Blog do André Rocha

Arquivo : borussiadortmund

Bayern de Heynckes merece respeito, mas será difícil repetir feito de 2013
Comentários Comente

André Rocha

A expulsão de Domagoj Vida aos 16 minutos obviamente tornou ainda mais desigual o confronto na Allianz Arena e o Besiktas de Vágner Love não tinha como resistir. Com os 5 a 0 construídos com o primeiro gol, de Thomas Muller, no final do primeiro tempo e mais quatro no segundo  – outro do camisa 25, dois de Lewandowski e um de Coman – o Bayern de Munique encaminhou a vaga nas quartas de final da Liga dos Campeões.

Mais que isso, aumenta a série de vitórias para 14 desde a derrota por 2 a 1 para o Borussia Monchengladbach. A única de Jupp Heynckes desde que deixou a aposentadoria aos 72 anos para suceder Carlo Ancelotti até o final da temporada – até aqui sem chances de renovação de contrato.

No total, 22 triunfos, um único revés e só um empate , contra o Leipzig pela Copa da Alemanha, mas com classificação na disputa por pênaltis. 63 gols marcados, quase três por jogo, e 17 sofridos, menos de um por partida. Impressionantes 93% de aproveitamento que aumentam a esperança de repetir a tríplice coroa de 2012/2013. Com um time inesquecível para os bávaros e marcante para o futebol mundial, mesmo que por apenas uma temporada.

Porque foi o “pai” do futebol por demanda. O time alemão era um camaleão, perfeitamente adaptável às necessidades de cada jogo. Sabia jogar na paciência com posse ou na fúria com agressividade e muita velocidade. Atropelou o Barcelona na semifinal da Liga dos Campeões com 7 a 0 no agregado e menos de 40% de posse de bola na média.

A equipe atual também é fléxivel. Pode trocar passes no ritmo de James Rodríguez ou abusar das jogadas pelos flancos, como na segunda etapa para cansar e abrir o Besiktas: Robben e Coman nas pontas fazendo duplas com Kimmich e Alaba procurando Muller e Lewandowski na área.

Na Bundesliga sobra com 19 pontos de vantagem no topo da tabela e liderando em posse, acerto de passes e finalizações. No torneio continental é top 5 em tempo com a bola, aproveitamento nos passes e vitórias no jogo aéreo. Também lidera nas finalizações.

No duelo mais forte até aqui, impôs os mesmos 3 a 1 sobre o PSG que o Real aplicou na semana passada. Ainda que os dois estivessem classificados, o jogo foi tratado como teste importante e o time alemão mostrou força. Tolisso foi destaque e ontem começou no banco entrando na segunda etapa. O elenco é robusto.

No entanto, mesmo com todos os predicados listados acima, a missão agora é mais complicada do que há cinco anos.

Primeiro porque não existe a “fome” daquela época. O Bayern havia perdido na temporada anterior a final da Champions em casa para o Chelsea nos pênaltis e sofreu com o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp bicampeão alemão. Havia motivação também nos jogadores que formavam a base da seleção em busca da conquista que consagraria essa geração. No ano anterior, eliminação na semifinal da Eurocopa para a Itália.

Agora há um título mundial no currículo dos que seguem no clube, mais um pentacampeonato nacional caminhando para um inédito hexa. Heynckes também não conta com dois pilares fantásticos: Lahm e Schweinsteiger. Praticamente insubstituíveis. Sem contar a ausência do lesionado Neuer, mesmo com as boas atuações do goleiro Sven Ulreich.

Mas principalmente por não haver no país um rival tão forte como era o Dortmund. Vice alemão com 25 pontos a menos, mas finalista da Liga dos Campeões. Ou seja, alguém para medir forças e subir o nível. Agora não existe este opositor, tanto que não há outro alemão disputando o mata-mata. A falta de concorrência tem atrapalhado quando o principal torneio de clubes do planeta afunila.

Ainda assim é bom respeitar o velho Heynckes e sua química com a equipe de Munique. De novo sem alarde e o poder midiático dos tempos de Pep Guardiola, mas com camisa e qualidade para desafiar qualquer um na Europa. Quem sabe para consagrar de novo a aposentadoria do treinador?

(Estatísticas: WhoScored.com)

 


Fim da invencibilidade do City no jogo “maluco” com assinatura de Klopp
Comentários Comente

André Rocha

A melhor definição que este que escreve já leu sobre Jurgen Klopp é de “técnico rock and roll”. Tudo a ver com o estilo apaixonado do alemão. Intensidade, comunhão com a torcida, carisma, alegria. Um “maluco beleza”.

Por isso seus times costumam ser fortes em seus domínios pela atmosfera criada. Não é por acaso que Pep Guardiola quase sempre encontre dificuldades quando sua equipe enfrenta os times de Klopp, desde os duelos entre Bayern de Munique x Borussia Dortmund. Porque a motivação de enfrentar “o melhor treinador do mundo”, nas palavras do próprio comandante dos Reds, cria essa “loucura”. Sem controle.

Foi o que se viu nos 4 a 3 impostos pelo Liverpool no Anfield Road encerrando a invencibilidade do Manchester City em 23 rodadas. Início com intensidade máxima e gol logo aos oito minutos, no chute cruzado de Oxlade-Chamberlain, o meia pela direita no 4-3-3 do time da casa. Em tese, o substituto de Philippe Coutinho. Um dos destaques da partida.

