emre Mor atrás de Aubameyang. Zidane trocou apenas James Rodríguez por Kovacic, reagrupando o meio com Kroos centralizado e plantado, Modric se adiantando. Só no final tirou Benzema e mandou a campo Morata.

Com rapidez e intensidade pelos flancos após as entradas de Pulisic e Schurrle, o time de Dortmund pressionou até empatar contra um Real que ameaçou nos contragolpes e se defendeu melhor com Kovacic na vaga de James Rodríguez (Tactical Pad).

Com rapidez e intensidade pelos flancos após as entradas de Pulisic e Schurrle, o time de Dortmund pressionou até empatar contra um Real que ameaçou nos contragolpes e se defendeu melhor com Kovacic na vaga de James Rodríguez (Tactical Pad).

Até a jogada de Pulisic e o empate com Schurrle. Resultado mais adequado ao que aconteceu na partida. Saldo final: 59% de posse do Dortmund, 19 finalizações contra 11 – onze a quatro no alvo. Quatro pontos para cada um dos favoritos às vagas no Grupo F, apesar do bom futebol do Sporting.

Empate entre a tradição e o futebol do futuro num jogaço.

(Estatísticas: UEFA)


No novo Bayern de Carlo Ancelotti, Muller será Cristiano Ronaldo. Entenda
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André Rocha

É injusto afirmar que o Bayern de Munique na passagem de bastão de Guardiola para Carlo Ancelotti será um time essencialmente pragmático levando em conta a atuação na Supercopa da Alemanha.

Porque o time bávaro comandado pelo catalão já sofreu e jogou nos contragolpes em Dortmund contra o Borussia. Inclusive com cinco na defesa e abrindo mão da bola diante da pressão das equipes de Jurgen Klopp e Thomas Tuchel.

Mesmo enfrentando um Dortmund sem Gundogan, Mkhitaryan e Hummels, agora no time de Munique. Ainda não podendo contar com Gotze e Schurrle, que ficaram no banco. Nunca é fácil enfrentar um time que, independentemente da formação, sempre tenta combinar posse de bola, velocidade na transição ofensiva e pressão na saída adversária.

O Bayern respondeu com maturidade. Também equilíbrio, marca de Ancelotti em suas equipes que sempre tentam combinar qualidade técnica e praticidade. O italiano não é um gênio criador como Guardiola. Prefere administrar dentro e fora de campo. Observador e inteligente, transita entre os dois mundos: o da posse e o do jogo reativo.

No Signal Iduna Park enfrentou a Muralha Amarela colocando em campo o que tinha de melhor à disposição. Javi Martinez foi soberbo na vaga de Boateng na zaga ao lado de Hummels. Lahm de volta à lateral, sem as funções de articulador dos tempos de Guardiola.

No desenho tático, trouxe uma variação que deu certo no Real Madrid: do 4-3-3 para o 4-4-2 sem a bola. Cristiano Ronaldo era o ponta que virava atacante na recomposição com o centroavante (Benzema) para guardar energias visando os contragolpes. Ideia de Paulo Bento na seleção portuguesa que disputou a Eurocopa em 2012.

No Bayern é Muller quem abre pela direita quando a equipe ataca e fica à frente com Lewandowski. No Real, Di Maria, depois James Rodríguez, abria para fechar o corredor esquerdo e Bale voltava do lado oposto para formar a linha de quatro. Agora Vidal sai do meio para a direita e Ribéry retorna à esquerda com Xabi Alonso e Thiago Alcântara centralizados.

No contragolpe, o francês acionou Lewandowski às costas da defesa, Muller fechou em diagonal e Vidal recebeu pela direita para abrir o placar. Depois Muller fechou os 2 a 0 que garantiu a sexta conquista do torneio de jogo único para o Bayern na bola parada.

Flagrante do início do contragolpe do primeiro gol: Ribéry vai acionar Lewandowski, Muller, que está mais adiantado, infiltra e Vidal se descola da linha de quatro no meio para aparecer pela direita e finalizar (reprodução ESPN Brasil).

Flagrante do início do contragolpe do primeiro gol: Ribéry vai acionar Lewandowski, Muller, que está mais adiantado, infiltra e Vidal se descola da linha de quatro no meio para aparecer pela direita e finalizar (reprodução ESPN Brasil).

Contra-ataque e jogada aérea. Duas armas do novo Bayern que compensaram as 20 finalizações do Dortmund contra apenas nove dos visitantes, que tiveram apenas 45% de posse.

Assim deve ser o gigante alemão sob o comando de Ancelotti. Menos mutante, mas com uma variação marcante. Muller será Cristiano Ronaldo, ao menos taticamente. Não por acaso, o novo chefe autorizou um prolongamento das férias e exigiu a permanência de Muller na equipe de Munique.

O Bayern espera repetir o Real Madrid e voltar a vencer a Liga dos Campeões com o técnico tricampeão continental.

No Real Madrid, versão 2014/15, Bale voltava à direita e James Rodríguez fechava o corredor esquerdo para liberar Cristiano Ronaldo. Ancelotti agora leva a ideia para o Bayern de Munique (reprodução ESPN Brasil).

No Real Madrid, versão 2014/15, Bale voltava à direita e James Rodríguez fechava o corredor esquerdo para liberar Cristiano Ronaldo. Ancelotti agora leva a ideia para o Bayern de Munique (reprodução ESPN Brasil).


A maior vitória de Jürgen Klopp foi depois que a bola parou em Anfield
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André Rocha

O Liverpool conseguiu a mais impressionante virada dos duelos de quartas-de-final das competições europeias. Levou 2 a 0 em oito minutos, em falhas de Coutinho e Roberto Firmino. Mkhitaryan e Aubameyang. O Borussia Dortmund parecia naquelas noites imparáveis.

Esperança com Origi no início do segundo tempo. Tudo pareceu ruir na bela finalização de Marco Reus. Mas o gol da redenção de Coutinho abriu o caminho para um “abafa” irresistível e Sakho e Lovren arrancando a vitória improvável. Na paixão. Apoteose no Anfield Road.

Jogo de muitos gols, não por acaso. Times intensos, que pressionam o adversário assim que perdem a bola, em qualquer pedaço do campo. Bola roubada, ataques rápidos e práticos. Futebol vertical. No volume máximo.

Produtos do técnico mais rock’n’roll do planeta. Jürgen Klopp. Franco, espontâneo. Às vezes insano. Com a santa pureza dos loucos.

Um cara legal, dos mais queridos no meio do futebol. A ponto de lembrar de sua torcida por sete anos logo depois de uma vitória espetacular. A solidariedade rendeu aplausos dos dois lados. Uma cena para arrancar lágrimas de quem ama esse esporte. Um triunfo maior que o placar final do jogo e do confronto. A certeza que nunca caminhará sozinho.

Desde o minuto de silêncio em homenagem às vítimas de Hillsborough, uma aula de civilidade e respeito numa atmosfera de pura eletricidade. Este que escreve não tem complexo de vira-latas nem considera melhor tudo que vem da Europa. Mas neste quesito perdemos de 77 a 1.

No lugar do técnico alemão, depois do jogo, iria para casa com a certeza de que na vida o que vier agora é lucro. Os Reds estão nas semifinais da Liga Europa. Mas o grande vencedor da noite em Liverpool foi Jürgen Klopp.


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