Mas o líder absoluto da Premier League não é um time qualquer e, mesmo incomodado na saída de bola e com Fernandinho errando mais que o habitual, respondeu ocupando mais o campo de ataque e girando a bola. Na falha de Joe Gomez, a inversão de Walker encontrou Sané. Bela jogada do ponteiro alemão e chute forte entre a trave e o goleiro Karius. Uma das duas finalizações no alvo num total de quatro nos primeiros 45 minutos em que os citizens recuperaram o controle da bola e chegaram a 57% de posse.

O Liverpool finalizou oito, mas também um par na direção da meta de Ederson. Eficiência que deu um salto dos 15 aos 23 minutos com belos gols de Roberto Firmino, Mané e Salah. O mais bonito do brasileiro em lindo toque de cobertura. Incrível como é subestimado no Brasil por não ter história em um grande clube daqui. Pelo desempenho já pode questionar até titularidade no centro do ataque.

Pressão, bola roubada e contragolpe mortal. Futebol no volume máximo do time de Klopp. Gols na sequência que sempre baqueiam os times de Guardiola pela perda do domínio.

Mas mesmo com o desgaste físico por rodar menos o elenco nos jogos seguidos na virada do ano, já que conta com elenco curto e desfalcado, o City se entregou à “viagem” do jogo e assumiu o risco do bate-volta típico do Inglês que o time de Guardiola vem administrando melhor na temporada. O treinador catalão tirou Delph por lesão e colocou Danilo e depois trocou Sterling, novamente mal contra seu ex-time, por Bernardo Silva, autor do segundo gol.

Gundogan foi mais volante ao lado de Fernandinho do que meia alinhado a Kevin De Bruyne no meio-campo, alterando o desenho do time de Manchester para 4-2-3-1. Mas estava na área para marcar o terceiro e criar uma tensão em Anfield até a testada com perigo de Aguero, impedido, no lance final.

Foram 16 finalizações do anfitrião contra 11 dos visitantes, que tiveram 64% de posse. Cenário de equilíbrio relativo, definido pela maior eficiência nos momentos de superioridade e menos erros quando dominado.

O que parecia trágico se transformou numa reação digna para não abalar tanto o City. Apesar das 17 partidas sem vencer os Reds fora de casa e as seis derrotas de Guardiola contra Klopp. O triunfo do Liverpool teve a assinatura do alemão num jogo “maluco”.

(Estatísticas: BBC)


Se fosse só dinheiro, Palmeiras ou Flamengo estariam no lugar do Grêmio
Comentários Comente

André Rocha

Transformação curiosa ocorreu depois do apito final do Mundial de Clubes em Abu Dhabi. Os mesmos que viam o Grêmio com condições de jogar de igual para igual e vencer o Real Madrid, que nas comparações posição por posição – algo cada vez mais sem sentido em um futebol cada vez mais coletivo – faziam projeções equilibradas (6×6, incluindo Renato Gaúcho melhor treinador que Zidane), de repente passaram a questionar o abismo de qualidade entre os clubes da Europa e os demais e sugerir até a mudança na fórmula de disputa da competição.

Entre os motivos apresentados, o mais presente é o poderio financeiro. Inegável, obviamente. Mas a própria temporada no Brasil mostrou que futebol não se faz só com dinheiro. Se fosse assim, Palmeiras ou Flamengo, que também disputaram a Libertadores, estaria no lugar do Grêmio. Nem é preciso apelar para a frieza dos números para provar a distância nos valores das receitas. E se colocarmos no bolo os demais clubes sul-americanos a vantagem é ainda maior. Mas só voltamos a vencer agora, depois de três anos sequer chegando à decisão.

Há muita competência na supremacia recente na Europa de Barcelona e Real Madrid. Passa por Messi e Cristiano Ronaldo, mas não só eles. São clubes que sabem vender sua marca para o mundo, construir uma identidade. A ponto de conquistar a preferência de jovens como Vinicius Júnior em detalhes como a força do time no videogame. Se outro time iguala a proposta, o menino prefere os gigantes espanhois.

Porque construíram times que estão entre os melhores da história dos clubes. Mas também já torraram muito dinheiro sem conseguir formar uma equipe competitiva. Basta lembrar o Real galáctico do início do século, ou mesmo o do primeiro ano da Era Cristiano Ronaldo, que não conseguiu superar as oitavas de final da Liga dos Campeões.

A resposta precisa vir no campo. Mesmo nesta fase gloriosa da dupla, em 2014 falharam na liga nacional e viram o Atlético de Madri campeão espanhol. Assim como o Bayern de Munique, soberano na Alemanha, viu o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp ser bicampeão com orçamento bem inferior. Para não falar do Leicester City na Inglaterra no ano passado.

Por mais que o Grêmio tenha mostrado um futebol ofensivo e atual em 2017, ainda é um mero rascunho diante das equipes mais qualificadas do planeta. O Real, com a cabeça no Barcelona e freio de mão puxado, conseguia numa rápida ação de perder e pressionar retomar com facilidade. A circulação da bola é mais inteligente, fluida. Há mais leitura de jogo coletivo. Basta ver Modric em campo. A bola mal saiu de seus pés e o croata já se transforma em opção de passe no espaço certo.

Aqui a visão é ainda simplista: quem tem dinheiro compra os melhores e vence. Uma noção de futebol fragmentada e muito focada no individual. Só se falou na atuação ruim de Luan. Mas sua movimentação entre as linhas defensivas do adversário por aqui é mais facilmente bloqueada por quem está acostumado a enfrentar Messi, Neymar, De Bruyne e outros craques.

Por isso e tantos outros motivos o Kashima Antlers foi um adversário mais perigoso para o Real Madrid no ano passado. Vitória por 4 a 2, mas só na prorrogação. Arthur fez falta ao Grêmio, sim. Mas nunca saberemos se ele seria outro a sentir os efeitos deste abismo, ainda mais no setor de Casemiro, Modric, Kroos e Isco.

Nosso último título mundial veio pela feliz coincidência de termos o Corinthians de Tite, time mais sólido e organizado desta década, enfrentando o Chelsea que não era o melhor europeu nem quando venceu a Liga dos Campeões, estava em declínio sob o comando de Rafa Benítez e, ainda assim, fez do goleiro Cássio o melhor em campo. Méritos inegáveis dos brasileiros, mas o contexto há cinco anos ajudou.

Não adianta pregar ódio ao futebol moderno, ao menos dentro de campo. O esporte se transformou e não há como fugir. Precisamos evoluir na mentalidade, ter humildade. Não rir do nível técnico de outras ligas, especialmente a francesa, quando a nossa é desprezada pelo mundo. Por mais eurocentrista que seja o povo do Velho Continente, é ridículo que eles saibam tão pouco do Grêmio tricampeão sul-americano.

Que os clubes peitem a CBF, que só quer saber de vender a imagem da seleção brasileira. Que os profissionais se qualifiquem, aceitem que precisam aprender e não podem mais deixar tudo por conta do talento individual. Que os times criem uma identidade e a desenvolvam desde as divisões de base.  Que tomemos decisões mais técnicas e menos políticas e manchadas por corrupção em todos os níveis. Mais meritocracia e menos grife na hora de contratar. E, principalmente, que deixemos esse mimimi “ah, eles são ricos e nós os pobres neste mundo injusto e cruel!”

Ninguém vai revogar a Lei Bosman e dificilmente o real valerá mais que o euro ou o dólar. Ainda assim, podemos fazer melhor, sermos mais competitivos. Dar trabalho e não passar a vergonha de apenas uma finalização gremista na decisão do Mundial com o Real em ritmo de treino na maior parte do tempo. É muito pouco.

Não adianta encher a boca para falar dos cinco títulos em Copas do Mundo e esquecer que a grandeza do futebol de um país se mede pela força de seus clubes. A nós, jornalistas, cabe a tarefa de cobrar e conscientizar e não jogar para a galera um mundo fantasioso de “eles não são isso tudo!” e “isso aqui é Brasil!” É sedutor falar ou escrever o que o torcedor quer ouvir/ler, mas em nada contribui para o desenvolvimento do esporte.

Que o passeio do Real não seja minimizado pelo placar magro. O Grêmio teve dignidade, mas jogou mal. Porque o adversário é superior e não deixou, mas também porque as ideias para fazer melhor ainda são pobres. Não é só dinheiro, definitivamente. Só não vê quem não quer.


Real Madrid, Zidane e a nova era do futebol por demanda
Comentários Comente

André Rocha

O Barcelona sofre tentando criar alternativas ao seu estilo de posse de bola após encontrar algumas boas respostas no auge do trio Messi-Suárez-Neymar em 2015, mas agora vivendo uma queda brusca. Pep Guardiola quebra a cabeça para adequar seus princípios de jogo outrora inegociáveis ao futebol jogado na Inglaterra. O Atlético de Madri de Simeone e José Mourinho com o Manchester United buscam alternativas para os momentos em que suas equipes precisam criar espaços porque têm a posse diante de equipes de menor investimento.

Jurgen Klopp e seu sucessor no Borussia Dortmund Thomas Tuchel tentaram encontrar a saída na intensidade máxima, nas transições contínuas baseadas no “gegenpressing”, mas penam com o mesmo problema que Marcelo Bielsa convive há pelo menos uma década: seus comandados não suportam tamanha a exigência física e mental.

O “futebol líquido”, conceito de Paco Seirul lo que consta no livro “Guardiola, a Metamorfose”, de Marti Perarnau e traduzido pela Editora Grande Área, ainda é algo fascinante no campo das ideias e provavelmente o veremos no futuro, com times fluidos, atacando e defendendo por todos os lados com ações mecanizadas, jogando de memória. Como alguém nascido no século 20, este que escreve ainda acredita que o talento é e será sempre fundamental.

Jupp Heynckes, em seu último ato como treinador, iniciou um processo de combinação de estilos com o Bayern de Munique campeão de tudo em 2013. Segunda equipe com mais posse de bola na Europa que pulverizou a primeira, o Barcelona, com 7 a 0 no placar agregado da semifinal da Liga dos Campeões com média de 40% de tempo com a bola.

No ano seguinte, Carlo Ancelotti ensaiou a melhor solução com o Real Madrid campeão de “La Decima”: um time híbrido, que se adapta bem ao ataque posicional, mas se for preciso acelera e é letal nos contragolpes. Mas naquele momento faltava entrosamento e um pouco de flexibilidade do trio BBC – Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo – um tanto duro, rígido, com a única variação do sistema tático: do 4-3-3 para o 4-4-2 com o recuo de Bale pela direita.

Zinedine Zidane assumiu em sua primeira oportunidade como treinador do time principal dos merengues resgatando as ideias do italiano, de quem era auxiliar técnico. Com a conquista da Liga dos Campeões e a possibilidade de planejar a temporada, foi amadurecendo, consolidando e aprimorando conceitos e agora parece chegar a algo novo. Mas não tanto assim.

Desde sempre times como Real Madrid jogam no campo de ataque na maioria das partidas. Cultura do clube, exigência da torcida, expectativa do adversário, da mídia, de todos. Apenas em alguns jogos, em contextos especiais, ou só quando constroi a vantagem no placar é permitido recuar linhas e jogar em contragolpes.

Só que dentro da dicotomia do futebol mundial nos últimos oito anos ou você era propositivo e ficava com a bola, ou reativo e explorava os espaços cedidos por quem decidia controlar o jogo com a posse. Com os estilos cada vez mais estudados, quem apresentava uma das ideias como filosofia quase imutável sofria quando precisava variar a proposta ou era surpreendido.

Como equipes pressionando a saída de bola do Barça e explorando os espaços às costas das retaguardas de Guardiola. Ou times dando a bola aos comandados de Mourinho e Simeone e explorando suas dificuldades.

O Real Madrid atual é mutante, “camaleão”. Se adapta ao que quer para o jogo ou ao que o adversário propõe. E pode mudar durante o jogo. Porque tem jogadores capazes de virar a chave sem que o treinador precise fazer alterações.

Carvajal e Marcelo podem jogar abertos no campo de ataque ou posicionados numa linha de quatro com Varane e Sergio Ramos, atentos na cobertura e no confronto direto com os atacantes do oponente se expostos ou fixos atrás, prontos também para o jogo aéreo, ofensivo ou defensivo.

No meio, Casemiro, Modric e Kroos. Se é preciso de requinte na saída de bola pressionada, o alemão recua para qualificar os passes, curtos ou longos. Se a necessidade é de proteção e imposição física lá está Casemiro, outra peça importante nas jogadas pelo alto. E se o jogo requer dinâmica, presença de área a área, acelerando ou cadenciando, Modric é completo. Versátil.

Isco foi o toque de Zidane para tornar tudo ainda mais fluido e mutável. É meia no 4-3-1-2, mas também é ponta fazendo dupla com o lateral. Indo e voltando. Se recua pela direita, Modric e Casemiro centralizam e Kroos fecha o lado esquerdo. Se volta à esquerda, Modric abre e Kroos fecha. Sempre em duas linhas de quatro.

Para liberar Cristiano Ronaldo e Benzema, que circulam por todos os setores do ataque. Ou Bale, que parece aceitar a reserva porque sabe que vai jogar muitas vezes. Zidane roda o elenco com naturalidade. Na temporada passada definindo titulares e reservas e mandando a campo dentro de um planejamento. De olho na meritocracia. Assim Isco virou titular.

Desta forma já começou a temporada 2017/2018 com dois títulos, num total de sete desde o início de 2016. Matando o Manchester United na Supercopa da Europa ficando com a bola. Depois encaminhou a Supercopa da Espanha com os 3 a 1 sobre o rival Barcelona jogando em transições rápidas e definiu o confronto com 2 a 0 no primeiro tempo e maior posse de bola que o time blaugrana pela primeira vez em nove anos.

Porque o jogo pedia. Basta ter leitura e inteligência e serenidade para tomar as melhores decisões, individuais ou coletivas. Capacidade de resolver problemas. Com bola rolando ou parada. Por baixo ou pelo alto. Entender a lógica da disputa e a melhor forma de superar o rival e construir vitórias e títulos com naturalidade.

Tudo sem abrir mão de conceitos atuais: compactação, pressão, preenchimento e ataque de espaços, jogo posicional, profundidade, amplitude, mobilidade. Temperados com mentalidade vencedora e confiança. Zidane não nasceu sabendo, nem é mágico. Mas sempre privilegiando a precisão técnica e em alguns momentos até deixando o adversário jogar. Como era num tempo distante que às vezes retorna em insights nesse vai e volta na linha do tempo.

Este é o Real Madrid de Zidane. O bicampeão europeu, líder de uma nova era do esporte que volta um pouco atrás para ser pragmático sem perder a leveza. Ofensivo e reativo, de acordo com o “freguês”. Dentro ou fora de casa. Nada mais simples e moderno, como ver a sua série favorita ou o time de coração na TV de casa ou em um dispositivo móvel. Como quiser e quando for possível.

Jogo de ataque e defesa descarnado de idealizações ou romantismos. É o futebol por demanda.


Quartas da Champions: duelos de gigantes e entre semelhantes
Comentários Comente

André Rocha

ATLÉTICO DE MADRID x LEICESTER CITY – Dureza para os dois times. Para o Atlético porque entra como favorito absoluto, obrigado a propor jogo e dar o contragolpe. Para o Leicester também, já que será azarão, mas não tanto como se encarasse um gigante como Bayern, Barcelona e Real Madrid.

Interessante para ver essa versão do time de Simeone, que ocupa o campo de ataque e valoriza mais a posse de bola no ritmo de Saúl Ñíguez, mas sem deixar de ser compacto e concentrado, diante do campeão inglês que só joga em velocidade, vai entregar tudo no trabalho defensivo para definir em casa com o melhor de Vardy e Mahrez.

FAVORITO – Atlético de Madrid

BORUSSIA DORTMUND x MONACO – Duelo de intensidade máxima e vocação ofensiva, com times se arriscando dentro e fora de casa. Porém sem tanto controle de jogo. Ou seja, quem abrir vantagem na ida sofrerá se quiser administrá-la na volta.

Dembelé e Aubameyang contra Bernardo Silva e Mbappé. Thomas Tuchel versus Leonardo Jardim. Confronto sem a pompa dos duelos de gigantes, mas que promete demais. Muitos gols. Time alemão leva pequena vantagem pela cancha maior na competição.

FAVORITO – Borussia Dortmund

BAYERN DE MUNIQUE X REAL MADRID – Simplesmente 16 títulos em campo. Carlo Ancelotti, o mentor e campeão de “la decima”, contra Zidane, o aprendiz e atual vencedor. Dois times com camisa e experiência. Mas é difícil imaginar alguma novidade tática, já que são treinadores mais administradores que construtores.

Mesmo que a marcação individual tenha ficado para trás, é impossível não imaginar duelos como Bale x Alaba e a luta no meio-campo com Casemiro, Modric, Kroos de um lado; Xabi Alonso, Vidal e Thiago Alcântara do outro. Mais Robben contra Marcelo. Quem controlar a posse não leva vantagem necessariamente. Aposta na “sede” dos bávaros de recuperar o domínio europeu e no retrospecto positivo no confronto.

FAVORITO – Bayern de Munique

BARCELONA X JUVENTUS – A reedição da final da temporada 2014/15. Mas desta vez com o time catalão sem a consistência da última conquista e a equipe que domina a Itália há tempos mais cascuda e querendo revanche da decisão no Estádio Olímpico de Berlim.

A Juve parece ter uma formação mais equilibrada, com Mandzukic sendo o centroavante que infiltra pela esquerda para se juntar a Higuaín e Dybala no centro e receber as bolas de Cuadrado e Daniel Alves, que conhece muito bem o adversário. Mas o Barça, apesar das oscilações e dos problemas defensivos, tem o tridente genial e a sensação de que pode tudo depois dos 6 a 1 sobre o PSG.

FAVORITO – Barcelona

 

 


Futebol “líquido” e calendário inchado. Esta conta não vai fechar
Comentários Comente

André Rocha

gianni infantino

A proposta deste post é cruzar informações para provocar a reflexão.

Está no ótimo blog FastFut, de Celso Miranda, o protesto de Pep Guardiola contra a proposta de Gianni Infantino de aumentar de 32 para 48 o número de seleções na disputa da Copa do Mundo e a confirmação da UEFA, inclusive com divulgação do regulamento, da Liga das Nações: competição envolvendo 55 seleções europeias a ser disputada de quatro em quatro anos a partir de 2018.

E ainda podemos ter a ampliação do Mundial Interclubes para 16 ou 32 times. Sem contar a prática cada vez mais habitual dos clubes de levar os jogadores para períodos de pré-temporada com amistosos e torneios para cumprir os compromissos comerciais de clubes globais.

Com isso, podemos ter as principais estrelas do futebol mundial entrando em campo, dependendo do desempenho de seus clubes e seleções, mais de 80 partidas em uma temporada.

É legítimo pensar que profissionais que faturam milhões e vivem essa rotina por no máximo vinte anos têm mais é que trabalhar muito mesmo. Mas há algo acontecendo em paralelo dentro de campo que será um fator complicador.

Quem traz a ideia à tona é Marti Perarnau, catalão que escreveu “Guardiola Confidencial” e agora lança “Pep Guardiola – La Metamorfosis”.

Segundo a visão do jornalista, corroborada por Paco Seirul lo, ex-preparador físico do Barcelona e agora responsável pela metodologia de treinamento do clube, o Barcelona não seria um time sólido, mas “líquido”.

As aspas estão na coluna de André Kfouri para a Editora Grande Área: “Os líquidos são menos vulneráveis do que os sólidos. Do sólido, pode-se conhecer tudo, inclusive seus pontos débeis. Você golpeia um ponto débil e o quebra. O líquido, não”. Leia o texto completo AQUI.

Líquido tem a ver com fluidez. E para fluir no futebol atual precisa ser jogado de memória, com movimentos mecanizados e numa velocidade cada vez maior. Um jogo mais rápido através de passes e deslocamentos. Sem a bola, reação imediata: “perde e pressiona”. A resposta cada vez mais rápida e intensa.

Esse futebol “líquido”, alucinante já se vê na Premier League e na Bundesliga com o Liverpool de Jurgen Klopp, o Borussia Dortmund de Thomas Tuchel, o Chelsea de Antonio Conte, o surpreendente Leipzig e outros.

O ponto não está na quilometragem percorrida pelos atletas. Não deve ultrapassar os 15 quilômetros por partida. A complexidade é aumentar exponencialmente as ações de alta intensidade. Ou seja, os sprints, a explosão da mudança de comportamento no momento com a bola e, logo após a perda, o pique para abafar a saída do adversário. Também a movimentação, a mudança de direção para fugir da marcação, entre outras.

No último parágrafo, Kfouri aborda a preparação física: “Além dos conceitos avançados e de sua aplicação em treinamentos que devem acompanhar a necessidade de novos objetivos, uma das fronteiras do jogo do futuro é a questão física. O nível de exigência para que jogadores sejam capazes de “liquidificar” times é brutal. Talvez seja por isso que técnicos como Guardiola, Klopp, Tuchel e Antonio Conte sejam obsessivos com a preparação nutricional e o descanso de seus atletas. O futebol líquido exigirá máquinas para processá-lo”.

Descanso. Preocupação dos técnicos com a QUALIDADE do jogo que vai de encontro aos interesses das federações que fazem política e querem aumentar a QUANTIDADE de partidas.

Por isso o protesto de Guardiola, que também quer o seu Manchester City com fluidez no jogo. Para fluir precisa treinar e memorizar. Exercício também mental. Mas como, sendo obrigado a viajar e dividir ainda mais a atenção com as seleções envolvidas em mais competições?

Tudo isso temperado com pressão cada vez maior por resultados. Jogadores milionários e midiáticos não devem ser mimados nem tratados como vítimas. Só que a exigência está desproporcional.

Porque com a evolução do esporte no mais alto nível não há mais a menor chance de usarmos aquela tese de mesa de bar: “Amadores jogam seis peladas por semana e não se cansam”. O futebol “líquido” já está aumentando exponencialmente a distância competitiva entre jogos e brincadeiras entre amigos.

Ou seja, esta conta não vai fechar. Guardiola sugere o aumento do número de substituições para rodar o elenco. Ajudaria, mas não parece o suficiente.

Como será o amanhã? Com clubes se rebelando contra FIFA e UEFA a ponto de partir para a desfiliação, organizando as próprias competições e negociando com mais autonomia a cessão de seus jogadores para as seleções? Difícil prever.

A única certeza é que o cenário que se apresenta com mais jogos cada vez mais intensos fica nebuloso para atletas e, consequentemente, para o espetáculo em si, que precisa de bilheteria e grana da TV. Se jogadores já se arrastam nas disputas de Copa do Mundo, Copa América e Eurocopa logo depois das temporadas europeias, a tendência é piorar.

Porque jogadores não são máquinas. Voltando ao  FastFut, palavras de Guardiola: “Os jogadores não descansam e vivem constantemente sobre pressão, ninguém pode ser saudável e ter um bom desempenho dessa forma.”

Será preciso alguém morrer em campo para que eles enfim sejam a prioridade como protagonistas e não engravatados no conforto de suas salas com ar condicionado? Tomara que não.


Real 2×2 Dortmund – Mais um jogaço didático para técnicos brasileiros
Comentários Comente

André Rocha

O colega Mauro Cezar Pereira levantou a bola na ESPN Brasil e Tostão reforçou em sua coluna na Folha de São Paulo. Na entressafra de treinadores no Brasil é salutar para jovens e experientes a atenção ao que acontece nos principais centros do planeta.

Como os 3 a 1 do Chelsea sobre o City em Manchester no sábado pela Premier League. Mais interessante tática e até tecnicamente que o superclássico na Espanha entre Barcelona e Real Madrid.

No encerramento da fase de grupos da melhor competição de clubes do mundo, o empate entre Real Madrid e Borussia Dortmund no Santiago Bernabéu foi mais um bom exemplo de uma disputa em alta velocidade, muita intensidade e variações táticas.

A começar pelo avanço do lateral Schemlzer como ala pela esquerda e deixando Bartra aberto na cobertura e Piszczek mais plantado à direita, quase como um terceiro zagueiro. A ideia era aproveitar a organização defensiva do Real em duas linhas de quatro para criar superioridade numérica no meio com Schurrle, em tese o meia aberto à esquerda, centralizando para junto com Gonzalo Castro e Weigl fazer três contra dois diante de Casemiro e Modric. Criar o “homem livre”.

Mas havia um efeito colateral: Schmelzer avançava, não era tão efetivo na frente e na transição defensiva do time alemão abria um buraco pela esquerda que Bartra chegava tarde na cobertura e por ali passavam Lucas Vázquez ou James Rodríguez, Cristiano Ronaldo e Carvajal, que serviu Benzema no primeiro gol do jogo.

Equipes pressionando a saída de bola, jogando com setores próximos e acelerando para surpreender. Jogo aberto no primeiro tempo com posse de bola dividida e cinco finalizações para cada lado, mas quatro na direção da meta de Weindenfeller e apenas duas no alvo do Dortmund.

Mesma toada na volta do intervalo, com o time merengue pressionando o jovem Julian Weigl, que qualifica os passes na saída da defesa. Ora com Modric, ora com James.

O Dortmund minimizou os danos na retaguarda definindo uma linha de quatro com Schmelzer mais fixo. O Real respondeu mais forte pela esquerda, com as descidas de Marcelo e as trocas dos ponteiros. Jogada pelo setor, outro gol de Benzema. Jogo definido? Nem tanto.

Porque Zidane trocou o esgotado Modric por Toni Kroos, vindo de longa inatividade e sobrecarregando Casemiro, um dos melhores em campo. Thomas Tuchel melhorou a produção na frente com Emre More no lugar de Schurrle e Marco Reus na vaga de Pulisic. Dembélé foi para o lado direito, onde rende mais que centralizado. Depois Sebastian Rode substituiu Castro e reoxigenou o meio.

Mas o grande acréscimo na frente foi Reus, que seria titular absoluto não fosse a infelicidade de lesões seguidas. Um dos mais talentosos atacantes da Europa. Pelo centro, passou a dividir as atenções da marcação com Aubameyang e o Dortmund cresceu, mesmo correndo riscos. Inclusive um incrível gol perdido por Cristiano Ronaldo, que não consegue chegar aos 96 gols na Champions.

Gol de Aubameyang, empate no final com Reus. O Real tentou um abafa com Morata, que entrou no lugar de Benzema, e Cristiano Ronaldo na área rival. Jogaço de quinze finalizações contra doze, equilíbrio na posse. Grandes defesas de Weindenfeller e Keylor Navas.

Os times fazem história. O Real Madrid de Zidane aumenta a invencibilidade para 34 partidas e iguala a marca da temporada 1988/89. Com a segunda colocação, foge de Bayern de Munique e Manchester City. As bolinhas do sorteio costumam ser generosas com o time de Madrid.

Já o Dortmund alcança o recorde de gols numa fase de grupos da Liga dos Campeões: 21 gols em seis partidas, média superior a três por partida. Ajudaram a construir a liderança do grupo.

Sanha ofensiva, variações táticas, dois grandes times do continente e do planeta. Material obrigatório para observação e estudo. Para seguir antenado, sem “vanguarda” apenas no discurso.

(Estatísticas: UEFA)


Bundesliga “de um time só”? Só se ele for competente
Comentários Comente

André Rocha

O Bayern de Munique sofreu por 25 minutos em Dortmund contra um Borussia que impressionou pela intensidade máxima e as muitas variações táticas partindo de uma base no 3-1-4-2 montado por Thomas Tuchel.

Três zagueiros, Weigl à frente da defesa. Piszczek e Schmelzer ora laterais, ora alas abrindo bem o jogo. Gotze e Schurrle trabalhando no meio e aparecendo na frente formando praticamente um quarteto ofensivo com Adrian Ramos e Aubameyang, autor do gol único da partida.

Vantagem que fez o time da casa manter a proposta por mais algum tempo e depois recolher as linhas naturalmente, na maior parte do tempo com cinco atrás.

Trocando passes, o time bávaro começou a ter o controle do jogo. Algo que falta muitas vezes ao ritmo insano do Dortmund, que tentava o contragolpe, a bola batia e voltava para ser trabalhada pelo rival.

No 4-3-3, o time de Carlo Ancelotti se instalou no campo de ataque. Sem Vidal, perdeu a variação para as linhas de quatro com Muller fazendo a diagonal e se juntando a Lewandowski. O time fica mais engessado, menos imprevisível, o que dificulta a jogada que cria a chance cristalina.

No segundo tempo, mais pressão com Douglas Costa na vaga de Kimmich abrindo bem na ação ofensiva, quase colado na linha lateral para Muller centralizar, e fechando o meio na recomposição. Rafinha entrou no lugar de Lahm e Renato Sanches substituiu Xabi Alonso, que acertou o travessão de Burki, ótimo goleiro suíço que trabalhou muito.

Mas, a rigor, foram apenas três finalizações do Bayern no alvo em um universo de 18. Quatro do Dortmund, mesmo concluindo apenas onze e tendo 38% de posse. Eficiência.

E competência que deixa uma lição para o atual tetracampeão alemão: a Bundesliga, e qualquer campeonato de alto nível, só pode ser “de um time só” apenas se esta equipe for a melhor em desempenho e resultados. Senão a distância diminui ou simplesmente desaparece.

Em onze rodadas quem está na frente com campanha invicta é o debutante Leipzig, o “Expresso do Oriente”. Quer conhecer mais sobre esta surpresa? Clique AQUI


Jogaço e empate entre a tradição e o futebol do futuro em Dortmund
Comentários Comente

André Rocha

O técnico Thomas Tuchel é um produto do segundo desdobramento da revolução de ideias do futebol nos últimos oito anos.

A primeira consequência do impacto de Guardiola no Barcelona foram as respostas de treinadores experientes e já consolidados no mercado, como Mourinho, Ancelotti e Heynckes, além de Klopp.

Tuchel cresceu já dentro deste cenário e sua busca é de combinar conceitos para evoluir e surpreender. Seu Borussia Dortmund mantém a intensidade na frente dos tempos de Kloop, mas insere o jogo de posição de Guardiola.

Como? Trocando passes com paciência e organização desde a defesa até se instalar no campo de ataque. Com os jogadores mais próximos, essa bola gira até encontrar uma zona de superioridade numérica ou de fragilidade do adversário para acelerar com tabelas e triangulações rápidas e envolventes até a finalização.

Não por acaso a boa temporada passada que trouxe a equipe de volta à Liga dos Campeões. Nem os 20 gols nos últimos quatro jogos e a disputa ponto a ponto pela liderança da Bundesliga com o gigante Bayern de Munique.

Porque cria um volume de jogo sufocante, já que inicia a pressão assim que perde a bola e as linhas estão adiantadas com jogadores próximos. É roubar a bola e seguir atacando. Vanguarda que pode ser uma das portas para o que será jogado daqui para frente.

Diante do Real Madrid sem Casemiro na proteção da retaguarda e com Danilo improvisado na lateral-esquerda por conta da ausência de Marcelo, imaginava-se um arrastão amarelo no Signal Iduna Park. Só que o atual campeão continental não é uma equipe qualquer. Tem talento, experiência e o peso da camisa que também conta em momentos chave do confronto para evitar o massacre.

Não que o Dortmund tenha se intimidado. Impossível na proposta de jogo de Tuchel. No primeiro tempo foram 63% de posse, oito finalizações contra duas do time merengue. Mas a de Cristiano Ronaldo foi às redes abrindo o placar em bela combinação do ataque. Mesmo longe da melhor condição física e após uma semana tensa, a eficiência nas finalizações do português segue absurda.

Zidane plantou James Rodríguez, Modric e Kroos quase em linha para proteger a defesa e compensar a ausência do volante brasileiro que dá equilíbrio ao time. Nem sempre conseguiu, porque a equipe alemã avançava com os laterais Piszczek e Schmelzer, mais os meias Castro e Gotze por dentro, Dembélé e Guerreiro nas pontas e Aubameyang na frente.

Artilheiro gabonês que achou o empate na falha de Keylor Navas, depois de duas boas defesas do goleiro vindo de inatividade. Logo em um momento de mais controle do jogo do Real e menos intensidade do adversário.

Borussia com sua proposta que adianta linhas e acelera na frente, mas deixando espaços para o Real Madrid que respondeu com experiência e compactação, com Bale voltando para ajudar James, Modric e Kroos (Tactical Pad).

Borussia com sua proposta que adianta linhas e acelera na frente, mas deixando espaços para o Real Madrid que respondeu com experiência e compactação, com Bale voltando para ajudar James, Modric e Kroos (Tactical Pad).

Senha para um atropelamento dos donos da casa na segunda etapa? Não contra o Real que sabe se defender e sempre deixa claro para os adversários que se deixar espaços os contragolpes com o trio BBC podem ser letais. Ou ir às redes na jogada aérea, normalmente com Sergio Ramos. Desta vez com Varane.

Tuchel fez sua equipe recuperar ritmo e jogo vertical com Pulisic e Schurrle nas pontas e Emre Mor atrás de Aubameyang. Zidane trocou apenas James Rodríguez por Kovacic, reagrupando o meio com Kroos centralizado e plantado, Modric se adiantando. Só no final tirou Benzema e mandou a campo Morata.

Com rapidez e intensidade pelos flancos após as entradas de Pulisic e Schurrle, o time de Dortmund pressionou até empatar contra um Real que ameaçou nos contragolpes e se defendeu melhor com Kovacic na vaga de James Rodríguez (Tactical Pad).

Com rapidez e intensidade pelos flancos após as entradas de Pulisic e Schurrle, o time de Dortmund pressionou até empatar contra um Real que ameaçou nos contragolpes e se defendeu melhor com Kovacic na vaga de James Rodríguez (Tactical Pad).

Até a jogada de Pulisic e o empate com Schurrle. Resultado mais adequado ao que aconteceu na partida. Saldo final: 59% de posse do Dortmund, 19 finalizações contra 11 – onze a quatro no alvo. Quatro pontos para cada um dos favoritos às vagas no Grupo F, apesar do bom futebol do Sporting.

Empate entre a tradição e o futebol do futuro num jogaço.

(Estatísticas: UEFA)


No novo Bayern de Carlo Ancelotti, Muller será Cristiano Ronaldo. Entenda
Comentários Comente

André Rocha

É injusto afirmar que o Bayern de Munique na passagem de bastão de Guardiola para Carlo Ancelotti será um time essencialmente pragmático levando em conta a atuação na Supercopa da Alemanha.

Porque o time bávaro comandado pelo catalão já sofreu e jogou nos contragolpes em Dortmund contra o Borussia. Inclusive com cinco na defesa e abrindo mão da bola diante da pressão das equipes de Jurgen Klopp e Thomas Tuchel.

Mesmo enfrentando um Dortmund sem Gundogan, Mkhitaryan e Hummels, agora no time de Munique. Ainda não podendo contar com Gotze e Schurrle, que ficaram no banco. Nunca é fácil enfrentar um time que, independentemente da formação, sempre tenta combinar posse de bola, velocidade na transição ofensiva e pressão na saída adversária.

O Bayern respondeu com maturidade. Também equilíbrio, marca de Ancelotti em suas equipes que sempre tentam combinar qualidade técnica e praticidade. O italiano não é um gênio criador como Guardiola. Prefere administrar dentro e fora de campo. Observador e inteligente, transita entre os dois mundos: o da posse e o do jogo reativo.

No Signal Iduna Park enfrentou a Muralha Amarela colocando em campo o que tinha de melhor à disposição. Javi Martinez foi soberbo na vaga de Boateng na zaga ao lado de Hummels. Lahm de volta à lateral, sem as funções de articulador dos tempos de Guardiola.

No desenho tático, trouxe uma variação que deu certo no Real Madrid: do 4-3-3 para o 4-4-2 sem a bola. Cristiano Ronaldo era o ponta que virava atacante na recomposição com o centroavante (Benzema) para guardar energias visando os contragolpes. Ideia de Paulo Bento na seleção portuguesa que disputou a Eurocopa em 2012.

No Bayern é Muller quem abre pela direita quando a equipe ataca e fica à frente com Lewandowski. No Real, Di Maria, depois James Rodríguez, abria para fechar o corredor esquerdo e Bale voltava do lado oposto para formar a linha de quatro. Agora Vidal sai do meio para a direita e Ribéry retorna à esquerda com Xabi Alonso e Thiago Alcântara centralizados.

No contragolpe, o francês acionou Lewandowski às costas da defesa, Muller fechou em diagonal e Vidal recebeu pela direita para abrir o placar. Depois Muller fechou os 2 a 0 que garantiu a sexta conquista do torneio de jogo único para o Bayern na bola parada.

Flagrante do início do contragolpe do primeiro gol: Ribéry vai acionar Lewandowski, Muller, que está mais adiantado, infiltra e Vidal se descola da linha de quatro no meio para aparecer pela direita e finalizar (reprodução ESPN Brasil).

Flagrante do início do contragolpe do primeiro gol: Ribéry vai acionar Lewandowski, Muller, que está mais adiantado, infiltra e Vidal se descola da linha de quatro no meio para aparecer pela direita e finalizar (reprodução ESPN Brasil).

Contra-ataque e jogada aérea. Duas armas do novo Bayern que compensaram as 20 finalizações do Dortmund contra apenas nove dos visitantes, que tiveram apenas 45% de posse.

Assim deve ser o gigante alemão sob o comando de Ancelotti. Menos mutante, mas com uma variação marcante. Muller será Cristiano Ronaldo, ao menos taticamente. Não por acaso, o novo chefe autorizou um prolongamento das férias e exigiu a permanência de Muller na equipe de Munique.

O Bayern espera repetir o Real Madrid e voltar a vencer a Liga dos Campeões com o técnico tricampeão continental.

No Real Madrid, versão 2014/15, Bale voltava à direita e James Rodríguez fechava o corredor esquerdo para liberar Cristiano Ronaldo. Ancelotti agora leva a ideia para o Bayern de Munique (reprodução ESPN Brasil).

No Real Madrid, versão 2014/15, Bale voltava à direita e James Rodríguez fechava o corredor esquerdo para liberar Cristiano Ronaldo. Ancelotti agora leva a ideia para o Bayern de Munique (reprodução ESPN Brasil).